Os Números do Amor

Helen Hoang · Capítulo 27 de 30

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Os Números do Amor

Capítulo 27

 

Uma campainha tocou baixinho, alertando Michael de que a porta da frente da loja havia sido aberta. Quando ergueu os olhos da costura, ele viu Janie entrando como um furacão na oficina.

“Recebi uma proposta de estágio!”

Ele deixou a costura de lado. “Ei, isso é ótimo!”

Me. gritou e foi correndo abraçá-la. “Estou muito orgulhosa. Parabéns.”

“Nem sabia que você tinha uma entrevista”, Michael comentou. “Onde?”

Os olhos de Janie brilharam. A mãe deu um tapinha na cabeça dela e voltou para a máquina de costura. “Na empresa da Stella.”

O silêncio retumbou nos ouvidos de Michael. “Quê?”

“Pedi a ajuda dela para conseguir um estágio, e deu certo. Começo daqui a duas semanas. Estou muito empolgada.” Janie começou a dançar sozinha, com um sorriso de orelha a orelha.

“Ela arrumou um emprego para você?” Não era possível. Stella não faria aquilo pela irmã dele.

“Você nunca me falou que ela trabalha na AEA. Todo mundo vai ficar impressionado. Eles pagam seus estudos se você mostrar que tem potencial. Estou feita! Quer dizer, se não pisar na bola.”

“Você precisa ligar para agradecer Stella, Michael”, a mãe falou num tom bem sério. “Isso não é pouca coisa.”

As pessoas faziam isso quando um ex arrumava emprego para um parente delas? Haveria um precedente para aquilo? Só Stella seria capaz de coisa do tipo. Como podia não a amar?

Janie estufou o peito e soprou as unhas. “Em minha defesa, arrasei nas entrevistas. Conversei com os seis econometristas seniores, e eles decidiram por unanimidade que a vaga era minha.”

Foi então que ele se deu conta de que Janie tinha falado com Stella. Pouco tempo antes. Seu coração disparou. Ele precisava saber.

“Como é que ela estava?”

Os olhos da irmã se endureceram ao ouvir a pergunta. “Bem. Pareceu ótima, para dizer a verdade.”

“Ah… que bom.” Mas a sensação não era aquela. Michael se sentia um merda. Devia ficar contente, mas não conseguia. Queria que Stella estivesse triste sem ele, assim como ele estava triste sem ela.

Ela havia seguido em frente. Uma facada nas costelas seria melhor.

“Pois é. Que bom”, Janie falou.

A mãe lançou um olhar de advertência para ela, que simplesmente cruzou os braços e ergueu o queixo.

Michael se afastou da máquina de costura. “Já que chegou, vou encerrar mais cedo hoje.”

Ele entrou no carro sem nenhum destino em mente. Só sabia que precisava sair dali.

Janie começaria no primeiro emprego em breve. A saúde da mãe andava boa. Stella estava seguindo em frente.

Todo mundo progredia, menos ele.

E o que o impedia? As despesas médicas tinham acabado, e ele não precisaria mais trabalhar como acompanhante. A mãe queria que ele parasse de trabalhar na loja. As grades de sua jaula tinham sido eliminadas, mas Michael continuava no mesmo lugar, com medo de se mover.

Talvez fosse o momento de mudar aquilo.

Ele parou o carro diante do restaurante da família de Quan. A campainha tocou quando ele entrou. Seu primo recolhia a louça suja em um carrinho e limpava as mesas com um pano. A hora do almoço tinha acabado, e ele estava sozinho no salão — a não ser pelos peixes de água doce que viviam no aquário que ocupava uma parede inteira.

Quan olhou para o primo, fez uma breve pausa e falou: “Você está com uma aparência de merda”.

Michael esfregou a nuca. “Não ando dormindo muito bem.” Depois de passar tanto tempo dividindo a cama com Stella, estava com dificuldade para pegar no sono sozinho. Quando conseguia, sonhava com ela. E gozava nos lençóis. Aquilo o lembrou de que precisava lavá-los. De novo.

“Quase não vejo mais você. Como andam as coisas com Stella?”

Michael enfiou as mãos nos bolsos. “A gente terminou.”

