Se me pudesses ver agora

Cecelia Ahern · Capítulo 9 de 44

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Se me pudesses ver agora

Capítulo 8

 

Ivan ria enquanto dava voltas na cadeira giratória de pele negra do mostrador de recepção situado fora do despacho da Elizabeth, a quem ouvia falar por telefone na habitação contigüa organizando uma reunião com sua aborrecida voz de adulta. Mas assim que pendurou o telefone a ouviu cantarolar de novo sua canção. Riu para seus adentros. Definitivamente a melodia era aditiva; uma vez que te metia na cabeça logo que podia fazer nada para te liberar dela.

Girou na cadeira cada vez mais depressa fazendo piruetas sobre rodas até que lhe revolveu o estômago e lhe palpitaram as têmporas. Decidiu que dar voltas na cadeira era seu jogo favorito. Ivan sabia que ao Luke teria gostado de jogar a dar voltas na cadeira e ao recordar seu triste carita esmagada contra o guichê do carro a primeira hora da manhã a mente foi pelos ramos e a cadeira perdeu velocidade. Ivan tinha muitas vontades de visitar a granja e além lhe tinha dado a impressão de que ao avô do Luke lhe convinha um pouco de diversão. Nisso era semelhante a Elizabeth. Dois velhos odirrubas aborrecidos.

Enfim, ao menos aquela separação dava tempo ao Ivan para observar a Elizabeth com vistas a redigir um relatório sobre ela. Tinha uma reunião ao cabo de poucos dias em que teria que apresentar ao resto da equipe o perfil dos sujeitos com quem estava trabalhando naquele momento. Faziam-no muito freqüentemente. Bastariam uns quantos dias mais com ela para demonstrar que não lhe via e logo poderia voltar a concentrar-se no Luke. Possivelmente houvesse algo que estivesse passando por cima apesar de seus anos de experiência.

Quando começou a sentir-se enjoado Ivan pôs um pé no chão para deter-se. Decidiu saltar da cadeira giratória para fingir que saltava de um carro em marcha. Rodou de maneira teatral pelo chão tal como o faziam nos filmes, levantou a vista de onde tinha ficado feito um novelo e viu diante dele a uma garota que olhava boquiaberta as evoluções da cadeira giratória.

Ivan a viu percorrer o escritório com a vista para comprovar se havia alguém mais presente. A moça franziu o cenho, aproximou-se do escritório como se caminhasse por um campo minado e deixou a bolsa em cima do escritório com supremo cuidado, como se temesse incomodar à cadeira, certificou-se de que ninguém a estava observando e logo se aproximou nas pontas dos pés ao assento para estudá-lo. Adiantou as mãos como se tratasse de domar a um cavalo selvagem.

Ivan se pôs-se a rir.

Visto que não havia nada estranho Becca se arranhou a cabeça maravilhada. Talvez Elizabeth tinha estado sentada na cadeira justo antes de que ela entrasse. Sorriu com cumplicidade ante a idéia da Elizabeth dando voltas como um menino com o cabelo recolhido e um de seus trajes negros de corte impecável e seus cômodos e práticos sapatos oscilando no ar. Não, a imagem não encaixava com ela. No mundo da Elizabeth as cadeiras estavam feitas para sentar-se nelas. Assim que isso foi exatamente o que fez Becca e ficou a trabalhar imediatamente.

—Bom dia a todas —gorjeou uma voz da porta mais tarde essa manhã. Uma saltitanta Poppy com o cabelo cor ameixa entrou no escritório embainhado em uns nos cubra acampanados com bordados de flores, com sapatos de plataforma e uma camiseta tinta em casa de estilo hippy. Como de costume, até o último centímetro de seu corpo estava salpicado de pintura. Todo mundo aconteceu um bom fim de semana?

Sempre falava com uma entonação cantarina e parecia que dançasse ao mover-se, balançando os braços com o garbo de um elefante.

Becca assentiu com a cabeça.

—Estupendo. —Poppy se plantou diante da Becca com os braços em jarras. O que tem feito, Becca, te apontar a um grupo de debate? Saiu por aí com um tio e lhe comeu a orelha? Ou o que?

