O Contrato
Capítulo 27
Dois meses depois...
Encarei seu braço ao meu redor pelo que pareceu uma eternidade. Marcus respirava contra minha nuca, esperando que eu pegasse no sono. Nas últimas dez horas tudo o que consegui fazer foi ir ao banheiro dividida entre colocar tudo para fora e esvaziar a bexiga. Era engraçado seu desespero e suas pesquisas na Internet, em parte eu entendia, ele havia perdido duas pessoas importantes e uma delas ele nem chegou a conhecer.
Essa era sua chance.
Amanhã seria a senhora Foster oficialmente. Minha mãe não parava de mandar mensagens desde que Mike havia lhe ensinado a mexer em seu novo celular, então ela queria saber de tudo o tempo todo. Leslie e Nora estavam organizando o casamento que nem eu mesma sabia, apenas pedi algo simples. Até uma pequena reunião já me bastava.
– Por que não dorme?
– Estou sem sono.
– Enjoada?
– Ansiosa. Você não está?
Riu e eu gostei de ouvi-lo.
– É só um pedaço de papel. Você já é minha sem ele.
– Eu sei, mas será oficial e você sabe... – O senti se aproximar mais. Senti seu calor.
– Sabe o que eu sonhei nos últimos dias? – Um sorriso surgiu em meio as palavras apesar de um pouco tenso.
Me virei para fita-lo.
– Sonhei que você me deixava e isso tirou meu sono.
– Eu não vou deixá-lo, o amo demais para isso.
– Mesmo assim ainda tenho sua versão general e isso me assusta. Você é bem difícil quando quer.
Sorri.
– Eu sei.
– Mas eu te amo e tentarei não ser um idiota o tempo todo.
– Isso é bom.
Marcus não dormiu, acabei pegando no sono ouvindo sua voz. Eu gostava de ouvi-lo falar porque ele não exigia uma resposta, então eu apenas fechava os olhos e mergulhava. Acordei com Leslie falando pelo apartamento, Marcus não estava mais do meu lado quando abri os olhos. A porta se abriu pouco depois com Nora sorrindo para mim carregando algumas caixas.
– Bom dia querida.
– Bom dia Nora. Onde Marcus está? – Deixou as caixas na poltrona e me encarou.
– Foi cortar o cabelo e se arrumar, ele estava horrível.
– Não fale assim.
– Me desculpe, mas é verdade. Eu vim te ajudar, mamãe trouxe o vestido e espero que seu quadril esteja de acordo com a costura nova.
– Posso tomar café pelo menos? Essa é a primeira manhã que não acordo enjoada.
– Caroline está trazendo. Te dou alguns minutos para dar bom dia ao mundo.
Me arrastei da cama indo em direção ao banheiro e fazendo minha higiene matinal. Não consegui conter o riso ao ouvir os absurdos de Nora ou as crises de Caroline. Santana buscaria meus pais no aeroporto em algumas horas e eu não deveria me preocupar com isso. Começamos um assunto sobre o nome do bebe já que nem eu nem Marcus paramos para pensar nisso afinal tudo ainda era novo e estranho.
– Eu não pensei nem no sexo ainda. Fiquei sem jeito de perguntar ao Marcus sua preferência, mas Maggie estava grávida de um menino... e se ele está esperando um menino de novo?
– Ele não se importa com isso – Nora segurou meus ombros – Ele está tão feliz que ele não se importa. E vamos esquecer o passado, hoje é dia de festa.
– E de lua de mel – Caroline afagou minha bochecha. – Essa é a melhor parte disso tudo. Se não for pedir demais, jogue o buquê em mim.
– Vou me lembrar disso.
O telefone não parou de tocar e foi ignorado. Segundo Nora se fosse importante ligariam para o celular dela. Passei o dia comendo mesmo ouvindo das duas para eu parar com isso. Em algum momento eu consegui parar e comecei com uma crise de choro. Eu não acreditava que estava me casando, minha vida mudou em tão pouco tempo. E não foi uma loja ou um cartão que fez essa mudança radical. Talvez fosse. Eu só estava me casando.
– Para de chorar, vai borrar a maquiagem. – Leslie tentou me ajudar.
– Eu não consigo.
Ouvi a voz da minha mãe, alta e alegre entrando no quarto e me puxando para um abraço. Suas mãos não deixaram minha barriga mediana em nenhum segundo. Leslie tirou umas mil fotos até Santana aparecer, me puxar para um abraço e avisar que precisávamos ir.
– Vocês estão lindas. – Segurei sua mão e a de Caroline. – Por Deus, meses atrás nada disso seria possível.
