O Contrato
Capítulo 22
Não sei em que parte da noite peguei no sono, me lembro de me afundar no sofá cama e Marcus se ajeitar melhor em mim, como uma criança. Nora havia dito algumas vezes como Marcus era, essa coisa de ter a necessidade de não deixar as pessoas se afastarem depois que as tem. Não era realmente posse, era afeto.
Ele ainda dormia quando acordei com um braço envolvendo minha cintura e a mão magicamente enfiada em meus cabelos. Onde estava a Sara que não se apaixonava? Que era mais fácil se casar com uma bota importada, do que com um cara? Ela se perdeu quando entrou nessa. Agora ela ama um homem que às vezes oscila entre inocente, possessivo e apaixonante. E eu gostava disso, das três oscilações, gostava tanto que a língua coçava para chama-lo de meu.
Tanto que queria simplesmente passar o resto da minha vida o beijando, acordando todas as manhãs e tê-lo, do meu lado brigar e voltar da maneira mais incrível possível. Mas ele não era meu. Me levantei devagar sem acordá-lo, encarei o relógio em cima da TV marcando nove da manhã. Consegui pegar meu celular depois de dar vida ao meu braço. Várias ligações de Santana e duas mensagens, uma de Caroline me mandando aproveitar a festa – ela leu a carta – e outra de Victor que havia me surpreendido mais do que a Caroline.
Ele me mandou dar uma chance a Marcus, antes de tentar qualquer coisa, esperava isso de qualquer pessoa menos dele. Querendo ou não, pensei que havia criado alguma atração por mim, seja pelas suas brincadeiras ou mesmo falando sério. Victor era uma caixa de surpresas e descobri isso agora. No fim ele me desejava boa sorte. Prendi o cabelo e me levantei, precisava usar o banheiro e ligar para casa. Acho que não levei mais de quinze minutos para executar o processo, passei antes na cozinha colocando nossas xícaras cobertas de formigas na pia e segui para o banheiro.
Lavei o rosto e usei um pouco de pasta de dente, ajeitei melhor o cabelo, estava a um passo para deixar o banheiro quando me assustei com Marcus apressado e quase caindo no pequeno tapete que havia na porta.
– Você está aqui – Soou envergonhado. Ele estava com a marca da almofada no rosto o deixando ainda mais bonito?
– Eu só queria...
– Tudo bem – Mexeu as mãos – Você está aqui, eu só... estava te procurando. Pensei que havia ido embora... Quer tomar café?
– Eu preciso ligar para casa.
Assentiu.
– Mas vai tomar café comigo? – Expectativa brilhava em seus olhos.
Antes que eu pudesse responder tocaram a campainha. Ficamos nos encarando.
– Estão chamando – Avisei.
– Estão – Falou me esperando acompanha-lo. Ele não se mexeria se eu não me mexesse.
Seus passos eram lentos e seus olhares sempre me encontravam, olhando para trás para ver se eu estava ali. Puxei o rabo de cavalo mais apertado e tentei não parecer alguém que acabou de acordar, poderia ser Nora ou qualquer outro da família. Se fosse Nora, eu tinha certeza que teria de lhe dar um relatório. Tocaram a campainha de novo até ele abrir e aquela voz nasalada surgir. Eu adoraria se fosse Nora, lhe daria todos os detalhes possíveis, se fosse ela. Retroceder a visita seria uma boa.
– Parabéns, querido – Abby se jogou em seus braços e Marcus demorou alguns segundos para abraça-la também.
Havia superado a comparação entre Maggie e Abby, porque não acreditava que Maggie fosse um demônio. Ela não merecia ser comparada a raça ruim que era sua irmã, manipuladora e baixa. Marcus se afastou e ela estendeu seu presente enquanto equilibrava um bolo tamanho duas pessoas, eu juro que se fosse uma recordação da irmã como um tipo de um santo eu iria fazê-la engolir o presente. Eu mesma enfiaria por sua goela abaixo.
Marcus segurava a caixa.
– Abre, você vai amar. – Bateu palmas empolgada.