Becca lia um livro e não lhe fez o menor caso.

—Caray, isso é fabuloso, miúdo desmame! Sabe uma coisa? eu adoro o bom humor que se respira neste escritório.

Becca passou uma página do livro.

—De verdade? —prosseguiu Poppy. Bom, já me contaste bastante por agora. Deixa que o digira, se não te importar. Que demon...?

separou-se de um salto do escritório da Becca e emudeceu.

Becca não levantou a vista do livro.

—Leva toda a manhã fazendo isso —disse em um tom lento.

Poppy ficou paralisada.

O escritório se sumiu em um silêncio absoluto durante uns minutos enquanto Becca lia seu livro e Poppy olhava fixamente o que ocorria diante dela. Em seu escritório, Elizabeth ouviu o prolongado silêncio e apareceu à porta.

—Vai tudo bem, garotas? —perguntou.

Um misterioso chiado foi a única resposta.

—Poppy?

Poppy não moveu a cabeça ao responder:

—A cadeira.

Elizabeth saiu de seu escritório. Voltou a cabeça na mesma direção. A cadeira salpicada de pintura de atrás do escritório do Poppy —a quem Elizabeth levava meses tentando convencer para que se livrasse dela— dava voltas por si mesmo fazendo chiar seus parafusos. Poppy soltou uma gargalhada nervosa. Ambas se aproximaram para examiná-la. Becca seguia lendo seu livro em silêncio como se fosse a coisa mais normal do mundo.

—Becca —disse Elizabeth médio rendo—, viu isto?

Becca permaneceu com os olhos cravados na página.

—esteve fazendo-o durante a última hora —disse em voz baixa. Não faz mais que parar e voltar a começar todo o momento.

Elizabeth franziu o cenho.

—trata-se de alguma nova criação artística tua, Poppy?

—Oxalá fosse —respondeu Poppy, ainda sobressaltada.

As três observaram em silêncio a rotação da cadeira. Chiado, chiado, chiado.

—Talvez deveria chamar o Harry. Certamente se tratará de um pouco relacionado com os parafusos —raciocinou Elizabeth.

Poppy arqueou as sobrancelhas com incredulidade.

—Claro, seguro que os parafusos a fazem girar como louca —disse sarcásticamente contemplando maravilhada os giros da cadeira multicolorido.

Elizabeth se tirou um penugem imaginário da jaqueta e pigarreou.

—Sabe uma coisa, Poppy? Já vai sendo hora de que faça retapizar sua cadeira. Duvido que cause uma impressão muito positiva aos clientes que vêm a nos ver. Estou convencida de que Gwen o faria rapidamente, tratando-se de ti.

Poppy abriu muito os olhos.

—Mas se estiver o mar de bem assim —protestou. É uma expressão de minha personalidade, uma prolongação de mim mesma. É o único objeto desta habitação no que posso me projetar. — Olhou a seu redor com desagrado. Esta puñetera habitação beis. —Pronunciou o nome da cor como se fosse o de uma enfermidade. E a senhora Bracken passa mais tempo fofocando com essas colegas delas que não têm nada melhor que fazer que deixar cair pela loja diariamente que trabalhando.

—Sabe de sobra que isso não é verdade. E recorda que não todo mundo aprecia seu gosto. Além disso, sendo como somos uma empresa de desenho de interiores deveríamos mostrar desenhos menos... alternativos e mais em sintonia com o que a gente pode pôr em seus lares. —Estudou a cadeira um pouco mais. Parece como se um pássaro com graves transtornos intestinais a tivesse utilizado como privada.

Poppy a olhou orgulhosamente.

—Alegra-me ver que alguém captou a idéia.

—De todos os modos, já te deixei pôr esse biombo. —Elizabeth assinalou com a cabeça a tela que Poppy tinha decorado com tudas as cores e materiais conhecidas pelo homem para que fizesse as vezes de tabique divisório entre a Becca e ela.

—Sim, e às pessoas adora este biombo —disse Poppy. Já recebi três pedidos de clientes.

—Pedindo o que? Que a derrube? —Elizabeth sorriu.

