Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 17 de 39

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Indícios de Oiro

Sete Canções de Declínio

 

1.

Um vago tom de opala debelou

Prolixos funerais de luto d'Astro —

E pelo espaço, a Oiro se enfolou

O estandarte real — livre, sem mastro.

Fantástica bandeira sem suporte,

Incerta, nevoenta, recamada —

A desdobrar-se como a minha Sorte

Predita por ciganos numa estrada. . .

2.

Atapetemos a vida

Contra nós e contra o mundo.

— Desçamos panos de fundo

A cada hora vivida.

Desfiles, danças — embora

Mal sejam uma ilusão.

— Cenários de mutação

Pela minha vida fora!

Quero ser Eu plenamente:

Eu, o possesso do Pasmo.

— Todo o meu entusiasmo,

Ah! que seja o meu Oriente!

O grande doido, o varrido,

O perdulário do Instante —

O amante sem amante,

Ora amado ora traído...

Lançar as barcas ao Mar —

De névoa, em rumo de incerto...

— Pra mim o longe é mais perto

Do que o presente lugar.