Os braços tatuados de Quan pararam de limpar a superfície da mesa. “Por quê?”

“Não estava dando certo.”

“E por que não, caralho?”

“Escuta só, vim pedir sua ajuda com outra coisa.”

Quan levantou as sobrancelhas. “Então é por isso que você está com essa cara. O que aprontou para levar um pé na bunda? Já tentou pedir desculpa? Mandar flores? Comprar um bichinho de pelúcia? Chocolate? As garotas adoram essas coisas. Na verdade eu nem precisaria estar te falando isso.”

“Fui eu que terminei tudo.”

Quan jogou o pano em cima da mesa. “Como assim? Por quê?”

Michael passou a mão nos cabelos, sentindo retorcerem a faca encravada em suas costelas. Porque ele não era bom o bastante para ela. E, mesmo que conseguisse ser, Stella não estava mais interessada. Já tinha seguido em frente.

Quan bufou ao ver que o primo o ignorava. “Esquece. E você precisa da minha ajuda pra quê? Finalmente resolveu comprar uma moto?”

“Não, nada de moto. Eu… estou procurando um substituto para mim lá na oficina de costura.” Só de dizer aquelas palavras em voz alta ele começou a transpirar.

“E está me dizendo isso porque…?”

“Você sabe costurar e…” Michael deu uma olhada para a porta que levava à cozinha e baixou o tom de voz. “Sei que detesta trabalhar para sua mãe, mas se dá bem com a minha. E, acima de tudo, confio em você. Não posso sair de lá se não tiver certeza de que estou deixando alguém legal com minha mãe”.

“O que pretende fazer? Vai voltar para Nova York?”

“Não, vou ficar por aqui… Preciso ficar por perto, pelo menos. Mas estou pensando em criar minha própria linha de roupas.”

Sempre tinha sido seu sonho, mas ele havia sido forçado a adiá-lo. Durante todo aquele tempo, ideias e conceitos tinham enchido sua cabeça, ficando cada vez mais claros e difíceis de ignorar, e agora…

“Já estava na hora.” Quan deu um soco em seu ombro e sorriu.

“Então você topa? Vai trabalhar lá na oficina?”

O primo fez uma careta antes de responder. “Posso trabalhar por um tempo, se estiverem precisando, mas não para sempre. Ajustar e consertar roupas é entediante pra caralho. Por outro lado, Yen está procurando emprego, e gosta de costurar. Se ela puder levar o bebê, acho que seria o ideal”.

Michael sentiu uma estranha leveza tomar conta de seu corpo. “Parece perfeito.”

“Você deveria ter pedido antes. Sempre vai ter alguém na família para ajudar. Ninguém entende por que você ficou tanto tempo lá na loja. Está na cara que detesta. Não precisa se virar sozinho. Estamos aqui para ajudar.”

Observando o rosto sincero do primo, Michael se deu conta de que nunca havia nem pensado em pedir ajuda. Pensava que o problema do pai e a saúde da mãe eram responsabilidade dele. E por quê? Talvez porque quisesse se punir por seu egoísmo. Talvez porque fosse orgulhoso demais, assim como seu pai.

“Tem razão. Eu deveria ter pedido ajuda antes.” As coisas foram se encaixando em sua cabeça, e ele falou: “Agora que estou pensando, seria bom contar com sua ajuda no meu novo projeto. Sou designer, não empresário, e você está fazendo MBA …”.

Quan cruzou os braços com uma expressão bem séria. “Está me chamando para ser seu sócio?”

Michael retribuiu o olhar do primo com a mesma seriedade. “É. Acho que sim. Meio a meio.”

Quan continuou limpando as mesas. “Preciso pensar.”

“Claro. Vou te mandar uns desenhos meus para você ver.”

“Não precisa fazer isso”, Quan rebateu, concentrado no trabalho.

“Tudo bem, então.” Michael deu um passo atrás, hesitante. Talvez não devesse ter falado aquilo. Eles já haviam cogitado ser sócios antes, mas talvez tivesse sido apenas uma conversa, sem maiores consequências.

Quan ergueu os olhos da mesa com uma expressão impaciente. “Sei do que você é capaz.”

