Gênero e os Nossos Cérebros
Agradecimentos
Quem decide escrever um livro sobre diferenças sexuais no cérebro não
pode deixar de ter consciência de que, como o Acerte a toupeira, muitos já
travaram esta batalha. Destes, vários se destacam particularmente por suas
contribuições para esta discussão e para os insights que me deram sobre o
que era frequentemente um território desconhecido. Entre estes, os
principais são Delusions of Gender, de Cordelia Fine (Icon Books, 2010) e
Testosterona Rex (Icon Books, 2017) como exemplos primordiais de como
ser rigoroso e acessível (e até engraçado) ao mesmo tempo, e de como
identificar o enredo por trás das descobertas de pesquisa da neurociência.
Também me beneficiei de Brain Storm de Rebecca Jordan-Young (HUP,
2011), repleto de insights detalhados sobre histórias inexploradas por trás
da pesquisa de hormônios e o cérebro. Naturalmente, os vários textos de
Anne Fausto-Sterling foram uma inspiração por muitos anos, mas Myths of
Gender: Biological Theories about Women and Men (Basic Books, 1992),
Sexing the Body: Gender Politics and the Construction of Sexuality (Basic
Books, 2000) e Sex/Gender: Biology in a Social World (Routledge, 2012)
foram caixas de ressonância para meus pensamentos, em particular sobre
repensar a divisão natureza/criação. The Mind Has No Sex?, de Londa
Schiebinger (HUP, 1989), abriu meus olhos para a herança oculta e
esquecida de mulheres nos primórdios da ciência, proporcionando um
contexto para os paralelos que, infelizmente, ainda existem hoje. Pink
Brain, Blue Brain, de Lise Eliot (Oneworld, 2010), é um modelo de como
precisamos prestar atenção aos primeiros anos do cérebro humano, e as
críticas incisivas de Eliot sobre as escolas de sexo único são um exemplo
contundente da necessidade de ficar de olho em como a pesquisa que nós,
neurocientistas, fazemos pode ser traduzida em prática educacional. Como
neurocientista que passou grande parte de meu tempo na extremidade mais técnica dos dados de imagem cerebral, Social, de Matthew Lieberman
(OUP, 2013), abriu meus olhos verdadeiramente como uma introdução às
implicações sociais da pesquisa de neurociência cognitiva – o livro deu
muitos elos ausentes na história que eu lutava para juntar.
Pesquisadores também responderam rápida e prestativamente a meus e-
mails cara de pau sobre aspectos de seu trabalho e até realizaram outras
análises para dar informações mais detalhadas. Simon Baron-Cohen, Sarah-
Jayne Blakemore, Paul Bloom, Karen Wynn e Tim Dalgleish foram
particularmente úteis neste aspecto. Chris e Uta Frith também responderam
incansavelmente a repetidas consultas e até encontraram tempo para dar
feedback a rascunhos de capítulos – seu trabalho sobre o cérebro social e
suas implicações para o comportamento típico e atípico tem sido uma
inspiração constante para mim. O trabalho de Uta como diretora da
Comissão da Diversidade da Royal Society também mostrou como a
pesquisa nesta área pode (e deve) ser colocada em prática.
Também me beneficiei imensamente das informações e do apoio de
membros da NeuroGenderings Network, cujos escritos e discussões
provocantes sobre questões da pesquisa de sexo/gênero certamente
ampliaram meus horizontes limitados. Seu compartilhamento altruísta de
material fundamental e os comentários úteis nos primeiros rascunhos foram
inestimáveis. Também agradeço muito pelas opiniões sobre o projeto de
capa. Agradecimentos especiais a Cordelia Fine, Rebecca Jordan-Young,
Daphna Joel, Anelis Kaiser e Giordana Grossi por compartilharem comigo
seu raciocínio crítico e habilidades de escrita e, pelo caminho, tornarem-se
amigas e colegas de trabalho. É desnecessário dizer que quaisquer erros ou
omissões em Gênero e os nossos cérebros são de minha inteira
responsabilidade.
Embora este livro tenha uma única autora, existem muitíssimos outros
que contribuíram de suas várias maneiras. Kate Barker, minha incansável
agente, “descobriu-me” e ficou comigo e tem me dado mais apoio (e vem
sendo incansavelmente otimista) do que devo merecer – percebo a sorte que
tenho de ser publicada pela The Bodley Head e sei que Kate foi
fundamental para que isso acontecesse. Anna-Sophia Watts assumiu a tarefa desalentadora de editar o texto de uma autora de divulgação científica de
primeira viagem e o produto final é um reflexo de sua contribuição
diligente. A preparação de originais de Jonathan Wadman foi imensamente
perspicaz e, em algumas partes, muito divertida, e, assim, tornou realizável
uma tarefa árdua. Também sou grata a Alison Davies, Sophia Painter e aos
demais integrantes da excelente equipe da The Bodley Head, e a Maria
Goldverg da Pantheon.