Oi, estou aqui. Marcus soltou as fitas que envolviam a caixa apoiando na barriga para tirar a tampa. Tirou um relógio que deveria custar muito e dois papéis. Abby sorria como se fosse uma mãe vendo seu filho ganhar seu presente de natal. Seu sorriso forçado me incomodava a ponto de querer vomitar.
– Eu não queria parecer repetitiva. Vi esse relógio quando fui a Londres e decidi que seria seu presente e como sempre, os ingressos para sua exposição favorita.
– Obrigado. Você me conhece bem.
Claro que conhece, pensei. Marcus se virou para mim quando viu minha movimentação em direção aos meus sapatos. Ouvi sua voz zunindo enquanto seguia para cozinha, ela não se importava em mostrar o quanto minha presença não importava. E era bom pois eu não conseguia forçar simpatia com pessoas que despertavam meu desejo assassino. Ela devia saber disso.
– É o seu bolo favorito – Falou da bancada.
– Sara, você não precisa ir. – Marcus deixou o presente no sofá e me rodeou como um cachorrinho que sabe que seu dono vai sair – Não vai tomar café comigo? – Perguntou se abaixando a meu lado me encarando enquanto eu colocava os sapatos.
Vi pela TV que Abby nos encarava, ela poderia tomar seu café com ele, eu dormi com ele! Passei seu aniversário com ele, coisa que ele não faz com ninguém há três anos. Isso já me deixava um pouco melhor.
– Eu preciso ir. – Menti.
– Espera – Segurou meu braço. Abby disse alguma coisa que me limitei a escutar – Você precisa comer.
– Eu realmente preciso ir, você tem companhia.
Bufou.
– Mas eu pensei...
– Onde está aquele prato... – Abby começou.
– É melhor ir ajuda-la – Avisei – Parabéns e me desculpe por não ter dado nenhum presente.
Eu realmente queria abraça-lo, mas me virei e sai antes que começasse a gritar e provavelmente enfiaria a cabeça de Abby dentro do triturador da pia. Dessa vez eu fui pelo elevador, dois segundos foi o suficiente para ver seu olhar antes da porta se fechar. Então eu gritei.
Não houve ataques quando cheguei em casa, Caroline tinha um sorriso enorme de satisfação ao me ver, o típico olhar de me conte tudo e não me esconda nada. Santana pela primeira vez não parecia muito diferente.
– Bom dia – Falei.
– Bom dia – Cantarolou – Pode começar, como foi com o Foster?
– Caroline...
– Café? – Santana me passou uma xícara me levando ao sofá – Antes de qualquer coisa sua mãe ligou e pediu para você retornar o mais rápido possível.
Certo.
– O que querem saber?
– O que deu de presente ao Foster? – Caroline sorriu.
– Bom, estava entre a razão e a emoção e fui vê-lo ontem. Ele ficou feliz em me ver... Marcus está fazendo terapia.
– Está?
Assenti.
– Parece um pouco melhor do que da última vez que o vi.
– Só isso? – Caroline estava um pouco decepcionada.
– Não estava nos planos dormir lá, eu só queria vê-lo, acho que o aniversário foi a melhor saída para visita-lo. – Confessei. – Ele me ofereceu bolo de caneta – Sorri – E falou coisas que mexeram comigo, ele não está mais sob o fantasma de Maggie. Me pediu para ficar e assistir filmes com ele, Marcus parecia uma criança com medo de ser deixado sozinho ao mesmo tempo ele era o homem mais perfeito do mundo. Ele acabou dormindo... em cima de mim – Sorri – Por isso não atendi e...
– Vocês dormiram juntos? – Caroline gritou.
– Não. Não dessa maneira. Então eu acordei primeiro hoje e precisei de alguns minutos a sós e ele surtou quando não me viu. Me chamou para tomar café com ele, foi um pedido tão encantador. Mas Abby chegou lhe deu presentes algo como um ritual do dia seguinte – Cuspi as palavras.
– Ela podia ser o sacrifício desse maldito ritual, sério, eu vou atropelar esse demônio. – Caroline apertou sua xicara em suas mãos.
