Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 18 de 39

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Indícios de Oiro

Capítulo 3

... E as minhas unhas polidas —

Ideia de olhos pintados...

Meus sentidos maquilhados:

A tintas desconhecidas...

Mistério duma incerteza

Que nunca se há de fixar...

Sonhador em frente ao mar

Duma olvidada riqueza...

— Num programa de teatro

Suceda-se a minha vida:

Escada de Giro descida

Aos pinotes, quatro a quatro!...

3.

— Embora num funeral

Desfraldemos as bandeiras:

Só as Cores são verdadeiras —

Siga sempre o festival!

Quermesse — eia! — e ruído!

Louça quebrada! Tropel!

Defronte do carrossel,

Eu, em ternura esquecido...

Fitas de cor, vozearia —

Os automóveis repletos:

Seus chauffeurs — os meus afetos

Com librés de fantasia!

Ser bom... Gostaria tanto

De o ser... Mas como? Afinal

Só se me fizesse mal

Eu fruiria esse encanto.

— Afetos... divagações...

Amigo dos meus amigos...

Amizades são castigos, Não me embaraço em prisões!