Minha incursão particular na esfera da pesquisa de sexo/gênero e dos
comentários começou com o apoio e o estímulo da professora Dame Julia
King, então vice-reitora de Aston e agora baronesa Brown de Cambridge.
Seu apoio incansável a pautas de diversidade deram o espaço e as
oportunidades para desenvolver este aspecto de minha vida acadêmica. Seu
encorajamento ainda continua, apesar de uma agenda espantosamente
movimentada, por meio de postais e mensagens alegres. O apoio da British
Science Association foi fundamental para pavimentar meu caminho para
produzir este livro e gostaria de agradecer especialmente a Kath Mathieson,
Ivvet Modinou, Amy MacLaren e Louise Ogden, embora eu esteja ciente de
que existem muitas outras pessoas dedicadas nos bastidores desta incrível
organização. Agradeço também a Jon Wood e Anna Zecharia, por
intermédio de seu envolvimento com a ScienceGrrl, e a Martin Davies, da
Royal Institution, que foi responsável pelo início de toda essa jornada.
O apoio que a Universidade Aston deu ao desenvolvimento do Aston
Brain Centre resultou não só em uma instalação com equipamento de
imagem cerebral de última geração, mas também em uma comunidade de
colegas e amigos que têm sido essenciais para minha carreira acadêmica.
Eles são um exemplo maravilhoso de como equipes multidisciplinares
podem trabalhar juntas e sou infinitamente grata pela paciência e apoio
demonstrados não só a mim, mas também a meus estudantes de pesquisa,
associados e visitantes. Para citar apenas alguns, Gareth Barnes, Adrian
Burgess, Paul Furlong, Arjan Hillebrand, Ian Holliday, Klaus Kessler, Brian
Roberts, Stefano Seri, Krish Singh, Joel Talcott e Caroline Witton tiveram
vários papéis em meu desenvolvimento como pesquisadora de imagem
cerebral e neurocientista crítica. Gostaria também de agradecer separadamente a Andrea Scott, que, nos últimos estágios de meu período
em Aston, sempre apoiou alegremente as várias incursões de
documentaristas e equipes de filmagem em meu laboratório, muito além de
seu dever e, com demasiada frequência, de seu horário de trabalho normal.
Meus agradecimentos também a familiares e amigos de fora de meu
círculo acadêmico cujas sondagens cautelosas de meu progresso – e audição
paciente das respostas frequentemente longas e pessimistas – ajudaram-me
mais do que eles talvez percebam. Minhas filhas, Anna e Eleanor,
suportaram uma mãe que constantemente estava mental, se não fisicamente
ausente e certamente sempre distraída. Sua opinião sobre este livro, por
meio de como levavam a vida até agora e também por feedback em tempo
real sobre seu conteúdo, foi imensuravelmente útil. O vovô Luke sofreu
com minha indisponibilidade como goleira, arremessadora de beisebol e
confeiteira de torta de limão sem reclamar (muito), mas ele sempre tinha
razão quando dizia que era hora de fazer uma pausa. Meus amigos do
hipismo me distraíram muito prestativamente e cuidaram para que pensar
em cérebros não dominasse toda minha vida. As companhias não humanas
também ajudaram e devo minha gratidão a Just Joseph, Nick e outros
membros de nosso bando equino, bem como a Bob e seus vários
predecessores que garantiram que, fizesse sol, chuva, granizo ou neve, eu
sempre recebesse uma boa dose de ar fresco.
Quase invariavelmente, morar com Alguém Que Está Escrevendo um
Livro tem seu preço sobre aqueles que precisam lidar com este Alguém.
Agora que saí piscando para a luz do dia, o reconhecimento mais
importante de todos devo a Dennis, que assumiu tudo que mantém nosso
show na estrada. Não só permaneceu no papel de Jardineiro Chefe e
Cozinheiro Chefe (ainda faço a Limpeza das Garrafas), mas sua paciência,
seus conselhos e seu apoio pareceram ilimitados, e seu timing com o
Melhor Gin-tônica do Mundo invariavelmente foi impecável. Sem Dennis,
não haveria livro nenhum, então devo toda gratidão do mundo a ele.