Os Números do Amor
Capítulo 15
Stella acordou lenta e gradualmente. Percebeu a luz do sol sobre o rosto, o latido distante do cachorro do vizinho e o cheiro delicioso de Michael, que a cercava por completo, quente e concentrado. Ela se enfiou sob os lençóis com um sorriso de alegria.
Um peso considerável ao seu lado a impediu de se enrolar no lençol, e Stella franziu a testa. O que era aquilo? Levantou as cobertas e ficou olhando, em choque, a perna musculosa que envolvia sua cintura. Sua cintura nua. Ela havia dormido de calcinha e sutiã.
E não seguira sua rotina. Estava toda suja. E sua boca… Um ecossistema inteiro devia estar se formando nela para bactérias resistentes a antibióticos. Stella levantou da cama num pulo, totalmente concentrada em correr para o banheiro. Fio dental, escovação, chuveiro, pijama. Fio dental, escovação, chuveiro, pijama.
Michael a puxou de volta e beijou sua nuca. “Ainda não.”
“Estou nojenta. Preciso me limpar. Eu…”
Ele chupou seu pescoço e puxou seus quadris, se projetando para a frente e deixando-a ciente do membro rígido que se insinuava na parte posterior de suas coxas, por baixo da cueca.
O corpo dela quase entrou em colapso. Seus braços e pernas enfraqueceram. Stella sentiu um calor e uma alfinetada de vontade no meio das pernas. A intensidade do desejo a deixou assustada e envergonhada. Ela precisava segurar sua mente e seu corpo. Mas seu autocontrole tinha ido para o espaço.
“Bom dia.” A voz dele, rouca e áspera, provocou um arrepio em sua espinha.
“B-bom di…” Uma mão se enfiou por dentro de seu sutiã e agarrou um seio. Ele brincou com a pontinha até arder e latejar, despertando uma sensação potente em seu ventre. Quando começou a descer, os músculos da barriga dela se contraíram.
“Quero passar a mão em você aqui.” Ele pôs a mão espalmada sobre seu sexo num movimento ousado, e o calor do toque por cima da calcinha a deixou em chamas.
Stella agarrou o pulso dele com a intenção de afastá-lo, mas sua mão se recusava a colaborar. O antebraço de Michael era firme, com uma musculatura bem definida e pele macia, o que a distraía.
“Isso é uma permissão?”, ele murmurou.
Ela já havia dado sua permissão antes. Stella queria, mas não sabia como lidar com aquele seu lado. Seu corpo a mandava dizer “sim”. Sua mente a empurrava para o “não”.
O corpo venceu a batalha, e seus quadris se arquearam na direção da mão dele. Michael puxou de lado sua calcinha, beijando sua nuca enquanto traçava com o dedo a entrada úmida de seu corpo. Uma respiração profunda abalou seus pulmões. O pânico e o prazer entraram em colisão.
“Você já está molhadinha, Stella. Parece uma Lamborghini. Vai de zero a cem em menos de cinco segundos.”
“Você gosta de Lamborghinis?” Ela tentava desesperadamente se agarrar a um pensamento coerente. Precisava raciocinar o tempo todo, medir seus atos e suas palavras. Quando se soltava, sempre cometia erros; se atrapalhava, chateava os outros e morria de vergonha.
Ele continuou tocando-a de leve, circulando seu sexo com movimentos enlouquecedores. Os dentes dele roçaram sua pele antes de dar uma lambida e um beijo em sua nuca. Um arrepio se espalhou por sua pele.
“Gosto. Mas não vai me comprar uma”, ele falou.
“Por que não?” Ela esfregou os pés nas canelas de Michael, cravando as unhas nos braços dele. Sai de perto. Chega mais. Recupera o controle. Deixa rolar.
“Não combina com meu estilo de vida, e minha mãe ficaria muito, muito curiosa para saber como consegui um carro desses.” Ele enfatizou a palavra “muito” com movimentos bem próximos de seu clitóris. Ela estremeceu, à beira do orgasmo.