Michael soltou o ar com força, e sua preocupação de repente não era mais com seu primo, e sim com a pouca confiança que tinha em si mesmo. “A gente teria um contrato formal, claro, para que eu não pudesse te ferrar, como meu pai fez com minha mãe.”

Quan revirou os olhos e ficou de pé diante dele. “Que tal só um aperto de mão?” Ele estendeu a sua para o primo.

O olhar dele se alternou entre a mão e o rosto de Quan várias vezes. “Para quê? Você já decidiu? Assim do nada? Não pensou nem dois minutos.”

“Quer fazer isso ou não?”

Michael apertou com firmeza a mão do primo, sem conseguir segurar o sorriso que surgiu em seu rosto. Ao que parecia, todo mundo confiava nele, menos ele próprio. “Vamos nessa. Meio a meio.”

Em vez de soltá-lo, Quan o puxou com força para um abraço. “Você é um idiota, sabia? Estava só esperando que me chamasse. Que puta demora.”

 

Stella parou em frente à sala de Philip, respirou fundo e bateu na porta. Ele desviou a atenção dos monitores. Assim que a viu do outro lado do vidro, foi abrir.

“Oi, Stella.” Ele sorriu, mas seu olhar se manteve cauteloso.

“Estou de saída. Quer ir jantar comigo?” A última coisa que ela queria no momento era passar algum tempo com ele, mas prometera aos pais que levaria o colega em consideração, e costumava cumprir suas promessas. Os pais dela gostavam dele. Talvez Stella também conseguisse gostar. E ela tinha cem por cento de certeza de que ele não era do tipo que ficaria com ela por pena. Aquilo era importante.

“Eu adoraria.” Philip abriu um sorriso tão reluzente que chegava a ser ofuscante. “Só me dá um segundinho para salvar o trabalho.”

Enquanto andavam pelas calçadas iluminadas rumo aos restaurantes no centro, Philip posicionou a mão na base da coluna dela. Stella fez o possível para ignorar, mas, depois de um minuto ou dois, abriu certa distância.

Ela fechou os dedos sobre as alças da bolsa. “Ainda não estou pronta para isso.”

Philip baixou a mão. “Continua ligada a ele, pelo que estou vendo.”

“Estou trabalhando nisso.” Stella pedira à faxineira que lavasse os lençóis da sua cama. O cheiro de Michael iria embora.

“Ele dormiu com minha mãe, Stella. Isso deve ajudar você a esquecer o cara depressa.”

Ela encarou o desgosto no perfil dele. “Você dormiu com Heidi.”

“Heidi não é… velha.”

“Sua mãe também não.”

Philip revirou os olhos.

“Se der em cima da nova estagiária, vou ficar muito irritada com você. Ela é praticamente uma criança. E é irmã do Michael.”

“Aquela gata é irmã dele?”

“Ela era a melhor candidata.”

“Era mesmo”, Philip admitiu a contragosto. “Tem boas noções de regressão e estatística. Não acredito que seja irmã dele.”

Quando sentaram no restaurante, Philip ainda estava resmungando sobre Janie.

“Faz só três anos que ela saiu do colegial.”

“E daí?”

Ela soltou um suspiro de irritação. Em vez de apontar a hipocrisia dele, disse: “Vamos falar sobre hobbies. Quais são os seus?”.

Aquilo deixou o estado de espírito dele imediatamente mais leve. “Levo o golfe bem a sério. Não sou ruim, não. E gosto de ir à academia.”

Philip deu um gole no copo d’água e percorreu com os olhos o interior refinado do restaurante.

Stella esperou que perguntasse quais eram os passatempos dela. Ele batucou com os dedos na mesa ao ritmo do violão clássico que tocava de fundo. Depois tomou mais um gole de água.

“E me alterno entre natação e corrida todos os dias”, Philip acrescentou.

“Nenhuma luta?”

“Fiz esgrima na faculdade, mas pareceu bobagem continuar.”

Aquilo significava que Michael provavelmente acabaria com ele em um embate mano a mano. Ela até que ia gostar de ver aquilo.

“Gosto de filmes de artes marciais”, Stella falou.