– Ela lhe deu um relógio caro, convites para alguma exposição que eles vão todos os anos, levou seu bolo favorito e não se limitou a me fazer de invisível. Então calcei meu sapato e vim para casa.
– Porque? Ela teria que me aguentar – Santana resmungou.
– Eu dormi com ele, passei seu aniversário com ele. Marcus passa seus aniversários sozinhos há três anos. Ela nunca conseguiu convencê-lo a deixá-la ficar e foi ele que me pediu para ficar. Isso já me deixa um pouco melhor. Foi isso que aconteceu, agora eu preciso ligar para casa.
As notícias que vieram de casa foram agradáveis, teria de comparecer em Phoenix na próxima semana para uma possível entrevista. Tentei não pensar o contrário disso e nem mudar um dia por alguns meses.
A segunda-feira veio tediosa, trabalhei o dobro para compensar minha futura ausência e preencher o quadro de presença. E tudo se resumia a voltar para casa, dormir, levantar cedo, trabalhar e assim consecutivamente durante uma semana. Sexta à noite recebi uma ligação silenciosa que achei ser Victor, mas ele não sabia da brincadeira. Uma hora mais tarde o mesmo número me ligou e dessa vez, ele falou.
– Sou eu. – Falou baixinho.
– Marcus?
– Sim.
Ficamos em silêncio por um tempo, até ele falar novamente.
– Tudo bem?
– Um pouco cansada, e você?
– Trabalhando... em casa um pouco.
Por que me ligou e ficou em silêncio? Pensei em perguntar, mas talvez já soubesse a resposta.
– Já está deitada?
– Não.
– Te atrapalhei em alguma coisa?
– Também não. – Tentei não hiperventilar. – Quer conversar?
– Quer sair amanhã comigo? – Perguntou de uma vez – Se não tiver nenhum compromisso.
– Trabalho até as duas, amanhã.
– Isso é um não? – Seu tom pesou.
–Não, isso é um: que horas deseja sair, porque estarei cheirando a doce provavelmente.
Ouvi sua risada.
– Eu gosto do seu cheiro.
Salva pelo celular ou ele veria meus cinquenta tons de vermelho.
– Pretendo usar os convites que ganhei.
– Não vai levar Abby? – Era a minha vez de estar surpresa.
– Não.
– Mas ela te deu.
– Não havia nada escrito que eu deveria leva-la por causa disso. Quero levar você... Pode ser um pouco chato e...
– Se esqueceu dos meus gostos? – Sorri.
– Então você vai gostar.
– Tenho certeza que vou adorar – Tentei diminuir meu sorriso.
Falar com Marcus sem causar uma ameaça de nova guerra era o ápice da felicidade. Não era pelo gelo que demos um ao outro que as coisas estavam entrando no lugar. A distância falou por si só, a realidade pareceu mais clara agora. Não mudaria meus planos até tudo parecer certo, eu tinha certeza, mas não queria me agarrar a ela. Ainda não.
– Alguma novidade? – Perguntei apenas para preencher o silêncio, mesmo gostando de ouvir sua respiração e o som dos teclados de seu computador do outro lado.
– Eu dormi um pouco durante a semana, isso é bom.
– E a terapia?
– Estou parecendo um homem mais equilibrado agora – Riu – Estou evoluindo.
– Parabéns.
– Tem mais coisas, mas eu quero contar amanhã... não quero parecer um idiota sem assunto. Não quero que se canse de mim.
– Não vou.
– Não apostaria isso, quero que deseje me ver muitas vezes.
– Eu sempre vou querer te ver mais vezes Marcus. Não precisa temer quanto a isso.
Quase conseguia vê-lo mexer a cabeça mecanicamente e encarar os próprios pés. O sono veio algum tempo depois e com ele o silêncio, ambos permaneceram com os aparelhos ligados, deixei no viva-voz e me deitei puxando o cobertor até o pescoço. Ouvindo sua respiração e o barulho dos teclados, o tempo passou, encarei o relógio e era quase meia noite quando o ouvi me chamar, mas não respondi, encarava os números passando e ele falou...
– Boa noite, meu amor.