Michael mordeu sua orelha. “Você está quase gozando. Não precisei fazer nada.”
“É porque estou fantasiando com você desde sexta passada.” Ela nem acreditava no que havia dito.
Michael parou de tocá-la e sentou. Com uma expressão suave, afastou as mechas de cabelo do rosto rela. “E o que o Michael da sua fantasia faz?”
“Tudo.”
Ele deu risada e a encarou com mais intensidade. “Ele faz você gozar com a boca? Porque o Michael da vida real está a fim disso.”
Ela se contorceu toda, como se a necessidade de satisfazê-lo estivesse em guerra declarada com suas inibições. Aquilo era uma coisa que o Michael de suas fantasias não tinha feito. “Estou mais interessada em fazer sexo oral do que em receber.”
“De repente podemos trabalhar nisso”, ele falou, num tom estranhamente reprimido. “Mas também adoro chupar mulheres.”
Ela cravou os dentes no lábio inferior e agarrou com força os lençóis. Mulheres. No plural. Normalmente aquilo deveria significar algo entre dez e vinte. Com Michael… centenas. Talvez até milhares. Uma espécie de ansiedade se abateu sobre ela. Como poderia competir com todas as clientes que tinham vindo antes?
“Não quero que seja um incômodo para você.”
“E não é.”
“E como a experiência pode ser boa para você também? Algumas mulheres são melhores em receber sexo oral do que outras? O que elas fazem?” Não que Stella quisesse ser apenas boa naquilo. Queria fazer com que todas as outras fossem esquecidas para sempre — mas eram tantas.
“O que está se passando dentro dessa cabecinha genial?”, ele perguntou, perplexo.
“Eu só… Quero… Preciso… Acho que…”
“Já chega de pensar”, ele falou, levando um dos polegares aos lábios dela.
Michael deslizou as mãos quentes por seus ombros até seus pulsos, entrelaçando os dedos dos dois e juntando as palmas. Seus músculos ficaram tensos, e ela ficou com medo de não reagir do jeito certo. O que deveria fazer? Sabendo que ele queria lhe proporcionar prazer, queria permitir aquilo, deixá-lo contente.
“Stella, você está travando.” Os olhos dele procuraram os dela, preocupados.
“Desculpa.” Stella sentiu o suor entre as mãos e os dedos dos dois e fez uma careta. Seu coração disparou. Estava estragando tudo.
Ele a pegou nos braços e a abraçou, acariciando seus cabelos com movimentos lentos. “É porque falei de chupar você? Não precisamos fazer nada.”
Stella apoiou a testa no pescoço dele e respirou fundo para sentir seu cheiro. “Sou competitiva demais.”
Ele deu um beijo de leve em sua testa. “Certo. E?”
“Isso significa que quero agradar você mais do que qualquer outra cliente.”
“Stella, sou eu quem está sendo pago para proporcionar prazer aqui.”
“Não estou mais pagando você pelo sexo, esqueceu?”
Ele soltou um grunhido de frustração e a abraçou com mais força. “O que eu faço com você? Está pelada nos meus braços, cheia de tesão e ainda não está pronta.”
Ela suspirou e se aninhou no peito dele, passando os dedos distraidamente em seus bíceps. “Podemos passar fio dental, escovar os dentes, tomar banho e pôr uma roupa.”
Ele afastou as cobertas. “Vamos lá, então.”
“Você não tem nenhuma roupa casual?”
Michael afastou os cabelos úmidos e beijou o pescoço dela enquanto Stella examinava o guarda-roupa, tentando escolher o que vestiria.
“Nunca precisei desde que comecei a trabalhar, então doei tudo”, ela falou.
“Então você tinha algumas? Ou eram saias até os joelhos e camisas sociais?” Enquanto falava, ele passou os braços por cima do roupão de Stella e a puxou para junto do peito nu. O corpo dela não conseguia decidir se ficava tenso ou relaxado.
