Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 27 de 39

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Indícios de Oiro

O Recreio

Na minha Alma há um balouço

Que está sempre a balouçar —

Balouço à beira dum poço,

Bem difícil de montar...

— E um menino de bibe

Sobre ele sempre a brincar...

Se a corda se parte um dia

(E já vai estando esgarçada),

Era uma veza folia:

Morre a criança afogada...

— Cá por mim não mudo a corda,

Seria grande estopada...

Se o indez morre, deixá-lo...

Mais vale morrer de bibe

Que de casaca... Deixá-lo

Balouçar-se enquanto vive...

— Mudar a corda era fácil...

Tal ideia nunca tive...

Paris, outubro de 1915