Hereges
I. Observações iniciais sobre a importância da Ortodoxia
CAPÍTULO I
Observações iniciais sobre
a importância da Ortodoxia
N ADA INDICA, de modo mais inusitado, o enorme e silencioso mal da sociedade moderna do que o estranho uso que é feito, em nossos dias, da palavra “ortodoxo”. No passado, o herege se orgulhava de não ser
herege. Os reinos do mundo, a polícia e os juízes é que eram hereges. Ele
era ortodoxo. Não se orgulhava de se ter rebelado; eles é que se tinham
rebelado contra ele. Os exércitos com sua cruel segurança, os reis com suas
frias fisionomias, os decorosos processos do Estado, os razoáveis processos
da lei – tudo isso se desviara. O homem tinha orgulho de ser ortodoxo, tinha
orgulho de estar certo. Caso ficasse isolado num deserto imenso, era mais
que um homem; era uma igreja. Era o centro do universo; em torno dele
giravam as estrelas. Todas as torturas extirpadas de infernos esquecidos não
poderiam fazê-lo admitir que fosse um herege. Mas umas poucas
expressões modernas o fizeram orgulhar-se disso. Diz, com um sorriso
deliberado, “Acho que sou muito herético”, e olha ao redor em busca de
aplausos. A palavra “heresia” não só deixa de significar estar errado como
praticamente significa ser lúcido e corajoso. A palavra “ortodoxia” não só
deixa de significar estar certo como praticamente significa estar errado.
Tudo isso só pode expressar uma coisa, e uma coisa somente: as pessoas se
preocupam menos em estar filosoficamente certas. Obviamente, um homem
deve confessar estar louco, antes de reconhecer ser herege. O boêmio, de
gravata vermelha, deve se aborrecer com a própria ortodoxia. O
dinamitador, ao armar uma bomba, deve sentir que, seja o que for, ao
menos, é ortodoxo.
É uma tolice, em geral, um filósofo abrir fogo contra outro filósofo no
Mercado Smithfield1 porque não concordam a respeito das teorias sobre o
universo. Isso foi feito com muita freqüência nos últimos e decadentes
períodos da Idade Média, e a prática fracassou completamente em seu
objeto. Mas há algo infinitamente mais absurdo e inútil do que queimar um homem por causa de sua filosofia; é o hábito de dizer que sua filosofia não
importa. E isso é feito universalmente no século XX, na decadência do
grande período revolucionário. Teorias gerais são desprezadas em todos os
lugares; a doutrina dos Direitos do Homem é posta de lado juntamente com
a doutrina da Queda do Homem. O próprio ateísmo, aos olhos do mundo
atual, é muito teológico. A revolução é, em grande parte, um sistema; a
liberdade é, em grande parte, uma repressão. Não teremos generalizações.
O Sr Bernard Shaw2 resumiu a situação num perfeito epigrama: “A regra
de ouro é que não há regra de ouro”. Tendemos cada vez mais a discutir
detalhes em arte, política e literatura. A opinião de um homem sobre os
bondes tem importância; sua opinião sobre Botticelli3 tem importância; sua
opinião sobre todas as coisas não tem importância. Ele pode mudar de
opinião e explorar milhões de objetos, mas não deve encontrar aquele
objeto estranho, o universo, pois se o fizer, terá uma religião, e estará
perdido. Tudo tem importância, exceto tudo.
Quase não precisamos de exemplos de total leviandade sobre o tema da
filosofia cósmica. Quase não precisamos de exemplos para mostrar que,
seja o que for que pensemos sobre os assuntos práticos, não pensamos que
importa se um homem é pessimista ou otimista, cartesiano ou hegeliano,
materialista ou espiritualista. Permitam-me, contudo, que eu tome um
exemplo aleatório. Em qualquer inocente mesa de chá, podemos facilmente
ouvir um homem dizer que “A vida não vale a pena ser vivida”. Damos
crédito a isso como damos crédito à afirmação de que o dia está belo hoje.
Ninguém pensa que isso possa ter qualquer efeito sério sobre o homem ou
sobre o mundo. No entanto, se tal discurso fosse levado realmente a sério, o
mundo estaria de cabeça para baixo. Assassinos receberiam medalhas por
livrarem os homens da vida; bombeiros seriam denunciados por evitarem a
morte dos homens; venenos seriam usados como remédios; médicos seriam
chamados quando as pessoas estivessem saudáveis; a Real Sociedade
Humanitária4 seria erradicada como uma horda de assassinos. Mesmo
assim, nunca especulamos se o pessimista sociável fortalecerá ou
desorganizará a sociedade, pois estamos convencidos de que teorias não
importam.
