A secretária do CEO

Amanda Sampaio · Capítulo 18 de 32

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A secretária do CEO

Capítulo 19

 

ainda dorme ao meu lado. Acordo pela manhã com o corpo todo dolorido, a noite foi bem intensa. Maycon está todo enrolado em mim, Tadinho, deve estar cansado. Olho para o relógio no criado-mudo e já são 09:52. Dormimos bem. Tiro a perna dele de cima da minha, com cuidado para que eu não o acorde, mas, pelo visto, nem se a casa estivesse desabando ele acordaria. Tomo um banho rápido, coloco um short de pano mole florido azul e uma blusa preta, prendo o cabelo num rabo de cavalo, desço as escadas e vou a cozinha.

— Bom dia, Mariah.

— Bom dia, menina, como está? — Ela me dá um lindo sorriso.

— Estou bem, obrigada e você?

— Muito bem. Vai querer comer agora? — Ela pergunta com um sorriso largo no rosto.

— Vou sim, estou com muita fome.

Ela põe a mesa rapidinho e me sento para comer. Como panquecas com mel, bacon com ovos mexidos, e suco de laranja. Me sinto saciada, agradeço a Mariah e vou ao banheiro escovar os dentes. Maycon ainda estava dormindo, eram poucas as vezes que eu podia apreciá-lo dormir. Vejo a curvatura de seu rosto, sua barba que estava bem-feita. Me aproximo, passo a mão em seus cabelos, ele se mexe um pouco, mas não acorda. Deposito um beijo em seus lábios, me afasto e seus olhos estão se abrindo. Ele me fita com aqueles olhos estupidamente azuis e sorri para mim.

— Bom dia, amor — fala com a voz rouca.

— Bom dia, dorminhoco. — Acaricio os seus cabelos.

— Você me deu uma canseira ontem. — Ele sorri.

— Dei, foi? — Mordo os lábios com delicadeza.

— Não faz isso, Di, assim você me enche de tesão e eu creio que você esteja dolorida.

— E estou mesmo, vai tomar banho. Vou lá em baixo rapidinho e já volto. — Dou um selinho nele e saio.

Vou na cozinha e peço a ajuda de Mariah para fazer o café da manhã de Maycon. Depois de pronto, ponho na bandeja e levo para o quarto. Ele ainda estava no banho, então coloco em cima da cama e vou para a porta do banheiro. Giro a maçaneta devagar, a porta está aberta.

Maycon está de costas, o que me dá uma boa visão de suas costas bem malhadas. Ele lava os cabelos e depois ensaboa o corpo, vira de frente para mim, mas está de olhos fechados, ele passa as mãos em seu pau, lavando-o. Aquilo era bem torturante ele começa a manejar seu membro para frente e para trás. Ele estava se masturbando? Ele morde os lábios devagar e depois passa a língua no lábio inferior.

— Vai ficar aí, só olhando? — Dou um pulo quando sua voz ecoou pelo banheiro.

— Você sabia que eu estava aqui?

— Eu sinto seu cheiro de longe. — Ele abre os olhos, me fitando.

— Ah fala sério. — Reviro os olhos e sorrio.

— Te vi pelo reflexo do vidro. — Ele sorri. — Vem cá, vem. — Ele abre a porta do boxe e caminha até mim, tento correr, mas em vão. Ele me agarra, me molhando inteira.

— Correndo de mim, Srta. Williams?

— Eu? Jamais, Sr. Corppin. — Me faço de desentendida.

— Não foi o que eu estava vendo.

Ele agarra minha bunda, me levantando. Enlaço minhas pernas em volta de sua cintura. Ele beija meu pescoço e desce para o colo do meu peito. Seu membro roça em minha bunda, me eriçando mais. Ele me põe em cima da pia, tira meu short junto com a calcinha e me penetra sem dó nem piedade.

— Sempre pronta para mim, não é mesmo? Tão molhada e apertada — sussurra em meu ouvido, me causando arrepios.

Agarro os braços dele enquanto ele ainda soca com força em mim, aproveito o momento para beijar seu pescoço e sentir mais o seu cheiro. Ele me põe no chão novamente, virando-me para o espelho. Eu empino minha bunda para ele, posso ter uma visão ampla de tudo pelo reflexo, o que me dá mais tesão ainda para continuar no jogo.

Seus olhos azuis me fitam, deixando o ar ainda mais quente. Ele me penetra duro e forte, socando em mim com vontade, sem piedade alguma e eu estava amando isso. Ele dá um tapa em minha bunda, depois massageia o local. Vejo sua cara de safado e o quanto está gostando disso tudo. Ele leva o seu dedo a minha boca e eu chupo com vontade, num vai e vem delicioso, olhando em seus olhos. Ele retira o seu dedo de minha boca e volta para minha bunda, agora na entrada do meu novo ponto de prazer, e me penetra com seu dedo.

