Os Números do Amor

Helen Hoang · Capítulo 23 de 30

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Os Números do Amor

Capítulo 23

 

Michael passou a mão pelos cabelos enquanto observava os ternos pendurados no closet de Stella, tentando escolher o que usaria no evento beneficente daquela noite. Ia conhecer os pais dela. Todos os nervos de seu corpo pareciam querer dizer que seria um desastre, mas ele precisava ir.

Ela o tinha convidado.

Stella o espiava da porta, sorrindo. “Não consegue decidir qual usar?”

“Escolhe você.”

Com um jeito tímido, ela entrou no closet. Segurava o vestido feito por ele na altura do peito. “Fecha o zíper primeiro?”

Sem conseguir resistir, ele beijou o pescoço dela, sugando a pele doce enquanto tateava sob o vestido aberto e apertava seus peitos. Quando beliscou os mamilos, Stella inspirou fundo, de um jeito absurdamente sensual.

“Vamos chegar atrasados se você continuar com isso.”

“Todo mundo se atrasa nesse tipo de coisa.” Ele mordeu a nuca dela, desceu uma mão para sua barriga e se preparou para enfiá-la sob a calcinha. Adorava tocá-la, e a maneira como reagia.

“Meus pais nunca se atrasam. E querem conhecer você.”

Ele interrompeu o movimento. Como não conseguia dizer que queria conhecê-los também — porque sabia que não iam aprová-lo —, Michael falou: “Isso vai ser interessante”.

“Obrigada por ir comigo. Sei que preferia estar fazendo outra coisa.”

Ele preferia estar ajustando vestidos de formatura, mas não disse nada. “Você sabe que gosto de usar terno.” Aquilo pelo menos era verdade. Ele tirou a mão de dentro do vestido e fechou o zíper.

“Que tal um de três peças? Adoro te ver em um.”

“O preto, então. Vai combinar mais com seu vestido.”

Ela sorria quando virou para ele. “Meu vestido combina com muita coisa. As pessoas vão querer saber onde eu comprei. Posso dizer que é uma criação original de Michael Larsen?”

Ele hesitou ao ouvir aquilo sair da boca dela. “Você sabe meu sobrenome.”

Stella baixou os olhos. “Estava na conta de luz no seu apartamento e no seu uniforme no álbum. Ficou bravo?”

“Você ficou?” Ela teria feito uma busca no Google sobre ele e sua família? Havia matérias bem detalhadas nos jornais locais explicando as merdas que seu pai fizera. Stella poderia ter lido? Não era possível. Ela não o encarava com uma desconfiança velada. Mas era só questão de tempo.

Seu coração disparou, sua pele queimava. Tique-taque, tique-taque. A contagem regressiva não era mais para saber quando ele explodiria e acabaria magoando todo mundo. Marcava o tempo até que Stella descobrisse tudo e terminasse o que havia entre eles.

Ela levantou um ombro, mas não olhou para ele nem disse nada.

“Você ficou brava”, ele falou quando se deu conta.

“Brava não é a palavra certa.”

“Então qual é?”

“Não sei. Sinto que você não confia em mim.” Ela abraçou o próprio corpo. “Como se não quisesse que eu fosse capaz de te encontrar quando isso terminar.”

“Não, eu confio em você. É que…” Ele tinha medo de perdê-la. “Odeio meu sobrenome.” Aquilo não era mentira.

“Por quê?”

“É do meu pai.”

Ela o encarou com a testa franzida. “Por que você odeia o seu pai? Porque ele largou sua mãe?”

Ele engoliu em seco. Se fosse sincero, ia perdê-la ali mesmo, naquele instante.

A maldade em seu coração o aconselhava a mentir. Seria fácil. Seu pai fizera aquilo a vida toda.

“Desculpa”, ela se apressou em dizer. Stella piscou várias vezes, ajeitou os óculos e coçou o cotovelo. “É pessoal demais, né? Esquece que eu perguntei.”

