Sobrevivi para Contar
Capítulo 5 - Novamente em Casa
Capítulo 5 - Novam ente em Casa
CAPÍTULO 5
Novam ente em Casa
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Muitas foram as m anhãs em que acordei ao som de palavras de ódio. Eu dorm ia em paz, até que o som detestável da RTLM (Radio Télévision Libre des Mille Collines) entrava pela j anela do m eu dorm itório e se introm etia nos m eus sonhos. É que durante m eu terceiro ano na universidade a nova rádio RTLM se tornara a m ais popular entre os hútus extrem istas. Mas não passava de um a m áquina de fabricar ódio, que cuspia veneno antitútsi.
Um a voz fantasm agórica, m alévola, exigia “Poder aos hútus” — a palavra de ordem que concitava os hútus a se voltarem contra seus am igos e vizinhos tútsis:
— Essas baratas tútsis querem nos m atar. Não confiem nelas... Nós, os hútus, devem os ser os prim eiros a agir! Eles planej am tom ar o governo e perseguir-nos. Se algo de m au acontecer ao nosso presidente, devem os exterm inar todos os tútsis im ediatam ente! Todos os hútus devem se unir para livrar Ruanda das baratas tútsis! Poder aos hútus! Poder aos hútus!
Era horrível ser acordada desse j eito, m as as transm issões eram tão ridiculam ente pueris que chegavam a ser quase côm icas. Era difícil acreditar que alguém fosse capaz de levar a sério esses insultos im aturos e absurdos; de todo m odo, era perturbador saber que o governo perm itia que os tútsis fossem abertam ente am eaçados pelo rádio. Entretanto, na época, eu m e sentia m uito m ais perturbada pelos rum ores de que tútsis vinham sendo assassinados por hútus extrem istas em diversas regiões do país.
Tal com o m eus am igos no cam pus, eu tentava não prestar atenção aos com unicados da m ídia. Aproxim ava-se a Páscoa, ocasião m uito especial em m inha fam ília. Costum ávam os celebrar essa festa reunidos em casa, receber vizinhos, visitar parentes e am igos. Eu j am ais deixara de com parecer à reunião pascal, m as desta vez preferi perm anecer na escola e m e preparar para os exam es que se aproxim avam . Eu queria ser bem -sucedida nas provas.
Com o m eus pais não possuíam telefone, escrevi a papai explicando por que não iria para casa. Meus pais faziam questão de que os filhos estudassem m uito para progredir na vida, e eu estava certa de que eles concordariam .
Com o estava enganada!
Papai respondeu insistindo que eu fosse visitá-los. Na verdade, queria que eu fosse imediatamente, sem esperar pelo com eço das férias. Queria-m e perto dele e prom etia que eu poderia estudar em casa sem ser perturbada. Sua súplica do fundo do coração fez m eus olhos se encherem de lágrim as.
Minha filha querida,
Sinto como se a escola a tivesse roubado de nós. Sua mãe e eu esperamos
com tamanha impaciência pelo início das suas férias porque isso significa tê-la conosco e sermos novamente uma família. Precisamos da sua presença; somos seus pais, nós a amamos e sentimos muito a sua falta — nunca se esqueça disso. Mesmo que seja apenas por dois dias, você precisa vir; não perca a ocasião por nada. Precisamos de você ao nosso lado...
Antes m esm o de term inar a leitura eu j á havia decidido ir. Planej ei passar uns seis dias com m eus pais e voltar no final da sem ana para fazer as provas. Eu estava em preparativos de viagem quando o irm ão m ais novo de Sarah, Augustine, perguntou se podia ir com igo passar os feriados com m inha fam ília. Augustine era am igo de m eu irm ão Vianney e, desde o final do sem estre em sua escola em Kigali, estava hospedado em nosso dorm itório. Era um rapaz de 18 anos, alto, bonito e m uito gentil, tím ido a não ser na presença de Vianney. Respondi que seria um prazer tê-lo com o hóspede.
