Se me pudesses ver agora

Cecelia Ahern · Capítulo 29 de 44

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Se me pudesses ver agora

Capítulo 28

 

Elizabeth estava sentada à mesa de cristal na cozinha impoluta, rodeada de resplandecentes encimeras de granito, armários de carvalho gentil e brilhantes lajes de mármore. Acabava de lhe dar um de seus arrebatamentos de limpeza e ainda não tinha as idéias em ordem. Cada vez que soava o telefone se precipitava a responder pensando que seria Saoirse, mas era Edith interessando-se pelo Luke. Elizabeth ainda não tinha recebido notícias de sua irmã, seu pai seguia aguardando em seu antigo dormitório; levava quase duas semanas sentado, comendo e dormindo na mesma poltrona. negava-se em redondo a falar com a Elizabeth, nem sequer permitia que cruzasse a soleira da porta principal, de modo que Elizabeth teve que contratar a uma criada que fora a cozinhar algo diariamente e a limpar de vez em quando. Alguns dias seu pai a deixava entrar, outros não. O moço que trabalhava com ele na granja tinha assumido todas as tarefas. Todo aquilo lhe estava custando a Elizabeth um dinheiro que não se podia permitir, mas não havia outra coisa que pudesse fazer. Não podia ajudar aos outros dois membros de sua família se não se deixavam ajudar. E pela primeira vez se perguntou se tinha algo em comum com eles depois de tudo.

Tinham vivido juntos, as meninas se criaram juntas, mas por separado, e ainda permaneciam juntos no mesmo povo. comunicavam-se mas bem pouco entre si, mas quando um deles se ausentava..., bom, importava. Estavam atados por uma corda velha e desgastada que tinha terminado sendo objeto de tira e afrouxa.

Elizabeth não se via com ânimos de contar ao Luke o que estava passando e, é obvio, ele sabia que ocorria algo. Ivan tinha razão, as criaturas possuíam um sexto sentido para essa classe de coisas, mas Luke era tão bom menino que assim que percebeu a tristeza da Elizabeth se retirou ao quarto de jogar. Por isso ela ouvia o ruído amortecido dos blocos de construção. Só conseguia lhe falar para lhe dizer que se lavasse as mãos, que se expressasse corretamente e que deixasse de arrastar os pés. Era incapaz de lhe tender os braços abertos, seus lábios não podiam formar as palavras «te quero», mas a sua maneira se esforçava por lhe fazer sentir seguro e querido. Ela tinha estado em seu lugar, sabia o que era desejar que lhe sustentaram, abraçassem-lhe, beijassem-lhe na frente e lhe embalassem. Que lhe fizessem sentir a salvo embora só fosse um momento, que lhe fizessem saber que havia alguém que te protegia, que a vida não só dependia de ti e que não estava obrigado a vivê-la com sua fantasia.

Ivan lhe tinha proporcionado uns quantos momentos assim durante as últimas semanas. Tinha-lhe dado um beijo na frente e a tinha embalado até que dormiu, de modo que fechou os olhos sem experimentar o impulso de olhar pela janela e procurar a outra pessoa mais à frente. Mas Ivan, o encantado Ivan, estava envolto em um véu de mistério. Embora ela nunca tinha conhecido a ninguém que tivesse a habilidade de lhe fazer reconhecer sua própria e autêntica personalidade, e que a ajudasse a adquirir mais aprumo, não deixava de admirá-la-a ironia de que aquele homem que falava em brincadeira da invisibilidade levasse de fato uma capa de invisibilidade. Certamente Ivan a estava situando no mapa e lhe mostrava o caminho, entretanto ele mesmo não tinha nem idéia de onde ia, de onde vinha, quem era. Gostava de falar dos problemas dela, ajudá-la a curar-se e a compreender-se, mas não lhe tinha falado nenhuma só vez de suas próprias dificuldades. Dava a impressão de que ela só era um entretenimento para ele, e Elizabeth se perguntava o que ocorreria quando acabasse a diversão e alvorecesse a compreensão.

