Os Números do Amor
Capítulo 19
Stella desabou na cama de Michael. Depois de suas três primeiras experiências sexuais, estava convencida de que aquela não era sua praia. Parecia uma coisa confusa, às vezes dolorosa, e extremamente desconfortável. Mas, no momento, não conseguia pensar em mais nada.
Seu corpo todo latejava com a força do desejo, a vontade de ser preenchida, agarrada e… de ouvir certas coisas.
Ela sorriu ao se lembrar do que Michael havia dito. Seria comum rir durante o sexo?
Batucando com o dedo na cama, ela ficou esperando, mas a paciência não era seu forte. Stella era uma pessoa prática. Detestava perder tempo. E não havia terminado de ver o apartamento de Michael.
Ela apoiou os pés no chão, pegou os óculos e vestiu a camisa dele, sorrindo sozinha ao ver que chegava aos seus joelhos. As costuras pinicavam sua pele, mas o cheiro dele compensava. E ela não ficaria vestida por muito tempo.
Uma olhada dentro do closet a encheu de alegria. Estava mesmo impressionada. Todos os belíssimos ternos e camisas estavam perfeitamente alinhados, organizados por cor, tecido e padrão. Ela passou os dedos pelas mangas dos paletós antes de se virar para a cômoda. Pensou em abrir as gavetas e ver como ele guardava as meias, mas achou que seria invasivo demais. E se ele a pegasse bisbilhotando? Pensaria que estava procurando alguma coisa? E ela estaria de fato procurando alguma coisa? Talvez, mas nada específico. Só queria entendê-lo melhor.
Stella saiu do quarto, passou pela TV — já tinha visto a maior parte dos DVDs e guardado Laughing in the Wind na bolsa —, deslizou os dedos pelas superfícies frias dos pesos e do banco de musculação, deu um soco no saco de pancadas e depois esfregou a mão, porque doeu.
Uma espiada na geladeira revelou que ele cozinhava com frequência. Havia um monte de temperos asiáticos com rótulos misteriosos, legumes e verduras e um monte de coisas saudáveis com que Stella nem saberia o que fazer. E alguns potes do iogurte de que ela gostava.
Quando passou pela mesa para admirar a planta ali, a papelada em cima do armarinho de metal chamou a sua atenção. Deviam ser contas a pagar.
Michael tinha problemas financeiros.
Ela lançou um olhar para a porta, que permanecia fechada. Apurou os ouvidos, à espera de passos. Nada.
Seu coração disparou. Sabia que era uma violação de privacidade. Não deveria fazer aquilo.
Ela abriu a primeira cobrança e leu o mais rápido possível. Era só uma conta de luz. Menos de cem dólares. Estava prestes a guardá-la de volta quando viu o nome escrito. Michael Larsen.
Um incômodo doloroso se instalou em seu peito. Ele não confiara nela o suficiente para revelar seu sobrenome verdadeiro.
Ela fez uma careta. Se não soubesse quem ele era, não poderia persegui-lo depois que tudo terminasse. Stella pôs a conta de volta no lugar. Apesar de amargurada, não conseguiu deixar de espiar outro papel sobre o armário. Uma cobrança da Fundação Médica de Palo Alto. Não era endereçada a ele, mas a Anh Larsen.
Stella pegou o papel e leu a lista de procedimentos: tomografia computadorizada, ressonância magnética, raios X, coletas e exames de sangue e outros. O total chegava à assombrosa soma de 12 556,89 dólares.
Eles não tinham plano de saúde?
Ela levou a mão trêmula à testa. Michael estava pagando as despesas médicas da mãe? Como poderia…?
Sua respiração ficou acelerada e seu estômago se revirou. Ele não tinha nenhum problema com drogas ou jogatina.
Só amava muito a mãe.
Os olhos dela se encheram de lágrimas, embaçando sua visão. Stella deixou a conta como a encontrara e engoliu em seco, sentindo um nó na garganta. Ele tinha dormido com toda aquela gente, inclusive ela, porque precisava cuidar da mãe doente.
Ela levou a mão fechada aos lábios e deitou encolhida no sofá. A porta se abriu.
Michael deu uma longa olhada nela e foi correndo para seu lado.
“O que aconteceu?”
Stella abriu a boca para falar, mas não conseguiu dizer nada.
Ele sentou no sofá e a abraçou, beijando sua testa, secando as lágrimas do seu rosto e acariciando suas costas. “O que foi?”
O que ela poderia fazer? Como resolver a situação? Não sabia como curar um câncer. Talvez devesse ter estudado medicina mesmo.
Stella o agarrou pelo pescoço e o beijou.
Ele tentou se esquivar. “Você precisa me falar…”
Ela o beijou com mais força. Michael amoleceu um pouco e retribuiu o gesto por um momento inebriante antes de se afastar de novo.
“Me diz o que está acontecendo”, ele falou com firmeza. “Por que está chorando? Acelerei demais as coisas de novo? Você ainda não estava pronta e eu forcei a barra?”
Ela não sabia como comunicar o que estava sentindo. Seu peito ardia com tantos sentimentos. Era muito intenso, e era demais para ela… Uma coisa assustadora.