Santana tentou não chorar.
– Você queria enterrar Caroline e eu. Literalmente você queria nos matar. – Gritei nervosa e animada por vê-las ali.
– Eu sabia que não seria uma ideia tão ruim, no fim. – Caroline piscou.
– Entrego esse B.O a Marcus e fico com Caroline. – Santana fungou. – Mas eu amo você e vou sentir saudades de gritar sempre que deixava algo fora do lugar.
– Eu também vou. Me visitem todos os dias.
Nora voltou nos apressando.
– Nada de vomitar no carro – Ajeitou um fio de cabelo atrás de minha orelha. – Prontas.
– Prontas.
Minhas mãos estavam suando e meu celular vibrou entre elas, meus olhos estavam parando de nadar em lágrimas e encarei a mensagem de Marcus que chegou.
Estou ansioso, quero vê-la logo. Por que não me deixaram ficar com você?
Sorri respondendo em poucas palavras que estava chegando. E ele voltou a me mandar mensagens, isso me acalmava. E me fazia rir.
– Vocês vão se ver todos os dias, devia deixar para trocar mensagens lá.
– Não Nora – A ignorei respondendo sua mensagem.
Quando Nora confiscou meu celular e sorriu, eu sabia que estávamos entrando na casa dos Foster. E meu estômago deu uma volta dentro de mim quase me fazendo vomitar. Não era para tanto quando você já está morando com o homem da sua vida. Mas era muito sim, eu estaria me casando com ele e isso parecia fazer a diferença, muita diferença. Isso me deixava nas nuvens, lugar que cheguei a me proibir de estar.
Papai estava na porta com um sorriso fazendo bigodes de gato ao lado de seus olhos. Como mamãe, uma hora ele choraria. Meu pai era tão frágil quanto nós duas juntas. Segurei sua mão e o beijei na bochecha. Nora passou por nós dizendo que nos esperaria no altar, que foi improvisado no fundo da casa dos Foster, ao lado de minhas madrinhas e melhores amigas.
– MARAVILHOSA! EU TE AMO. – Caroline gritou.
Eu amava essa mulher.
– Preparada? – Papai perguntou.
– Medrosa como sempre – Respondi.
– Chegamos até aqui...
– Não vou desistir – O fitei – Eu o amo.
– Eu sei e isso me deixa feliz.... Esperava fazer isso um dia. Te levar ao altar e te entregar a alguém que te ame de verdade. Espero que seja muito feliz, filha...
– Eu vou ser – Funguei.
– Não chore, hoje é o seu dia.
Ouvi nossa música, Marcus dispensou o famoso cântico de casamento tocando a nossa música. A música que ele gostava e que de alguma forma aprendi a gostar. A música do quadro da exposição, onde as coisas começaram a se resolver, quando eu descobri verdadeiramente que não conseguiria viver os próximos meses sem ele. Nosso amor não começou de maneira fácil, foi de surreal a suicida, foi único.
A porta estava aberta e a primeira pessoa que vi foi minha mãe ao lado de Sandra com os olhos vermelhos. Elas apertavam as mãos uma na outra e balbuciava silenciosamente um: você está linda. Não consegui segurar o riso diante disso e meu perímetro foi perdendo distância depois de chegar no arco de rosas brancas. Respirei fundo controlando meus nervos e esquecendo até meu pai que me conduzia quando o vi.
Marcus estava parado ao lado de seu pai, ele cortou um pouco o cabelo nas laterais e fez a barba ficando bem mais novo. Usava o terno que odiou, tudo porque eu disse que ficava lindo nele. Seu sorriso era maior que o mundo e pelo mexer de dedos ele estava mais nervoso do que eu. Passamos a noite toda conversando, por que estamos assim? Parecia que um ano havia se instalado nesse meio tempo, nesse pequeno espaço de tempo. A resposta era: porque nos amamos demais. O demais talvez não fosse o suficiente para descrever.
– Cuide dela – As palavras de meu pai me despertaram. Marcus segurou minha mão.
– Pode deixar – Falou sem tirar os olhos de mim –Você está linda.
– Obrigada.
As próximas palavras foram do padre, mesmo ele estando ali na minha frente eu não conseguia sequer prestar atenção em seus movimentos. Meu coração falava mais alto e eu queria ouvir a parte do sim. Eu queria sair dali e ficar com Marcus pelo resto dos meus dias.
E foi nessa parte que pensei que meu coração fosse parar quando o ouvi dizer sim. Quando observei aquela aliança brilhar em meu dedo. Quando ele disse que me amaria pelo resto dos seus dias. Quando eu tive a certeza de que não era mais um sonho, daqueles que tive por muito tempo. Marcus estava comigo e agora era para sempre, o nosso para sempre.