Algo lhe dizia que o tempo que passavam juntos era valioso, como se precisasse entesourar cada minuto porque acaso fora o último com ele. Ivan era muito bom para ser verdade, em sua companhia vivia a magia de cada momento, tanto assim concluiu que aquilo não podia durar para sempre. Nenhuma de suas boas épocas tinha durado; nenhuma das pessoas que tinham iluminado sua vida tinha conseguido permanecer a seu lado. Apoiando-se em sua sorte até a data, por puro medo a perder algo tão especial, limitava-se a aguardar o dia em que Ivan partiria. Fora quem fosse ele, estava-a curando, estava-lhe ensinando a sorrir, a rir, e ela se perguntava o que podia lhe ensinar a ele. O que mais temia era que algum dia Ivan, aquele homem carinhoso de olhos tenros, daria-se conta de que ela não tinha nada que oferecer, e que ele tampouco podia lhe dar nada porque Elizabeth tinha acabado por lhe deixar sem recursos.

Era o que tinha ocorrido com o Mark. Com o tempo, Elizabeth simplesmente não pôde seguir lhe dando mais de si mesmo sem desatender a sua própria família. Isso era o que ele queria que fizesse, é obvio, cortar os cordões que a conectavam com sua família, mas ela era incapaz de fazê-lo e nunca o faria. Saoirse e seu pai sabiam como atirar desses cordões e por isso se converteu em sua marionete. Como resultado se encontrou sozinha, criando a um menino que nunca tinha desejado, enquanto que o amor de sua vida residia nos Estados Unidos felizmente casado e era pai de um filho. Ela levava cinco anos sem saber nada dele. Poucos meses depois de que Elizabeth retornasse a Irlanda ele tinha ido ver a aproveitando uma escapada à ilha para visitar sua família.

Aqueles primeiros meses foram os mais duros. Elizabeth se tinha empenhado em fazer que Saoirse criasse ao bebê e por mais que Saoirse protestasse e assegurasse que lhe importava um nada, Elizabeth não estava disposta a permitir que sua irmã desperdiçasse a oportunidade de educar a seu filho.

O pai da Elizabeth não teve paciência para agüentá-lo; não suportava ouvir os gritos do bebê toda a noite enquanto Saoirse andava por aí de farra. Elizabeth supunha que lhe recordava muito aqueles anos em que se viu sozinho com um bebê em braços, bebê que mais tarde se tirou de cima passando-lhe a sua filha de doze anos. Bom, pois voltou a fazer o mesmo. Jogou ao Saoirse da granja obrigando-a a apresentar-se em casa da Elizabeth com berço e tudo. O dia em que isto acontecia foi o dia em que Mark decidiu sair de excursão para visitá-la.

Assim que este jogou uma olhada ao estado de sua vida, ela soube que o tinha perdido para sempre. Pouco tempo depois Saoirse desapareceu de casa deixando ao bebê com a Elizabeth. Esta pensou em dar o bebê em adoção, e o pensou a sério. Cada noite de insônia e cada dia de estresse se prometia que faria aquela chamada. Mas não podia fazê-lo. Possivelmente tivesse algo que ver com seu rechaço a render-se. Era obsessiva em seu esforço por alcançar a perfeição e não desistiria em seu intento de ajudar ao Saoirse. Além disso havia uma parte dela empenhada em demonstrar que era capaz de educar a um menino, que não era culpa dela que Saoirse tivesse saído como tinha saído. Com o Luke não cabia equivocar-se. O menino se merecia algo muito melhor.

Elizabeth amaldiçoou ao recolher outro de seus esboços, espremeu-o como uma bola e o lançou ao cesto de papéis. O tiro resultou curto e como era incapaz de agüentar que algo estivesse fora de sítio cruzou a habitação e o jogou onde correspondia.

