O Contrato

DM Pager · Capítulo 11 de 28

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O Contrato

Capítulo 11

 

Marcus me deixou em casa. Eu queria poder medir o tamanho da minha idiotice, mas eu não conseguia, talvez nem desse para medir. Combinamos que ele me pegaria pela manhã no dia seguinte. Santana e Caroline estavam surtando eu tinha certeza, e como imaginei as encontrei prontas para me interrogar até a morte.

– Pode dizer em que diabos de lugar você se enfiou? – Santana estava gritando.

– Me desculpe. – Segurei seu rosto beijando sua bochecha.

– Sara. – Caroline saltou a minha frente segurando meus ombros – Onde você estava?

– Com um amigo – Menti e se entreolharam.

– Amigo?

– Sim. Vou viajar e fui me despedir. – Tentei fugir.

Caroline me estudou.

– Por que seus olhos estão brilhando?

Porque sou uma idiota.

– Não sei. Posso arrumar minhas coisas agora? – Me afastei.

Caroline me seguiu e me encheu de perguntas, ela fazia o que Santana não tinha coragem de fazer, invadir minha privacidade ao limite. Eu não queria contar que estaria viajando com Marcus de novo porque jurei não mais fazer isso. Mas eu quero e vou.

Almoçamos juntas e pela primeira vez agradeci quando foram trabalhar. As horas não passavam desde então. Liguei para minha mãe, ela estava ansiosa para o natal e não contei que iria visita-los. Passar algum tempo com ela fez a hora passar. Santana chegou primeiro, tomou seu banho e se refugiou no sofá ainda não havia dito nada.

– Quando vai viajar? – Perguntou calmamente.

– Amanhã de manhã – Falei – Liguei para minha mãe. Ela está ansiosa. – Seu rosto suavizou, falamos pouco, ela foi dormir depois que Caroline chegou trazendo mais sacolas com ela e passar por nosso discurso de “NÃO PODEMOS

GASTAR!”

– Não pergunte nada – Falou antes de entrar no quarto – Eu estou nervosa. – Caroline se defendeu.

– Te entendo – Gritei do sofá afinal eu também queria sair gastando para extravasar.

Fui dormir as três da manhã. Acordei as seis, direto para o banheiro, escolhi uma roupa confortável. Deixei um bilhete na porta da geladeira e desci com minha mala. Dez minutos depois um táxi parava na porta do prédio. Sim, eu estava indo viajar com ele de novo, encarei o céu.

– Bom dia?

– Bom dia. – Entrei quando abriu a porta. Nada de terno ou sapatos sociais ou cabelo perfeito. Eu gostava dele assim.

– A viagem será longa.

– Para onde vamos? – Suspirou.

– Fim do mundo – Falou com um sorriso.

Fechei os olhos quando o carro começou a se afastar. Marcus estava em silêncio também e isso não era tão ruim. Ele ainda tinha sua postura tensa, as vezes apertava o maxilar e o aliviava. Mexia muito as mãos ou procurava algo para focar. Nossa viagem até o aeroporto foi rápida, ao invés de enormes filas, seguimos para os minis motores. Não íamos sair do país? Definitivamente não.

– Entra – Mandou.

– Você não vem?

– Vou resolver nossa saída – Falou.

Me acomodei o observando conversar com três homens antes de subir dez minutos depois. Se sentou a meu lado, suas ações automáticas novamente.

– Pode dormir se quiser. Ainda é cedo.

– Estou bem. – Falei. – Não vai me dizer para onde estamos indo?

– Maine. – Havia um sorriso em seus lábios.

– Do outro lado do país?! Maine, Marcus?

– É muito ruim?

– Só não achei que seria tão longe. Espero que não esteja me sequestrando.

– Ainda não. – Riu recolocando seus óculos.