Certamente não era essa a idéia daqueles que criaram as condições para
nossa liberdade. Quando os antigos liberais removeram as mordaças de
todas as heresias, sua idéia era a de que descobertas filosóficas e religiosas poderiam, então, ser feitas. A visão deles era de que a verdade universal era
tão importante que cada um de nós deveria dar um testemunho
independente. A idéia moderna é de que a verdade universal é tão sem
importância que não importa o que cada um diz. Os liberais se livraram da
investigação como quem liberta um nobre cão de caça; os modernos se
livraram da investigação como quem devolve ao mar um peixe inadequado
ao consumo. Nunca houve tão pouca argumentação sobre a natureza dos
homens como agora, quando, pela primeira vez, qualquer um pode discutir
isso. A velha restrição significava que somente o ortodoxo podia discutir
religião. A moderna liberdade significa que ninguém pode discuti-la. O
bom gosto, a última e a mais desprezível das superstições, teve sucesso em
silenciar-nos onde todos fracassaram. Sessenta anos atrás, era de mau gosto
ser um ateu declarado. Então, surgiram os bradlaughitas,5 os últimos
homens religiosos, os últimos homens a se preocuparem com Deus; mas
não puderam alterar a situação. Ainda é de mau gosto ser um ateu
declarado. Mas a agonia deles conseguiu apenas isto – agora é igualmente
de mau gosto ser um cristão declarado. A emancipação apenas trancou o
santo na mesma torre de silêncio do heresiarca. Assim, falamos sobre lorde
Anglesey6 e o clima, e chamamos isto de completa liberdade em relação a
todos os credos.
Mas há algumas pessoas – entre as quais me incluo – que pensam que a
coisa mais prática e importante sobre o homem ainda é sua visão a respeito
do universo. Cremos que para a proprietária que analisa um possível
inquilino é importante saber sua renda, mas é ainda mais importante
conhecer sua filosofia. Cremos que para um general prestes a lutar contra
um inimigo é importante saber a quantidade de inimigos, mas é ainda mais
importante conhecer a filosofia do inimigo.
Cremos que a questão não é se a teoria do cosmo afeta as coisas, mas se,
no longo prazo, algo mais as afeta. No século XV, os homens interrogavam e
atormentavam uma pessoa por pregar alguma atitude imoral. No século XIX,
festejamos e lisonjeamos Oscar Wilde7 porque prega a mesma atitude e,
então, o decepcionamos, trancafiando-o na prisão por ter realizado o que
proclamava. A questão é saber qual dos dois métodos é o mais cruel; não há
dúvida de qual é o mais ridículo. A época da inquisição pelo menos não
teve a infelicidade de produzir uma sociedade que idolatrou um mesmo homem por pregar exatamente as mesmas coisas que o tornariam um
prisioneiro por praticá-las.
Ora, em nossa época, a filosofia ou a religião, ou seja, a teoria das coisas
fundamentais foi expulsa mais ou menos ao mesmo tempo dos dois campos
que costumava ocupar. As idéias gerais costumavam dominar a literatura.
Foram de lá expelidas pelo clamor da “arte pela arte”. Idéias gerais
costumavam dominar a política. Foram de lá expelidas pelo clamor da
“eficiência”, que pode ser grosseiramente traduzido por “política pela
política”. De forma persistente, nos últimos vinte anos, as idéias de ordem
ou de liberdade minguaram em nossos livros; as ambições de inteligência e
eloqüência minguaram em nossos parlamentos. A literatura se tornou
propositalmente menos política; a política se tornou propositalmente menos
literária. As teorias gerais sobre as relações das coisas foram extirpadas de
ambas; e estamos na posição de perguntar: “O que ganhamos ou perdemos
com essa expulsão? Será que a literatura melhorou, a política melhorou, por
ter descartado o moralista e o filósofo?”.
Quando tudo num povo enfraquece e se torna ineficiente, esse povo
começa a falar de eficiência. Assim, também, quando o corpo de um
homem começa a fraquejar, ele, pela primeira vez, começa a falar de saúde.
