Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 33 de 39

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Indícios de Oiro

Último Soneto

Que rosas fugitivas foste ali!

Requeriam-te os tapetes — e vieste...

— Se me dói hoje o bem que me fizeste,

É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi

Quando entraste, nas tardes que apareceste — Como fui de percal quando me deste

Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço — Que seria entre nós um longo abraço

O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa ? Se deixaste

A lembrança violeta que animaste

Onde a minha saudade a Cor se trava?...

Paris, dezembro de 1915