Os Números do Amor
Capítulo 17
Ela deveria estar trabalhando. O projeto de lingerie on-line era interessante. Normalmente, já teria terminado. Mas não conseguia olhar para roupas íntimas ou mesmo ler a respeito sem pensar em Michael.
A gaveta onde guardava o celular parecia chamá-la. Queria escrever para ele. Aquilo era permitido? Afora a noite no escritório, eles só trocavam mensagens com fins logísticos.
Ela batucou com os dedos na superfície da mesa, então cerrou o punho. Como conseguiria seduzi-lo se não tinha coragem nem de mandar uma simples mensagem? Pegou o telefone.
Oi.
Mas apagou a mensagem antes de mandar.
Estou com saudade.
Só de ver aquelas palavras na tela suas mãos ficaram suadas. Eram diretas demais. Precisava apagar.
Queria confirmar os planos para hoje.
Ela apertou o botão de enviar, colocou o celular sobre a mesa e ficou olhando para os monitores do computador sem conseguir se concentrar em nada. A tela do celular apagou depois de um tempo. Michael devia estar ocupado.
O telefone vibrou, mas não do jeito breve que indicava mensagem de texto. Ele continuou zumbindo e tremendo. Era alguém ligando.
Quando olhou para a tela, viu o nome de Michael e seu coração disparou. Ela agarrou o celular junto ao peito antes de atender. “Alô?”
“Oi.” Ao fundo, Stella ouviu a mãe dele tagarelando em vietnamita sobre o ruído da máquina de costura. “Preciso usar as duas mãos no momento, então resolvi ligar em vez de escrever. Hoje à noite ainda está de pé. Naquele restaurante tailandês em Mountain View.”
“Encontro você lá.”
“Perfeito.”
A máquina de costura parou, e o silêncio se estabeleceu no espaço virtual entre eles. Stella queria que Michael falasse. Queria ouvir sua voz de novo.
“Não esquece as roupas para ficar na minha casa. A não ser que não queira. Não é obrigatório”, ela falou, apressada.
“Não, por mim tudo bem. Mas já esqueci.” Michael deu uma risadinha, e Stella apertou o celular com força. Estava com saudade dele de verdade, apesar de só fazer um dia que tinham se visto.
Me. falou alguma coisa, e Michael soltou um suspiro. “Preciso desligar. Tomara que a noite chegue logo. Estou com saudade. Tchau.”
Ela ficou sem fôlego antes de conseguir murmurar: “Eu também”. Mas o telefonema já tinha sido encerrado, e suas palavras foram ditas apenas para si mesma.
Como as outras pessoas conseguiam cumprir suas obrigações diárias com uma saudade daquele tamanho? Ela precisava vê-lo.
Stella abriu a galeria de fotos do celular, que estava vazia. Agindo por impulso, mandou outra mensagem para Michael.
Quero uma foto sua no meu telefone.
Por favor.
Quando tinha perdido a esperança de receber uma resposta e já ia guardar o celular na bolsa, o aparelho vibrou.
Era uma selfie tirada na hora, um close do rosto dele com as sobrancelhas levantadas. Uma foto meio desajeitada, mas ainda assim fofa. Stella suspirou e esfregou o polegar no rosto dele.
O celular vibrou de novo.
Cadê a minha?
De cabelo solto.
Ela soltou uma risadinha de incredulidade. É sério?
Cabelo solto. Selfie. Agora.
E com os dois primeiros botões da camisa abertos.
Stella puxou o elástico para soltar os cabelos, se sentindo ridícula. Ficou enroscado e estourou, quando ela puxou com mais força, indo parar no chão. Ela ajeitou as mechas com os dedos e abriu os dois primeiros botões da camisa. Seu rosto surgiu na tela do celular. Parecia… diferente. Não era a Stella de sempre. Era a Stella secreta, que ia encontrar o amante naquela noite.