Tentei focar em alguma coisa durante a viagem que não fosse o homem sentado à minha frente. Marcus estava quieto desde a hora que saímos e eu não sabia se estava dormindo ou me observando por trás de seus óculos escuros. Meus dedos coçaram para mexer em seus cabelos, e foi o que fiz algum tempo depois quando me mudei para o seu lado, seu corpo saltou em surpresa.

– Desculpa.

– Tudo bem... eu só não esperava. – Fechou os olhos novamente seu corpo relaxando. – Isso é bom. – Sorriu e não evitei sorrir também – Se eu soubesse que fazia isso, teria sido mais legal.

Puxei de leve seu cabelo entre os dedos. Por Deus eu não aguentaria ser assim tão calma para sempre. Não lembro de ter pego no sono, quando abri os olhos o avião estava em terra firme. Marcus falava com alguém do lado de fora. Minhas costas estavam doendo e estava calor. Tirei o casaco ficando apenas de camiseta, troquei a calça pelo short no pequeno banheiro. Me encarei no espelho, não estava tão ruim. Nada do que um, óculos que nunca usei, não ajudasse.

Quando fui encontra-lo, ganhei um olhar de um dos homens e Marcus se aproximou.

– Chegamos? – Perguntei.

– Não. Vamos ir de carro até nosso destino – Apontou a picape – Nossas coisas já estão lá.

– Dormi muito?

Encarou o relógio.

– Não muito.

Depois de me apresentar a seus "amigos" seguimos para estrada de terra. Marcus ligou o som em uma rádio qualquer e batia os dedos ao ritmo da música.

– Tem irmãos? – Perguntou.

– Não – Falei o fitando – Mas eu queria.

– Pais controladores?

– Minha mãe não queria mais filhos. Ela teve uma gravidez complicada. Meu pai queria outro filho, um menino dessa vez. Mas não deu certo, tentaram a adoção também, mas isso é mais burocrático do que parece.

Seus olhos estavam fixos na estrada.

– Amigos?

– Poucos, eu vim de uma cidade pequena onde todos tinham o mesmo pensamento. Eu não queria ser como eles e ficar lá me faria pensar igual. Fiz amizades depois que mudei. Fiz muitas coisas depois que me mudei. – Sussurrei a última parte.

– Como o que por exemplo?

– Achei ser dona do mundo, isso classifico como uma, coisa ruim. E conheci muitas coisas, desde lugares a pessoas, isso foi bom. – O encarei.

Sorriu balançado a cabeça.

– Relacionamentos?

– Dois sérios. Não duraram muito, talvez eu não seja namorável – Admiti.

– Por que?

– Não achei ninguém que tenha a mesma intensidade que eu. – Marcus me encarou. Droga cara, não me encare! – Não é algo que eu consiga explicar. – Sussurrei.

– Entendi.

– Sempre me jogo de cabeça – Encarei a estrada – Literalmente.

– Isso é ruim?

– Quando se é às cegas? Sim.

Na quarta música ele voltou a fazer perguntas.

– Por que resolveu ser acompanhante?

– Eu acho que já respondi essa pergunta.

– Sem detalhes – Me fitou.

Respirei fundo.

– Dívidas, eu fiz dívidas enormes e a oportunidade de quitá-las caiu em meu colo. Apenas aceitei, as vezes me arrependo e nas outras não.

– Por que se arrepende?

– Você nunca está preparado para o desconhecido. Isso pode ser bom, ruim ou ambos.

Chegamos na casa misteriosa algum longo tempo depois. Eram quase quatro da tarde e o sol estava forte apesar de grandes nuvens o encobrir. Marcus saiu primeiro e encarou a pequena casa, me virei para o mar em uma lamentação silenciosa.

– Praia – Sussurrei. De novo.

– Praias são legais. – Marcus parecia animado.

Bati a porta.

– Eu sei.

O ajudei com as malas. Caminhamos até a soleira, assim que abriu a porta um vento quente nos recebeu.

– Aqui embaixo é sala e cozinha. Lá em cima dois quartos.

– Certo.

