Indícios de Oiro
Abrigo
Paris da minha ternura
Onde estava a minha Obra —
Minha Lua e minha Cobra,
Timbre da minha aventura.
Ó meu Paris, meu menino,
Meu inefável brinquedo...
— Paris do lindo segredo
Ausente no meu destino.
Regaço de namorada,
Meu enleio apetecido —
Meu vinho d'Oiro bebido
Por taça logo quebrada...
Minha febre e minha calma —
Ponte sobre o meu revés:
Consolo da viuvez
Sempre noiva da minh'Alma...
Ó fita benta de cor,
Compressa das minhas feridas...
— Ó minha unhas polidas,
— Meu cristal de toucador...
Meu eterno dia de anos,
Minha festa de veludo...
Paris: derradeiro escudo,
Silêncio dos meus enganos.
Milagroso carrossel
Em feira de fantasia —
Meu órgão de Barbaria,
Meu teatro de papel...
Minha cidade-figura,
Minha cidade com rosto...
— Ai, meu acerado gosto,
Minha fruta mal madura...
Mancenilha e bem-me-quer,
Paris — meu lobo e amigo...
— Quisera dormir contigo,
Ser todo a tua mulher!...
Paris, setembro de 1915