A Manilha e o Libambo
15. Entre o Chade e o Nilo
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Entre o Chade e o Nilo
Nas cidades hauçás era num erosíssim a a escravaria. Encontravam -se escravos a todo instante e por toda parte: nas grandes plantações da nobreza e nas roças da gente com um , nas oficinas dos curtidores, dos seleiros, dos tecelões, dos alfaiates, dos oleiros, dos ourives e dos ferreiros, nas ruas e nos m ercados, nas cozinhas, nos pátios internos das casas, na adm inistração pública e tam bém nos palácios. Nos palácios, não só com o porteiros, guardas, faxineiros e serviçais, m as tam bém a sustentar no om bro a m ão do rei. Se Kano, Katsina, Gobir, Kebbi, Zam fara e Daura necessitavam de escravos — possivelm ente, j á então, m ais num erosos do que os hom ens livres — para produzir alim entos e m anufaturas, não os tinham com o principal item do com ércio externo. Distinto era o caso de Bornu: o seu poder dependia da exportação de braços.
Sem elhante à de Bornu era a situação dos grandes e pequenos estados que se sucediam para oriente, após o Canem dos bulalas. Essa im ensa região de planuras ressequidas, de água escassa e pastagem m agra, a estender-se do lago Chade ao vale do Nilo, só se via interrom pida pelos m ontes de Jebel Marra, no Darfur. Ali, a altitude favorecia as chuvas, e o verde se m ostrava. E ali form ara-
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se um reino, a alargar-se pelo sopé das m ontanhas e pelas áreas circunj acentes.
É possível que esse reino, desde o princípio, se beneficiasse da passagem das caravanas que do Chade dem andavam os territórios dos antigos estados cristãos
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de Macúria e Alódia. E que lhes vendesse escravos. Nesse caso, o Darfur deve ter sofrido com a longa turbulência que precedeu a tom ada de Soba, a antiga capital de Alódia, pelos beduínos de Abdala Jam a. Não é de afastar-se, por isso, que se tenham interrom pido por algum tem po, no início do século XVI, as suas ligações diretas com a Núbia, sem que sofresse, contudo, a cham ada Rota dos Quarenta Dias (Darb el-Arba’in), que ia, pelo deserto, de Kubay h (Kobbé ou Kobbie), no Darfur, a Asy ut, no Egito, passando pelos oásis de Selim a e Kharga. Apesar de duríssim o, esse foi um im portante itinerário dos m ercadores de escravos, desde tem pos im em oriais até o século XIX, e a ele j á se atribuiu a
própria existência do sultanato do Darfur. 3
Teria sido na segunda m etade do Quinhentos que o Darfur se viu obrigado a tornar-se tributário dos m aís. Talvez daí decorra o ter adotado tantos títulos e instituições bornus. E talvez o rom pim ento dessa vassalagem tenha sido obra de um a nova dinastia, a Keira, que em polgou o poder no início do século XVII. As tradições m encionam um certo Kuru com o o iniciador da nova estirpe, m as o prim eiro rei tido por certo é Suleim an Solong, que teria governado entre 1640 e
1670.4
Seriam de palácios desses reis as ruínas de pedra de Jebel Forei e de Jebel Nam i, am bas em Turra, no norte de Jebel Marra. Junto às prim eiras, que as tradições atribuem ao sultão Kuru, há um a série de grandes buracos, nos quais
ficariam os cativos, enquanto aguardavam a saída das caravanas. 5 Por vítim as das gázuas tinham -se os povos do sul do Darfur, que recebiam o nom e genérico
de fartit e eram desprezados com o pagãos, bárbaros e antropófagos.6 Essas razias eram m uito bem -organizadas, e nelas cuidava o rei em delim itar a área de
atuação de cada grupo arm ado, a fim de evitar que com petissem entre si.7
O escravo era o prim eiro produto de exportação do Darfur. Do Cairo, a crer-
se num testem unho de 1663, 8 saíam frequentes caravanas para o sultanato, com o fim precípuo de adquirir cativos. Traziam de volta plum as de avestruz, presas
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de elefante e tam arindo (possivelm ente em form a de passas ), m as a principal m ercadoria era gente — m ulheres, crianças pequenas e tam bém hom ens, que eram em parte reexportados pelos portos de Alexandria e Dam ietta para o resto do Mediterrâneo. Com pravam -se tam bém cam elos, gom a-arábica, couros e peles, dando-se em troca, entre outros artigos, tecidos de algodão egípcios e
indianos, espadas, arm as de fogo, café e papel para escrever.10
Para oeste, entre o Darfur e Canem , ficava Uadai (ou Wadai). No início do século XVII, um clérigo m uçulm ano, Abd al-Karim , tido por descendente do Profeta e proveniente do Hej az, de Bornu ou de Bagirm i, derrotou os tunj urs (que tam bém tinham sido senhores do Darfur) e fundou um sultanato, ao sedentarizar
os árabes e outros grupos cam eleiros.11 Sustentava-se o Estado da criação de drom edários, da exploração do cobre e da caça ao hom em . Wara, sua capital, com suas construções de tij olos cozidos, não se ligava por rota direta ao norte da África. Dependia, por isso, para com unicar-se com os m ercados da Líbia, da Núbia e do Egito, dos cam inhos que partiam do Bornu e de Darfur, precisam ente os dois vizinhos poderosos que procurariam , ao longo de todo o século, reduzir Uadai à vassalagem .