“Você pode me perguntar o que quiser”, ele falou, sentindo uma dor comprimir seu peito e se espalhar pelo corpo. Aquilo jamais seria um relacionamento se eles não pudessem conversar de forma aberta. “Odeio meu pai por causa da maneira como ele foi embora, por ter traído minha mãe e ser uma péssima pessoa. Faz anos que não o vejo, mas ele deve estar por aí, enganando outras mulheres, magoando todo mundo e desaparecendo da pior maneira possível. É o que ele faz.”

“Você sente que ele abandonou você também?”, Stella perguntou com olhos tristes.

“Sim, e todas as minhas irmãs.”

Me. dissera a Michael para não guardar rancor do pai e perdoá-lo, mas como perdoar alguém que nunca mais dera as caras? Mesmo um pai de merda era melhor do que nenhum, desde que não fosse abusivo. Michael não tinha um. E tentar manter a família unida estava acabando com ele.

Stella se jogou em seus braços e o abraçou com força, sem dizer nada. Michael beijou sua testa. A cada inspiração, o cheiro doce de Stella o invadia e acalmava. Ele precisava daquilo. Precisava dela. Quando as pessoas ouviam a respeito de seu pai, xingavam o sujeito e se enchiam de compaixão por Me.. Ninguém queria saber o que tudo aquilo significava para Michael. Só Stella queria.

Ele sabia que precisava contar o restante da história, mas não podia. Ainda não tinha desfrutado dela por tempo suficiente.

Então a afastou um pouco e falou: “Melhor a gente se arrumar”.

 

O evento era num clube refinado, com quadras de tênis iluminadas, campos de golfe e piscinas azuis impecáveis. Michael estacionou o Tesla de Stella diante de uma construção de linhas modernas e a fachada marrom horrorosa típica da arquitetura de Palo Alto.

Depois que ele a ajudou a descer do carro, Stella fitou as janelas do lugar. Seu nervosismo era flagrante, mas as luzes amarelas que jorravam pelo vidro faziam com que ela parecesse quase saída de um sonho. Seus cabelos estavam presos na lateral da cabeça por uma fivela de seda branca. Ela não carregava uma bolsa — Michael estava com seu celular e seu cartão no bolso da calça —, e suas mãos vazias insistiam em pousar sobre as coxas.

“Se eu começar a falar de trabalho, você me interrompe, por favor?”

Ele segurou e apertou a mão dela, sentindo o suor frio na palma. “Por quê? Seu trabalho é bem interessante.”

“É que eu me empolgo e acabo monopolizando a conversa. As pessoas ficam incomodadas.”

“Gosto quando você se empolga.” Era quando Stella se tornava mais cativante, com os olhos brilhando. Ele puxou a mão dela para beijá-la.

A boca dela se curvou em um sorriso inseguro quando Stella o encarou. “Você é mesmo maravilhoso.”

“Ainda bem que sabe disso.”

Stella deu risada, e ele a conduziu até a porta da frente. Quando entraram, o som de centenas de conversas paralelas os envolveu. O salão estava lotado com os maiores figurões do Vale do Silício, enquanto uma banda tocava um jazz suave no palco mais ao fundo. Janelas que iam de uma parede a outra proporcionavam uma vista completa da raia olímpica e do campo de golfe iluminado.

“Como você vai aguentar essa barulheira toda?”

Ela se virou para ele com uma expressão alarmada. “Está incomodando você também?”

“Para mim é tranquilo. Estou mais preocupado com você.” Não queria que ela tivesse que sair para respirar outra vez.

“Acho que estou bem. Só não sei como vai ser a mesa. Minha mãe gosta de me colocar com gente nova. Ando conseguindo jogar conversa fora um pouco melhor, mas mesmo assim é um tremendo esforço.”

Ele inclinou a cabeça enquanto refletia a respeito. Para Michael, uma conversa era só… uma conversa. Não exigia esforço nenhum. “Você pensa demais.”

“Preciso fazer isso. Caso contrário acabo dizendo um monte de grosserias e afastando as pessoas.”

“Só porque você é sincera.”