“Sério? Não é muito sua cara. Eu gosto de documentários.”

Enquanto Philip tagarelava sobre o último que havia visto, a mente de Stella começou a divagar. Ela se pegou fantasiando sobre a noite do jantar beneficente. Em sua versão, Michael não terminava com ela. No lugar, se declarava irresistivelmente apaixonado. Louco de raiva, Philip o desafiava para um duelo, e os dois iam para o lado de fora, perto da piscina. Como não havia espadas à mão, usariam tacos de golfe.

Ela sorriu com seus pensamentos inusitados, o que Philip interpretou como um incentivo para continuar falando, ficando ainda mais animado ao expor seu fascínio por escândalos e comentários políticos.

Stella se perguntou como seria um duelo entre um praticante de kendô e um esgrimista. Provavelmente ficaria bem divertido com tacos de golfe — desde que ambos tivessem controle suficiente para não se matar a pauladas. Bem que podia haver uma cena desse tipo num drama coreano. Ela veria várias vezes.

O herói não precisaria nem vencer. Para ficar com a garota, só precisaria lutar por ela. Se perdesse, ela ia beijá-lo até que se sentisse melhor.

Quando saíram do restaurante para a calçada movimentada, Philip sorriu para ela e segurou sua mão. “Acho que a gente se dá muito bem, Stella. Precisamos fazer isso de novo.”

Então ele se inclinou para beijá-la.

Enquanto Michael se encaminhava com Quan para seu restaurante de churrasco coreano favorito, na University Avenue, foi impossível não esquadrinhar as calçadas com os olhos em busca de Stella. Afinal, a casa dela ficava a poucos quarteirões dali. Era improvável que estivesse na rua à noite, mas não impossível.

Ainda assim, foi pego de surpresa quando a viu do lado de fora de um restaurante mediterrâneo do outro lado da rua. Seus cabelos estavam presos no coque habitual, e ela usava a camisa, a saia justa e os sapatos de bico fino de sempre, além dos óculos. Sua Stella, sua genial, doce e…

Aquele era Philip Niles? Prestes a dar um beijo nela?

Michael ficou furioso.

Seus músculos se enrijeceram e ele avançou. O aperto firme de Quan em seu braço o impediu.

“Calma aí, cara.”

Antes que os lábios de Philip tocassem os dela, Stella virou o rosto e deu um passo atrás. Soltou a mão dele e disse alguma coisa que não era possível ouvir à distância, mas que claramente configurava uma rejeição.

Em vez de aceitar o não como um homem decente, Philip avançou na direção dela com uma expressão predatória no rosto.

“Certo, o cara está pedindo”, Quan falou.

Ele soltou o primo, que atravessou a rua sem prestar atenção. Se houvesse carros passando, nem perceberia. Seria capaz de atravessá-los no meio, de tão determinado que estava. Antes que Philip encostasse a boca imunda em Stella, Michael o puxou e meteu o punho fechado no olho dele.

Enquanto Philip cambaleava, Michael abraçou uma Stella atordoada. Uma sensação de que aquilo estava certo o invadiu, aplacando a raiva que consumia seu coração. Sentia o corpo dela, o cheiro dela, que era toda sua.

“Você está bem?”, ele murmurou.

Ela piscou várias vezes, surpresa. “Sério que você deu um soco no olho dele?”

“Aquele merdinha estava tentando te beijar à força. De novo. Ninguém pode fazer isso. De jeito nenhum.”

Philip baixou a mão que estava sobre o olho já inchado e apontou na direção de Michael. “Isso é um encontro. Não forcei ninguém a nada.”

Stella se desvencilhou de Michael e ajustou as alças da bolsa no ombro. “Vou para casa. Sozinha. Boa noite.”

“Stella, espera.” Philip tentou segui-la, mas Michael entrou na frente dele.

“Você ouviu. Ela vai para casa sozinha.”

Philip pareceu disposto a insistir, então Quan apareceu ao lado de Michael. Estava com as mãos abaixadas, mas com uma postura intimidadora e um olhar de frieza no rosto. “Algum problema aqui?”

