O Contrato
Capítulo 26
Marcus repetiu toda a história além de dizer que Abby voltou a Londres e isso parecia um começo de paz, tinha que ser um. Tentei parecer brava, não dar muita brecha, mas eu não conseguia, não quando ele me olhava daquele jeito que me sufocava e me tirava qualquer resquício de sanidade.
Contei a ele que meu pai estava realmente chateado, eu não sabia como reagiria quando o visse, esperava que todas as armas estivessem bem longe nesse momento. Fomos até a cidade no hotel onde estavam suas coisas e só contei que teríamos uma semana a sós quando voltamos para casa.
Me sentia tão idiota a ponto de me odiar por isso, Marcus virou minha sombra, aonde quer que eu estivesse ele estava também. Me seguindo até que a necessidade de o tocar se fez mais forte e nos, pegamos no meio do corredor antes de conseguir chegar ao quarto. Tom sempre salvando minha vida tirando meus pais de casa.
– Se seus pais chegarem – Marcus resmungou enquanto puxava minha camisa – E seu pai estiver armado – Me beijou – Vai ser constrangedor morrer pelado.
Gargalhei.
– Eles não vão vir. Pode confiar em mim – Segurei seu rosto – E caso ele te mate, eu cubro seu corpo.
– Ótimo saber disso. – Riu contra meus lábios.
– Vamos falar sobre sua morte ou vamos aproveitar enquanto está vivo?
– Acho que vou aproveitar minha mortalidade.
Tomo uma respiração quando suas mãos sobem por minha lateral até meus seios. Meu corpo está gritando necessidade a tanto tempo que esta prestes a explodir e parece ter a noção disso. Marcus se tornava uma águia pronta para fazer sua encurralada perfeita. Seus dedos brincam com meus mamilos e eles endurecem na hora, reconhecendo seu toque. Como se pertencem a ele como seu mestre.
– A mulher da minha vida. – Murmurou contra meus lábios, seus olhos conectados aos meus. Desci minha mão entre nossos corpos e o provoquei fazendo seus lábios finos se apertarem para emitir o som que esquentou por inteiro meu corpo.
– Prove. – Pedi.
Sua boca se trava na minha, sua mão livre tirando a minha do caminho, como uma pessoa experiente puxando nossas barreiras do caminho, Marcus encontro seu lugar perfeito em meu centro e avança. Seu olhar a todo tempo nos meus. Um sorriso malicioso brinca em seus lábios enquanto ele avança lentamente me moldando a ele, minha respiração tentando se achar em meus pulmões como se fosse a primeira vez. Minha boca deixa a sua na tentativa de controlar o desejo, mas acabo dando o efeito contrário quando seus avanços se tornaram mais bruscos.
Gritei como nunca pensei que gritaria antes. Isso fez Marcus ganhar o seu momento quando suas investidas arrastaram meu corpo sob meus lençóis. Suas mãos me prendendo no lugar até conseguir libertar as minhas e afundar minhas unhas em seus ombros. Ele devolveu a dor mordendo meu lábio inferior.
– Eu sei que está no seu limite. – Murmurou apertando os lábios em minha orelha. – Venha pra mim, anjo. Estou aqui para você.
– Marcus...
– Estou aqui. – Beijou meu pescoço, seus dentes raspando em minha garganta. – Todo pra você e por você. Agora venha para mim. – Seus dedos prenderam meu cabelo com força me fazendo encara-lo. – Você me deixa louco, por Deus, você é linda.
Sorri em meio a respiração acelerada e mais uma vez ele me pegou de surpresa avançando seu quadril contra o meu, batendo tão fundo que todos os botões em mim acionaram me fazendo gritar seu nome enquanto seus lábios desciam para fechar em um seio, mordendo, sugando, puxando todo o prazer da minha alma até voltar para os meus lábios. Suas mãos agora seguram meus quadris me puxando para cada impulso e não consigo controlar meu corpo.
Explodimos ao mesmo tempo, enquanto sentia tudo se perder a meu redor, mergulhando no prazer de corpos quentes e pulsantes. Isso havia sido o ápice dos meus momentos.