“Ninguém gosta de sinceridade. A não ser quando é coisa boa. Nunca consigo entender o que os outros acham, em especial gente que não conheço. É como um campo minado.”

Uma mulher que só podia ser a mãe de Stella se aproximou com um colar de pérolas gigantesco e um vestido branco e folgado que ia até a panturrilha. Os cabelos estavam presos num coque idêntico ao que Stella costumava usar, acentuando a estrutura facial com que Michael estava bem familiarizado. A mulher elegante de cinquenta e poucos anos provavelmente era o retrato de Stella dali a algum tempo. O que significava que quem se casasse com ela seria um cara de sorte.

A mulher abraçou a filha e se inclinou para trás para admirá-la com um orgulho maternal. “Querida, você está linda.” Então a atenção dela se voltou para Michael. “E aqui está ele. Que bom ver você. Sou Ann.”

Ela estendeu o dorso da mão, e ele a beijou de leve. Sabia que estava num ambiente em que beijos na mão eram o cumprimento esperado.

“Prazer.”

“Que voz bonita. Estou boquiaberta com seu vestido, Stella. Onde comprou?”

Stella abriu um sorriso enorme. “Michael é estilista. É uma criação dele.”

Aquilo soou perfeito saído da boca dela. O único problema era que ele não criara muita coisa nos três anos anteriores, nem imaginava que voltaria a fazê-lo tão cedo. Me. dizia que não precisava dele na loja, mas, com a doença dela, ele precisava ficar de olho. Já a tinha encontrado desmaiada no banheiro duas vezes. Se não estivesse lá, o pior poderia ter acontecido.

Suas ambições podiam esperar. Mãe só havia uma.

Se Michael se sentia claustrofóbico e sufocado na prisão em que havia se transformado sua vida, problema dele. Não ia durar para sempre. Ele não queria que Me. morresse, porque a amava. Mas era uma verdade inegável que, se acontecesse, voltaria a ser livre.

O amor era uma prisão. Uma coisa que enjaulava e cortava suas asas. Empurrava a pessoa para baixo, forçava-a ir a lugares onde não queria estar — como aquele clube, que claramente não era seu lugar.

Ann levou a mão às pérolas. “Ah, esse vestido é perfeito para você, Stella. Foi ele mesmo que fez?” Ela rodeou Stella, verificando o zíper e espiando a parte de dentro da peça. “Sem costuras aparentes. Sem etiquetas. E tão macio.”

Ann olhou para Michael com os olhos marejados antes de sussurrar no ouvido da filha e dar-lhe um beijo no rosto, deixando-a vermelha.

“Venha comigo. Você precisa conhecer o pai dela”, Ann disse a Michael, já pegando o braço dele e o conduzindo até uma mesa bem longe da banda.

Um homem de meia-idade com uma barriguinha proeminente, cabelos grisalhos e óculos de aros brancos estava sentado ao lado de quatro cadeiras vazias, entretido numa conversa animada com um sujeito loiro razoavelmente bonito ao seu lado.

“Edward, este é o Michael. Michael, este é meu marido.”

O pai de Stella se levantou para cumprimentá-lo com um aperto de mão educado. Firme, mas sem fazer força demais para mostrar quem mandava. Os olhos castanhos por trás das lentes, porém, o examinaram como se fosse um espécime de laboratório sem origem declarada. Michael se sentiu no baile de formatura do colégio, quando conhecera o pai de uma garota pela primeira vez. Parecia que ia ter que apresentar seu currículo e seu mais recente exame de DSTs. Ele se segurou para não sacudir a mão do homem com força demais e dar a impressão de que estavam em algum tipo de competição ali.

“Muito prazer”, Michael falou.

“O prazer é meu”, Edward respondeu com um sorriso tenso que fez Michael se lembrar de seu próprio pai.

“Este é Philip James”, Ann falou, apontando para o cara loiro. “Philip, este é Michael, namorado da Stella.”