Stella desconfiou que ele estivesse tentando seduzi-la. Estava quase funcionando. Sua mente ficara enevoada, mas de um jeito bom. Distraía sua atenção da dor de cabeça que sentia, e do fato de que estava completamente fora da rotina, o que em geral a deixaria irritada e frustrada até que as coisas voltassem ao normal.
“Eram, sim, saias e camisas. Como é que você me conhece tão bem?”
Stella sentiu um hálito quente na orelha quando ele deu risada. “Você é meu quebra-cabeça favorito. Queria te ver usando um vestidinho de verão.”
“Não tenho nenhum.”
“É domingo. Podemos ir fazer compras.”
Ela se virou, sentindo um pico de ansiedade ao contemplar a ideia de sair em público para algum lugar novo para experimentar roupas incômodas e provavelmente cobertas de pó misturado com fezes de rato tiradas de um depósito qualquer. “Você sabe fazer vestidos de verão? Eu estava falando sério quando disse que queria usar modelos seus. Mesmo se comprasse alguma coisa hoje, eu precisaria fazer uma série de modificações antes de usar.”
Ele tirou uma saia cor-de-rosa do cabide e examinou as costuras internas. “Costuras francesas. Tecido…” Ele esfregou o material nos dedos. “Cem por cento algodão.”
“Adoro algodão. Seda também. Até tolero materiais sintéticos, como acrílico e lycra, desde que sejam macios, mas não suporto coisas duras, como brim, lã, caxemira ou angorá.”
Um sorriso de satisfação surgiu na boca dele enquanto avaliava a confecção da saia. “Minha namorada de mentira deve saber mais sobre tecidos do que eu. Impressionante.”
O elogio fez um calor se espalhar pelo seu corpo, mas sua mente se incomodou com o título de “namorada de mentira”. Stella não gostava daquilo, mas sabia que precisava ser realista quanto ao que podia ou não conseguir. Era melhor se concentrar na ironia do fato de sua resistência táctil ter levado a um interesse em comum. Ela se segurou para não começar a listar materiais e características como uma enciclopédia humana.
Michael pendurou a saia com cuidado e parou na frente dela, com as mãos apoiadas nos quadris. “Queria muito ver você de vestido. Adoro as saias justas. Elas realçam uma das minhas partes favoritas do seu corpo. Mas estão sendo uma tortura para mim.”
“Como assim? Por quê?”
“Porque as saias não me deixam fazer isso.” Observando-a com os olhos bem acesos, ele levantou a bainha do roupão dela, fazendo o ar frio alcançar suas coxas. A palma da mão dele passou pela parte externa de sua perna, parou no quadril e se dirigiu para a parte posterior do corpo para agarrar sua bunda, provocando um choque de desejo em todo o seu corpo.
Os pelos castanhos entre suas pernas estavam aparecendo, e ela notou que ele olhava naquela direção com avidez. Sem hesitar e sem lhe dar tempo para pensar, Michael passou a mão por seu quadril e desceu para a pelve. Dedos abusados se enroscaram entre os pelos e massagearam bem ali.
A pele inteira dela se incendiou quando ele a tocou, e seus joelhos enfraqueceram. Stella se segurou nos ombros dele.
“Essa é minha garota”, ele murmurou ao se abaixar para beijá-la.
O gosto daquela boca linda era divino, e Stella deixou escapar um som agudo de sua garganta assim que começou a retribuir o beijo. Ela tentou fazer da maneira como ele havia ensinado, mas não conseguia se concentrar. Os dedos dele estavam fazendo coisas diabólicas com seu corpo. O máximo que Stella conseguia fazer, e mal, era se manter de pé. Cada movimento dos dedos a derretia um pouco mais. Já estava começando a tremer.