Agora eu me sentia desintegrar em minha cama embalada pelo bipe da ligação encerrada. E suas palavras ecoaram em minha cabeça por toda a noite até o sono chegar novamente. E me acompanhou no café da manhã, no caminho para o trabalho e tirou toda minha concentração.
– Cuidado Sara, vai acabar nos falindo passando o troco errado de novo – Savanna segurou meus ombros – Algum problema?
– Me desculpe, não há problema nenhum. Só minha cabeça fora da terra.
– Certo. Deixa que eu cuido disso, pode servir as mesas – Sorriu – Nosso melhor cliente acabou de chegar – Apontou com a cabeça o lugar onde ele estava.
Marcus estava sentado no ultimo sofá no fundo do café, encarava seu cardápio, mas parecia já saber o que queria. Legal, eu teria que ser uma boa atriz, mesmo sabendo que sou péssima.
– Ele vai pedir torta de morango ou bolo de limão, café forte com uma pequena colher de açúcar. Nada de adoçante, ele não gosta.
Assenti.
Passei um tempo na cozinha com seu pedido já pronto até passar pelas portas duplas e seguir para sua mesa. Seu olhar deixou o cardápio e quando me viu se aproximar um pequeno sorriso se formou nos cantos de seus lábios.
– Seu pedido cliente especial. – Falei o servindo.
– Cliente especial?
– É o que dizem por aqui. – Apertei minha bandeja com força. – Mais alguma coisa?
– Vai comigo a exposição?
– Talvez eu precise passar em casa e...
– Está bonita assim. – Seu olhar me aqueceu. – Também vou assim.
Sem terno, estava começando a gostar dessa versão mais casual.
– Tudo bem, tenho mais uma hora e então podemos ir.
– Eu espero. – Falou tranquilamente.
– Espera?
– Se quiser posso ir embora e depois volto.
– Não tem nenhum problema. – O tranquilizei.
Só não conseguiria me concentrar pelo resto de tempo que tinha. Então adorei quando Savanna me deixou ficar na cozinha. Vez ou outra o via mexer no celular, comer mais alguma coisa, seguir para o caixa, falou alguma coisa com Savanna e voltou a seu lugar. Meu tempo estava acabando quando fui até o banheiro tirar o uniforme e arrumar o cabelo, bem casual. É, nunca pensei que amaria tanto roupas casuais.
– Estou pronta – Falei parando ao lado de sua mesa – Podemos ir agora.
Marcus se levantou tão rápido que me assustou. A todo instante me via procurando pelo Marcus que passei a maior parte do meu tempo, ele estava ali em algum lugar, não era tão profundo.
Caminhamos um pouco até seu carro na esquina, durante todo o percurso ele permanecia com as mãos dentro do bolso do casaco. Abriu a porta para mim quando chegamos quente, confortável e com seu perfume. Trocaria minha cama facilmente para estar em seu carro todos os dias. O vi conferir os convites e não consegui conter o riso.
Além de dormir com ele, eu também estava indo a um novo ritual pós-aniversário. Sim, era eu e não ela. Sim, eu vou comemorar isso. Começamos tendo um pouco do seu gosto musical no carro. Quando perguntei quem cantava e que eu havia gostado, isso quase soou como: você me ensinou a ler, e ele se orgulhava disso.
E assim foi uma música atrás da outra, até chegarmos ao teatro da cidade. Marcus quase segurou minha mão, por um momento eu pensei que ele o faria. Entregou nossas entradas e começou a explicar como funcionava tudo. Era algo como, uma música que daria um quadro ou algo assim. Gostei de uma, eram várias cores entrelaçadas e duas mãos que tentavam se tocar.
– Another Love, Tom Odell. – Falou se pondo ao lado do quadro. E sussurrou a música baixinho, apenas para mim.
Tinha uma leve ideia do que o quadro queria dizer. Marcus gostava disso, podia trabalhar como guia. Ele era bom, apesar de que tomaria toda a atenção, o que aconteceu algumas vezes durante nosso trajeto.
– Sério que nunca entrou aqui?
– Sério. Meu mundo era dentro de lojas. Aprendi com o susto que preciso me manter longe delas por um tempo.