Ambas estudaram o biombo pensativamente, com os braços cruzados e a cabeça inclinada como se estudassem uma obra de arte em um museu, enquanto a cadeira continuava dando voltas diante delas.

De repente a cadeira deu um salto e o biombo do Poppy caiu ao chão com grande estrépito. As três mulheres se sobressaltaram e deram um passo atrás. A cadeira começou a perder impulso e terminou detendo-se.

Poppy se tampou a boca com a mão.

—É um sinal —disse com voz apagada.

Ao outro lado da habitação a normalmente silenciosa Becca ficou a rir a gargalhadas.

Elizabeth e Poppy cruzaram um olhar atônito.

—Hummm —foi quanto Elizabeth pôde dizer antes de voltar-se lentamente e retornar a seu escritório.

Convexo no chão do escritório, onde tinha cansado ao saltar da cadeira, Ivan se agarrou a cabeça com as mãos até que a habitação deixou de dar voltas. Doía-lhe a cabeça e tinha tirado a conclusão de que possivelmente a cadeira giratória já não seguia sendo seu favorita. Um tanto enjoado, observou a Elizabeth entrar em seu escritório e fechar a porta a suas costas com o pé. levantou-se de um salto e equilibrando-se para ela conseguiu deslizar-se pela fresta antes de que se fechasse. Hoje Elizabeth não ia deixar o encerrado, sentou-se na cadeira (não giratória) do escritório da Elizabeth e jogou uma olhada à habitação, sentiu-se como se estivesse no despacho de um diretor de colégio aguardando a que o repreendessem. A atmosfera, silenciosa e tensa, era a de um despacho de diretor, e também cheirava de forma parecida, salvo pelo aroma do perfume da Elizabeth que tanto lhe agradava. Ivan tinha estado em uns quantos despachos de diretor com anteriores amigos íntimos, de modo que conhecia muito bem aquela sensação. Nos cursos de formação estavam acostumada lhes dizer que não fossem ao colégio com seus amigos íntimos. Sua presença nas salas-de-aula era de tudo desnecessária e essa norma se introduziu porque os meninos se metiam em dificuldades e os pais recebiam chamadas de seus professores. Em troca, estavam autorizados a rondar pelas imediações e aguardar no pátio até a hora do recreio. E inclusive se os meninos decidiam não jogar com eles no pátio, sabiam que não andavam longe e isso lhes dava mais confiança para jogar com outros guris. Tudo isto era resultado de anos de investigação, mas Ivan tendia a fazer caso omisso desses dados e estatísticas.

Se seu melhor amigo lhe necessitava no colégio, ali estaria ele e certamente não lhe daria nenhum medo saltá-las normas.

Elizabeth estava sentada detrás de um grande escritório de cristal em uma enorme poltrona de pele negra, vestida com um austero traje também negro. Que ele soubesse, sempre se vestia com as mesmas cores: negro, marrom e cinza. Muito sóbrios e muito aborrecidos, aborrecidos, aborrecidos. O escritório estava imaculado, resplandecente e cintilante, como se acabassem de lhe tirar brilho. Em cima só havia um ordenador e seu correspondente teclado, uma grosa agenda negra e o trabalho sobre o que estava inclinada Elizabeth, que ao Ivan pareceu que era uma aborrecida série de partes de tecido atalho em cuadraditos. Todo o resto estava guardado em uns armários negros. Os únicos objetos que havia à vista eram as fotos emolduradas de habitações que obviamente tinha decorado Elizabeth. Igual a na casa, não havia nenhum indício a respeito da personalidade do ocupante do despacho. Só branco, negro e cristal. Teve a sensação de estar em uma espaçonave. No despacho do diretor de uma espaçonave.