Sem interromper o beijo, ele a pegou no colo e a carregou para a cama. A sensação de suas costas afundando nas cobertas a transportou de volta à realidade. Enfim ia acontecer. Sexo. De forma desestruturada, sem um plano. Stella se sairia muito mal, e ele teria que mostrar como poderia melhorar. Ela tentaria com todas as forças receber bem as críticas, apesar da humilhação…
Michael abriu seu roupão, e a boca dele se fechou sobre um dos mamilos dela, sugando com força. Stella se arqueou para trás arfando e em seguida gemendo, quando a mão dele se insinuou por entre suas coxas e a acariciou. Seu sexo se comprimiu tanto que até doía.
“Shhhh”, ele murmurou junto ao seu seio.
Um dedo comprido escorregou para dentro dela, e suspiros e murmúrios de gratidão escaparam dos lábios de Stella. Era exatamente daquilo que precisava. Michael encaixou um segundo dedo, e a sensação de ser alargada fez sua cabeça despencar. Era daquilo que ela precisava. Seus calcanhares se plantaram na cama para que ela pudesse empurrar o corpo na direção da penetração. Os dedos entravam e saíam, se curvando dentro dela e provocando um efeito arrebatador.
Quando ele interrompeu o toque, foi impossível não protestar. “Michael, não para, eu…”
Ele ergueu os dedos melados e enfiou na boca. A intensidade daquele olhar, combinada a um sorriso diabólico, fez com que Stella se agarrasse com toda a força às cobertas, sentindo seu ventre se contrair inteiro.
A carícia foi retomada de forma lenta e profunda. Era gostoso, gostoso demais, mas ele não a estava tocando onde mais precisava. Seus quadris se remexiam, e Stella tentava aliviar a pressão cada vez maior. Quando ele se afastou de novo, ela baixou as mãos pela barriga com uma frustração intensa, mas seu próprio toque não contribuiu em nada para sua excitação.
Ele agarrou os joelhos dela e separou-os para expor seu sexo. O peito dele se expandiu numa respiração profunda, e a tatuagem de dragão ondulou toda. Michael engoliu em seco, produzindo um ruído alto. “Eu deveria ter desconfiado como era linda a sua…”
“Michael, não fala isso”, ela se apressou em dizer.
Ele fez uma pausa, observando-a com um brilho sacana nos olhos. “O quê? Boceta?”
Seu rosto ficou em chamas, e Stella quis sumir.
Ele curvou um dos cantos da boca. “Não é à toa que minha mãe gosta tanto de você. É uma coisa bem vietnamita todo esse pudor em relação ao sexo. Só aprendi a palavra certa para as coisas em vietnamita com uns vinte anos de idade. A maioria das pessoas usa termos de aves. Minha tia diz ‘batata-doce’. Não são as palavras certas. Você tem uma boceta, Stella.”
O rosto dela ficou ainda mais vermelho, e o calor se espalhou pelo peito e tudo mais no caminho. “Eu… essa palavra… é tão… agressiva… não consigo…”
“É uma boceta, Stella. Está molhadinha para mim. E quero chupar.” Lançando um olhar direto para o meio das pernas dela, ele começou a circular a parte que mais ansiava por ele. “E isto, isto é o seu clitóris. Está querendo tanto minha boca que ficou todo vermelho. Acaba logo com esse sofrimento e me deixa sentir seu gosto. Se não gostar, eu paro.”
Foi então que ela se deu conta de que Michael também queria aquilo. Estava gostando do que via. O desejo dele por suas partes mais íntimas era real. Era lascivo. E… excitante. Uma Stella desconhecida despertou, atraída por Michael e suas palavras.
“Você vai ficar decepcionado se eu não reagir como as outras mulheres?” Ela queria gostar, queria ter um orgasmo na boca dele como tantas antes. Mas sua excitação começava a cair à medida que a ansiedade crescia.
“Se não gostar, partimos para outra coisa.” Ele passou a mão pelas coxas dela e a arreganhou ainda mais. A ponta de sua língua estava prensada contra o lábio superior.
Michael se inclinou para perto dela, fazendo seu nervosismo disparar para o nível da taquicardia, então respirou fundo. “Estou começando a entender essa sua fixação pelo meu cheiro. Que bom que o seu não é assim no corpo todo. Eu ficaria sempre de pau duro. Já é difícil o bastante sem isso.”