Das selas dos cavalos e dos cam elos, as elites desses três reinos à beira do deserto preavam gente. E era essa tam bém a m ais visível atividade da aristocracia funj e, na alta Núbia.
Am ara Duncas, o prim eiro rei conhecido dos funj es, 12 estabeleceu sua capital em Sennar, na m argem esquerda do Nilo Azul, logo após ou um pouco antes de sua vitória, em 1504, em Arbaj i, sobre os árabes que controlavam , de
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Kerri, um vasto estado, construído a partir das conquistas de Abdala Jam a. Aos
derrotados, que se consideravam os sucessores dos reis núbios de Alódia e os herdeiros de sua coroa tradicional, os funj es não tiraram o poder. Os árabes continuaram a m andar na área que ia de alguns quilôm etros a j usante da confluência do Nilo Azul com o Nilo Branco até a Terceira Catarata, m as pagando tributo e prestando hom enagem ao sultão dos funj es. É certo que, por m ais de um a vez, tentaram rom per a vassalagem , m as, na m aior parte do tem po, resignaram -se a ser parte — ainda que a m aior parte e em posição privilegiada
— do que se poderia ter com o um a confederação sob controle funj e.14
Na realidade, o sultão chefiava vários reis e régulos. Era um rei dos reis. Assim o viu, em 1522, durante sua viagem da Abissínia ao Cairo, David
Reubeni, 15 aquele m esm o David Reubeni que, pouco depois, pregaria em
Portugal a reconquista pelos j udeus da Terra Santa.16 Am ara Duncas — diz-nos Reubeni — era negro, m uçulm ano e m andava sobre negros e brancos, estes últim os provavelm ente os árabes de Abdala Jam a. O soberano funj e só tinha, contudo, dom ínio direto sobre a Gezira, ou sej a, o interior da grande forquilha
criada pelo encontro do Nilo Branco com o Nilo Azul. 17
Durante todo o século XVI, expandiu-se o que se poderia considerar com o um im pério. Os abdalabis (nom e que haviam tom ado as várias tribos de beduínos congregadas por Abdala Jam a, ao se fundirem num a só e tom arem por ancestral
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o antigo chefe ) derram aram -se ao norte, com o prepostos dos funj es, m as
m ovidos provavelm ente pelo desej o de am pliar a sua própria base de poder. Tanto que, ao se sentir forte, o seu xeque, Aj ib el Manj ilak, levantou-se, na passagem do século XVI para o XVII, contra o dom ínio funj e, obteve alguns êxitos m ilitares, logrando até m esm o expulsar do poder o sultão Abd al-Kadir e obrigá-lo a refugiar-se na Etiópia, m as acabou derrotado e m orto. O novo m onarca funj e, Adlan, do alto de sua vitória, negociou com o filho do rebelde o retorno à vassalagem privilegiada de que haviam desfrutado os abdalabis, e estes voltaram ao exercício da vocação expansionista.
Enquanto isso, em busca de novas obediências e sobretudo de escravos, os funj es estendiam -se para sudeste até a fronteira da Etiópia e entravam , para o poente, Cordofã adentro. Esse esparram ar sobre novas áreas não devia m erecer os bons olhos dos otom anos, que haviam conquistado o Egito em 1517. Em bora haj a notícias de que os turcos planej aram agir m ilitarm ente contra os funj es, os confrontos não passaram de escaram uças de fronteira, fixando-se o lim ite
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m eridional do Egito turco em Saí, entre a Segunda e a Terceira cataratas. ( Ver
o m apa “Da Núbia ao Darfur”.)