Ivan bocejou. Sem lugar a dúvidas, Elizabeth era uma adirruba. Não tinha nenhuma foto de parentes ou amigos, nenhum brinquedo de peluche sentado em cima do ordenador, e Ivan não viu nem rastro do desenho que Luke fazia para ela durante o fim de semana. Elizabeth havia dito que o poria em seu escritório. O único interessante era uma coleção de tigelas do Joe's alinhada no batente da janela. Apostou a que Joe não estaria nada contente com aquilo, inclinou-se para diante, apoiou os cotovelos em cima do escritório e pegou seu rosto ao dela. A expressão da Elizabeth era de pura concentração, tinha a frente Lisa e nenhuma só ruga lhe sulcava a pele, como normalmente lhe ocorria. Seus lábios brilhantes, que ao Ivan cheiravam a morango, franziam-se e alisavam delicadamente enquanto Elizabeth cantarolava para si quedamente.

Nesse instante sua opinião a respeito dela trocou outra vez. Já não era a diretora de colégio que parecia quando estava com outras pessoas; agora a via tranqüila, serena e relaxada, muito distinta de como estava acostumado a estar quando pensava a sós. Ivan supôs que se devia a que por uma vez não estava preocupada. Depois de observá-la um momento, os olhos do Ivan baixaram à parte de papel sobre o que estava trabalhando. Entre os dedos Elizabeth sustentava um lápis de cor marrom com o que sombreava o desenho de um dormitório.

Os olhos do Ivan se iluminaram. Colorir era com muito seu passatempo favorito. levantou-se da cadeira e ficou detrás dela para ver melhor o que estava fazendo e averiguar se tinha a habilidade de não sair-se das raias. Era canhota. Ivan se inclinou sobre seu ombro e apoiou um braço em cima do escritório para não perder o equilíbrio. Estava tão perto dela que cheirava o aroma a coco de seus cabelos. Inspirou profundamente e uns cabelos lhe fizeram cócegas no nariz.

Elizabeth parou de colorir um momento, fechou os olhos, jogou a cabeça para trás, relaxou os ombros, inspirou profundamente e esboçou um sorriso para si mesmo. Ivan fez o mesmo e notou que a pele da Elizabeth lhe roçava a bochecha. estremeceu-se. Foi uma sensação agradavelmente estranha. Como a de quando lhe davam um caloroso abraço, e isso estava bem porque abraçar era com muito o que mais gostava deste mundo. sentiu-se aturdido e um pouco enjoado, mas não como quando se enjoava dando voltas na cadeira. Esta sensação era muito melhor. Prolongou a sensação uns instantes até que por fim ambos abriram os olhos ao mesmo tempo e baixaram a vista ao desenho do dormitório. Elizabeth aproximou a mão ao lápis marrom como se titubeasse entre agarrá-lo ou não.

Ivan gemeu quedamente.

—Não escolha o marrom outra vez, Elizabeth. Venha, te decida por outra cor, como esse verde lima —lhe sussurrou ao ouvido sabendo de que não podia lhe ouvir.

A mão da Elizabeth ficou suspensa no ar como se uma força magnética lhe impedisse de tocá-lo.

Apartou-a pouco a pouco do lápis marrom chocolate e a dirigiu para o verde lima. Esboçou um sorriso como se lhe divertisse sua eleição e com soma cautela tomou o instrumento com a mão como se fosse a primeira vez que o fazia. Fez-o girar entre os dedos como se lhe sustentá-lo produzira uma sensação desconhecida. Lentamente começou a colorir as almofadas pulverizadas pela cama e finalmente a tumbona que havia em um rincão da habitação.

—muito melhor —sussurrou Ivan sentindo-se orgulhoso.

Elizabeth sorriu e fechou os olhos de novo respirando lenta e profundamente.

De repente bateram na porta.

—Posso passar? —cantarolou Poppy.

Elizabeth abriu os olhos como se os movesse uma mola e deixou cair da mão o controvertido lápis verde como se se tratasse de uma arma perigosa.

—Sim —respondeu levantando a voz e retrepándose na poltrona, de modo que roçou um instante o peito do Ivan com o ombro. Elizabeth olhou detrás dela, tocou-se o ombro com a mão como se o limpasse e se voltou para o Poppy, que entrava dançando na habitação com os olhos brilhantes de entusiasmo.

—vamos ver, Becca acaba de me dizer que tem outra reunião com a gente do hotel do amor.

Suas palavras fluíram enlaçadas de seus lábios como se estivesse cantando uma canção.

