Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 2 de 39

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Indícios de Oiro

Nossa Senhora de Paris

Listas de som avançam para mim a fustigar-me Em luz.

Todo a vibrar, quero fugir... Onde acoitar-me? Os braços duma cruz.

Anseiam-se-me, e eu fujo também ao luar..

Um cheiro a maresia

Vem me refrescar,

Longínqua melodia

Toda saudosa a Mar...

Mirtos e tamarindos

Odoram a lonjura;

Resvalam sonhos lindos...

Mas o oiro não perdura

E a noite cresce agora a desabar catedrais...

Fico sepulto sob círios, Escureço-me em delírios

Mas ressurjo de Ideais...

— Os meus sentidos a escoarem-se...

Altares e velas...

Orgulho... Estrelas...

Vitrais! Vitrais!

Flores de liz...

Manchas de cor a ogivarem-se...

As grandes naves a sagrarem-se...

— Nossa Senhora de Paris!...

Paris, 15 de junho de 1913