Philip ficou de pé e ajeitou o paletó preto bem ajustado à silhueta atlética de um jeito que deixaria qualquer alfaiate orgulhoso. “Prazer.” O sujeito estendeu a mão educadamente, mas, quando Michael a pegou, sentiu seus dedos sendo comprimidos de forma desagradável. Os olhos castanhos de Philip se estreitaram ao medi-lo de cima a baixo. “Stella me falou bastante de você no trabalho.”

No trabalho? Michael olhou para ela, que desviou o rosto, sem jeito. O beijo. Aquele era Dexter Stewart Mortimer Niles.

Michael soltou a mão de Philip antes de acabar cedendo à vontade de derrubá-lo em cima da mesa. Só fez um aceno breve e seco para ele.

Aquele bosta tinha enfiado a língua na boca de Stella. E não era nem um pouco como Michael esperava. Deveria ser um magrelo com postura torta e nenhum músculo no corpo. Devia usar óculos com lentes grossas.

Sem perceber a tensão que se elevava no ar, Ann continuou apresentando as pessoas bem-vestidas em torno da mesa: um nerd que se encaixava muito mais na imagem que Michael criara de Philip e que era dono de uma empresa renomada de tecnologia, um casal de indianos educadíssimos e uma mulher mais velha de cabelos brancos e terninho cor de laranja, com o pescoço, as orelhas e os dedos carregados de diamantes enormes.

Michael desabotoou o paletó e sentou entre Stella e a última cadeira vazia da mesa com o decoro que três anos atuando como acompanhante profissional tinham lhe ensinado.

“Então, Michael, me conte mais sobre você”, o pai de Stella falou, cruzando os braços e se recostando na cadeira com um olhar analítico no rosto. De fato era como se estivesse na noite da formatura.

E ele sabia exatamente como aquilo ia se desenrolar.

“O que gostaria de saber?”, perguntou.

“O que você faz?”

Philip o encarou com um interesse visível.

O pai de Michael queria que ele fosse astrofísico ou engenheiro. Mais perto do fim, se contentaria com arquiteto. Ainda era uma profissão respeitável. “Sou designer.”

“Ah, que interessante. De quê?”

Ele quase deu risada. “De roupas.”

“Foi ele que desenhou o vestido da Stella, querido”, Ann falou com um sorriso gentil no rosto. “É talentosíssimo.”

O rosto de Edward se crispou em desgosto, mas ele pareceu conceder a Michael o benefício da dúvida. “Deve ser um ramo muito difícil. Trabalha para alguma grife conhecida?”

“No momento não.”

“Está criando sua própria linha de roupas? Que fascinante”, Ann falou.

“Estou fazendo uma pausa, na verdade.”

Stella começou a falar, mas ele segurou a mão dela e sacudiu a cabeça de leve. Não queria que aquelas pessoas soubessem que passava os dias cuidando de uma lavanderia e fazendo pequenos ajustes. Ainda que essa fosse a verdade.

Não porque era algo ruim. Ele não tinha vergonha. Era um trabalho honesto. De que adiantava mentir? Mas, sentado ali com aquelas pessoas bem formadas e endinheiradas, sentia vergonha, porque não era o tipo de homem que deveria acompanhar alguém como Stella.

“Então… você não faz nada?”, Philip perguntou, incrédulo.

Michael fingiu desinteresse e deu de ombros. “Quase isso.” Ninguém ali precisava saber da doença de sua mãe. Ele não queria que a mesa inteira o encarasse com dó.

Os rostos de Edward e Philip se contorceram em caretas parecidas, e Michael cerrou os dentes. Deviam achar que estava interessado em Stella por causa do dinheiro dela. Não sabiam que Stella era inteligente demais para cair numa cilada daquelas? Quando se apaixonasse, seria por alguém que estivesse à sua altura.

“Eu morreria de tédio.” Philip pareceu pensativo quando se voltou para Stella. “Você não suportaria ficar parada, não é? Tem tanta determinação, e sabe o impacto que seu trabalho tem. É por isso que a gente se dá tão bem.”

“Gosto mesmo de trabalhar”, Stella admitiu, lançando um olhar preocupado para Michael.

