O Contrato

DM Pager · Capítulo 6 de 28

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O Contrato

Capítulo 6

 

Marcus segurou minha mão quando estávamos quase chegando a casa e só me dei conta depois que vi que era Leslie sentada nos observando. Ela era menos agressiva do que Nora e isso era bom, acho que confiaria mais se nosso segredo vazar com ela do que com Nora Foster que tinha uma maneira nada dócil de dizer tudo o que queria.

– Oi casal, Sandra acabou de falar sobre vocês. – Sorriu.

– Onde ela está? – Marcus ainda segurava minha mão com um pouco de força.

– Acho que subiu.

Não disse mais nada apenas me arrastou com ele para dentro da casa. Pensei em perguntar se havia algum problema entre ele a mulher de seu primo, mas optei por manter a promessa de não fazer mais perguntas – não por agora, pelo menos.

– Preciso me trancar no quarto enquanto conversam? – Perguntei soltando sua mão.

– Pode ser menos engraçadinha? – Tentou uma careta.

– Você precisa sorrir mais. – Parei alguns degraus e o fitei – Você fica bonito sorrindo.

Eu não queria que aquilo parecesse uma cantada. Tentei de todas as maneiras fazê-la não parecer uma, afinal não era uma.

– Não gosto de sorrir. Não tenho motivos para isso. – Falou me encarando.

– Você fica feio quando está sério. – Essa foi a maior mentira que já disse na vida. Mas eu queria destruir o ego dele que ajudei a crescer quando resolvi ser gentil.

Segui para o quarto e ele foi atrás da mãe. Marcus literalmente era uma caixinha de surpresa e algo me dizia que se eu tentasse abri-lo soaria um alarme e não seria nada legal.

O plano era me manter o mais longe possível de sua família isso tudo porque ele tinha medo de ser descoberto. Me visualizei algumas vezes perguntando a Nora ou qualquer outro o motivo disso tudo, mas eu não estaria sendo profissional, bem eu nem sou uma. Então... quando voltou parecia de bom humor. Abriu o guarda-roupa e pegou uma bolsa, me encarou como se me mandasse reagir e me pus de pé com a pergunta na ponta da língua, mas ele foi mais rápido.

– Pega um biquíni ou dois. Não sei o que vai querer levar, protetor solar e alguma roupa solta. Apenas uma peça. – Falou como se eu fosse alguma doente.

– Sim, senhor.

Ele continuava a arrumar sua bolsa enquanto fui fazer o que mandou. Vi que pegou o livro e alguma coisa dentro de uma gaveta e o colocou no bolso. Entreguei minhas coisas e o vi ajeitar na mochila com cuidado. Na descida Leslie me entregou outra bolsa dizendo para ter cuidado que podia virar a comida. Marcus se despediu de todos e seguimos alguns metros até um barco.

– Acho que posso ficar enjoada aí. – Avisei.

– Só deixar a cabeça fora do barco. Não terá problemas.

Eu devia vomitar na sua cara também não seria nenhum problema. Não havia ninguém nos observando de longe pelo menos não visível então entrei e me sentei em um dos sofás. Marcus seguiu para direção, colocou seus óculos escuros e me esqueceu por um longo tempo. Era óbvio que eu ficaria enjoada e me senti verde no meio do caminho, foi quando ele percebeu que eu estava ali ainda e não morrendo afogada porque não podia vomitar em seu lindo barco.

– Tem remédio na bolsa e água ali. – Apontou para uma portinha escondida na lateral do barco.

Me arrastei até lá pegando uma garrafa e puxei a mochila pegando o remédio. Perdi a conta das gotas do remédio, apenas virei na boca e fechei os olhos sentindo minha temperatura despencar.

– Falta muito? – Obriguei minha voz a sair.

– Pouco. Menos de quinze minutos.

– Se queria que eu sumisse era só ter dito que eu me enterrava lá na praia mesmo. Ninguém ia me ver.

– Não quero sumir com você. – Podia sentir o humor em sua voz. Levantei a cabeça e encarei suas costas estavam razoavelmente relaxadas agora.

– O que quer então? Sabe gostaria que você me respondesse algumas coisas. Sei que o combinado era sem perguntas, mas eu preciso saber.

Me encarou. Entendi como um faça-as.

– Por que quer me manter longe da sua família, se me trouxe aqui para eu ser sua namorada? E por que eles te tratam como se você fosse um doente? E por que você me trata como se eu fosse dar com a língua nos dentes?

Bufou um sorriso voltando a direção.

– Não vai responder?

– Não disse que responderia. – O desdém escorreu pela sua voz agora.

– Eu desejei que você fosse um velho quando fui te encontrar sabia? Acho que um velho seria mais legal que você. – Me aproximei da água – Velhos literalmente são mais legais.

