Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 28 de 39

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Indícios de Oiro

Torniquete

A tômbola anda depressa,

Nem sei quando irá parar —

Aonde, pouco me importa;

O importante é que pare...

— A minha vida não cessa

De ser sempre a mesma porta

Eternamente a abanar...

Abriu-se agora o salão

Onde há gente a conversar.

Entrei sem hesitação —

Somente o que se vai dar?

A meio da reunião,

Pela certa disparato,

Volvo a mim a todo o pano:

Às cambalhotas desato, E salto sobre o piano...

— Vai ser bonita a função!

Esfrangalho as partituras,

Quebro toda a caqueirada,

Arrebento à gargalhada,

E fujo pelo saguão...

Meses depois, as gazetas

Darão críticas completas,

Indecentes e patetas,

Da minha última obra...

E eu — prà cama outra vez,

Curtindo febre e revés,

Tocado de Estrela e Cobra...

Paris, novembro de 1915