Hereges

G. K. Chesterton · Capítulo 26 de 37

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XVII. A ironia de Whistler

CAPÍTULO XVII

A ironia de Whistler323

 

O SR ARTHUR SYMONS,324 escritor capaz e talentoso, incluiu no livro de ensaios publicado recentemente, creio, uma defesa para London Nights, 325 em que diz que a moralidade deve estar, na crítica, totalmente

subordinada à arte, e usa o argumento um tanto singular de que a arte, ou o

culto à beleza, é o mesmo em todos os tempos, ao passo que a moralidade

difere em tudo, em todas as eras. Parece desafiar os críticos ou os leitores a

mencionar qualquer característica ou qualidade permanente da ética.

Seguramente este é um exemplo muito curioso de um preconceito

exagerado contra a moralidade, que faz com que tantos estetas

ultramodernos sejam tão mórbidos e fanáticos quanto qualquer eremita

oriental. Sem dúvida, é uma expressão muito comum de o intelectualismo

moderno dizer que a moralidade de uma época pode ser totalmente

diferente da moralidade de outra. E, como tantas outras expressões do

moderno intelectualismo, ela não significa absolutamente nada. Caso duas

moralidades sejam inteiramente diferentes, por que as chamar de

moralidade? É como se um homem dissesse: “Os camelos em lugares

diversos são totalmente diferentes; alguns têm seis pernas, outros nenhuma,

alguns têm escamas, outros penas, alguns têm chifres, outros asas, alguns

são verdes, outros triangulares. Não há nenhum traço comum”. O homem

comum de bom senso perguntaria: “O que faz, então, com que chamemos

todos eles de camelo? Como reconhecer um camelo ao vê-lo?”. É óbvio que

há uma permanente substância na moralidade, assim como há uma

permanente substância na arte. Afirmar isto é o mesmo que dizer que

moralidade é moralidade, e arte é arte. O crítico de arte ideal veria, sem

dúvida, a beleza perene em toda escola de arte; da mesma forma, o

moralista ideal veria a ética permanente em toda norma. Mas quase nenhum

dos melhores ingleses que já viveram pôde ver nada além de vulgaridade e

idolatria na radiante devoção de um brâmane. Assim como é igualmente

verdade que o grupo dos maiores artistas que o mundo já conheceu, os gigantes da Renascença, nada puderam ver na etérea força do gótico, exceto

barbarismo.

A tendência contra a moralidade entre os estetas modernos é algo muito

alardeado. Não obstante, não é realmente uma tendência contra a

moralidade; é uma tendência contra a moralidade dos outros. Geralmente

está fundamentada numa preferência moral muito clara por certo estilo de

vida, pagão, aceitável, humano. O esteta moderno, ao querer fazer crer que

valoriza a beleza mais do que a conduta, lê Mallarmé326 e bebe absinto na

taverna. Mas isso não é apenas seu tipo favorito de beleza; é também seu

tipo favorito de conduta. Caso realmente quisesse que acreditássemos que

preza somente a beleza, teria de freqüentar nada além das festas na escola

wesleyana, e pintar a luz do sol nos cabelos de bebês wesleyanos.327 Não

deveria ler nada, a não ser os eloqüentes sermões teológicos dos antiquados

ministros presbiterianos. Aqui, a falta de qualquer afinidade moral

comprovaria que o interesse era puramente verbal ou pictórico, como o é. O

esteta moderno, em todos os livros que lê e escreve, agarra-se à orla da

própria moralidade ou imoralidade. O paladino da l’art pour l’art328 está

sempre denunciando Ruskin329 por ser moralista. Se fosse realmente um

defensor da l’art pour l’art, estaria sempre se aferrando a Ruskin pelo

estilo.

A doutrina da distinção entre arte e moralidade deve grande parte do

sucesso à confusão incorrigível de arte e moralidade com as pessoas e

proezas dos grandes expoentes. Desta feliz contradição Whistler foi a

própria encarnação. Ninguém jamais pregou a impessoalidade da arte tão

bem; ninguém pregou a impessoalidade da arte de forma tão pessoal. Para

ele, as pinturas não tinham qualquer relação com problemas de caráter; mas

para todos os ardorosos admiradores seu caráter era, na realidade, muito

mais interessante que as pinturas. Regozijava-se por ser um artista além do

certo e do errado. No entanto, conseguia falar dia e noite sobre seus erros e

acertos. Seus talentos eram muitos; suas virtudes, devemos confessar, não

eram tantas, fora a gentileza para com os verdadeiros amigos, que muitos

dos biógrafos insistem em afirmar, mas que é, com certeza, a qualidade de

todo homem são, desde piratas a batedores de carteira. Além desta, suas

virtudes marcantes se limitavam, sobretudo, a duas, que são admiráveis –

coragem e um amor abstrato pelo bom trabalho. Contudo, suponho que

usufruiu mais dessas últimas virtudes que de todos os talentos. Um homem deve ter algo do moralista caso deseje fazer pregações, ainda que deva