— Aah... Filho da puta.

— Está gostoso, safada?

— Está. — Mordo meus lábios.

— Está o que? — Ele dá um tapa com a mão livre. Dou um gritinho.

— Muito gostoso. — Começo a rebolar ao mesmo tempo em que ele se movimenta em mim junto com o seu dedo. Meu corpo todo treme em resposta para nossa travessura. Gozo intensamente, me perdendo naquele universo de prazer. Não demora muito e Maycon me acompanha. Ficamos um pouco ali, recuperando o fôlego, e depois tomamos outro banho.

— Põe uma roupa legal, vamos sair, e leva outras roupas também — diz enrolando a toalha na cintura.

— Vamos onde? — pergunto empolgada.

— Vai rolar uma festa do Bernardo na casa de praia da família, e ele insistiu que eu fosse e te levasse. Como se eu fosse sem você. — Ele revira os olhos. — Quero aproveitar e passar o final de semana, tem um bom tempo que não vou lá.

— Legal, gostei bastante de sua família.

— É, e pelo visto, eles também gostaram muito de você, e como não gostar? Você é encantadora, linda, inteligente, atrevida, gostosa e minha.

— Sua, é? — Sorrio

— Ai de você que não seja! — Ele me puxa e me beija. Lembrei da comida dele em cima da cama.

— Ah, deixei algo para você em cima da cama, mas com nossa demora aqui no banheiro, eu acabei me esquecendo. — Ele passa por mim e vai ver o que é, alguns segundos depois, volta com um copo de suco na mão.

— Obrigado, anjo. Não vai comer?

— Já comi, vou me arrumar.

— Certo, e eu vou comer. Minha noiva trouxe comida na cama para mim... — sussurra a última parte e eu caio na gargalhada. Palhaço.

Passo meu hidratante no corpo e coloco uma lingerie azul, olho meu corpo no espelho por uns instantes e depois volto a me arrumar. Pego um short jeans branco e uma blusinha cor pastel de amarrar, com estampa floral, e visto; calço um tênis branco da Nike; faço uma maquiagem leve com um batom rosado, arrumo os cabelos, passo perfume e ponho alguns acessórios e em tempo recorde estou arrumada. Maycon está de bermuda cinza, sem camisa, arrumando o cabelo. Meu celular apita e eu pego para olhar a mensagem:

 

Sua vaca miserável, esqueça de mim que te mato de tanto fazer cócegas.

Ju

 

Começo a dar risada e digito uma mensagem para ela:

 

Acho que nem precisa já dei uma crise de riso aqui com essa sua mensagem, e eu não te esqueci.

Diana

 

— Posso saber com quem você tanto conversa? Com quem está aí, dando risada para o celular? — Maycon me encara.

— Está com ciúmes, meu amor?

— Estou sim. — Ele revira os olhos.

— É a Jullia. — Mostro a mensagem e ele dá risada.

— Ela parece ser engraçada, porque não chama ela para ir com a gente? Pelo visto, você gosta muito dela e eu não vejo vocês andando muito juntas ultimamente. — Ele dá de ombros, talvez sabendo que a culpa é dele.

— Sério!? — quase gritando.

— Sim, a gente passa na casa dela e a pega. — Ele fala e me dá uma piscadela.

— Obrigada. — Dou um monte de beijinhos nele, outra mensagem de Jullia chega.

Pois parece, não fala mais comigo, INGRATA..

Ju

 

Talvez eu não seja tão ingrata agora, Maycon e eu vamos em uma festa na casa de praia da família dele, Vamos? POOOR FAVOOOR, precisamos por os papos em dia.

Diana

 

Espero um pouco e logo ela responde:

 

FESTA? Me pega em casa agoraaa.

Tem tempos que não vou em uma festa,

E, só pra constar, Fernando e eu não

estamos mais.

Ju ”

 

Ficamos conversando e ela me passa seu novo endereço. Arrumo nossas coisas para o final de semana, assim que Maycon se arrumou, saímos de casa. Estamos em seu Audi R8, seguindo para a casa de Jullia. Mando uma mensagem rápida para ela quando chegamos em frente ao seu prédio. Ela desce toda saltitante. Minha amiga era linda, ela estava em um vestido floral, o cabelo estava preso em um rabo de cavalo. Maycon sai do carro e abre a porta para ela, deixando-a toda envergonhada. Olho para trás e ela está vermelha. Jullia e sua mente pervertida.

— Oi, Ju. — Sorrio.