Seu dedo bateu acidentalmente no disparador da câmera, capturando seu rosto. Era aquilo que eles eram. Amantes. Stella gostava de como soava, e muito.
Ela mandou a foto para Michael.
Quase instantaneamente, o telefone vibrou.
Porra, Stella.
Sexy demais.
Uma risada escapou de seus lábios, e ela se sentiu um pouco tentada a mandar algo sexy de verdade. Só não tinha ideia de como fazer aquilo. Provavelmente existia um truque de ângulo de câmera ou posicionamento corporal, e seu escritório era de vidro. Seus colegas veriam tudo, a menos que ela desse um jeito de colocar o telefone dentro das roupas justas.
Derrotada, ela guardou o celular e se obrigou a se concentrar no trabalho, que ainda adorava. Mergulhada nos dados, fez uma descoberta interessante: a imensa maioria dos homens casados não comprava roupas de baixo nem para si mesmos. Quem o fazia eram as esposas. Filtrando os números e analisando os vários anos de registros, ela percebeu que eles paravam de comprar cuecas antes mesmo de se casar no papel.
Que tipo de fenômeno antropológico seria aquele?
A empolgação com o novo enigma começou a pulsar em suas veias, arrebatando-a. Stella bateu as diversas variáveis, analisou as curvas de tendência e os gráficos aparentemente aleatórios e avaliou as estatísticas. Não dava para entender. E adorava quando não conseguia entender.
Seu telefone vibrou, e um aviso surgiu na tela: Jantar com Michael.
Stella lançou um olhar de lamento para os monitores, mas não permitiu que suas mãos voltassem ao teclado. Para ela, não existia aquela coisa de mais cinco minutinhos. Se retomasse o trabalho, só sairia do novo mergulho nos dados mais de meia-noite. Aquele era o motivo pelo qual programava tantos alarmes.
Fora que Michael era tão interessante quanto os dados e ainda a fazia rir. Tinha um cheiro bom, um gosto bom, um toque bom e… Ela abraçou a si mesma, sentindo seus pés dançarem sobre o carpete. Empolgação com o trabalho durante o dia e excitação com Michael durante a noite. Stella queria continuar com aquilo pelo resto da vida.
Ela salvou o que tinha feito, desligou o computador e pegou suas coisas para sair. Atravessar o corredor ainda cheio era algo raro para Stella, mas seus colegas não costumavam dar bola. Naquela noite, porém, a atenção que recebeu ao passar a deixou confusa. Os econometristas seniores pararam de escrever fórmulas nos quadros-brancos dentro dos escritórios. Os analistas mais novos lançavam olhares curiosos de seus cubículos.
Quando passou pela sala de Philip, ele ergueu o rosto dos papéis na mesa e deu uma boa olhada nela. Stella acenou e se dirigiu para os elevadores. Quando a porta estava se fechando, ele entrou também.
“Está saindo mais cedo hoje”, Philip comentou.
Enquanto ajustava os óculos, ela percebeu que seus cabelos estavam soltos. O que explicava a reação dos colegas. Stella revirou os olhos. Eram só cabelos. “Tenho compromisso para o jantar.”
Os olhos de Philip a percorreram de cima a baixo. “Vai encontrar alguém?”
Ela colocou os cabelos atrás da orelha. “Sim.”
“Seguiu meu conselho, é?”, ele falou, com seu sorrisinho de sempre.
“Na verdade, sim. Obrigada.”
Philip piscou algumas vezes, então suas sobrancelhas se ergueram. “Você é surpreendente, Stella. E fica bonita com o cabelo solto.”
A admiração no olhar dele a deixou bem sem jeito. Ela abotoou os dois botões de cima da camisa. “Obrigada.”
“Quem é ele? Eu conheço? A coisa é séria?”
Stella começou a batucar os dedos na coxa. “Acho que não. E espero que seja sério. Pra mim é.”
“Não vai falar em casamento cedo demais, hein? Isso deixa os caras se cagando de medo.”
Ela olhou feio para ele.