Ele plantou um beijo suave de boca fechada em seu clitóris, e o corpo inteiro dela se enrijeceu. Não era o que Stella esperava.
“Não gostou?”, Michael perguntou.
“E-eu…”
Mais um beijo, seguido por uma saboreada bem lenta. Ele gemeu em aprovação e a cobriu toda com a boca, sugando com uma leve pressão ao mesmo tempo que a abria com a língua macia, quente e deliciosa. O corpo de Stella amoleceu, e um calor diferente surgiu dentro dela.
“Dá para sentir que não está gostando”, ele comentou. “Só me deixa…” A língua dele a atacou, recolhendo a umidade que fluía de dentro dela. “Sentir o gostinho uma última vez.” Ele voltou ao clitóris, roçando os dentes nos nervos sensíveis antes de beijá-la, saboreá-la, lambê-la.
Stella enfiou a cara nas cobertas, e o prazer foi se concentrando cada vez mais. A língua dele era formidável, mas o orgasmo parecia uma possibilidade distante. Havia novidade demais ali. Seu corpo estava em estado de choque, bombardeado por uma série de sensações. Quando Michael parou, ela sentiu vontade de gritar.
Dois dedos trabalhavam dentro dela, e seus olhos se reviraram nas órbitas. Ele começou com um ritmo constante, passando a língua de leve para acompanhar. Era impossível para ela não seguir os movimentos dele com os quadris. De repente, Stella estava cavalgando a mão dele, esfregando o sexo em sua cara. Aquilo não deveria estar certo. Ela quis se forçar a parar, mas não conseguiu.
De alguma forma, encontrou os cabelos curtos dele com suas mãos. Seu corpo se encolhia e ficava tenso, apertando os dedos dele. Estava tão molhada que conseguia ouvir os sons escorregadios a cada movimento.
“Eu vou parar, Stella. Você…” A língua de Michael deu uma lambida forte e veloz, e ela sentiu seu corpo apertando desesperadamente os dedos dele. “Você está detestando.”
“Michael.” Aquela voz sussurrada e desesperada era sua. Ela nem ligava. Continuou esfregando seu sexo sedento na língua dele, quase indo às lágrimas quando a tomou por completo.
Ele chupava com a pressão ideal, e ela se desfez em contorções violentas. Michael a acompanhou na onda do orgasmo, intensificando o prazer com carícias de língua. Quando os tremores foram ficando mais esparsos, ele deu um beijo de despedida bem ali e se ergueu para cobri-la com o corpo. Stella enterrou a cabeça no peito dele, sentindo-se exposta e vulnerável como nunca na vida.
Ela havia permitido que Michael fizesse aquilo. Tinha emitido todos aqueles sons, perdido o controle.
“Você gozou para mim como uma atriz pornô, Stella. Quase gozei também.”
“Eu demorei muito? Dei muito… trabalho?” Era desconfortável para ela ter sido a única parte a sentir prazer naquele ato. Stella preferia ser aquela que cedia.
Ele deu uma risadinha. “Prolonguei as coisas de propósito. Você estava gostosa demais.” Afastando-se dela, Michael se sentou sobre os calcanhares e tirou uma embalagem plástica laminada do bolso. “Você quer?”
Ela levantou o corpo, e o roupão escorregou de seus ombros. Por reflexo, tentou esconder sua nudez, sem conseguir encará-lo. Sua pulsação estava descontrolada. “Eu quero.” Ela tomou a embalagem da mão dele e abriu com os dedos trêmulos.
Michael deitou na cama, abriu o botão da calça e baixou o zíper. Os músculos de seu corpo se contraíram enquanto ele se desvencilhava das calças de um jeito muito masculino. Ali estava ele, em toda a sua gloriosa nudez. Michael era a perfeição. Até ali.
E principalmente ali. A ereção, o membro grosso e vascularizado, em proporção impecável com o restante daquele corpo lindo, prendia a atenção de Stella. Ela havia acabado de ter o orgasmo mais intenso de sua vida, mas queria mais. Queria aquilo. Ficou com água na boca, mas nunca tinha feito sexo oral num homem.