A mesa da cozinha estava coberta de papel, lápis de cores, livros infantis, personagens de tebeo... Quão único tinha conseguido fazer era encher a folha de ganchos de ferro. Isso não bastava para o quarto de jogar e certamente tampouco para o novo mundo que aspirava a criar. Como de costume, ocorreu o mesmo que ocorria sempre que pensava no Ivan: soou o timbre e soube que era ele. levantou-se, arrumou-se o cabelo e a roupa olhando-se no espelho. Recolheu os lápis de cores e o papel, mas ficou plantada presa do pânico tentando decidir onde colocá-los. Então, lhe escorregaram das mãos; e quando renegando, tratou de agarrá-los, os papéis lhe escaparam e caíram planejando ao chão como folhas em uma brisa de outono.

Enquanto estava em cuclillas, percebeu umas sapatilhas vermelhas Converse cruzadas com acalmo na soleira.

Elizabeth se desabou, com as bochechas rosadas.

—Olá, Ivan —disse negando-se a olhá-lo.

—Olá, Elizabeth. Tem vespas no culo? —perguntou com alegre ironia.

—Que amável foi Luke ao te abrir a porta! —respondeu Elizabeth com sarcasmo—. É curioso, nunca o faz quando necessito que o faça. —Alcançou as folhas de papel do chão e ficou de pé—. Vai de vermelho —constatou examinando a boina vermelha, a camiseta vermelha e as sapatilhas vermelhas.

—Assim é —conveio Ivan—. me Vestir de cores distintas é agora minha distração favorita. Faz que ainda esteja mais contente.

Elizabeth baixou a vista a seu negro traje e pensou nisso.

—O que é isso que tem aí? —perguntou Ivan irrompendo em seus pensamentos.

—OH, não é nada —balbuciou Elizabeth dobrando as folhas que tinha juntas.

—me deixe vê-lo. —Ivan lhe arrebatou os papéis—. O que temos aqui? O Pato Donald, Mickey Mouse —ia passando páginas—, Winnie-the-Pooh, um carro de carreiras Y... isto o que é?

Girou a folha por completo para vê-la melhor.

—Nada —lhe espetou Elizabeth arrancando-se a da mão.

—Não pode não ser nada; nada é algo assim. —Olhou-a inexpresivamente.

—O que está fazendo? —perguntou Elizabeth depois de um momento de silêncio.

—Nada, vê-o? —respondeu Ivan lhe mostrando as mãos.

Elizabeth se separou dele pondo os olhos em branco.

—Às vezes é pior que Luke. vou tomar uma taça de vinho. Gosta de algo? Veio, cerveja, brandy?

—Um osav de echel, por favor.

—eu adoraria que deixasse de falar com reverso —lhe soltou ela ao lhe dar o copo de leite—. É para variar? —perguntou irritada arrojando as folhas ao cesto de papéis.

—Não, é o que tomo sempre —respondeu Ivan com alegre desparpajo estudando-a com receio—. por que está fechado com chave esse armário?

—Em... —titubeou Elizabeth—, é para que Luke não tenha acesso ao álcool.

Não podia dizer que era pelo Saoirse. Luke tinha adquirido o hábito de esconder a chave em seu quarto cada vez que ouvia chegar a sua mãe.

—Vá. Tem planos para o vinte e nove?

Ivan girou sobre si mesmo em um tamborete da mesa de café da manhã e observou como Elizabeth pinçava entre as garrafas de vinho torcendo o gesto com concentração.

—Quando cai o vinte e nove? —perguntou ela a sua vez. Fechou o armário e procurou um saca-rolha em uma gaveta.

—na sábado.

Elizabeth se ruborizou e apartou a vista centrando toda sua atenção em abrir a garrafa.

—Este sábado saio.

—Aonde vai?

—A um restaurante.

—Com quem?

Elizabeth sentiu como se fosse Luke quem a acribillaba a perguntas.

—fiquei com o Benjamin West —disse sem deixar de lhe dar as costas. Não se atrevia a lhe olhar de frente nesse momento, mas tampouco sabia por que se sentia tão incômoda.