Philip limpou a garganta. “Desculpa, não foi isso que eu quis dizer. Só acho que devia ir com calma.”
Quando a porta do elevador se abriu, ele pôs a mão na frente do sensor para segurá-la. “Primeiro as damas.”
Stella saiu com o passo acelerado na intenção de deixá-lo para trás, mas ele a acompanhou.
“Aonde vocês vão?”
“Num restaurante tailandês.” Ela viu seu carro no estacionamento e desejou ser capaz de se teletransportar direto para lá. Nunca mais soltaria os cabelos no meio do expediente.
“Você gosta de comida apimentada?”
“Gosto. Se o lugar for bom, aviso. Você pode levar Heidi lá.”
“Não estou mais saindo com ela. Heidi é nova demais para mim. Não temos nada em comum. Ela falou que preciso aprender a me comunicar melhor. Que pareço meio arrogante. Ridículo! Não tenho culpa de saber das coisas.” Ele tossiu. “Esquece essa última parte.”
Aquilo a fez deter o passo. Stella sabia como era ter problemas para se comunicar. Aquilo significava que fora Heidi quem terminara com ele? Por trás das aparências, Philip estava triste? Ele era capaz de sentir aquilo? “Entendi.”
“Você e eu temos muito em comum.” O olhar dele mostrava que estava falando sério. E que estava interessado nela para valer.
Stella parou ao lado do carro. “Temos mesmo.”
A mãe dela considerava os dois perfeitos um para o outro. Se ele não a tivesse estimulado a pensar a partir de outra perspectiva com seu conselho babaca, Stella poderia até retribuir o interesse. No mínimo, poderia lhe dar uma chance de ser sua quarta transa desastrosa.
Mas agora não. Ela só queria Michael.
“Preciso ir, ou vou me atrasar.”
Philip deu um passo atrás. “Divirta-se. Mas não demais. A gente se vê amanhã.”
Depois de entrar no carro e colocar o cinto, ela viu Philip entrar no próprio carro. Uma Lamborghini vermelha novinha. Não era o estilo dela. Detestava aqueles carros, mas sabia que Michael gostava deles.
Com um suspiro, foi para seu encontro. O trajeto era rápido, e em pouco tempo estava no interior do restaurante. Michael a esperava em uma mesa perto da janela, parecendo delicioso com calça preta, camisa listrada e colete de seda com ajuste perfeito na cintura.
Com os olhos brilhando, ele bateu nos lábios com o indicador enquanto ela caminhava até a mesa. Quando Stella chegou lá, levantou e lhe deu um abraço apertado, colando os lábios em seu pescoço e passando os dedos nas mechas soltas de seus cabelos. “Esse cabelo… Minha Stella está maravilhosa hoje.”
Ela respirou fundo e se aninhou junto a ele. Naquele momento, tudo pareceu no lugar, e sua determinação se fortaleceu. Stella ia seduzi-lo. Só não sabia como. “Meu elástico estourou quando tirei à tarde. Agora todo mundo no trabalho me olha como se eu fosse uma stripper.”
Os ombros dele se sacudiram enquanto ria.
O garçom se aproximou e, com relutância, eles desfizeram o abraço para se sentar.
“Você poderia ser, se quisesse. Tem o corpo para isso”, ele falou, com um sorriso provocador.
“Com minha coordenação motora, ia cair e sofrer uma concussão.”
Sabiamente, ele não fez nenhum comentário a respeito.
“Essa é outra criação sua?”, Stella perguntou, apontando para o colete, que tinha adorado.
“Claro. Pela sua cara, estou vendo que quer pôr a mão. O trabalho valeu a pena.”
Então ela se deu conta de que estendia a mão por cima da mesa na direção dele. Recolheu as mãos e sentou sobre elas, ajustando os óculos com uma franzida no nariz.
“Você pode ver de perto mais tarde.” Michael apoiou a mão espalmada sobre a mesa e inclinou a cabeça para o lado, à espera. Stella percebeu que era de sua mão.