Organismos vigorosos não falam de seus processos, mas de seus objetivos.
Não há melhor prova da eficiência física de um homem do que a animação
ao falar sobre uma viagem ao fim do mundo. E não há melhor prova de
eficiência prática de uma nação do que a constante menção à uma viagem
ao fim do mundo, uma viagem ao dia do juízo e à nova Jerusalém. E não há
sinal mais claro de uma saúde debilitada do que a tendência a buscar
elevados e extravagantes ideais. É no primeiro vigor da infância que
tentamos alcançar a lua. Nenhum homem enérgico das eras fortes
entenderia o que queremos dizer com “trabalhar para eficiência”.
Hildebrand8 teria dito que não estava empregando seus esforços para ser
eficiente, mas pela Igreja Católica. Danton teria dito que não estava
labutando para ser eficiente, mas pela liberdade, igualdade e fraternidade.
Mesmo se o ideal de tais homens fosse o ideal de empurrar alguém escada
abaixo, eles pensariam na finalidade como homens e não no processo como
paralíticos. Não diriam: “Ao elevar eficientemente minha perna, vocês
poderão notar que utilizando os músculos da coxa e da panturrilha, que
estão em excelente forma…”. O sentimento deles seria bem diferente. Estariam tomados pela bela visão de um homem estatelado ao término dos
degraus que, neste êxtase, o restante se seguiria num segundo. Na prática, o
hábito de generalizar e idealizar não significa, de forma alguma, fraqueza.
O tempo das grandes teorias foi o tempo dos grandes resultados. Numa
época de sentimentalismo e de palavras elegantes, ao final do século XVIII,
os homens eram realmente robustos e eficientes. Os sentimentalistas
conquistaram Napoleão.9 Os cínicos não conseguiram pegar De Wet.10 Há
cem anos, nossos assuntos, fossem para o bem ou para o mal, eram tratados
triunfantemente por retóricos. Agora, nossos assuntos são
irremediavelmente desorganizados por homens fortes e silenciosos. E assim
como o repúdio das grandes palavras e das grandes visões nos trouxe uma
raça de anões na política, trouxe também uma raça de anões nas artes.
Nossos políticos modernos tentam desfrutar dos méritos de César11 e do
super-homem12 e alegam que são muito práticos para serem puros e muito
patrióticos para serem morais. Mas o resultado disso é ter um medíocre
como Ministro da Fazenda.13 Nossos novos filósofos artísticos exigem
mesma licença moral, por uma liberdade para devastar céus e terras com
sua energia; mas o resultado disso é ter um medíocre como poeta
laureado.14 Não digo que não haja homens mais fortes que estes, mas será
que alguém dirá que há homens mais fortes do que os de outrora,
dominados pela filosofia e impregnados pela religião? Se a servidão é
melhor que a liberdade, isso é uma questão a ser discutida. Mas que a
servidão dos antigos fez mais que a nossa liberdade será difícil negar.
A teoria da amoralidade na arte se estabeleceu firmemente na classe
artística; estão livres para produzir qualquer coisa que desejarem. Estão
livres para escrever um poema como O Paraíso Perdido,15 em que Satã
conquistará Deus. Estão livres para escrever uma Divina Comédia16 em
que o Paraíso pode estar abaixo do nível do Inferno. E o que fizeram? Será
que produziram, em sua universalidade, algo mais grandioso ou mais belo
do que a criação do impetuoso gibelino católico17 ou do rígido mestre-
escola puritano?18 Sabemos que produziram apenas uns poucos rondós.19
Milton não os vencia somente pela sua devoção, vencia-os pela sua própria
irreverência. Em todos os livrecos em versos, não encontraremos um
desafio a Deus mais sofisticado que o de Satã. Tampouco sentiremos a
grandeza do paganismo da forma como aquele ardoroso cristão descrevera
Faranata20 erguendo a cabeça em puro desdém pelo inferno. E a razão é muito clara. A blasfêmia é um efeito artístico, pois depende de uma
convicção filosófica. A blasfêmia depende da crença e, com ela, definha.
Caso alguém duvide disso, faça-o sentar e tentar, com seriedade, ter
pensamentos blasfemos a respeito de Thor.21 Penso que a família desse
sujeito, ao fim do dia, o encontrará exausto.