Eram quase nove da noite quando deixamos o quarto, eu não queria, mas corria o risco de parecer uma ninfomaníaca se continuasse ali.
– Eu falei sério sobre se casar comigo.
Me virei da bancada para fita-lo, Marcus me encarava com os olhos profundos, não parecia um blefe de momento. Ele estava falando sério, como sempre falou desde que o conheci. Ele realmente queria se casar comigo.
– Nem estamos namorando ainda.
– Estamos de novo. Na verdade, nunca deixamos de estar, tivemos apenas uns dias afastados.
– Podemos falar de casamento daqui a uns anos?
– Seis meses. – Rebateu.
– Dez.
– Quatro e não se discute.
– Eu não vou fugir – Falei. Puxou a tigela de cereal da minha mão.
– Eu não deixaria de qualquer jeito – Sorriu. O sorriso maravilhoso de Marcus – Tenho tanto medo de estar sonhando, de respirar fundo e acordar.
– Que bom que se sente como eu. É estranho descobrir que o amor da minha vida não é um cartão de crédito.
– Sou mais útil que um – Me beijou – E muito melhor.
Os dias seguintes se resumiram a passar a manhã andando pela cidade e o resto do dia, trancados no quarto. Parecia que cada segundo longe de Marcus era como me matar aos poucos e eu tinha medo disso. Estávamos indo rápidos demais, acordar no meio da noite e vê-lo dormindo do meu lado, conversar até tarde, sentir seu perfume, esquecer tudo lá fora me fazia muito bem e ele estava ali provando que realmente me queria também.
– Meus pais chegam daqui a dois dias – Encarei o teto. Marcus afagava meu cabelo com o rosto enfiado no vão em meu pescoço.
– Estou preparado – Sussurrou.
Sorri.
– O que vai dizer a eles?
– Que a amo demais para deixá-la, que fui um idiota por muito tempo, que quero me casar com ela, ter filhos e acordar todos os dias da minha vida ao lado dela.
Suspirei.
– Que se eu descumprir com tudo isso, ele pode me matar.
– E eu vou deixar – Senti seus lábios pressionarem meu pescoço.
– Se eu a deixar, vou me afundar de novo e nunca me senti tão vivo. Então sempre que duvidar dos meus sentimentos lembre-se de quem eu era. Do cara que conheceu.
Quando Marcus falava sério, tudo dentro de mim se deslocava porque sempre via medo em seus olhos. E eu não poderia deixá-lo, um dia talvez, amores acabam. Era bem ridículo não pensar isso, mas faria o possível para fazer todo esse amor incondicional que sentia por ele ser mais forte a cada dia.
– Eu amo você, só acredite nisso.
Minha mãe me ligou no domingo de manhã, eles chegariam no horário do almoço. Isso era um aviso para deixar o almoço pronto. Marcus parecia realmente estar com medo de meu pai lhe furar no meio da testa e isso me fazia rir quase o tempo todo. Ele fez peixe ao vinho, conferimos a hora e subimos para tomar um banho e ajuda-lo a aliviar a tensão. Resmunguei que meus pais poderiam voltar a noite.
– Como estou? – Perguntou passando as mãos na camisa xadrez.
– Lindo, respira Marcus – Avisei. Ele sorriu sem jeito.
Ouvi a buzina do carro logo em seguida e pelo que conhecia do meu pai, ele iria direto lavar as mãos e se prostrar diante da mesa. Mamãe gritou um: chegamos, e avisei que desceria em breve. Meu pai prometeu não fazer nada, ele não faria.
– Se ele estiver armado – Avisei quando chegamos à escada – Corre para os fundos, ele não vai muito longe – Segurei o riso.
– Você realmente quer me ver morto, não é? – Marcus voltou um passo cruzando os braços.
– Estou tentando ajudar. – O beijei.
– Devo agradecer?
– Mais tarde. – Pisquei.
Mamãe estava se sentando elogiando minha comida ou melhor, a comida de Marcus e meu pai já estava se servindo. Não esperava nada diferente nisso. E Marcus... bom... Marcus parecia querer desmaiar a qualquer momento, o que era cômico.
– Olá – Mamãe me encarou e papai parou o garfo no meio do caminho – Pensei que nos esperaria pai.