AUGUSTINE E EU CHEGAMOS A MATABA no sábado à tarde, e m eus pais ficaram felicíssim os com a m inha chegada. Toda a fam ília estava presente, m enos Aim able, que tinha obtido um a bolsa de estudos internacional para fazer pós-graduação em ciências e deixara o país para estudar no Senegal, a quase 5 m il quilôm etros de distância. Dam ascene veio de Kigali, onde dava aulas num a escola secundária depois de concluir seu m estrado em história, e Vianney estava em férias do internato.
No prim eiro dia coloquei em dia os m exericos locais com Dam ascene, visitei os am igos e diverti-m e em discussões brincalhonas com Vianney. No dia seguinte, dom ingo de Páscoa, tivem os um a bela refeição em conj unto. Agradecem os a Deus pelas bênçãos concedidas e rezam os pelo bem -estar de todos da fam ília e da aldeia — oram os especialm ente por Aim able, o único ausente. Apesar da tensão política reinante, nos divertim os m uito. Sentia-m e segura e a salvo j unto a m eus pais, e sabia que m inha m ãe sem pre estaria ali, acontecesse o que acontecesse, para nos confortar, e papai tam bém , para nos proteger. Isso era o que eu pensava.
Era um a noite tão com um que não podíam os im aginar que nosso m undo estava prestes a m udar para sem pre. Conversávam os na sala a respeito da escola, do trabalho e dos acontecim entos na aldeia. Mam ãe deu notícias recentes sobre a colheita, e papai falou sobre os j ovens cuj as bolsas de estudo eram patrocinadas pela cooperativa cafeeira. Augustine e Vianney passavam o tem po falando bobagens, fazendo brincadeiras um com o outro, e eu sim plesm ente relaxava e observava tudo, feliz por estar em casa.
Dam ascene era o único que não se divertia. Ele, que geralm ente era a alm a da festa, passou a noite pensativo e ansioso.
— O que há de errado com você esta noite, Dam ascene? — perguntei.
Meu irm ão olhou para m im e, quando nossos olhares se encontraram , não conseguiu m ais se calar. Desabafou, em um a torrente de palavras e em oções.
— Immaculée, eu os vi, vi os assassinos. A cam inho da casa de Bonn nós os avistam os a distância. Usavam as roupas coloridas do Interaham we e carregavam granadas de m ão. Granadas, Im m aculée, im agine só! — Sua voz soava rouca.
A sala silenciou, pois todos haviam escutado. Meus pais se entreolharam , depois fitaram Dam ascene.
— Talvez você estej a se deixando dom inar pela im aginação — com entou papai, num a tentativa de acalm ar o filho. — Há m uita conversa alarm ante por aí, e as pessoas vêem coisas onde elas não existem .
Dam ascene se pôs de pé e insistiu:
— Eu não estou im aginando coisas. E não foi só isso que eu vi. Eles têm um a lista com os nom es de todas as fam ílias tútsis que vivem na área, e nossos nom es estão lá. É um a lista de execuções! Planej am m atar esta noite todos os que fazem parte da lista.
Dam ascene cam inhava de um lado para outro da sala e suplicou.
— Tem os que sair daqui, papai, por favor. Tem os que ir em bora enquanto é possível. Podem os descer a colina, arranj ar um barco, atravessar o lago Kivu, e lá pela m eia-noite estarem os a salvo no Zaire. Tem os que ir agora, antes que sej a tarde dem ais.
O desabafo de Dam ascene foi tão inesperado e atípico dele que nos assustou. Eu conhecia bem m eu irm ão, ele devia ter passado a noite toda cism ado com o que vira à tarde, m as havia preferido calar-se até ter um plano de fuga para sugerir.
— Pare com isso, Dam ascene, fique calm o por um m inuto — pediu papai. — Você está deixando nervosas sua m ãe e sua irm ã. Vam os analisar em detalhes o que você disse que acha que viu e ouviu hoj e. Se tom ar decisões pressionado pelo pânico ou pelo m edo, vai com eter um erro. Vam os exam inar tudo direitinho. Você viu m esm o tudo isso?