—por que ficaste com ele em sábado? Você não trabalha os sábados —asseverou Ivan.

—Não é uma entrevista de trabalho, Ivan. Não conhece ninguém aqui e sairemos para jantar como é devido. —serve-se vinho tinjo em uma taça.

—Para jantar? —perguntou Ivan um pouco incrédulo—. vais comer com o Benjamin?

Sua voz subiu umas quantas oitavas. Elizabeth abriu os olhos de par em par e se voltou em redondo, monopoliza em mão.

—Algum problema?

—Vai sujo e cheira mal —asseverou Ivan.

Elizabeth ficou literalmente boquiaberta; não sabia o que responder a aquilo.

—Certamente come com as mãos. Como um animal ou um cavernícola, meio homem meio animal. Certamente caça seu...

—Basta, Ivan —ordenou Elizabeth tornando-se a rir. Ele se calou—. O que acontece realidade? —perguntou ela arqueando uma sobrancelha sem lhe perder de vista. Depois tomou um sorvo de vinho.

Ivan deixou de dar voltas no tamborete e a olhou fixamente. Lhe sustentou o olhar e lhe viu tragar saliva enquanto a noz lhe descia pelo pescoço. Sua infantilidade desapareceu e lhe apareceu como

um homem, grande, forte, com muita presença. O pulso da Elizabeth se acelerou. Os olhos do Ivan não se separavam de sua cara e ela não podia olhar a outra parte, incapaz de mover-se.

—Não passa nada.

—Ivan, se tiver algo que me dizer deveria dizê-lo —disse Elizabeth com firmeza—. Agora já somos meninos e meninas maiores. —Esboçou um sorriso.

—Elizabeth, quererá sair comigo na sábado?

—Ivan, seria uma grosseria por minha parte cancelar a entrevista com tão pouca antecipação. Não podemos sair outra noite?

—Não —replicou Ivan categoricamente saltando do tamborete—. Tem que ser vinte e nove de julho. Já verá por que.

—Não posso...

—Pode —a interrompeu com grande firmeza. Agarrou-a pelos cotovelos—. Pode fazer tudo o que queira. te reúna comigo no Cobh Cúin na sábado às oito da tarde.

—No Cobh Cúin?

—Já verá por que —repetiu Ivan.

Saudou tocando-a viseira da boina e desapareceu tão depressa como tinha chegado.

antes de sair da casa fui ver o Luke ao quarto de jogar.

—Olá, forasteiro —pinjente me deixando cair no saco de feijões.

—Olá, Ivan —disse Luke olhando o televisor.

—Me sentiste falta de?

—Não —disse Luke sonriendo.

—Quer saber onde estive?

—te enrolando com minha tia.

Luke fechou os olhos e deu besitos ao ar antes de que lhe desse um ataque de risada histérica. Fiquei pasmado.

—Ouça! por que diz isso?

—Porque a amas —riu Luke e seguiu olhando os desenhos animados. Meditei um momento sobre aquilo.

—Segue sendo meu amigo?

—Sim —respondeu Luke—, mas Sam é meu amigo íntimo.

Fingi que recebia um balaço no coração. Luke apartou a vista da televisão para me olhar à cara com seus ojazos azuis transbordantes de esperança.

—Minha tia é seu amiga íntima agora?

Refleti com supremo cuidado.

—Você gostaria que fosse?

Luke assentiu energicamente.

—por que?

—Está muito mais divertida, não se mete tanto comigo e me deixa pintar com lápis no salão branco.

—O dia do Jinny Joe foi divertido, verdade?

Luke assentiu com a cabeça outra vez.

—Nunca a tinha visto rir tanto —disse.

—Dá-te grandes abraços e joga a um montão de diversos jogos contigo?

Luke me olhou como se fosse uma idéia absurda e suspirei, preocupado pela pequena parte de mim que se sentia aliviada.