Philip observou a barricada formada pelos dois primos e resolveu recuar. Abriu a boca como se fosse dizer alguma coisa, mas no fim cerrou os dentes, lançou um último olhar na direção de Stella e foi embora.

Michael deu um apertão no ombro do primo. “Valeu.”

Quan deu um sorrisinho e apontou com o queixo para Stella. “Melhor ir ver como ela está.”

“Vai pegando uma mesa. A gente se encontra lá dentro.”

Ele foi correndo atrás de Stella. Quando o viu, ela acelerou, voltando os olhos para a frente.

“Estava tudo sob controle. Esqueceu que tenho um taser?”

O tom abrupto e impessoal que ela usou pegou Michael com a guarda baixa e o deixou irritadíssimo. Sonhava com ela todos os dias, enquanto Stella estava saindo com outro cara. Não fazia nem duas semanas que tinham se separado.

“Está ansiosa para testar suas novas habilidades, pelo que posso ver.”

Ela agarrou a bolsa e começou a caminhar ainda mais depressa. A calçada acabou, e os saltos dela batucavam o asfalto ao entrar na rua onde morava.

“Se quer mesmo dormir com ele, começou com o pé errado. Deveria ter aceitado o beijo. Por que não aceitou? Ficou nervosa?”

“Vai embora, Michael.”

“Quero saber por que recusou o beijo. Você quer o cara. Não é?”

Ela deteve o passo, virando para ele com o peito ofegante. “Por que está me seguindo? Por que está falando comigo? Não sei como lidar com isso. Não sei como agir, não sei o que falar.”

“Não podemos ser amigos?” Ele gostaria que fossem pelo menos aquilo.

Ela o encarou. Sob a luz dos postes e a lua, os olhos dela pareciam marejados e vulneráveis. “Amigos?”

“Espero que sim.”

“Para mim não serve.” Ela se afastou, com o queixo cerrado e os olhos estreitos. Michael imaginou que estivesse com raiva, até que viu as lágrimas escorrendo. “Não quero saber da sua pena.”

Seu peito se apertou com aquela visão, impedindo-o de respirar. “Quem foi que falou em pena?”

Ela secou o rosto com a mão, sentindo o queixo trêmulo. “Você. Quando disse que já tinha me ajudado, mas que eu não servia. E estava falando sério. Não pode voltar atrás agora.”

“Eu não estava falando de você. Estava falando da gente.” Michael engoliu em seco. “Não passou pela sua cabeça que o problema na verdade sou eu? Que eu não sirvo para você?”

Olhos ansiosos se voltaram para o rosto dele, arregalados com a incompreensão. “Por que eu pensaria isso?”

“Porque sou um prostituto e meu pai é um criminoso.”

Com os lábios virados para baixo, ela deu um passo atrás. “Não ligo para essas coisas. Não mudam quem você é e como me trata. Você está usando essas coisas como pretexto, porque não quer me magoar. Mas sou capaz de aceitar a verdade. Não sou boa o bastante para você. Entendo e aceito isso. Vou acabar esquecendo você algum dia. Não quero que ninguém me enrole ou minta para mim por ser como sou. Não preciso que tenha pena de mim.”

Ela passou por ele e se afastou a passos largos, muito séria. Sem nenhum balançar sedutor de quadris, nenhuma graciosidade. Não era um desfile numa passarela. Michael amava aquilo nela.

E amava ela.

Mas Stella estava tentando esquecê-lo.

Para tanto, precisaria estar apaixonada por ele. Mesmo sabendo de seu trabalho como acompanhante, sua situação financeira, sua formação, seu pai, ela ainda o amava.

Aquilo mudava tudo.

Uma determinação o dominou. Suas inseguranças o tinham deixado tão cego que ele a afastara e a magoara. O que deveria fazer era lutar por ela.

E a luta começaria naquele instante. Se ela era capaz de confiar nele e aceitá-lo como era, então ele próprio também poderia fazê-lo. Era aquele tipo de homem que Stella merecia. Ela achava que ele podia ser aquele cara.

Michael a seguiu à distância para garantir que chegaria em segurança em casa, depois foi correndo encontrar Quan. Precisava de ajuda para elaborar um plano.