Nem o mundo da política, nem o da literatura conseguiu ter sucesso com a
rejeição das teorias gerais. Pode ter sido por causa dos muitos ideais
equivocados e lunáticos que de tempos em tempos atingiram a humanidade,
mas seguramente não houve ideal posto em prática mais equivocado e
lunático do que o ideal da praticidade. Nada perdeu tantas oportunidades
como o oportunismo de lorde Rosebery.22 Ele é, de fato, um símbolo
permanente de sua época – o homem que é teoricamente um homem
prático, e, praticamente, menos prático do que um teórico. Nada neste
universo está tão longe da sabedoria quanto aquela espécie de veneração da
sabedoria mundana. Um homem que está continuamente pensando se esta
ou aquela raça é mais forte, ou se esta ou aquela causa é mais promissora, é
um homem que nunca acreditará em algo por tempo suficiente para fazê-lo
prosperar. O político oportunista é como um homem que pára de jogar
bilhar porque perdeu no bilhar e que pára de jogar golfe porque perdeu no
golfe. Não há nada mais prejudicial aos propósitos práticos que essa enorme
importância dada à vitória imediata. Não há nada que fracasse mais que o
sucesso.
E, tendo descoberto que o oportunismo realmente fracassa, fui induzido a
considerá-lo mais detalhadamente e, em conseqüência, a ver que ele tem de
fracassar. Percebi que é muito mais prático começar pelo começo e analisar
as teorias. Vi que os homens que se matavam pela ortodoxia do
Homousion23 eram muito mais sensíveis que as pessoas que estão
discutindo a Lei da Educação,24 visto que os dogmáticos cristãos estavam
tentando estabelecer um reino de santidade e tentando definir,
primeiramente, o que era realmente santo. Mas nossos modernos
educadores estão tentando produzir uma liberdade religiosa sem tentar
definir o que é religião ou o que é liberdade. Se os antigos padres
impunham um juízo à humanidade, pelo menos fizeram algum esforço
prévio para torná-lo claro; sobrou para a moderna turba de anglicanos e
não-conformistas25 a perseguição por causa de doutrina sem sequer indicar
qual seja.
Por essas razões, e por muitas outras, por exemplo, comecei a acreditar na
volta aos fundamentos. Tal é a idéia deste livro. Quero tratar com os mais
distintos contemporâneos, não pessoalmente ou de uma maneira meramente
literária, mas em relação ao verdadeiro corpo doutrinário que ensinam. Não
estou preocupado com o Sr Rudyard Kipling26 como um artista vívido ou
uma personalidade vigorosa. Ocupo-me dele como um herege – isto é, um
homem cuja visão das coisas tem a audácia de diferir da minha. Não me
interesso pelo o Sr Bernard Shaw como um dos homens vivos mais
brilhantes e mais honestos; estou interessado nele como um herege – isto é,
um homem cuja filosofia é muito sólida, muito coerente, e muito errada.
Retrocedo aos métodos doutrinais do século XIII, na esperança de conseguir
obter algum resultado.
Suponhamos que surja em uma rua grande comoção a respeito de alguma
coisa, digamos, um poste de iluminação a gás, que muitas pessoas
influentes desejam derrubar. Um monge de hábito cinza, que é o espírito da
Idade Média, começa a fazer algumas considerações sobre o assunto,
dizendo à maneira árida da Escolástica: “Consideremos primeiro, meus
irmãos, o valor da luz. Se a luz for em si mesma boa…”. Nesta altura, o
monge é, compreensivelmente, derrubado. Todo mundo corre para o poste e
o põe abaixo em dez minutos, cumprimentando-se mutuamente pela
praticidade nada medieval. Mas, com o passar do tempo, as coisas não
funcionam tão facilmente. Alguns derrubaram o poste porque queriam a luz
elétrica; outros, porque queriam o ferro do poste; alguns mais, porque
queriam a escuridão, pois seus objetivos eram maus. Alguns se
interessavam pouco pelo poste, outros, muito; alguns agiram porque
queriam destruir os equipamentos municipais; outros porque queriam
destruir alguma coisa. E há uma guerra noturna em que ninguém sabe a
quem atinge. Então, aos poucos e inevitavelmente, hoje, amanhã, ou depois
de amanhã, voltam a perceber que o monge, afinal, estava certo, e que tudo
depende de qual é a filosofia da luz. Mas o que poderíamos ter discutido
sob a lâmpada a gás, agora teremos que discutir no escuro.