Como ela conseguiria seduzi-lo quando era ele que a seduzia tão bem?
Stella tirou uma mão de baixo das pernas e colocou sobre a dele. Michael fechou os dedos sobre os dela e acariciou o dorso de sua mão com o polegar.
“C-como foi seu dia?” Quando as palavras saíram de sua boca, ela percebeu que era a primeira vez que perguntava aquilo. Mas não a primeira em que tinha pensado a respeito. Seria pessoal demais? Ela deveria fazer aquele tipo de pergunta?
Os lábios dele se contorceram para formar algo entre um sorriso e uma careta. “É época de formatura. Está bem longe de ser a minha favorita.”
“Muitos ajustes?”
“E adolescentes histéricas.”
“Devem ficar todas gamadas em você.” O que de fato podia ser bem cansativo.
“Minha mãe faz a maioria das provas, então não é tão ruim. Mas estou ficando até vesgo com a quantidade de vestidos para arrumar. Sua foto foi o ponto alto do meu dia.”
A foto nem tinha ficado tão boa. “Você gostaria de trabalhar mais com roupas masculinas?”
A constatação de que ele não fazia aquilo de que mais gostava provocou uma pontada de dor em seu peito. Ela precisaria de terapia se passasse os dias fazendo um trabalho que detestava.
Ele deu de ombros, mas com uma expressão pensativa. “Prefiro a parte mais criativa do trabalho, pensar em modelos novos. Não me importo em fazer a montagem e os ajustes, mas não é muito desafiador.”
“Já pensou em criar sua própria linha de roupas?” Ela cobriu a boca enquanto pensava a respeito. “Você poderia entrar em um daqueles concursos de estilistas na TV. Com certeza ia ganhar.”
Ele sorriu, olhando para suas mãos dadas, mas não de alegria. “Três anos atrás, fui selecionado para participar de um desses programas. Acho que gostaram mais do meu rosto do que do portfólio, mas enfim. Uma oportunidade é uma oportunidade. Só que minha mãe ficou doente e um monte de outras coisas aconteceu. Tive que desistir.”
O rosto de Stella ficou pálido. Ela sentiu um aperto enorme no peito. Claro que ele faria aquilo pela mãe.
Michael levantou os olhos, assumindo uma expressão mais carinhosa. “Não precisa ficar tão triste. Ela já está bem melhor.”
“É… câncer?” Stella se lembrava vagamente de ter ouvido as irmãs dele falando sobre quimioterapia no meio da briga, mas estava tão alterada naquele dia que não conseguira absorver a informação. Como havia deixado passar uma coisa daquelas? Que tipo de pessoa ela era?
“Câncer de pulmão, estágio quatro. Incurável e inoperável. Não, ela nunca fumou. Só deu azar. Mas os novos tratamentos estão funcionando. Agora parece tudo bem”, ele falou com um sorriso otimista.
Stella apertou a mão dele e o observou bem. Será que ele tinha consciência de como era maravilhoso?
O garçom chegou. Michael perguntou a Stella: “Quer que eu faça o pedido?”. Ela fez que sim com a cabeça, e ele falou os pratos sem nem olhar para o cardápio.
“Como foi o seu dia?”, ele quis saber depois.
“Bom.”
Michael sorriu e beliscou o queixo dela. “Quero detalhes.”
“Ah. Descobri algo interessante no trabalho. Um fenômeno fascinante que não sei como expli… Por que está me olhando assim?”
Ele estava com a cabeça inclinada para o lado, sorrindo de um modo particularmente afetuoso. “Você fica muito sexy quando fala do trabalho.”
“É difícil acreditar.”
Ele deu risada. “Mas é verdade. Pode continuar. Um enigma, um fenômeno fascinante.”
“Eu conto quando conseguir decifrar. E vou conseguir. Vejamos… O que mais aconteceu? Ah, meu chefe está me pressionando para contratar um estagiário. E tirei minha primeira selfie hoje.” Ela deixou de fora todas as informações relacionadas a Philip. Não havia por que mencionar aquela conversa constrangedora.