Dam ascene sentiu-se m agoado com as dúvidas de papai, m as adm itiu que não tinha visto a lista com seus próprios olhos — am igos haviam -lhe contado. Mas tinha certeza de que as pessoas que avistou eram Interaham wes.
— Vej a só, é exatam ente com o eu pensei — disse papai. — Todo m undo está com os nervos à flor da pele, e tudo fica parecendo pior do que realm ente é. Já vivi antes outras situações com o esta. Ouvem -se boatos de esquadrões da m orte e histórias de listas de gente m arcada para m orrer, m as depois de alguns dias vê-se que tudo não passou de exagero. Não vou levar m inha fam ília em bora por causa de boatos. Não vam os abandonar nossa casa e tudo aquilo que trabalham os para conseguir só porque as pessoas estão nervosas, e suas im aginações m uito férteis.
— Mas, papai — interferi num a voz um tanto estridente —, Dam ascene não é do tipo nervoso. Ele é esperto e não se deixa enganar facilm ente. Talvez sej a m elhor ouvi-lo.
Eu estava alarm ada. Se os Interaham wes tinham m esm o um a lista de pessoas que deviam ser m ortas naquela noite, poderiam vir nos buscar a qualquer m om ento.
— Quem sabe não devem os fazer o que Dam ascene sugeriu — insisti com papai. — Lem bre-se de tudo que tem os ouvido no rádio. Até hoj e não levei essa gente a sério, m as pode ter sido um erro. Eles pregam o exterm ínio de todos os tútsis. Talvez Dam ascene tenha razão... Talvez devam os partir agora.
— Não, Im m aculée, não devem os partir. A atitude do governo está m udando para m elhor, e logo haverá paz. Não se preocupe. Esse pessoal do rádio é doido; ninguém os leva a sério! Vam os ficar calm os e aproveitar o feriado. Não há listas de gente m arcada para m orrer, e ninguém virá nos m atar. Eu sou m ais velho e sei o que é certo — concluiu papai com um ligeiro sorriso. — Agora, por favor, vam os sentar e j antar.
A segurança de papai m e convenceu por algum tem po de que tudo daria certo, e nos sentam os em torno da m esa. Percebi que Dam ascene não havia m udado de opinião, apesar dos argum entos de papai, em bora tentasse aparentar coragem e com portar-se com o de costum e — cantou canções engraçadas, contou anedotas a respeito de gente da aldeia e m exeu com Vianney a respeito de suas nam oradas. Mas quanto m ais ele nos fazia rir, m ais eu tinha certeza de que ele fingia. Seu belo sorriso franco escondia sua preocupação.
Ah, se eu pudesse adivinhar que aquele seria nosso últim o j antar em fam ília. Eu m e poria de pé e agradeceria a Deus por tê-los tido com igo. Eu diria a cada um deles, sentado em torno da m esa, o quanto eu os am ava e lhes agradeceria pelo am or que m e haviam dado. Mas eu não sabia.
ANTES DE IRMOS DORMIR, rezam os em conj unto a oração da noite, com o sem pre fizem os. Minha m ãe nos deu um beij o de boa-noite, papai prom eteu que nada de m au aconteceria e nos desej ou um sono tranqüilo.
Assim que ouvim os fechar-se a porta do quarto dos nossos pais, nós quatro — Dam ascene, Vianney, Augustine e eu — nos reunim os na sala de visitas. Conversam os por cerca de um a hora sobre os rum ores que Dam ascene havia escutado e tudo que ele vira naquele dia. Estávam os preocupados por papai não querer levar em consideração o m edo de Dam ascene.
— Não quero faltar ao respeito com seu pai — sussurrou Augustine — e sei que não se deve discutir com os m ais velhos, m as acho que o pai de vocês está enganado. Concordo com Dam ascene. Ficar aqui é perigoso. Se o nom e da fam ília de vocês estiver na lista, eles virão buscá-los, e não há nada que se possa fazer para im pedi-los! Eu acho que seu pai não vai m udar de idéia a respeito da fuga, portanto talvez devêssem os partir, agora, sem eles.