– Querida, quem... – Mamãe começou.
– Mãe, pai, esse é Marcus.
– Oi senhor e senhora Malvin – Marcus soltou minha mão e a estendeu a meu pai que a encarou por um tempo antes de apertá-la.
– Você é...?
– Namorado da Sara – Marcus falou de uma de vez.
Mamãe sorriu de canto a canto.
– Mas a Sara...
– É pai, Marcus é meu namorado. As coisas se ajeitaram e já dei todo o aviso que ele precisava saber.
Ele sorriu orgulhoso.
– Pensei que teria que ir até a sala polir minha espingarda. – Balançou os ombros com um olhar ameaçador.
– Não há necessidade senhor Malvin – Marcus sorriu sem jeito – Eu sei que falhei com sua filha e ela não merece, prometo que irei cuidar dela pelo resto da minha vida e se descumprir isso, poderá me matar.
– Com toda certeza. – Falou voltando a seu prato.
– Pai.
– Tudo bem, só cuide dessa garota como se fosse sua vida.
– Ela é. – Marcus me encarou.
– Certo – Papai piscou para mim – Então, Marcus, gosta de futebol?
Legal, meu pai o faria passar pelo teste de aceitação. Eu devia ter avisado isso antes. Seria um longo dia.
O resto da semana passou rápido, nunca pensei que Marcus e meu pai se dariam tão bem como se deram. Eu só queria que tudo desse certo agora e parecia estar dando, de um jeito incrivelmente bom.
Alguns meses depois...
– Santana e Caroline decidiram ficar no apartamento. Caroline por incrível que pareça foi promovida.
Marcus afagava meu cabelo.
– E quando você vai vir para cá?
– Depois que nos casarmos.
– Isso é daqui a seis meses.
– Passa rápido.
– Não passa.
O fitei.
– Depois eu serei para sempre sua.
– Podemos começar o para sempre agora. Dividindo a cama e guarda-roupa...
– Não – Me sentei na cama ajeitando o cabelo – Quero fazer isso direito. Seguindo os planos. Estamos a cinco meses juntos oficialmente e já estou me sentindo diferente, mais casada do que noiva. Na verdade, estamos quebrando todo o protocolo pulando para noiva.
– Acho justo – Cruzou os braços.
– Daqui a seis meses, certo?
– Não.
– Sinto muito. Por que quer tanto que eu fique?
O telefone tocou antes que ele pudesse me responder, em pouco tempo o meu tocaria também. Santana esperava que eu ajudasse na limpeza do apartamento. No fundo eu amava quando ele insistia para que eu ficasse. Mas me segurava para não dizer sim, quando desligou se virou para mim com um sorriso enorme.
– O que foi?
– Nora me tirando uma dúvida. – Passou as mãos pelo cabelo nervoso.
Suspirou.
– Que dúvida?
– Se eu te pedir uma coisa você vai fazer? Na verdade, são duas.
– Depende.
– Tire a roupa. –Sorriu malicioso.
– Como? – Gargalhei.
– É, tire a roupa e se deite aqui. – Bateu na cama.
– Se for uma massagem eu até aceito.
Bufou.
– Tá legal, eu não sei o que você e Nora estão aprontando, mas vamos lá.
Tirei minha blusa e ele me fez tirar o sutiã também. Por duas vezes que fizemos amor, peguei Marcus me observando. Isso não me incomodava, me fazia me sentir estranha de uma maneira que eu não saberia descrever.
– Pronto, vai me desenhar, por quê se for aumenta meus seios – Brinquei.
– Shhh – Pediu se sentando no chão ao lado da cama. Ele voltou a me observar.
– O que foi Marcus?
– Como se sente? – Me fitou.
– Bem?
– Só? Ainda está com cólica e essas coisas? – Fez uma careta.
– Não e isso faz duas semanas.
– Certo. Não me ache mais louco do que pareço ser – Sua mão tocou minha barriga. – Você está diferente.
– Diferente como?
– Tem uma coisa aqui – Virou a cabeça de lado – Que não tinha antes.
Aos poucos fui entendendo.
– Não. Eu não estou gravida. – Tentei me sentar e me fez deitar.
– Como você sabe? – Me encarou.