1 Mercado central de carne em Londres.
2 George Bernard Shaw (1856–1950) foi um dramaturgo, romancista, contista, ensaísta e jornalista irlandês. Vegetariano, socialista e membro da sociedade fabiana, ainda assim conseguia manter uma polêmica amizade, fundada na admiração mútua, com Chesterton e Hilarie Belloc (1870–1953). As divergências entre Chesterton e Shaw sempre foram objeto de críticas e observações mordazes entre os dois escritores, fato que gerou, da parte de Chesterton, não só o capítulo IV da presente obra, como diversas observações esparsas contra as idéias de Shaw e o ensaio, de 1909, intitulado George Bernard Shaw. Por ocasião da morte de Chesterton, em 1936, Shaw o descreveu como “gênio colossal”.
3 Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi (1445–1510), conhecido como Sandro Botticelli, foi um célebre pintor da Escola Florentina do Renascimento.
4 Instituição de caridade britânica fundada em 1774, cuja patrona é a Rainha, que promove intervenções salva-vidas e concede premiações por atos de bravura, como medalhas, comendas e certificados.
5 Seguidores de Charles Bradlaugh (1833–1891), o mais famoso ateu militante do século XIX na Inglaterra. Associou-se com Annie Besant (1847–1933) [teósofa, ligada à maçonaria, ao socialismo fabiano e associada à Helena P. Blavatsky (1831–1891)] na defesa do controle de natalidade. Teve direito a assumir uma cadeira no parlamento sem jurar sobre a Bíblia.
6 Referência ao marechal de campo Henry William Paget (1768–1854), primeiro marquês de Anglesey e comandante da cavalaria aliada na batalha de Waterloo.
7 Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde (1854–1900) foi um dramaturgo e escritor irlandês, promotor do esteticismo ou dandismo. Tornou-se um dos dramaturgos mais famosos da Inglaterra na década de 1890, tendo a carreira interrompida pela acusação e prisão por homossexualismo.
8 Nome do Papa São Gregório VII, um dos maiores pontífices que a Igreja conheceu e que esteve no trono de Pedro de 1073 a 1085.
9 Napoleão Bonaparte (1769–1821) foi o dirigente efetivo da França a partir de 1799, adotando o nome de Napoleão I. Foi imperador da França de 18 de maio de 1804 a 6 de abril de 1814, posição que voltou a ocupar por poucos meses em 1815 (20 de março a 22 de junho). Além disso, conquistou e governou grande parte da Europa central e ocidental. Figura importante no cenário político mundial de sua época, deveu o sucesso ao talento como estrategista e ao espírito de liderança.
10 Christiaan Rudolph de Wet (1854–1922), político sul-africano e general bôer na Guerra dos Bôeres.
11 Caio Júlio César (100 a.C.–44 a.C.) foi um patrício, líder militar e político romano. Suas conquistas na Gália estenderam o domínio romano até o oceano Atlântico; proclamou-se ditador e empreendeu uma série de transformações administrativas e econômicas. Seu assassinato por um grupo de senadores impediu a continuidade do trabalho e abriu caminho a uma instabilidade política que viria a culminar no fim da República e início do Império Romano. Os feitos militares de César são conhecidos através do próprio punho e por relatos de autores como Suetônio (69–141) e Plutarco (46–126).
12 Referência ao termo alemão Übermensch, descrito no livro Assim Falou Zaratustra (1883–1885), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844–1900), em que explica os passos pelos quais alguém pode se tornar um super-homem ou homem superior.
13 Chancellor of the Exchequer é o título do ministro britânico que trata de todos os assuntos econômicos e financeiros e desempenha um papel semelhante aos postos de Ministro das Finanças ou Secretário do Tesouro em outros países. Nesta ocasião, provavelmente Chesterton estava se referindo a Austen Chamberlain (1863–1937), político conservador que esteve na pasta de 1903 a 1905, sendo sucedido por Herbert Henry Anquith (1852–1928).
14 Termo que designa o poeta oficialmente indicado pelo governo para compor poesias para datas cívicas e outros eventos governamentais. No Reino Unido, desde o reinado de Charles II (1630–1685) é um título honorífico conferido pelo monarca. A titulação existe em outros países como Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia, País de Gales e Escócia. Chesterton, nesta ocasião, estava se referindo a Alfred Austin (1835–1913).
