Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 12 de 39

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Indícios de Oiro

Ângulo

Aonde irei neste sem-fim perdido,

Neste mar oco de certezas mortas? —

Fingidas, afinal, todas as portas

Que no dique julguei ter construído...

— Barcaças dos meus ímpetos tigrados,

Que oceano vos dormiram de Segredo?

Partistes-vos, transportes encantados,

De embate, em alma ao roxo, a que rochedo?...

Ó nau de festa, ó ruiva de aventura

Onde, em Champanhe, a minha ânsia ia, Quebrastes-vos também, ou porventura,

Fundeaste a Oiro em portos de alquimia?... .................................................

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Chegaram à baia os galeões Com as sete Princesas que morreram.

Regatas de luar não se correram...

As bandeiras velaram-se, orações...

Detive-me na ponte, debruçado.

Mas a ponte era falsa — e derradeira.

Segui no cais. O cais era abaulado,

Cais fingido sem mar à sua beira...

— Por sobre o que Eu não sou há grandes pontes Que um outro, só metade, quer passar

Em miragens de falsos horizontes —

Um outro que eu não posso acorrentar.

Barcelona, setembro de 1914