Indícios de Oiro
Certa Voz na Noite Ruivamente
Esquivo sortilégio dessa voz, opiada
Em sons cor de amaranto, às noites de incerteza. Que eu lembro não sei de Onde — a voz duma Princesa Bailando meia nua entre clarões de espada.
Leonina, ela arremessa a carne arroxeada; E bêbeda de Si, arfante de Beleza.
Acera os seios nus, descobre o sexo... Reza O espasmo que a estrebucha em Alma copulada...
Entanto nunca a vi mesmo em visão. Somente A sua voz a fulcro ao meu lembrar-me. Assim Não lhe desejo a carne — a carne inexistente...
É só de voz-em-cio a bailadeira astral —
E nessa voz-Estátua, ah! nessa voz-total, É que eu sonho esvair-me em vícios de marfim...
Lisboa, 31 de janeiro de 1914