proclamar imoralidades. O professor Walter Raleigh,330 em seu In

Memoriam: James McNeill Whistler,331 insiste, o suficiente, no forte traço

de uma excêntrica honestidade em questões estritamente pictóricas, que

perpassavam seu caráter complexo e um tanto confuso. “Preferiria destruir

qualquer dos quadros a deixar um toque descuidado ou inexpressivo dentro

dos limites da moldura. Preferiria recomeçar o quadro centenas de vezes a

tentar remendá-lo para fazer parecer melhor do que era”.

Ninguém culpará o professor Raleigh, que teve de ler um tipo de oração

funeral para Whistler na abertura da exposição em memória do pintor, por

ter se limitado, naquela situação, principalmente aos méritos e às mais

salientes qualidades do indivíduo. Naturalmente, escolheríamos outro tipo

de composição para considerar apropriadamente as fraquezas de Whistler.

Mas estas nunca devem faltar na visão que dele temos. De fato, a verdade é

que não é tanto uma questão de fraquezas de Whistler, mas da fraqueza

primária e intrínseca de Whistler. Era um daqueles indivíduos que vivem

conforme as emoções, sempre cheios de vaidade. Portanto, não tinha forças

para desperdiçar; por isso, não tinha nenhuma bondade, nenhuma

genialidade; pois a genialidade quase pode ser definida como um

desperdiçar de forças. Não teve aquela negligência divina; nunca esqueceu

de si mesmo; toda a vida foi, para usar uma expressão dele, um arranjo.332

Praticou a “arte de viver” – um truque miserável. Em suma, foi um grande

artista; mas, perceptivelmente, não foi um grande homem. Neste particular,

discordo fortemente do professor Raleigh sobre o que é, de um ponto de

vista superficialmente literário, um dos seus argumentos mais fortes.

Compara o riso de Whistler com o riso de outro homem que foi tanto um

grande homem quanto um grande artista:

A postura que assumiu com o público era exatamente a atitude de Robert Browning,333 que

também sofreu um longo período de negligência e erro, nestas linhas de The Ring and the Book:

Bem, povo britânico, vós que de mim não gostais

(Deus vos ama!) e dareis o devido riso

na disputa sombria; ride! Rio primeiro.334

 

“O Sr Whistler”, acrescenta o professor Raleigh, “sempre riu primeiro”. A

verdade é, creio, que Whistler, absolutamente, nunca riu. Não havia riso em

sua natureza, porque não havia descuido e renúncia, nenhuma humildade.

Não posso entender que alguém leia A nobre arte de fazer inimigos335 e

pense que exista riso nesse juízo. Sua argúcia é uma tortura. Whistler se

contorce em venturosos arabescos verbais; está cheio de um zelo brutal;

está inspirado da total seriedade da malícia sincera. Prejudica-se para ferir o

oponente. Browning sorria, porque Browning não se importava; Browning

não se importava, porque Browning era um grande homem. E quando

Browning disse, entre parênteses, ao povo simples e sensato que não

gostava de seus livros, “Deus vos ama!”, ele não estava, de forma alguma,

escarnecendo. Estava sorrindo – o que equivale a dizer que estava sendo

sincero.

Há três classes diferentes de grandes satiristas que também são grandes

homens – isto é, três classes de grandes homens que podem rir de tudo sem

perder a alma. O satirista do primeiro tipo é o homem que acima de tudo

gosta de si mesmo e, então, gosta dos inimigos. Nesse sentido, ama o

inimigo e, por uma espécie de exagero de cristianismo, ama tanto mais o

inimigo quanto mais se torna inimigo. Tal satirista tem um tipo de

felicidade irresistível e agressiva ao declarar raiva; sua maldição é tão

benévola quanto uma bênção. Desse tipo de satirista o grande exemplo é

Rabelais.336 Este é o primeiro exemplo típico de sátira, a sátira volúvel,

violenta, indecente, mas não maliciosa. A sátira de Whistler não é essa.