Na expansão para sudeste, os funj es toparam os abexins. Derrotado e deposto, o sultão Abd al-Kadir, que j á era ou então se tornou vassalo do negus ou negachi Suzênios, foi por este instalado em Chelga (ou Chelega), em plena rota que ligava a capital abissínia, Gondar, a Sennar. Era por ali que passava o grosso do com ércio entre os dois estados. É possível que o negachi tenha visto nos conflitos entre funj es e abdalabis e na luta sucessória que se estava travando em Sennar, entre Adlan, um irm ão de Abd al-Kadir, e o filho deste, Badi, um a boa oportunidade para confirm ar a sua suserania sobre os funj es. É isto o que se depreende dos relatos tradicionais, quando estes nos contam que Suzênios enviou a Badi, que havia derrocado Adlan, um bracelete de ouro e um a cadeira dourada. A aceitação desses presentes corresponderia a um a afirm ação de
vassalagem . Mas Badi m andou de volta um insulto: um par de cavalos coxos.20 E, por isso, desatou-se a guerra, com os abdalabis ao lado dos etíopes. Nenhum dos dois m onarcas participou da luta pessoalm ente. Badi talvez tenha m orrido antes m esm o do início dos com bates. Quando, em 1619, os funj es se deram por derrotados, o seu sultão j á era um filho de Badi, Rubat.
A derrota funj e não parece ter tido m aiores consequências. Os abdalabis voltaram à sua condição de tributários, e os abexins não obtiveram ganhos territoriais. Talvez tenham conseguido, porém , o controle com pleto da estrada de Gondar a Sennar. Há quem pense, aliás, que teria sido pelo dom ínio dessa
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im portante rota com ercial que a guerra se desatou.
Ao avançar, por sua vez, Cordofã adentro, os funj es contrariavam Darfur, que tinha a região com o incluída em sua órbita. Escaram uças e até encontros arm ados m ais sérios deviam ser frequentes entre am bos os sultanatos, que aspiravam a ser senhores do com ércio no Nilo Branco. Boa parte do rio, entre Tonga, ao sul, e as proxim idades de Alay s, ao norte, estava, no entanto, sob o
dom ínios dos xiluques, 22 que se expandiam pelas planuras ocidentais até os m ontes Nuba e se tornaram vezeiros em atacar as caravanas entre Kubay h e Sennar.
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Os xiluques eram um povo luo, que se instalou ao longo da m argem esquerda do Nilo Branco, num a fieira de aldeias, cada qual a abrigar um a fam ília extensa. Predom inantem ente agricultores, tam bém pescavam e criavam gado. Em bora fosse relativam ente pequeno o núm ero de reses que cada com unidade possuía, o boi era entre eles a m edida de riqueza. Todos aspiravam a ter um grande rebanho, e a centralidade do gado em suas vidas expressava-se no m odo com o se arrum avam as suas vilotas: os conj untos de casas, correspondentes a um hom em e suas m ulheres, dispunham -se em form a de
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ferradura, tendo ao centro um grande estábulo com um . Cada cabeça de linhagem detinha considerável autonom ia e representava sua aldeia no grande conselho xiluque. Mas havia um rei, o reth, cuj o poder deve ter crescido durante os conflitos arm ados que se sucederam , no correr do século XVII, contra os funj es, os darfurs, os nubas e os j iengs — estes últim os, um povo nilota com o os luos, que invadiu o sul da Gezira.
Os xiluques m udavam de aliados, conform e o m om ento. Aliaram -se ao sultão do Darfur, para tentar conter os funj es no Cordofã, e, logo depois, a esses, para com bater os j iengs, aj udar a expulsá-los para a fronteira da Etiópia e transform á-los na principal fonte de sua escravaria. O que neles não se alterava era a disposição de ir descendo o rio, de arm as na m ão, em suas canoas de papiro.
Para deter a avançada xiluque pelo Nilo Branco, os funj es se fortificaram em Alay s. Isto deu-se na m etade da centúria, quando reinava o filho de Rubat, Badi II ou Badi, o Barbado. A ele tam bém coube dilatar o dom ínio funj e no Cordofã, sobretudo nos m ontes Nuba, um grande repositório de escravos. Foi com nubas escravizados que Badi II form ou as tropas de elite com que procurou proteger-se
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da indisciplina da aristocracia funj e. Seus sucessores ali iriam buscar o m elhor
de seus exércitos, cuj os núm eros, abatidos pelas guerras, pronto se refaziam com novos cativos.
