Indícios de Oiro
Sugestão
As companheiras que não tive,
Sinto-as chorar por mim, veladas,
Ao pôr do sol, pelos jardins...
Na sua mágoa azul revive
A minha dor de mãos finadas
Sobre cetins...
Paris, agosto de 1914
Taciturno
Há Ouro marchetado em mim, a pedras raras, Ouro sinistro em sons de bronzes medievais — Joia profunda a minha Alma a luzes caras, Cibório triangular de ritos infernais.
No meu mundo interior cerraram-se armaduras, Capacetes de ferro esmagaram Princesas. Toda uma estirpe real de heróis d'Outras bravuras Em mim se despojou dos seus brasões e presas.
Heráldicas-luar sobre ímpetos de rubro,
Humilhações a liz, desforços de brocado; Basílicas de tédio, arneses de crispado,
Insígnias de Ilusão, troféus de jaspe e Outubro...
A ponte levadiça e baça de Eu-ter-sido
Enferrujou — embalde a tentarão descer...
Sobre fossos de Vago, ameias de inda-querer — Manhãs de armas ainda em arraiais de olvido...
Percorro-me em salões sem janelas nem portas, Longas salas de trono a espessas densidades, Onde os panos de Arrás são esgarçadas saudades, E os divãs, em redor, ânsias lassas, absortas...
Há roxos fins de Império em meu renunciar — Caprichos de cetim do meu desdém Astral... Há exéquias de heróis na minha dor feudal — E os meus remorsos são terraços sobre o Mar...
Paris, agosto de 1914