Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 7 de 39

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Indícios de Oiro

Apoteose

Mastros quebrados, singro num mar d'Ouro Dormindo fogo, incerto, longemente...

Tudo se me igualou num sonho rente,

E em metade de mim hoje só moro...

São tristezas de bronze as que inda choro — Pilastras mortas, mármores ao Poente...

Lagearam-se-me as ânsias brancamente Por claustros falsos onde nunca oro...

Desci de mim. Dobrei o manto d'Astro,

Quebrei a taça de cristal e espanto,

Talhei em sombra o Oiro do meu rastro...

Findei... Horas-platina... Olor-brocado...

Luar-ânsia... Luz-perdão... Orquídeas pranto... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

— Ó pântanos de Mim — jardim estagnado...

Paris, 28 de junho de 1914