Nunca estava, em nenhuma das controvérsias, simplesmente feliz; a prova

disso é que nunca dizia um total disparate. Há um segundo tipo de mente

que produz sátira com a qualidade da grandeza. Esta se encontra no satirista

cujas paixões são liberadas e saem soltas por uma intolerável “noção de

errado”. Fica enlouquecido ao perceber que os homens estão

enlouquecendo; sua língua se torna um membro rebelde, e testemunha

contra toda a humanidade. Tal homem foi Swift, em quem a saeva

indignatio337 era uma amargura para os demais, porque era uma amargura

consigo mesmo. Whistler não era tal satirista. Não ria porque estava feliz,

como Rabelais. Todavia, também não ria por ser infeliz, como Swift.

O terceiro tipo da grande sátira é aquela em que o satirista é capaz de se

pôr acima da vítima, na única acepção séria que a superioridade pode

suportar, o da piedade ao pecador e do respeito ao homem, mesmo ao

satirizar ambos. Tal realização pode ser encontrada no Atticus338 de Pope,

um poema em que o satirista sente que está satirizando fraquezas que

pertencem especialmente ao gênio literário. Por isso, sente prazer em assinalar os pontos fortes do inimigo antes de ressaltar as fraquezas. Esta é,

talvez, a mais alta e mais honrosa forma de sátira. Esta não é a sátira de

Whistler. Ele não está repleto de uma grande dor pelos erros da natureza

humana; para ele, o mal é totalmente feito para si mesmo.

Não foi uma grande personalidade, porque pensava demasiadamente em si

mesmo. E a situação é ainda mais grave. Por vezes não foi nem mesmo um

grande artista, porque pensava demasiadamente na arte. Qualquer homem

que possua um conhecimento vivaz da psicologia humana deve suspeitar

profundamente de quem quer que alegue ser artista, e fale muito sobre arte.

A arte é uma coisa boa e humana, como andar ou rezar; mas no momento

em que começa a ser discutida muito solenemente, podemos estar certos de

que a coisa se tornou uma obstrução e um tipo de dificuldade.

O temperamento artístico é uma doença que aflige amadores. É uma

doença que surge nos homens que não têm suficiente poder de expressão

para articular e se livrar do elemento de arte em seu ser. É saudável todo

homem sadio expressar a arte que tem dentro de si; é essencial todo homem

sadio se livrar da arte que traz dentro de si, a qualquer custo. Os artistas de

grande e saudável vitalidade se livram de sua arte facilmente, tal como

respiram ou transpiram. Mas nos artistas de menor força, a coisa se torna

uma pressão, e produz uma dor bem definida, chamada de temperamento

artístico. Assim, grandes artistas são capazes de ser homens comuns –

homens como Shakespeare ou Browning. Há muitas tragédias de

temperamento artístico verdadeiras, tragédias de vaidade, violência ou

medo. Mas a grande tragédia do temperamento artístico é que não consegue

produzir arte.

Whistler conseguiu produzir arte; e, neste aspecto, foi um grande homem.

Mas não conseguia esquecer a arte; e, neste outro aspecto, foi apenas um

homem com temperamento artístico. Não pode haver maior manifestação

de um homem que é realmente um grande artista do que o fato de poder

repudiar o assunto da arte; de poder, em certas ocasiões, desejar que a arte

esteja no fundo do mar. Do mesmo modo, sempre tendemos a confiar mais

num advogado que não fale alienações de títulos legais numa degustação de

vinhos e queijos. O que realmente aspiramos de todos os que conduzem

algum negócio é que a força integral do homem comum seja dedicada

àquele estudo particular. Não desejamos que a força integral de tal estudo

seja dedicada ao homem comum. Não desejamos, de forma alguma, que nossa ação judicial particular manifeste sua força na brincadeira do

advogado com os filhos, ou nos passeios de bicicleta, ou que invada suas

meditações sobre a estrela da manhã. Todavia desejamos, de fato, que as

brincadeiras com os filhos, os passeios de bicicleta e as meditações sobre a

estrela da manhã manifestem algo de sua força em nossa ação judicial.

Desejamos que caso tenha adquirido qualquer melhoria pulmonar nos

passeios de bicicleta, ou sido iluminado por quaisquer metáforas brilhantes

e encantadoras pela estrela da manhã, que isso seja colocado à nossa

disposição naquela determinada controvérsia forense. Em suma, ficamos

gratos que seja um homem comum, visto que isso pode ajudá-lo a ser um

advogado excepcional.

Whistler nunca deixou de ser um artista. Como observou o Sr Max

Beerbohm339 numa de suas extraordinárias críticas sinceras e sensatas,

Whistler realmente considerava Whistler como o seu maior trabalho

artístico. As mechas de cabelos brancos, o monóculo, o notável chapéu –

estes lhe eram mais caros que quaisquer dos noturnos ou dos arranjos.