Ele virou o barco de maneira brusca, com o susto acho que parti meu joelho ao meio, perdi o equilíbrio e cai na água. Estava muito gelada, gelada demais para o meu gosto. Bati as mãos para subir, mas o barco fazia tudo turvar e o medo de perder a cabeça em uma das hélices não me dava coragem o suficiente para seguir em frente. Até ouvir a queda e a mão de Marcus me puxar para cima.

– Me solta! – O bati algumas vezes sentindo as lágrimas quentes em meu rosto. Você vai morrer se não deixa-lo ajudar. A parte em mim que não sabia nadar muito bem me alertou.

– Oh droga, você está bem? – Ele realmente parecia preocupado agora. Minha conta em um hospital poderia soar caro.

O empurrei, mas suas mãos seguraram meus braços e me sacudiram.

– Droga, você está bem? – Me encarou.

– Por que quer saber se foi você quem me jogou aqui? Você é um cretino idiota. – O segurei com medo de afundar.

Marcus não me soltou até estarmos de volta ao barco. Agora tremendo de frio e com um vermelhão no joelho, senti uma dor tão grande que pensei que havia quebrado. Marcus voltou para a direção. Ele devia saber que a arrogância dele machuca as pessoas. Ele devia saber também que eu posso sim cumprir com esse meu papel idiota, mas ele também tem que colaborar.

Chegamos minutos depois ao outro lado. Mas não sai do lugar, o vi se aproximar da pequena geladeira e pegar um pouco de gelo na parte de baixo, encher uma sacola com os cubos e se voltar a mim. Continuei encarando a água quando estendeu para mim, queria que ele engolisse cada pedrinha, senti o meu joelho queimar quando o colocou sem respeitar minha rejeição.

– Eu não quero. – Era infantil, mas eu estava com raiva.

– Não te perguntei nada. – Falou firme.

– Não quero sua gentileza.

Deu de ombros e pressionou mais o gelo em meu joelho. Tentei afastá-lo, mas ele o segurou, sua mão era grande e seus longos dedos finos pressionavam minha carne. Ele não me deixaria sair dali.

– Está sentindo alguma coisa estranha? – Me estudou.

– Dor. Eu bati quando cai.

– Me desculpe. Precisa ir a um médico?

Neguei.

– Isso é culpa sua. – Sussurrou.

– Minha? – O encarei. –Foi você quem tentou me matar. – Gritei.

– Eu não tentei te matar.

Puxei o joelho e doeu.

– Viu? Você mesma tenta se matar.

A raiva fez meu joelho voltar ao normal. Ele me ajudou a descer do barco me fazendo sentir o tamanho que meu joelho estava ficando com a luxação. Marcus pegou as bolsas e me levou por uma trilha, ele devia saber onde estava nos levando. Ele tinha que saber.

– Isso aqui também é seu? – Perguntei quando saímos do meio das árvores e avistei a pequena casinha de frente a uma grande piscina que se formou com as ondas.

– Agora é.

– E de quem era? – Perguntei.

Deu de ombros.

– Já veio aqui antes? – Perguntei novamente. Talvez ele me respondesse.

– Uma vez. – Pegou a chave no bolso e abriu a porta. Senti o ar quente nos dar as boas-vindas.

Era pequena, não parecia tão diferente da casinha do outro lado, mesmo eu não tendo entrado nela era fácil comparar. Apenas dois cômodos, cozinha e banheiro. Uma cama ainda com o plástico novo, pia limpa e banheiro nunca usado antes. Não era uma supercasa, era apenas um lugar confortável no meio do nada.

– O que vamos fazer?

– Caminhar. – Me deu as costas.

– Qual é a possibilidade de nós perdermos?

– De você se perder? – Sorriu. –Todas.

Dei de ombros me sentando na cama e sentindo o colchão quente contra minhas coxas. Marcus sorriu, mesmo se virando de costas, eu o vi sorrir. Ele estava fazendo muito isso desde que o dia começou.

– Não sei se vou conseguir andar com o joelho assim. – Avisei.

– Então fica aqui.

– Você consegue ser menos ignorante de vez em quando? Esse é só o segundo dia. – Supliquei.

– Você não parece a mesma pessoa que Susan me disse. – Me encarou. Ele tinha aquele olhar que fazia todas as verdades escorrer de você e eu era aquela pessoa que dizia a verdade sob pressão.

Senti a espinha gelar. Ah claro, a Sara arrogante e desinteressada. Você é curiosa, enxerida e boca dura.

– O que eu posso fazer se meu cliente é misterioso. – A pior jogada que eu poderia fazer.

– Não fazer perguntas é um bom começo.