Indícios de Oiro
O Lord
Lord que eu fui de Escócias doutra vida
Hoje arrasta por esta a sua decadência,
Sem brilho e equipagens.
Milord reduzido a viver de imagens,
Para às montras de joias de opulência
Num desejo brumoso — em dúvida iludida... (— Por isso a minha raiva mal contida,
— Por isso a minha eterna impaciência.)
Olha as Praças, rodeia-as...
Quem sabe se ele outrora
Teve Praças, como esta, e palácios e colunas — Longas terras, quintas cheias,
Iates pelo mar fora,
Montanhas e lagos, florestas e dunas...
(— Por isso a sensação em mim fincada há tanto Dum grande património algures haver perdido; Por isso o meu desejo astral de luxo desmedido — E a Cor na minha Obra o que ficou do encanto...)
Paris, setembro de 1915