Podia se livrar dos noturnos, mas não do chapéu. Nunca se livrou daquele

acúmulo desproporcional de estetismo que é o fardo de todo amador.

Desnecessário dizer que essa é a explicação verdadeira do que confundiu

tantos críticos diletantes, o problema da extrema normalidade de

comportamento de tantos grandes gênios da história. O comportamento

deles era tão comum que não foi feito nenhum registro; por conseguinte, era

tão comum que parecia misterioso. Assim, algumas pessoas dizem que

Bacon escreveu as peças de Shakespeare.340 O temperamento artístico

moderno não consegue entender como alguém que tenha escrito poemas

líricos como escrevera Shakespeare pudesse ser tão habilidoso quanto

Shakespeare nos negócios na cidadezinha de Warwickshire.341 A

explicação é bastante simples: Shakespeare tinha um impulso lírico

verdadeiro, escrevia uma lírica verdadeira, e assim se livrava do impulso e

seguia atento aos negócios. Ser artista não o impedia de ser um homem

comum, tal como ser um dorminhoco à noite ou ser uma pessoa que aprecia

a hora do jantar não impede ninguém de ser um homem comum.

Todos os grandes mestres e líderes tiveram por hábito supor que seus

próprios pontos de vista fossem benévolos e fortuitos, os quais prontamente

atrairiam todo transeunte. Caso um homem seja verdadeiramente superior

aos semelhantes, a primeira coisa em que acredita é na igualdade dos homens. Podemos ver isso, por exemplo, na estranha e inocente

racionalidade com que Cristo se dirigia a qualquer variegada multidão que

se reunia em torno d’Ele. “Que vos parece? Se um homem possui cem

ovelhas e uma delas se extravia, não deixa ele as noventa e nove nos montes

e vai à procura da extraviada?”342 Ou ainda, “Quem dentre vós dará uma

pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? Ou lhe dará uma cobra, se este lhe

pedir peixe?”.343 Essa simplicidade, essa camaradagem quase banal, é a

nota de todos os grandes intelectos.

Para as inteligências muito grandiosas as coisas sobre as quais os homens

concordam são incomensuravelmente mais importantes do que as coisas

sobre as quais discordam, as quais, para efeitos práticos, desaparecem.

Trazem em si muito de um antigo riso, até mesmo para tolerar discutir sobre

a diferença entre os chapéus de dois homens nascidos de mulher, ou sobre a

cultura sutilmente diferente de homens que hão de morrer. O grande homem

de primeira classe é igual a qualquer homem, como Shakespeare. O grande

homem de segunda classe fica de joelhos perante outros homens, como

Whitman. O grande homem de terceira classe é superior aos outros homens,

como Whistler.

 

323 James Abbott McNeill Whistler (1834–1903) foi um pintor norte-americano que viveu na Inglaterra. Avesso ao sentimentalismo e às alusões à moral na pintura, foi um dos principais proponentes do credo da “arte pela arte”. De personalidade excêntrica e humor mordaz, foi amigo de vários pintores e escritores de sua época, como Henri Fantin-Latour (1836–1904), Édouard Manet (1832–1883), Claude Monet (1840–1926), Charles-Pierre Baudelaire (1821–1867), Auguste Rodin (1840–1917), Edgar Degas (1834–1917), Oscar Wilde (1854–1900) e Étienne Mallarmé (1842–1898), entre outros.

324 Arthur Symons (1865–1945) foi um poeta, crítico e editor de revistas galesas que publicou um volume de poesias chamado London Nights [Noites londrinas], em 1895. É considerado o introdutor do simbolismo na poesia inglesa.

325 Chesterton se refere ao livro de Symons, Studies in Prose and Verse [Estudos em prosa e verso] de 1904, que na página 283 traz o prefácio à segunda edição de London Nights em que se defende das críticas recebidas por ocasião do lançamento do volume de poesia.

326 Stéphane Mallarmé, cujo verdadeiro nome era Étienne Mallarmé (1842–1898), foi um poeta e crítico literário francês que utilizava os símbolos, mais que a narração, para sugerir o que queria expressar. Dono de um estilo de escrita hermético e difícil, sua prosa, bem como a poesia, se caracteriza pela musicalidade, a experimentação gramatical e um pensamento requintado. É considerado um dos pais da poesia concreta.

327 Referente a John Wesley (1703–1791), clérigo anglicano, fundador do movimento Metodista. Pregava a perfeição cristã, a santidade de coração e de vida.