“Estou obcecada por você, Michael”, ela confessou. “Não quero só uma noite ou uma semana. Quero você o tempo inteiro. Gosto de você mais do que de cálculo algébrico, e olha que matemática é a única coisa capaz de unir o universo. Se você se afastar de mim, vou ser aquela cliente louca que fica te seguindo só para poder te ver à distância. Vou continuar ligando até você ser obrigado a trocar de número. Vou te comprar um carro de luxo e fazer tudo e qualquer coisa em que puder pensar para continuar me sentindo próxima de você. Menti quando prometi que não ia ficar obcecada. É parte da minha natureza. Eu…”
Ele tapou sua boca com a dele, e a urgência do beijo reverberou dentro dela. Michael a agarrou com um gesto mais rude, mas Stella nem se importou. Levou a mão à calça dele para poder libertá-lo de novo. Em seguida se afastou e foi descendo pelo corpo dele até colocar seu pau na boca.
Ela chupava e lambia com movimentos desajeitados da língua. Não sabia o que estava fazendo, mas aquilo não parecia ter muita importância para ele. Michael remexia os quadris com movimentos sinuosos na direção de sua boca. Ela acariciava a tatuagem e as coxas fortes dele. Pela tensão do corpo e pela velocidade cada vez maior dos movimentos, além dos ruídos ásperos que soltava, Stella percebia que ele estava quase lá. Aquilo só intensificou sua excitação, fazendo com que fechasse as pernas com força e sentisse a umidade se espalhar pelas coxas.
“Quero sentir você”, ele falou, tentando afastá-la de sua ereção.
Mas Stella não queria parar. Precisava senti-lo preencher sua boca, precisava saboreá-lo por inteiro.
Ele grunhiu ao constatar a resistência dela às suas sucessivas tentativas de libertação. Quando Stella enfim cedeu, deixando-o tirar o pau de sua boca, ele a beijou de forma sedenta e a deitou no sofá. Em seguida sentou e enfiou a mão no bolso. Ele arfava quando abriu a embalagem e colocou a camisinha.
Michael deitou sobre ela e beijou sua boca, seu queixo, seu pescoço. O pau duro dele encontrou o sexo dela. Enquanto deslizava para dentro, seus olhos se cruzaram acidentalmente, então se fixaram uns nos outros. O pânico dela foi às alturas. Era um contato direto demais, exposição demais. Stella tentou desviar o rosto, mas então percebeu que a vulnerabilidade dele era evidente. Os olhos turvos continuaram em contato profundo, revelando tudo um para o outro.
Os corpos de ambos assumiram um ritmo natural. Quadris se erguiam e se retraíam, dominavam, cediam. Ele estendeu a mão entre os dois para tocar o lugar onde ela mais precisava. Seu corpo passou a queimar e se desfazer ainda mais. Gemidos escapavam de seus lábios, e ela se arqueou na direção dele. Durante todo o tempo, seus olhares permaneceram fixos um no outro. Ele via tudo, ouvia tudo. Ela teria ficado com vergonha se não fosse o sorriso dele, a forma carinhosa como afastou os cabelos do rosto dela antes de entrelaçar os dedos da mão livre com os dela. Uma sensação absolutamente incrível tomou conta de Stella ao se sentir amada.
O alívio veio forte. Espasmos violentos a impossibilitavam de coordenar seus movimentos, de falar, de pensar. Ela o sentiu apertar sua mão mais forte. Os movimentos dele se aceleraram. Com uma última estocada profunda, Michael desabou com ela.
O mundo parou.
Tudo era silêncio, a não ser pelos dois corações descontrolados tentando se sincronizar.
Murmurando seu nome e beijando-a de leve, Michael saiu de dentro dela e a carregou para o quarto. Ele a acomodou na cama, puxando as cobertas até seu queixo. Em seguida foi ao banheiro. Stella ouviu barulho de água. Antes que sentisse demais a falta dele, Michael voltou e deitou na cama, de frente para ela.
Ele passou os dedos em seu rosto e beliscou seu queixo.
“Minha Stella quer ficar aqui ou ir para casa?”
Ela sentiu um sorriso se formar em sua boca. Quando ele havia começado a chamá-la daquele jeito? Minha Stella. Ela poderia desejar algo no mundo além daquilo? Sentiu vontade de perguntar o que significava, mas ficou com medo de que ele parasse de chamá-la daquele jeito.
“Posso passar a noite aqui?” No apartamento dele, na cama dele, onde as clientes não tinham permissão para entrar. Stella estava conseguindo uma aproximação maior então? Talvez houvesse esperança. Talvez ele pudesse ser seu.
“Se quiser. Mas vai ter que usar minha escova de dente e dormir pelada”, ele falou, erguendo as sobrancelhas de modo sugestivo.
Aquelas coisas a incomodavam, era verdade. Provavelmente dormiria muito mal e o expediente no dia seguinte seria muito improdutivo. Mas valeria a pena, se era para ficar com ele. E queria demarcar aquele apartamento como seu território, tal qual um animal.
“Quero ficar.”
O sorriso que ele abriu já fez sua decisão valer a pena.