Indícios de Oiro

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 32 de 39

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Indícios de Oiro

Desquite

Dispam-me o Ouro e o Luar,

Rasguem as minhas togas de astros —

Quebrem os ónix e alabastros

Do meu não querer igualar.

Que faço só na grande Praça

Que o meu orgulho rodeou —

Estátua, ascensão do que não sou,

Perfil prolixo de que ameaça?...

... E o sol... ah, o sol do acaso,

Perturbação de fosco e Império —

A solidão dum ermitério

Na impaciência dum atraso...

O cavaleiro que partiu,

E não voltou nem deu notícias —

Tão belas foram as primícias,

Depois só luto o anel cingiu...

A grande festa anunciada

As galas e elmos principescos,

Apenas foi executada

A guinchos e esgares simiescos...

Ânsia de Rosa e braços nus,

Findou de enleios ou de enjoos...

— Que desbaratos os meus voos;

Ai, que espantalho a minha cruz...

Paris, julho de 1915