Fizem os um silêncio total. Tenho certeza de que todos nós desej ávam os correr para o lago Kivu e pular para dentro de um bote, m as m eus irm ãos e eu não podíam os deixar nossos pais sem nos despedirm os. E estávam os tão acostum ados a ver papai tom ar todas as decisões que para nós era natural seguir sua liderança. Além disso, argum entam os, estava ficando tão tarde que Augustine e Vianney estavam quase dorm indo em suas cadeiras. Então Dam ascene e eu decidim os esperar até o dia seguinte e falar com papai novam ente. E fom os para a cam a.
Meu quarto era com o se fosse m inha capela particular. Com a Bíblia e im agens de Jesus e da Virgem Maria na m esa-de-cabeceira, era onde eu m e conectava com Deus e com m inhas energias espirituais. Aj oelhei ao lado da cam a, fitei as im agens e disse um a oração pedindo a Deus que protegesse m inha fam ília de todo perigo.
Diante de m im havia um cartão que eu havia com prado para o aniversário de Dam ascene. Seu vigésim o sétim o aniversário estava próxim o, e há vários dias eu tentava escrever um poem a que lhe dissesse o quanto eu o am ava e adm irava. Nossos pais não nos encoraj avam a dem onstrar abertam ente nosso am or uns pelos outros, m as era m inha intenção alterar esse costum e. E nada m elhor do que com eçar por Dam ascene, a quem eu queria tanto bem , e que m e inspirava m ais do que qualquer pessoa.
Quando éram os pequenos, Dam ascene ralhava com igo se eu agisse m al ou fizesse birra. Suas palavras m e feriam e m e aborreciam , m as, depois, ao pensar no que ele havia dito, sabia que ele tinha razão. Desde a infância ele m ostrava um pendor pelo ensino, e sua sabedoria era superior à sua idade. Quando adolescente, eu rezava a Deus para que m e fizesse ser com o ele, com sua bela alm a e coração generoso. Eu o tinha visto dar suas roupas aos pobres e passar horas confortando pessoas m arginalizadas pela doença, pobreza ou loucura.
Dam ascene era m uito adm irado em nossa aldeia. Naquela noite, quando m e deitei, pensei no quanto esse irm ão era im portante para m im . Peguei a caneta e acrescentei algum as linhas ao poem a no cartão de aniversário. Sorri ao im aginar o quanto ele ficaria feliz e encabulado ao ler as palavras. Ainda com um sorriso no rosto, apaguei a luz e tentei dorm ir.
Parecia-m e que m eus olhos se haviam fechado há poucos m inutos quando a porta do quarto se abriu bruscam ente. Sentei-m e sobressaltada e percebi que j á era m adrugada. Na penum bra cinzenta do aposento pude ver o rosto aterrorizado de Dam ascene e pensei no pior.
— O que está acontecendo, Dam ascene? Os assassinos chegaram ? — sussurrei. Eu m al podia ouvir m inha própria voz.
Meu irm ão perm aneceu calado. Podia ouvi-lo, em pé, j unto à porta, tentando recobrar o fôlego. Quando ele finalm ente falou, sua voz parecia vir do fundo de um poço.
— Pelo am or de Deus, Im m aculée, levante-se. O presidente m orreu!
— O quê? O que você quer dizer com “o presidente m orreu”? — gritei. O presidente prom etera devolver a paz e a igualdade a Ruanda. Com o ele podia estar m orto?
— Estou dizendo que o presidente Haby arim ana morreu! Ele foi assassinado na noite passada. Atiraram em seu avião quando ainda estava no ar.
Pensei no que havia escutado no rádio alguns dias antes. “Se algum a coisa acontecer ao nosso presidente, todos os tútsis serão exterm inados.”
Saltei da cam a e procurei freneticam ente algum a coisa para vestir. Enfiei um j eans sob a cam isola verde com prida e estava tão atarantada que troquei de roupa diante do m eu irm ão, algo que eu nunca havia feito antes.