—Ivan.

—me diga, Luke.

—Lembra-te de que me disse que não poderia ficar para sempre, que teria que ir a ajudar a outros amigos e que por isso não tinha que me pôr triste?

—Sim. —Traguei saliva. Tinha-lhe pavor a esse dia.

—O que acontecerá com ti e a tia Elizabeth quando isso ocorra?

E então me preocupou a dor que sentia no centro do peito quando pensava nisso.

Entrei no despacho do Opal com as mãos nos bolsos, luzindo minha camiseta vermelha nova e uns jeans negros também novos. O vermelho me sentava bem aquele dia. Estava zangado. Não me tinha gostado do tom de voz que tinha empregado Opal ao me chamar.

—Ivan —disse posando a estilográfica adornada com uma pluma e levantando a vista para mim. Nem rastro do sorriso radiante com a que estava acostumado a me receber. A via cansada, tinha profundas olheiras e levava as tranças de rastafari soltas a ambos os lados da cara em vez de recolhimentos em seu penteado habitual.

—Opal —disse a minha vez imitando seu tom ao tempo que cruzava as pernas detrás me sentar diante dela.

—O que insígnias a seus alunos antes de que aconteçam formar parte da vida de seu novo amigo?

—Terá que ajudar e não entorpecer, apoiar e não opor-se, respirar e escutar e não...

—Não faz falta que siga. —Levantou a voz interrompendo meu salmodia—. Ajudar e não entorpecer, Ivan. —Deixou que as palavras flutuassem no ar—. Lhe tem feito cancelar uma entrevista para jantar com o Benjamin West. Poderia ter ganho um amigo, Ivan.

Olhava-me fixamente com olhos negros como o carvão. Um pingo mais de irritação e se teriam aceso.

—me permita te recordar que a última vez que Elizabeth Egan ficou para um jantar que não fora de negócios foi faz cinco anos. Cinco anos, Ivan —recalcou—. Pode me dizer por que tem desfeito todo isso?

—Porque vai sujo e cheira mau —pinjente rendo.

—Porque vai sujo e cheira mal —repetiu Opal fazendo que me sentisse idiota—. Pois deixa que ela mesma se dê conta. Não te passe da raia, Ivan.

Dito isto baixou de novo a vista a seu trabalho e continuou escrevendo, agitando a pluma ao rabiscar com fúria.

—O que está passando, Opal? —perguntei-lhe—. me Diga o que em realidade está passando.

Olhou-me com os olhos cheios de raiva e tristeza.

—Não damos provisão, Ivan, e necessitamos que trabalhe tão depressa como pode e passe a outro caso em vez de te fazer o lento e destroçar o bom trabalho que já tem feito. Isso é o que está passando.

Aturdido por sua reprimenda saí em silêncio do despacho. Não acreditei nem por um instante, mas fora o que fosse o que ocorresse em sua vida era assunto dele. Já trocaria de opinião respeito a que Elizabeth cancelasse seu jantar com o Benjamin assim que visse o que eu tinha planejado para o vinte e nove.

—Ah, Ivan —me chamou Opal.

Detive-me na soleira e me voltei. Sem deixar de concentrar-se no que estava escrevendo, Opal me comunicou:

—Necessito que na próxima segunda-feira venha aqui e te faça cargo de tudo por um tempo.

—por que? —perguntei sem dar crédito a meus ouvidos.

—vou ausentar me uns quantos dias. Necessito que me substitua.

Isso não tinha ocorrido nunca antes.

—Mas se ainda estou em metade de um trabalho.

—Celebro que siga chamando-o assim —me espetou. Ato seguido suspirou, deixou a estilográfica e levantou o olhar—. Estou convencido de que o jantar do sábado será um êxito tão grande que não será preciso que esteja ali a semana seguinte, Ivan.

Sua voz soou tão tenra e sincera que esqueci que estava zangado com ela e pela primeira vez entendi que se aquela situação não me atañera lhe daria a razão.