– Como você sabe? – Rebati.
– Eu conheço cada parte do seu corpo em todos os detalhes possíveis, passei noites te observando até isso surgir a mais ou menos um mês e meio. Então todas as vezes que dormimos juntos e você pega no sono eu fico observando e está um pouco maior que da última vez. Seus seios estão um pouco maiores, no todo você está diferente. Eu te perguntei e você me disse que estava com cólica e que fica inchada, e depois disse que é seu remédio para seu período. Então eu não poderia saber e falei com Nora. Ela está se segurando para não a questionar e me fez comprar um teste. Eu disse que esperaria mais um pouco, mas a cada dia que passa as coisas parecem mais claras.
– Marcus...
– Olhe para isso.
Ah meu Deus, eu mandei Caroline não dizer isso. Eu falei que havia ganhado mais corpo desde que mudei meu remédio, que era normal e que Marcus nem reparou isso. Eu não queria pensar que estava engordando mesmo vendo minhas bochechas ganharam um pouco de volume ou minha cintura um pouco maior. Isso faz dois meses. Mas Marcus reparava mais do que eu gostaria.
– Meu remédio faz isso.
– Bebês também – Sorriu encarando minha barriga.
– Onde está o teste? – Estendi a mão.
Seu olhar me encontrou.
– Não precisa fazer agora.
– Eu quero fazer.... Mesmo não sentindo nada que uma grávida sente. Mas... e se for?
–Não vai a ver seis meses nesse tempo, porque eu não vou deixá-la sair daqui. Deus, eu estou tremendo.
Eu já estava chorando porque não estava conseguindo pensar direito. O acompanhei até o banheiro onde a caixinha estava escondida dentro da gaveta. Como não vi isso antes? Respirei fundo antes de beijá-lo e fechar a porta. O que aconteceu nos últimos meses desde que conheci Marcus? Era só um contrato, o mais falso deles. O odiei, o amei e agora estou incondicionalmente apaixonada por ele. Eu desisti, me afastei, sofri mais do que achei possível. Fechei os olhos para qualquer possibilidade de felicidade com ele. Eu pensei que nunca daríamos certo.
Pensei que ele nunca seria capaz de deixar Maggie para trás e se Marcus um dia superasse tudo pensei que Abby estaria ocupando este lugar hoje, mas nunca, nunca pensei em mim realmente. Nunca imaginei que Marcus Foster um dia diria que me amava e ele disse, diz e agora está diante de uma pequena caixa esperando um resultado que mudaria de vez toda essa trágica história de amor.
– Amor? – Bateu na porta. Minhas mãos estavam tremendo quando peguei o teste.
– Estou bem.
– Isso demora muito?
– Você leu como funciona? – Perguntei me encarando no espelho.
– Sim, duas vezes.
Abri a porta, Marcus estava encostado na mesma e quase caiu dentro do banheiro, entreguei o teste.
– Acho que os seis meses acabaram – Sussurrei.
– Pai?
Assenti.
– Tá falando sério? – Colocou as mãos na cabeça.
– Duas listas.
Por um momento achei que ele iria desmaiar.
– Eu sabia! – Me puxou – Eu tinha certeza disso.
– Isso é bom, não é? Assustador, mas bom.
Se agachou abraçando minha cintura.
– Eu sabia que você ia me ajudar. Eu sempre te amei e já sabia que estava aí. Obrigado.
– Marcus...
– Casa comigo, amanhã? – Me encarou.
Estava tentando parar de chorar, mas não conseguia com sucesso. Minha cabeça estava mais confusa agora, isso era totalmente loucura!
– Caso até agora se quiser.
– Eu preciso avisar meus pais e precisamos pensar em nomes... – Andou de um lado a outro.
– Marcus! – Gritei.
– Oi.
– Obrigada. – Funguei.
– Eu que agradeço aqui. Eu estou quase enfartando – Sorriu. – Vamos ter um bebê. – Me beijou.
– Podemos avisá-los depois – Segurei seus cabelos – Vamos comemorar enquanto podemos. Despedida de solteira antes de me tornar definitivamente a senhora Foster.
– Não vejo a hora disso acontecer, senhora Foster.