– É só saber racionalizar.
– Isso é facilmente esquecido quando se tem um cartão. Em breve estarei em um trabalho melhor e já estou fazendo planos para não sair por aí gastando. Phoenix também tem suas grandes lojas – Sorri o encarando. Marcus não sorria, sua expressão estava mais para derrotada. Então me dei conta que havia falado demais.
Droga!
Pensei que tocaria no assunto, mas ele não o fez por hora. Algum tempo depois voltou a ser meu guia, mantinha agora sua mão em minhas costas desde o episódio ser-empurrada-por-estudantes-hormonais. Sentia um choque correr por todo meu corpo com isso. E foi assim que a hora passou.
– Nunca pensei que passaria tanto tempo aqui – Comentei.
– Não gostou?
– Eu amei, acho que precisava de um pouco de cultura em mim.
– Posso te passar alguma música. Quer jantar comigo?
Fiz careta.
– Aprendi um espaguete essa manhã.
– Como?
Marcus Foster estava corando.
– Eu pensei que poderia mostrar um pouco do que andei aprendendo.
– Não vou ter nenhuma intoxicação alimentar? – Abriu minha porta e se debruçou na janela quando entrei.
– Posso cuidar de você caso tenha.
– Não duvido disso.
Quando chegamos ao apartamento quinze minutos depois, o vi tirar alguma bagunça do sofá e carregar para o quarto. Foi engraçado, voltou sem o casaco e seguindo para cozinha. O observei em silêncio enquanto fazia tudo sozinho em questão de segundos.
– Então, sobre as novidades que não queria me contar ontem. Vou poder saber agora? – Encarei suas costas.
– Gostaria de ouvir as suas.
– O de sempre.
– Posso ouvi-las de novo.
– Se é sobre Phoenix, estou viajando em breve. – Despejei.
Suspirou.
– Vai reencontrar seu sol? – Tentou soar divertido, mas havia uma implicância ali.
– Tenho uma entrevista. Volto na semana seguinte.
– Ansiosa?
Você não quer falar sobre isso. E não, eu não estou muito ansiosa.
– Eu prometi a mim mesma fazer as coisas direito.
– Não foi isso que perguntei. – Ele tentou soar normal.
– Quer mesmo falar sobre isso? – Perguntei o encarando e negou.
O silêncio se arrastou de novo, Marcus xingou baixinho algumas vezes quando deixava a simples colher fazer barulho. Ou nos menores dos acontecimentos, ele estava frustrado. Não me mexi quando arrumou a bancada, quando deixou o vinho de lado pegando suco, me levantei e peguei a garrafa que ele havia ignorado, só hoje. Comemos em silêncio, maldito silêncio.
– Me desculpe, eu não queria realmente parecer um idiota curioso. – Pediu.
– Você só fez perguntas. Normal – Bebi um pouco do vinho. – Na verdade, não são as perguntas, mas como elas soam.
– Eu não sei falar com as pessoas como deveria. Estou canalizando isso... Só que é difícil.
Me levantei seguindo para o sofá e me afundando nele, não queria que pensasse que eu estava fugindo e graças a Deus, ele não pensou assim se sentando a meu lado.
– Tento não pensar muito. Isso piora – Murmurou – Viu como estrago as coisas, rápido demais?
Neguei.
– Estou parecendo um idiota dramático, mas já teve a sensação de se assistir perdendo tudo e tendo suas tentativas de recuperação falha?
Assenti, tive essa mesma sensação.
– Eu fecho os olhos e as imagens do que poderia estar fazendo vem em minha cabeça. Mas eu tenho a consciência de que não consigo concretizá-las e não posso reclamar apenas tento aceitar meus limites.
– Marcus...
– A única certeza que ainda tenho, que me restou é o sentimento. E o jogo se inverteu, uma hora isso tudo vai passar e talvez vamos rir disso.
– Marcus...
– Mas eu já sabia que sou toxico Sara, eu sei como dói saber disso...
– MARCUS! – Gritei. Ele estava a ponto de sufocar – Eu ainda te amo tá legal? Eu não deveria depois de tudo, mas eu ainda amo você.