Indícios de Oiro
O Resgate
A última ilusão foi partir os espelhos —
E nas salas ducais, os frisos de esculturas Desfizeram-se em pó... Todas as bordaduras Caíram de repente aos reposteiros velhos.
Atónito, parei na grande escadaria
Olhando as destroçadas, imperiais riquezas... Dos lustres de cristal — as velas de oiro, acesas, Quebravam-se também sobre a tapeçaria...
Rasgavam-se cetins, abatiam-se escudos; Estalavam de cor os grifos dos ornatos.
Pelas molduras de honra, os lendários retratos Sumiam-se de medo, a roçagar veludos...
Doido! Trazer ali os meus desdéns crispados!... Tetos e frescos, pouco a pouco enegreciam; Panos de Arrás do que não-Fui emurcheciam — Velavam-se brasões, subitamente errados...
Então, eu mesmo fui trancar todas as portas; Fechei-me a Bronze eterno em meus salões ruídos — Se arranho o meu despeito entre vidros partidos, Estilizei em Mim as doiraduras mortas!
Camarate, Quinta da Vitória — outubro de 1914