“Seu chefe acha que você está trabalhando demais?”
Ela encolheu os ombros. “Quem é que não acha isso?”
“Se você gosta, nunca é demais. E é o seu caso.”
“Exatamente. Fale isso pra minha mãe.”
“Se eu cruzar com ela…”, ele disse. Pelo tom que usou, devia considerar a probabilidade baixíssima.
“Pode ser daqui a um mês, num evento beneficente que ela está organizando. Se quiser ir comigo… Mas não precisa se sentir obrigado”, Stella acrescentou rapidamente.
Os músculos da mandíbula dele se flexionaram enquanto pensava. “Você quer que eu vá?”
Ela assentiu. “Minha mãe ameaçou me escolher um par se eu não tiver quem levar.” Ela só queria ir com Michael, mais ninguém.
“Bem chato mesmo. Quando é?”
“Num sábado à noite. Traje formal. Não que seja um problema para você.”
Ele curvou o canto da boca num sorriso, mas a tensão em torno dos olhos continuava. “Certo. Vou marcar na agenda. Vai ser um prazer.”
“Sério?”
“Sim.”
Ela mordeu o lábio, hesitante, mas resolveu dizer mesmo assim. “Você faz meu vestido?”
Michael a encarou por um longo instante. “Tudo bem.”
“Vou pagar, claro…”
“Espera até ver o que vou fazer”, ele disse, levando a mão dela à boca para beijá-la.
“Tenho certeza de que vou adorar.”
Michael deu uma gargalhada. “Acho que vai mesmo.”
O jantar chegou, e a conversa — uma conversa de verdade — continuou enquanto comiam pratos temperados com capim-limão, folhas de combava, manjericão e pimentas vermelhas que queimavam os lábios. Ela perguntou a Michael quais eram seus estilistas favoritos — Jean Paul Gaultier, Issey Miyake e Yves Saint Laurent —, e ficou sabendo que tinha estudado moda em San Francisco. Ele perguntou quando foi que Stella descobrira seu amor pela economia — no ensino médio — e quando arrumou o primeiro namorado — nunca. Michael tinha uma namoradinha no quarto ano, com quem passava a maior parte do tempo no ônibus escolar. Stella comeu mais do que o de hábito. Queria prolongar a refeição.
Quando chegou a conta, ela quis pagar, mas Michael entregou o cartão de crédito ao garçom com a maior tranquilidade. Stella estreitou os olhos.
Não era a primeira vez que ele fazia questão de pagar quando estavam juntos, o que a deixava bem incomodada. Stella ganhava mais dinheiro do que gastava, e ele claramente tinha problemas financeiros. Por que não deixar que se encarregasse das contas? Como podia contornar aquela situação? Ela não sabia como tocar no assunto sem ofendê-lo.
Na saída do restaurante, Michael falou: “Preciso passar lá em casa para pegar minhas roupas”.
“Isso significa que vou ver sua casa?” Ou ela estava tirando conclusões precipitadas ao supor que passariam a noite juntos?
“Se você quiser. Não é nada de mais.” Michael coçou a nuca, todo charmoso.
“Não pode ser pior que a minha casa.”
“Como assim?”
“Minha casa é vazia e… estéril.” Tinha ouvido algumas pessoas dizerem aquilo quando achavam que ela não estava escutando.
Ele passou os dedos em seu rosto e seus cabelos. “Só precisa de mais mobília. Vamos lá, então. É bem perto daqui.”
Michael poderia ter dito que “bem perto” significava “ao lado”. Ela nem precisaria ter pegado o carro.
Segurando sua mão, ele a conduziu pela escada até o terceiro andar. “Não arrumei nada antes de sair, então pode esperar pelo pior. Só não vá ter um ataque do coração. Promete?”
Ela se preparou mentalmente. “Prometo.”