Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 31 de 39

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Indícios de Oiro

Ápice

O raio de sol da tarde

Que uma janela perdida

Refletiu

Num instante indiferente —

Arde,

Numa lembrança esvaída,

À minha memória de hoje

Subitamente...

Seu efémero arrepio

Ziguezagueia, ondula, foge,

Pela minha retentiva...

— E não poder adivinhar

Por que mistério se me evoca

Esta ideia fugitiva,

Tão débil que mal me toca!...

— Ah, não sei porquê, mas certamente

Aquele raio cadente

Alguma coisa foi na minha sorte

Que a sua projeção atravessou...

Tanto segredo no destino duma vida...

É como a ideia de Norte,

Preconcebida,

Que sempre me acompanhou...

Paris, agosto de 1915