O segui. Marcus abriu os quartos e me deixou escolher. Deixei minha mala em qualquer lugar e desci para encontra-lo. Havia algo novo em seu olhar, talvez muita razão sobre sua família o deixa-lo tenso o tempo todo.

– Vou fazer alguma coisa para comer. – Avisei.

– Depois podemos caminhar.

– Depois descansar – Avisei – Você não dormiu a viagem toda.

– Posso ajudar na cozinha?

Atravessei a bancada abrindo tudo o que podia conter mantimentos.

– Pode.

– O que teremos para hoje?

– Espaguete ao molho branco. – Me encarou de braços cruzados.

– Sério?

– Não duvide dos meus dotes culinários. – Ele riu. – Posso fazer coisas incríveis além de usar cartões de credito sem limite. – Pisquei.

– Sério? Você acabou de me deixar curioso.

Repensei minhas palavras e tentei entender as suas. Marcus não estava falando comigo em duplo sentido estava? Deus, eu não me importo que ele esteja.

Enquanto a água fervia lhe dei tomates e cebola para picar e me mantive concentrada no molho e algumas batatas no forno. Marcus voltou a falar, era estranho e bom ao mesmo tempo. Ele estava falando. Sumiu por um tempo na sala e voltou com duas taças de vinho. Maldita mente romântica.

– Beber antes de comer...

– É relaxar – Ergueu sua taça.

Tirei as batatas do forno e bati em sua mão quando tentou pegar uma. Quase uma hora depois estávamos a mesa ajeitando tudo. Marcus subiu para tomar um banho e voltou pouco depois. Eu gostava da forma como ele parecia relaxado. Como seu semblante era totalmente o inverso do homem tenso e frio que conheci por longas quatro semanas e que não fazia tanto tempo assim.

– Agora sim. – Afastei minha cadeira –Espero que goste.

Marcus me elogiou na terceira garfada. Continuamos a comer e beber. Eu queria mandá-lo parar de falar de sua mulher ou me comparar a ela – coisa que ele começou a fazer desde que começou a beber –, mas desisti. Ele cessou na hora de lavar a louça quebrando um prato.

– Eu posso fazer isso – Falei.

– Acho que bebi demais – Sorriu. Ele ficava adorável com seu sorriso bêbado, ou perto disso.

Me deixou sozinha e pouco depois, a música veio de algum lugar da casa. Suave. Deixei a louça secando sozinha e voltei a sala. Marcus encarava a estante.

– O que vamos fazer? – Perguntei.

Ele jogou a cabeça de lado. Oh droga!

– O que quer fazer? – Rebateu.

Dei de ombros. O vi se aproximar e meu coração bater forte. Segurou minha mão e me puxou gentilmente.

– Sabe dançar? – Seu hálito de vinho chegou ate mim. Marcus encostou seu rosto na minha testa, respirando contra minha orelha.

– Sou péssima para esse tipo de música. – Desviei.

– Precisa apenas relaxar. – Sussurrou.

Fechei os olhos respirando fundo. Seu sabonete ainda estava ali. Marcus se balançou de um lado a outro e o acompanhei. Essa é a última vez não? Era bom sentir sua mão em minhas costas, descendo lentamente, seu queixo tocar o alto da minha cabeça e ouvir seu coração bater. Isso era bom.

– Temos meia garrafa de vinho ainda – Murmurou, seus dedos tocando a pele nua no fim de minha coluna.

– Acho que aguento essa. – Falei e nos separamos. Marcus pegou a garrafa na mesa. Peguei as taças e subimos para o quarto, ele encarou as portas e optou por seu quarto.

– Eu acho que não vou conseguir andar. – Sorriu. Sua mala ainda estava onde havia deixado, sentei do lado oposto e o esperei nos servir. – O que pediu de natal? – Perguntou se jogando a meu lado.

– Nada e você?

Suspirou.

– Nada. – Encarou nossos pés balançando. – Não planejei o natal para isso.

