Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 14 de 39

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Indícios de Oiro

A Inegualável

Ai, como eu te queria toda de violetas

E flébil de cetim...

Teus dedos longos, de marfim,

Que os sombreassem joias pretas...

E tão febril e delicada

Que não pudesses dar um passo —

Sonhando estrelas, transtornada,

Com estampas de cor no regaço...

Queria-te nua e friorenta,

Aconchegando-te em zibelinas —

Sonolenta,

Ruiva de éteres e morfinas...

Ah! que as tuas nostalgias fossem guizos de prata — Teus frenesis, lantejoulas;

E os ócios em que estiolas,

Luar que se desbarata...

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Teus beijos, queria-os de tule,

Transparecendo carmim —

Os teus espasmos, de seda...

— Água fria e clara numa noite azul,

Água, devia ser o teu amor por mim...

Lisboa. 16 de fevereiro de1915