Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 29 de 39

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Indícios de Oiro

Pied-de-Nez

Lá anda a minha Dor às cambalhotas

No salão de vermelho atapetado —

Meu cetim de ternura engordurado,

Rendas da minha ânsia, todas rotas...

O Erro sempre a rir-me em destrambelho — Falso mistério, mas que não se abrange... De antigo armário que agoirento range,

Minha alma atual o esverdinhado espelho...

Chora em mim um palhaço às piruetas;

O meu castelo em Espanha, ei-lo vendido — E, entretanto, foram de violetas,

Deram-me beijos sem os ter pedido...

Mas como sempre, ao fim — bandeiras pretas, Tômbolas falsas, carrossel partido...

Paris, novembro de 1915