328 A expressão “arte pela arte” expressa a filosofia de que o valor intrínseco da arte, e a única “arte” verdadeira, é a divorciada de qualquer função didática, moral ou utilitária. Dessa forma as atividades artísticas eram autojustificadas, sendo permitido ao artista ser moralmente subversivo. É creditada a Théophile Gautier (1811–1872), mas aparece nas obras de vários filósofos e de escritores do século XIX. Na Inglaterra, a expressão foi a bandeira do grupo liderado por Walter Pater (1839–1894), do próprio Whistler e de outros seguidores do movimento estético, opositores declarados da moral vitoriana. Neste caso, Chesterton se refere ao próprio Whistler que processou Ruskin em 1877.

329 John Ruskin (1819–1900) foi escritor, crítico de arte, poeta e desenhista. Seus ensaios sobre arte e arquitetura foram extremamente influentes na era vitoriana, e repercutem até os dias de hoje. Romântico, opunha-se ao Classicismo nas artes e admirava o Medievalismo, passando a defender, a partir de 1851, as idéias da irmandade Pré-Rafaelita. Em 1877, foi processado por Whistler por ter condenado a pintura Nocturne in Black and Gold: The Falling Rocket [Noturno em negro e dourado: o foguete cadente]. Também foi uma das influências do movimento de artes e ofícios [Arts & Crafts] de William Morris (1834–1896) e da Art Nouveau.

330 Sir Walter Alexander Raleigh (1861–1922) foi professor universitário, escritor e poeta escocês. Foi Regius Professor de Língua e Literatura Inglesas na Universidade de Glasgow (1900–1904) e Merton Professor de Literatura inglesa em Oxford (1904–1922).

331 A obra, na verdade, foi uma palestra ministrada no Café Royal, em Londres, no jantar de inauguração da exposição em memória de Whistler, em 20 de fevereiro de 1905, publicada pela Sociedade Internacional de Escultores, Pintores e Gravadores.

332 Whistler intitulava muitos dos quadros de symphonies [sinfonias], arrangements [arranjos], harmonies [harmonias] e nocturnes [noturnos]. Dizem os críticos mais simpáticos que empregava tais nomes para enfatizar a harmonia tonal, o paralelo da pintura com a música.

333 Robert Browning (1812–1889) foi um poeta e dramaturgo inglês. Casado com a também poetisa Elizabeth Barrett-Browning (1806–1861).

334 A obra The Ring and the Book [O Anel e o Livro], de 1868, conta a história do assassinato da esposa de um conde italiano. Apesar da malignidade e sordidez da trama, o caso leva a uma interpretação moralista, pois envolve relações como amor conjugal e piedade filial, numa aura de otimismo e fervor moral. O trecho citado encontra-se no capítulo I do livro e no original seria: “Well, British Public, ye who like me not, / (God love you!) and will have your proper laugh / at the dark question; Laugh it! I laugh first”.

335 The Gentle Art of Making Enemies, publicado em 1890. Em parte é a transcrição do já mencionado processo por calúnia e difamação contra John Ruskin, que dissera que a tela de Whistler Noturno em negro e dourado: o foguete cadente seria algo como “atirar uma lata de tinta no rosto do público”. O livro apresenta as cartas de Whistler a jornais contendo muitas reclamações insignificantes contra vários conhecidos e amigos.

336 François Rabelais (1494–1553) foi um escritor, padre e médico francês do período do Renascimento. Imortalizou-se como autor das obras Pantagruel (1532) e Gargântua (1552).

337 “Feroz indignação” em latim.

338 Não é um poema, como afirma Chesterton, mas um retrato satírico de Joseph Addison (1672–1719) no poema de Alexander Pope (1688–1744), Epistle to Dr Arbuthnot [Epístola ao Dr Arbuthnot] (1734), linhas 194–214.

339 Sir Henry Maximilian “Max” Beerbohm (1872–1956) foi um ensaísta e caricaturista inglês. A referência é ao ensaio Whistler’s Writing, publicado primeiramente em 1903, no ano da morte do pintor, e republicado, em 1909, na coletânea de ensaios Yet Again.

340 Mais uma vez, Chesterton se refere veladamente às teorias da Sra Elizabeth Wells Gallup (1848–1934), já citada no capítulo VIII do presente livro.

341 Referência à cidade de Stratford-upon-Avon, local de nascimento de William Shakespeare (1564–1616), parte integrante do condado de Warwickshire.

342 Mt 18,12.

343 Mt 7,9–10.