O conflito de m aior envergadura e que causou m aior dano à integridade do im pério funj e veio, entretanto, de outro lado: do noroeste dos territórios dom inados pelos abdalabis, de um a área entre Debba e a Quarta Catarata, onde
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viviam os xaiguias, um povo negro que se faria fam oso por sua destreza com o
ginetes, por sua habilidade com o lanceiros e por seu gosto e avidez pelo saque. Súditos dos abdalabis, os xaiguias conseguiram pelas arm as, talvez em 1660,
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talvez em 1690, independentizar-se deles e, consequentem ente, dos funj es. Com a ruptura, Sennar passou a ter dificuldade em obter cavalos de Dongola, e a rota terrestre de Bay uda, que, desde tem pos im em oriais, cortava cam inho entre
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a Terceira Catarata e Shendi, passou a ser evitada, porque os xaiguias se
transform aram em terríveis salteadores, que não poupavam a vida dos caravaneiros.
Quando, em 1699, um m édico francês, o dr. Charles-Jacques Poncet, viaj ou, pelo Nilo, do Cairo à Etiópia, o im pério funj e estendia-se do m ar Verm elho, a leste, ao Nilo Branco, a oeste, das m ontanhas etíopes, a sudeste, quase que às fronteiras do Egito, ao norte. Sennar era um a grande cidade — o dr. Poncet pôs nela, talvez com exagero, cem m il habitantes —, um a grande cidade para os padrões da época e sobretudo para os padrões africanos, um a cidade de casas térreas cobertas por eirados, e de cuj a uniform idade só destoavam um a grande m esquita e o palácio real, um a verdadeira fortaleza, com um a torre de cinco andares. No m ercado, além de escravos, estavam à venda m arfim , alm íscar, ouro em pó (extraído das m inas de Fazughli, nos lindes com a Etiópia), tam arindo, tabaco, cam elos, cavalos de alta qualidade e tecidos da Índia. O francês descreve m ulheres funj es vestidas de seda, com braceletes e argolas de prata nos tornozelos, as pálpebras pintadas de kohl. E refere-se ao com ércio com
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o m ar Verm elho e o Índico, pelo porto de Suakin.
O desenho feito por Poncet é confirm ado pelo padre Theodore Krum p, um m issionário bávaro que esteve em Sennar logo depois, em 1701. Conta-nos ele que a praça central da cidade era m aior do que a de Munique, e que nela o sultão recebia os reis vassalos. Estes, além de lhe beij ar os pés, lhe traziam , com o tributo, escravos, cavalos e cam elos. Um deles fez-se acom panhar de 300 j ovens
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escravas, com cestas de incenso à cabeça. Para a cidade — acrescenta Krum p — afluíam caravanas do Cairo, da Núbia, do Fezzan, do Darfur, de Bornu
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e da península Arábica. Sennar era, por assim dizer, um dos portos da Etiópia,
um dos seus pontos de contato com o Egito e o m ar Verm elho. Era tam bém lugar de passagem de algum as das m ais im portantes rotas para Meca — da que vinha desde a Hauçalândia e da que com eçava em Bagirm i, por exem plo.
O sultão dos funj es, do m esm o m odo que o do Darfur, procurou não só proteger e disciplinar o com ércio a distância, regulam entando os m ercados, padronizando os pesos e as m edidas, garantindo a segurança dos cam inhos e a integridade física e o patrim ônio dos estrangeiros, m as tam bém controlá-lo, reservando para si a parte do leão. Pois o soberano funj e era tam bém com erciante e provavelm ente o principal exportador de escravos, j á que as
razias para captura de gente constituíam um a de suas m aiores fontes de renda.32
Todos os anos, m ontavam -se no sultanato grandes caravanas para o Egito, levando m arfim , gom a-arábica, plum as de avestruz, sene e cam elos. O principal artigo era, porém , o escravo, e m ais de um m ilhar seguia para o norte anualm ente. O grosso dos cativos pertencia ao estado, m as os particulares deviam ter a sua quota. Do contrário não se explicaria o ter tido origem no Sudão nilótico a rede com ercial dos j elabas — os equivalentes na região aos uângaras e diulas da África Ocidental. Os j elabas com erciavam no Cordofã, no Darfur e no Uadai, vendiam e com pravam nos portos do m ar Verm elho, frequentavam os m ercados nas fronteiras da Etiópia e ali adquiriam escravos a outros com erciantes, m uçulm anos com o eles, os j abartis abissínios. Se parte dessa escravaria era em barcada em Suakin, outra tinha por destino o Egito, onde, em certas cidades, os j elabas chegaram a ter bairros a eles reservados e ao seu
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com ércio.
O fluxo de caravanas e o trânsito, a concentração e a distribuição de m erces fizeram especialm ente fam osas, além de Sennar, outras cidades às m argens do Nilo, com o Kerri, Dunkula, Ibrim , Isna e, especialm ente, Shendi, que cedo se tornou um ponto de encontro de com erciantes vindos do sul e do norte, do Darfur, da Etiópia e do m ar Verm elho.