— Oi, vad... — Ela tampa a boca e começa a rir. — Oi, Di, que saudade de você. — Elame abraça meio de lado por conta do banco.

— Também estava com saudade, muitas saudades. Ju, esse é Maycon, Maycon essa é a Jullia

— Olá, Jullia — Ele olha para ela e pisca. Mas que audácia! Ela sorri sem graça e comprimento com um aceno. Jullia tímida, essa é nova.

Seguimos pela estrada e, em pouco tempo, chegamos em um porto, havia diversos barcos, lanchas e iates.

— Vamos de iate?! — Ju grita animada me abraçando.

— Vamos sim. — Maycon responde mais na frente.

— Que homem é esse, amiga —sussurra.

— Nós estamos noivos. — Eu mostro meu dedo e ela começa a gritar descontroladamente.

— DIANA WILLIAMS CARTER!! Como você não me falou que estava noiva? NOIVA?! E você, dono Maycon, nem bem chegou, já está sentando na janela? Como assim? Meu Deus. Eu-Não-Estou-Acreditandoooo!! — Caímos na gargalhada. Só Jullia mesmo.

Um rapaz nos aguardava ao lado de um grande iate.

— Ótimo dia para um passeio no mar, Sr. Corppin. — Eles se cumprimentam com um aperto de mão. — Senhoritas. — Ele sorri e nos ajuda a subir. Fico boquiaberta com o iate, é muito grande e bonito.

— Uaau... — Jullia fala.

— É seu? — Pergunto a Maycon.

— Sim, nossa.

— Não sei porque ainda pergunto essas coisas — digo ainda admirando o local. Jullia e eu, como somos muito curiosas, fomos olhar canto por canto daquele lugar. Havia uma sala ampla com sofás na cor verde-sumo; tinham bastante janelas que davam para ver o mar; havia três quartos imensos, mas o que me chamou mais atenção foi o principal. Uma cama enorme no centro do quarto, com um espelho em frente, do lado direito, embaixo de uma janela, tem um sofá com algumas almofadas, e mais duas portas, que levavam a um closet e a um banheiro. Que, sinceramente? É de tirar o fôlego. O banheiro é todo de granito, muito bem elaborado e espaçoso. Era de cair o queixo o iate, tudo o que podia imaginar que se tem em uma casa, ali também tinha.

Nossas coisas já estão a bordo e o carro de Maycon ficou para que Claiton viesse buscar. Maycon vai para a cabine de comando e logo já estamos percorrendo as águas. O balanço me deixa um pouco enjoada, sinto vontade de fazer vômito, esses balanços sempre acabam comigo. Corro para o banheiro e vomito, quando não a mais sinal de nada, dou descarga e passo uma água na boca e no rosto. Por que não trouxe um remédio para enjoo? Volto para fora e Jullia chega toda empolgada.

— Vamos tomar sol? Preciso pegar uma corzinha.

— Sim, também estou precisando. — Dou um sorriso amarelo. — Vamos no quarto tirar essas roupas.

Vamos para o quarto, ponho um biquíni azul simples mesmo, já que vou tomar sol. Jullia se deita numa das espreguiçadeiras e eu vou a cabine de comando ver Maycon.

— Oi.

— Oi, boneca, está gostando? — diz e me abraça.

— Sim, aqui é muito lindo. Vou tomar sol, vamos?

— Bem tentador, mas não sou muito fã de tomar sol, vai lá se divertir com sua amiga. — Ele beija os meus cabelos. Sorrio para ele e volto para onde a Ju está. Ficamos conversando diversas coisas, a atualizei sobre tudo o que aconteceu comigo e ela fez o mesmo. Fernando e ela terminaram tinha duas semanas, ele havia traído ela com uma colega de trabalho. Queria poder socar a cara dele. Ficamos batendo papo e tomando sol. Em algum momento, sem perceber, cai no sono.

 

Acordo meio assustada e com o pensamento de estar inteiramente vermelha por ter dormido tanto tempo no sol. Abro os olhos devagar e estou em um quarto, coberta por um fino lençol. Levanto e estou sem meu biquíni, apenas com uma camisa de Maycon. Sorrio com o cuidado dele comigo. A porta se abre devagar e lá está ele.

— Acordou, bela adormecida? — Ele sorri.

— Acabei de acordar, obrigada por me trazer para cama. Cadê a Jullia?

— Não queria minha mulher parecendo um pão queimado. — Ele gargalha. E eu apenas reviro os olhos. — Ela está no outro quarto, foi assim que te trouxe para cá.

— Fez bem em me trazer. — Ele sorriu.

— Vim te avisar que estamos chegando, se ajeite.

— Certo, vou tomar um banho. — Ele pisca para mim e sai do quarto.