15 O poema épico O Paraíso Perdido (1667) é uma das obras mais conhecidas de John Milton (1608–1674), um dos mais importantes representantes do classicismo inglês. A obra, escrita em versos brancos, trata do tema do pecado original e expulsão do homem do paraíso. Neste relato lírico incorpora referências pagãs e gregas, lida com temas como casamento e política, além de vários tópicos controversos de Teologia, como: destino, predestinação, Trindade, pecado, anjos, anjos decaídos e Satanás.
16 Considerada uma das obras máximas do gênio humano, é um poema de viés épico e teológico, escrito pelo poeta e político florentino, Dante Alighieri (1265–1321). Dividida em três partes (Inferno, Purgatório e Céu), foi elaborada entre os anos de 1304 a 1321. Tornou-se uma das matrizes da língua italiana atual e é a melhor representação da cosmovisão medieval que temos hoje.
17 Referência a Dante Alighieri (1265–1321), o primeiro e maior poeta da língua italiana. Na cidade de Florença, nos séculos XII e XIII, havia duas facções políticas: os guelfos, partidários do papado (divididos em brancos e negros), e os gibelinos, partidários do Império. A descrição de Chesterton parece paradoxal, já que Dante, um guelfo branco, foi multado e obrigado a se exilar de Florença, por volta de 1302, quando os guelfos negros chegaram ao poder. No entanto, essa pode ser uma boa descrição de Dante no final da vida.
18 Referência ao poeta John Milton (1608–1674). Ao contrário do que Chesterton afirma, não foi um professor primário no sentido usual. Foi tutor dos dois filhos de sua irmã e seu tratado Of Education (1644) demonstra que parece ter sido um preceptor bastante exigente.
19 O rondó é um tipo de verso usado na poesia inglesa que foi inventado por Algernon Charles Swinburne (1837–1909). É uma variação do rondeau francês e faz uso de refrãos, repetidos segundo determinado padrão estilizado.
20 Chesterton erra na grafia do nome. No Canto X do Inferno, Dante encontra Farinata degli Uberti (1212–1264), líder dos gibelinos de Florença.
21 Divindade que representa a força da natureza no paganismo germânico.
22 Archibald Primrose, 5º Duque de Rosebery (1847–1929). Político inglês que, além de muitos cargos administrativos, foi primeiro-ministro entre os anos de 1894–95, sucedendo William E. Gladstone (1809–1898). Era entusiasta da idéia do Império Britânico e de uma forte defesa nacional. Embora fosse contra o socialismo, pregou uma reforma social em seu país nos moldes da esquerda. Como líder dos imperialistas liberais, se opunha diametralmente à posição de Chesterton.
23 O conceito de Homousion pode ser visto como a síntese do grande Concílio de Nicéia. A palavra grega Homo-ousios significa “da mesma substância de” ou “com a mesma essência”, é o consubistantialem (consubstancial), introduzido no ano de 325 no Credo de Nicéia, em oposição à noção herética de Homoi-ousios (“de natureza semelhante”) defendida pelo Arianismo.
24 Chesterton se refere ao polêmico Education Act de 1902, que estabeleceu um sistema de controle estatal para o ensino fundamental e médio na Grã-Bretanha e que se tornou um dos principais temas políticos da época. Entre as principais reformas estava a abolição dos conselhos escolares e a substituição por autoridades locais de educação. A controvérsia contribuiu para a vitória do Partido Liberal nas eleições gerais de 1906.
25 Nomenclatura usada, após o Act of Uniformity de 1662, para distinguir os que não pertencessem a qualquer denominação cristã, pregassem a liberdade religiosa ou fossem dissidentes da Igreja Anglicana. No século XVII, eram considerados desse grupo os Presbiterianos, os Congressionalistas, os Batistas e os Quackers, e posteriormente se acrescentaram os Metodistas, os Unitaristas e os membros do Exército da Salvação.
26 Joseph Rudyard Kipling (1865 - 1936) foi um poeta e escritor britânico dos mais populares de sua época, tendo escrito grandes clássicos da literatura infantil, incluindo o famoso The Jungle Book [O livro da selva], que conta, entre outras, a famosa história do menino selvagem Mogli. Seus contos chegaram mesmo a inspirar movimentos ligados ao escotismo por meio de temas empregados em suas histórias. Por abordar recorrentemente a temática militar e disciplinar, ficou conhecido como o “profeta do imperialismo britânico”.