“Ed, você precisava ver o último trabalho que desenvolvemos juntos”, Philip falou. “Ela abordou o problema de um jeito que nunca vi antes. Vai revolucionar a forma como o varejo expõe seus produtos para os clientes.”

“Aposto que Stella não teria conseguido sem sua ajuda, Phil.” Edward deu um apertão carinhoso no ombro de Philip. Então eles dois já se conheciam? Eram parceiros de golfe ou algo do tipo? Umas quinze maneiras diferentes de jogar um homem longe passaram pela cabeça de Michael. E que história era aquela de Stella precisar de Philip? Ela não precisava de ninguém. Nem mesmo de Michael, ou não mais. Ele nem sabia se em algum momento precisara de fato.

Um sorriso sincero surgiu nos lábios de Stella. “Isso é verdade. Trabalhamos bem juntos.”

Era só o que faltava. Michael já detestava a ideia de Stella trabalhando com Philip, quanto mais gostando disso. Aquele imbecil deveria irritá-la tanto quanto irritava Michael. Ele sentiu um desejo juvenil de beijá-la em público para marcar seu território, e afastou a mão antes que cedesse. Stella nem percebeu. Ainda estava sorrindo para Philip — e era um sorriso genuíno, do tipo que costumava reservar a Michael. Aquilo doía tanto quanto levar um pontapé no saco.

“Stella é uma das poucas pessoas que têm paciência comigo. Sei que sou um babaca. Tenho um padrões altos, não suporto preguiça e incompetência”, Philip falou, lançando um olhar cheio de significado para Michael.

Michael respirou fundo e soltou o ar bem devagar, procurando algum relógio na parede do salão. Por quanto tempo mais teria que suportar aquilo?

O tema da conversa passou a teoria econômica e estatística avançada. Com desânimo, ele notou que Stella começou a se abrir e falar mais. Ela tinha pedido que a interrompesse se falasse sobre trabalho, mas dava para ver que estava adorando aquilo. Era claramente a grande paixão da vida dela. Michael não queria lhe negar tamanha satisfação. Por mais babaca que fosse, Philip era capaz de acompanhá-la em conversas das quais Michael jamais conseguiria participar.

Ele se lembrou do beijo. Ela dissera que não havia gostado. Chamara Philip de irritante, mas não parecia incomodada em interagir com o sujeito.

Era impossível não pensar que os dois formavam um belo casal. Com interesses em comum e uma formação parecida, pareciam feitos um para o outro. Tinha sido por causa de Philip que Stella o contratara como acompanhante, para começo de conversa. Porque queria atraí-lo. E, embora detestasse chegar àquela conclusão, talvez fosse a melhor opção.

No fim das contas, o lance entre Michael e Stella era apenas físico. Eles não tinham nenhuma conexão mental, e ele sabia como era importante que ela tivesse seu cérebro estimulado.

Era terrível admitir aquilo, mas Michael não era suficiente para Stella. Em diversos aspectos. Ela jamais poderia amá-lo. Ele não passava de alguém com quem adquiriria prática. Enquanto a conversa sobre economia continuava, uma sensação de apertar o coração e rasgar as vísceras tomou conta dele. Tudo ali parecia errado.

“Ah, que bom que sua mãe conseguiu vir, Philip”, Ann comentou.

Uma mão com unhas pintadas de vermelho pousou no encosto da cadeira de Michael, e uma combinação conhecida de aromas invadiu seu nariz. Canela e cigarros. Ele ouviu os cubos de gelo tilintarem antes que o copo baixo de uísque fosse colocado sobre a mesa.

“Oi para todos. Desculpem o atraso.” Uma mulher baixinha com cabelos loiros tingidos e vestido preto justo sentou na cadeira vazia. Estava de perfil para ele, mas Michael a reconheceu. Já havia beijado aquele pescoço. “Precisei fazer uma paradinha antes de…” Ela se virou para ele, e sua expressão revelou toda a surpresa que o botox permitia. “Ora, ora, ora… Michael.”

“Oi, Aliza.” Era a ocasião perfeita para encontrar uma antiga cliente obcecada por ele.