Encarei o teto. Marcus terminou sua taça e partiu para outra. Havia sido duas e meia dele, uma e meia minha ao todo. Senti sua cabeça tombar de lado, era como um cachorro pedindo carinho, porem havia algo em seus olhos nada inofensivo. Marcus estava me despindo e me controlando com suas ações.

– Por favor. – Pediu traçando seu dedo gelado por minha clavícula.

Cruzei os braços. Ele se ajeitou e segundos depois se deitou colocando a cabeça em meu colo. Travei por um tempo quando seu braço passou por minha cintura. Sua respiração penetrando minha regata, seus dedos afagando minha pele.

– Estou facilitando – Sussurrou.

Não, você não está. Afundei os dedos em seu cabelo e ele arrepiou. Fiquei assim por muito tempo até meus olhos se fecharem também, era a coisa mais estranha que poderia estar me acontecendo. Tocar em Marcus fazia meu intimo se apertar. Abri os olhos com Marcus tentando me ajeitar e me afundei no colchão a seu lado. Levei minha mão até seu cabelo novamente e o puxei para mais perto, minha mente estava além do pervertido – amigo, Sara, ele disse amigos. E sorri quando seu braço passou por minha barriga, eu sabia o que estava fazendo, diferente dos outros homens pelo qual me relacionei, Marcus estava tomando tudo de mim. Indo um passo de cada vez – ou talvez a única com segundas intenções ali fosse eu. Porque sim, eu estava queimando pelo homem problemático dormindo comigo.

Ele acordou, encontrei seu olhar assustado. Pesadelo. Seus olhos estavam marejados e me aproximei tocando lábios em sua testa.

– Um pesadelo.

Me puxou para ele até que eu estivesse montando sua cintura. Pensei em protestar, antes que ele se arrependesse. Mas ele não me soltou, seu braço passou por minha cintura e sua mão afundou em meu cabelo.

–Marcus – Chamei – O....que está fazendo? – Senti sua respiração em meu pescoço.

– Você não é a Maggie. – Sussurrou derrotado.

– Não, eu não sou.

Seus braços aliviaram.

– Me desculpe. – Pediu deixando a força que usava para me manter ali, ir embora.

Coloquei os braços em seu peito e o fitei. Eu queria ser ela por um segundo. Mordi os lábios com força, iria estragar tudo, mas essa é a última vez. Que se dane. Estamos bêbados certo? Errado. Mas isso não importa. Desci os lábios até os dele. Sua respiração se acelerou e demorou alguns segundos até ele agir.

Suas mãos ganharam vida. Afundei as mãos em seu cabelo e friccionei meu corpo ao dele, era abusar demais, mas me segurei por muito tempo e ele estava tão ativo quanto eu agora. O gemido controlado que deixou seus lábios, a força que usava para fazer meu corpo friccionar contra o seu, a sensação maravilhosa que era senti-lo mesmo por cima de cada maldito tecido que nos separava.

Marcus me beijou com força ate o gosto de cobre surgir, um de nós dois perdeu o controle, suas mãos se fecharam contra minha bunda me apertando a ele, trazendo um prazer a beira do colapso para ambos. Puxei meus lábios dos seus e ele tomou meu pescoço. Sua língua dançando por minha pele, sugando com força enquanto sons deixavam a mim a ele, entregues. Não queria acordar daquele momento, meu corpo estava em chamas, então Marcus nos virou e entendi isso como aceitação, mas o contato foi quebrado.

– Eu... não posso. – Sussurrou.

Fechei os olhos.

– Me desculpe. Eu...– Saltei para longe dele, de costas para ele.

–Vou para o meu quarto. – Avisei.

–Não... precisa sair.

– Marcus...

– Nada aconteceu. Vamos esquecer. – Era sua forma de pedir desculpas.

Não. Eu não ia. Me levantei ajeitando a blusa claramente entregando meu estado.

– Nos vemos amanhã, Marcus. – Sussurrei antes de sair. E assim eu ferrei com tudo.