Não se lembrou nem de respirar ao se ajoelhar na cama e o envolver com uma das mãos. Ele estava tão quente, era tão macio, tão rígido sob a pele. Desejo, desejo, desejo. De todas as formas que fossem possíveis para ela. Do jeito que ele quisesse.
“Esse olhar no seu rosto…” A voz de Michael saiu áspera, quase um grunhido. Ele guiou sua mão para cima e para baixo. “Este é meu pau. Quando quiser, quando precisar, é essa palavra que vai usar”, disse.
Incapaz de falar, ela assentiu. Secretamente, adorou a ideia de pedir por seu… pau… e ter sua vontade atendida, apesar de achar que jamais conseguiria pronunciar a palavra. A não ser que estivessem falando de gravetos ou árvores. Talvez nem assim.
“Quer colocar em mim?”, ele perguntou, apontando para a camisinha esquecida na outra mão dela.
Stella lambeu os lábios e limpou a garganta. “Quero.”
Suas mãos não estavam firmes, então os dois acabaram fazendo a tarefa juntos. Quando terminaram, ele a puxou para perto, e ela estremeceu ao sentir a pele de ambos em contato. Seus mamilos roçaram o peito dele, e a ereção sólida a incendiou na altura do ventre. Michael acariciou suas costas e segurou sua cabeça, tentando encará-la.
“Por que não olha para mim?”
Ela conseguiu levantar os olhos para a base do pescoço dele, então seus ombros despencaram. “Tenho muita vergonha.”
“Nós dois estamos sem roupa.”
Ela não sabia como explicar que estava se sentindo nua por dentro. Se o olhasse nos olhos, Michael veria aquilo, a pessoa que Stella mantinha escondida. Ninguém ia querer vê-la. Era para ser uma experiência divertida e educativa, não algo que a envolvia até a alma.
Michael ergueu seu queixo, e ela viu olhos carinhosos por um instante antes de fechar os seus com força.
“Me beija, por favor”, ela pediu.
Lábios quentes tocaram os seus, e ela sentiu o gosto de seu sexo misturado ao dele. Mãos começaram a acariciá-la com mais urgência. Michael apertou a coxa dela e puxou sua perna em torno do quadril, abrindo-a toda. Com um movimento de cintura, se esfregou em sua boceta. A fricção fez o sangue dela ferver.
“Agora, Stella.”
Ela envolveu o peito dele com os braços e colou os lábios no seu pescoço. “Estou pronta.”
Michael a deitou na cama e a cobriu com o próprio corpo. Em seguida passou o nariz em seu queixo e em sua orelha, beijando de leve seu rosto, o canto da sua boca, seus lábios. “Você precisa falar comigo, tá? Se doer, se não estiver gostando, se quiser outra coisa, se estiver perfeito. Me fala tudo.”
Com os olhos ainda fechados, ela respondeu: “Vou tentar”.
De forma inesperada, ele a virou e a colocou de quatro. “Acho que você vai sentir menos vergonha assim.”
Stella abriu os olhos e viu somente os travesseiros bagunçados e a cabeceira da cama. Ele tinha razão. Era melhor daquele jeito. Ele não teria como vê-la. Stella relaxou imediatamente. “Vai ser bom para você?” Os outros homens com quem estivera tinham preferido ficar por cima.
“Vai ser ótimo.” Mãos firmes acariciaram suas costas, massageando-a com movimentos cheios de volúpia. O peito firme dele roçou nela quando Michael apoiou um dos braços na cama. Ele estendeu uma das mãos para a parte inferior das coxas dela, procurando por sua abertura e enfiando os dedos bem fundo, masturbando-a até que seus quadris começassem a se mexer e uma nova onda de umidade a lubrificasse. Então provocou seu clitóris com toques suaves.
“Michael…”
“Stella”, ele respondeu, respirando pesado em seu ouvido.