— O presidente foi m orto; alguém m atou o presidente — balbuciava para m im m esm a, incrédula e aturdida. Afastei as cortinas e olhei para fora. Não tenho certeza se foi fruto da m inha im aginação, m as percebi um halo am arelado sobre a vila.
— Até o céu está diferente — com entei, e m e j oguei na cam a segurando a cabeça entre as m ãos. — Oh, Dam ascene, vam os todos m orrer. Com certeza eles virão aqui para m atar todos nós.
Meu irm ão sentou-se, passou os braços em torno de m im e declarou.
— Ouça bem , Im m aculée, nós não vam os m orrer. Não tem os nada a ver com isso. O presidente estava voltando das conversações de paz na Tanzânia e viaj ava com o presidente de Burundi. O avião foi abatido quando se preparava para aterrissar em Kigali... em Kigali! Ninguém vai culpar por isso os m oradores daqui.
Dam ascene procurava aparentar coragem , para m e anim ar, m as era um m au ator. Tenho certeza de que tentava convencer a si m esm o, e não só a m im .
— Talvez as coisas m udem para m elhor, agora que o presidente m orreu — ele continuou. — Tanta gente se opunha a essas negociações de paz e aos planos de Haby arim ana para um governo m ais m oderado que sua m orte, na verdade, pode aliviar as tensões. Não tenha tanto m edo, Im m aculée. Vam os lá para fora. Está todo m undo lá, ouvindo rádio.
Ele m e pegou pela m ão e fom os para o pátio onde m eus pais, Vianney e Augustine, tinham se instalado para ouvir o rádio. O locutor anunciou que, m inutos após a explosão do avião presidencial, barreiras e pontos de controle haviam sido instalados por toda a capital. Disse tam bém que pelo m enos vinte fam ílias tútsis haviam sido m ortas em Kigali durante a noite.
Hesito em usar a palavra “anunciou”; em vez de com portar-se com o um j ornalista, o locutor m ais parecia torcer pelos assassinos. Ao divulgar que a guarda presidencial havia se encarregado de m atar os tútsis para vingar o presidente, falou com o se as m ortes fossem j ustificadas. Com o se fosse perfeitam ente norm al arrastar fam ílias inteiras para a rua e trucidá-las.
A seguir leu alguns nom es dos que haviam sido executados até então em Kigali. O quinto nom e a ser lido foi o do m eu tio Twaza.
— Mataram Twaza? — gem eu m am ãe, e cobriu os olhos com as m ãos, balançando a cabeça com o se não acreditasse. — Por que eles m atariam Twaza? Ele nunca fez m al a ninguém .
Um silêncio doloroso envolveu a fam ília ao perceberm os que na noite anterior tínham os perdido nossa oportunidade de fugir. Meu pai tentou m ais um a vez atenuar nosso m edo.
— As em oções estão descontroladas na capital. É lá que estão acontecendo as m ortes, porque é lá que está baseada a m aioria dos soldados — pronunciou tranqüilam ente. — Tudo se aquietará em um dia ou dois, vocês vão ver.
— Acho m elhor eu voltar para casa agora — disse Augustine, cuj a fam ília m orava em Kigali. Olham os para ele, pois sabíam os que era perigoso dem ais viaj ar para qualquer parte. Poucos m inutos depois nossas suspeitas se confirm aram por um a série de com unicados radiofônicos. “Perm aneçam em suas casas. Viagens estão proibidas. Som ente as tropas podem transitar pelas ruas. Não saiam de suas casas. Os transportes públicos foram suspensos. Não saiam de suas casas!”
— Querem nos m anter em casa para saber onde nos encontrar. Querem que fiquem os parados com o alvos — exclam ou Dam ascene arregalando os olhos. — Se nossos nom es estiverem na lista dos que devem m orrer, com o eles sabem onde m oram os, saberão onde nos encontrar.
Era a m anhã de 7 de abril de 1994. Sem que o soubéssem os, o genocídio havia com eçado.