Ivan se sentou no batente a costas da Elizabeth e estirou as pernas. Ambos cruzaram os braços sobre o peito de uma vez. Ivan sorriu.

—Poppy, por favor, não o chame o hotel do amor. —Elizabeth se esfregou os olhos cansativamente.

Ivan se decepcionou. Ali estava outra vez aquela voz adirruba.

—Muito bem, pois o hotel a secas, então —replicou Poppy remarcando as palavras. Tenho algumas ideia. Imagino camas de água com forma de coração, banhos quentes, taças de champanha que saem das mesinhas de noite. —Baixou a voz até um excitado sussurro. Imagino uma fusão da era Romântica com o art déco. Caspar David Friedrich se encontra com o Jean Dunard. Será uma explosão de intensos vermelhos, borgoñas e granadas que lhe farão sentir agasalhado pelo estofo aveludado de um útero. Velas em qualquer parte. O penteadeira francês se funde com...

—Las Vegas —concluiu Elizabeth secamente.

Poppy saiu de seu transe com um gesto de decepção.

—Poppy —suspirou Elizabeth—, já o discutimos. Acredito que por esta vez deveria te rodear à resenha do projeto.

—Ora —se deixou cair na cadeira como se lhe tivessem golpeado o peito—, mas essa resenha é muito aborrecida.

—Isso, isso! —Ivan ficou de pé e aplaudiu. Adirruba —disse a Elizabeth ao ouvido em voz alta.

Elizabeth fez uma careta e se esfregou a orelha.

—Lamento que o sinta assim, Poppy, mas por desgraça o que você considera aborrecido é o que outras pessoas escolhem para decorar sua casa. Entornos habitáveis, cômodos e relaxantes. A gente não quer retornar a seu lar depois de uma jornada de trabalho e encontrar-se com uma casa que lhes envia vibrações dramáticas desde cada viga nem cores que lhes dão dor de cabeça. Depois do estresse dos lugares de trabalho, as pessoas só pedem lares manejáveis, relaxantes e serenos. —Era o discurso que largava a todos seus clientes. E isto é um hotel, Poppy. Temos que agradar a toda classe de pessoas e não só aos poucos, os muito escassos, em realidade, que desfrutariam residindo em um útero estofado de veludo —adicionou sem mover um só músculo do rosto.

—Bom, não conheço muitas pessoas que não tenham residido ao menos uma vez em úteros estofados de veludo. Você sim? Acredito que ninguém se livrou disso, ao menos neste planeta. — Seguiu tentando-o. Poderia despertar reconfortantes lembranças na gente.

Elizabeth pareceu enojada.

—Elizabeth. —Poppy choramingou seu nome e se desabou dramaticamente na cadeira frente a ela. Tem que haver algo no que me deixe pôr meu selo. Sinto-me muito constrangida aqui, é como se meus fluidos criativos não pudessem discorrer Y... OH, isso está muito bem! —disse súbitamente alegre inclinando-se para olhar o esboço que Elizabeth tinha diante. As cores chocolate e lima juntas criam um efeito magnífico. Como se explica que precisamente você os tenha eleito?

Ivan voltou a aproximar-se da Elizabeth e ficou em cuclillas para lhe ver a cara. Elizabeth contemplou o bosquejo que tinha diante como se o visse pela primeira vez. Franziu o cenho e ato seguido se relaxou.

—Não sei, a verdade. Simplesmente... —Fechou os olhos um instante, respirou profundamente e recordou a sensação. Foi simplesmente como se... como se de repente chegasse flutuando a minha mente.

Poppy sorriu e assentiu entusiasmada com a cabeça.

—Vê-o? Agora entenderá o que me ocorre . Não posso reprimir minha criatividade, entende? Sei exatamente o que quer dizer. É algo natural e instintivo —os olhos lhe brilhavam e baixou a voz até um sussurro—, como o amor.

—Isso, isso —repetiu Ivan observando a Elizabeth tão de perto que quase lhe tocava a bochecha com o nariz, embora esta vez foi um leve sussurro o que fez revoar os cabelos soltos da Elizabeth ao redor de sua orelha.