Alguma coisa dura cutucou seu sexo e foi se enfiando lentamente. Stella prendeu a respiração. Aquilo tinha sido doloroso no passado, mas já não havia nada além de uma sensação de alargamento que continuou até que Michael se acomodasse por inteiro dentro dela. Stella tentou engolir, falar alguma coisa. Não conseguiu. Eles se encaixavam perfeitamente.
Durante longos instantes, Michael permaneceu imóvel. Sentindo a tensão no corpo dele, ela o olhou por cima do ombro.
“Michael?”
O rosto dele estava todo crispado, como se estivesse sentindo dor. “Eu queria isso há muito tempo. É bom demais. Você é…” Ele soltou o ar com força. “Se eu me mexer, não vou conseguir me controlar.”
Então não conseguiu segurar um sorriso. Então não era só ela. “Mexe.” Ela arqueou as costas e se projetou na direção dele. O movimento o levou ainda mais para dentro dela, preenchendo-a por inteiro.
Um grunhido áspero escapou da garganta dele. “Stella, é sério. Me dá um minutinho para eu me acalmar. É nossa primeira vez. Quero fazer você ver estrelas.”
Nossa primeira vez. Aquilo dava a entender que haveria outras. A ideia a deixou tão feliz que seu coração parecia prestes a arrebentar. Stella não queria estrelas. Só queria Michael.
Beijos molhados pousaram em seu pescoço, em alternância com mordidinhas leves e lambidas gulosas. Ele a acariciou em torno de sua ereção antes de erguer um pouco mais os dedos. Quando a massageou ali, Stella se contraiu por dentro e gemeu.
Só então Michael começou a se mover. Recuou, voltou para dentro dela, retirou, deu uma nova estocada e foi encontrando um ritmo. A ação simultânea dos dedos e da penetração deixava sua pele em chamas. O fogo parecia se espalhar de dentro para fora, em círculos concêntricos cada vez mais largos.
“Stella”, ele grunhiu. “Você é gostosa demais. Delícia… Você é minha.”
As palavras dele a acalmavam e excitavam. Ela tentou falar, como ele pedira, mas só conseguia arfar e suspirar de prazer. Então resolveu comunicar como se sentia com o corpo. Ela afastou ainda mais as coxas e começou a se contorcer para acompanhar cada estocada. Michael gostaria daquilo? Ou ela estava sendo safada demais? A mão dele apoiada no colchão segurou a sua, entrelaçando seus dedos.
“Assim”, ele murmurou. “Está perfeito.”
O sexo dela se comprimiu. Por um momento que pareceu eterno, Stella flutuou no limiar do êxtase, sem fôlego, se sentindo possuída, amada. O orgasmo foi como uma onda que se quebrava em seu corpo. Ela estremeceu inteira enquanto ele continuava com as estocadas num ritmo incessante. Stella tentou acompanhá-lo, mas as convulsões poderosas que percorriam seu corpo dificultavam sua coordenação.
Os lábios dele passearam por seu pescoço e seu queixo. Quando ela se virou às cegas, Michael capturou sua boca, enfiando a língua bem fundo. As carícias no meio de suas pernas não paravam. Antes que o orgasmo terminasse, ela sentiu mais um a caminho. Seus músculos relaxaram em torno do membro dele, e em seguida se contraíram e explodiram outra vez. Com um grunhido gutural, Michael deu a última estocada.
Ele esfregou o queixo em seu rosto e pescoço e baixou o corpo trêmulo para a cama, abraçando-a como se fosse sua. Com mãos desajeitadas, Stella acariciou os braços fortes que a agarravam e retribuiu o gesto.
Então se lembrou de que o sexo não significava nada de mais para ele, e aliviou um pouco a força do abraço. Michael gostava daquele tipo de intimidade física. Era só.
Os sentimentos provocaram um nó em sua garganta mesmo assim. Se aquilo era uma simulação, ela nem precisava da realidade. Até quando conseguiria viver uma fantasia?