– Bem-vinda senhora Foster –Sussurrou contra meus lábios.
– Obrigada senhor Foster. Eu te amo.
– Você acabou de me dizer isso.
Sorriu.
– Não me canso de dizer.
Mamãe me puxou para um abraço e acho que abracei todos que estavam presentes. Marcus não disse nada por cinco horas até Leslie me chamar para trocar de roupa. Santana e Caroline não se continham em lagrimas.
–Você estava tão linda. –Santana me apertou em seu abraço. –Você merece tudo isso e muito mais, nós amamos você. E independentemente de onde irá morar agora, estaremos sempre aqui.
–Obrigada, eu amo vocês.
Caroline fungou a meu lado como uma criança esperando a sua vez.
–Vem aqui. –A puxei para o meu abraço. –Eu não vou dizer que vou sentir sua falta porque quero vê-la todos os dias. Eu não sei pirar sozinha, você sabe disso. Eu amo você garota, não dê mais fios brancos para Santana ela é jovem demais.
–Não se esqueça de nós. – Pediu.
–Eu nunca vou esquecer de vocês. Eu as amo demais para isso. Minhas madrinhas, também serão madrinhas dessa criança aqui.
Caroline gritou.
– Está falando sério?
– Vocês acham mesmo que eu mudaria isso? – Segurei a mão de Santana chorando silenciosamente a meu lado. – Eu amo vocês, vocês são mais do que minhas melhores amigas. Não encontrei melhores pessoas para serem anjos da guarda do meu bebe.
– Vamos ser madrinhas, Santana! – Caroline pulou no lugar.
– Oh sim, querida. – Santana segurou sua mão. – Ficamos felizes com isso, eu prometo não deixar Caroline estragar nosso bebe. – Riu.
– Eu prometo não estraga-lo tanto, se for uma menina, depende.
–Marcus virá busca-la se não deixarmos você ir agora. –Secou minhas lagrimas. – Divirta–se. Estaremos aqui quando voltar. – Santana me abraçou.
Eu sabia que estariam, elas não iriam a lugar nenhum sem me dizer. Ainda era estranho deixa-las, seria estranho.
Lua de mel surpresa só porque eu odiava surpresas. Saímos da casa dos Foster direto para o aeroporto, Marcus me fez espera-lo para não ver para onde estávamos indo e quando dois voos foram chamados, o acompanhei.
Acabei pegando no sono durante a viagem e ele só me chamou quando chegamos, eu conhecia aquele lugar e o fitei quando pegamos um táxi. Sem dizer nada o deixei nos conduzir até a casa dos Foster, o primeiro lugar que estive sozinha com Marcus Foster. Onde a nossa farsa havia começado, onde ele era o senhor de gelo.
Em pouco tempo estávamos fazemos o mesmo trajeto que me lembrava, então ele pegou nossas malas e levou para o barco que nos esperava. Estava quente e escuro, mas ele sabia o que estava fazendo. Me ajudou a entrar no barco e me mandou ficar quietinha no banco. O observei conduzir o barco para longe da costa e o táxi se afastar ao longe. Continuei em silêncio.
Quando chegamos do outro lado alguns minutos depois, ele me ajudou a sair, carregou as malas para fora do barco e seguimos pelo caminho iluminado. O chão estava coberto de flores... o encarei. Alguém esteve ali? Marcus deixou as malas na soleira e pegou a chave, mais uma vez o esperei colocar tudo dentro da casa e voltar me pegando de surpresa no colo.
– Marcus!
– É assim que funciona – Me beijou.
Enlacei seu pescoço e seguimos para dentro da casa onde a única luz eram as das velas espelhadas por todos os lados, a cama de solteiro agora era uma cama de casal com dossel. Estava tudo diferente do que já tinha visto. Me colocou no chão sem tirar os braços que continuaram ao meu redor. Senti seus lábios pressionarem minha nuca.
– Bem-vinda de volta.
–Você fez isso tudo?
– Digamos que mamãe e Caroline gostaram de viajar.
– Oh meu Deus, eu tenho certeza que sim. Hoje é o melhor dia da minha vida.
– É um deles.
O encarei.
– O primeiro foi o dia em que descobri que seria pai e está empatado com o dia em que descobri que te amo.
– Isso ainda é surreal.
– Farei o máximo para provar o quão real é – Me beijou – Começando por hoje – Senti seus dedos no fecho de meu vestido.
Estaríamos selando nossa união oficial. Como Senhor e senhora Foster.