Tomo um banho rápido, ponho um vestido longo verde-água e óculos de sol, penteio os cabelos e estou pronta.

Saio de dentro do quarto e vou no de Jullia, bato na porta.

— Ju? Já estamos chegando. Tá pronta?

— Estou sim. Entra aí.

— Foi mal, acabei dormindo e nem tomei sol direito.

— Que nada, também estava cansada. — Ela sorri de lado.

— O que foi? Porque essa carinha?

— Aí, amiga, é tão lindo o jeito que ele te trata, quando ele te viu dormindo no sol... Sabe, eu tinha achado o maior exagero ele ter te pegando no colo e levado ao quarto. Quando ele me explicou, só me fez gostar ainda mais dele. — Ela dá risada. — Dá para ver o quanto ele gosta de você, o quanto te ama e te valoriza, queria tanto que o Fernando fosse assim comigo. Agarra esse homem e não deixa nada, nem ninguém, separar vocês, nem mesmo essa tal de Natacha. — Ela faz careta ao pronunciar o nome dela.

— Não vou deixar, eu o amo demais para abrir mão dele assim tão fácil. Vamos, já estamos chegando, bora subir.

Ela termina de passar seu gloss e subimos. Maycon servia em taças o vinho, sorri para nós e nos entrega. Vimos se aproximar uma casa luxuosa, ela ganha o espaço em nossos olhos. Olho para Jullia, que olha do mesmo jeito para mim, sem acreditar. A casa era estupidamente bela, não sei como descrever. Olho para Maycon abismada.

— Sabia que iria gostar de vir para cá, é louca por essas coisas de arquitetura — fala como se estivesse ansioso por esse momento. Meus olhos brilham ao olhar a casa novamente, quero explorar cada canto daquele lugar.

— É muito bonito, não sei nem o que dizer... — digo batendo palmas. Maycon está com um sorriso bobo no rosto olhando para a casa. Jullia ainda está estática. Me sinto um pouco tonta e meu sorriso morre na hora, me seguro no balcão que estava ao lado. Respiro fundo diversas vezes, saio correndo, me debatendo pelo corredor em busca de um banheiro. Chego a tempo de poder fazer vomito, sinto um par de olhos em mim, levanto o olhar e ela estava lá, me investigando com os olhos.

— VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA!? — dá um berro.

— O que? Não, quer dizer, não sei. — Dou de ombros. — Mas eu acho que não, e pelo amor de Deus, fala baixo.

— E porque você acha que não? Ninguém vomita por nada.

— É, eu sei. Mas tem poucos dias que não tomo meu remédio e não é possível eu estar grávida assim, tão rápido, e tendo desejos. Jullia, eu quase chorei por não comer um croissant! — explico desesperada.

— Claro que é possível, minha prima só descobriu que estava grávida porque estava tendo desejos, só que esquisitos. E ela só tinha uma semana, cada mulher varia.

— A princípio, eu achei que estava porque Maycon jogou todas as minhas cartelas de anticoncepcional fora, para que eu engravidasse, e meu anticoncepcional é bem fraco, tipo daqueles que quando a mulher está amamentando toma, só para regularizar minha menstruação.

— Ei, isso é golpe da barriga, não, pera, golpe do pau? Aah, não sei, continua... — fala ainda pensativa.

— Mas só que depois que eu comecei a ficar assim, fazendo vômito. Um dia, meu nariz sangrou, e isso não é normal.

— Porque você não me falou sobre isso? — Ela me olha com pesar.

— Porque não queria te preocupar com isso, acho que estou morrendo. — Começo a chorar.

— Para de drama, Diana, pelo amor de Deus, isso pode até nem ser nada. — Ela dá de ombros, mas vejo a tristeza em seu olhar. — E para de chorar, se não, seu amado vai perceber. Você fica horrorosa chorando, credo. Parece aquelas crianças catarrentas — ela continua, faço cara de nojo e caio na gargalhada, dando um abraço apertado nela.

— E se eu estiver doente?

— Aff, você fez algum exame para saber se está doente? Não. Então pronto. Na casa deve ter algum teste de gravidez. Podemos ver no banheiro, as vezes pode ter no kit de primeiros socorros. — Balanço a cabeça. Nos desfazemos do abraço, limpo meu rosto, passo uma água na boca, dou descarga no sanitário e voltamos para onde estávamos. Já tínhamos parado no atracadouro, ele conversava com um rapaz. A casa estava cheia de gente e a música já estava alta. O rapaz que ele estava conversando entra no iate e recolhe nossas coisas.

— Vamos, meninas? — Maycon chama.

— Vamos — respondemos em uníssono.

Ele nos ajuda a descer do iate e nos segurando para passar na ponte, caminhamos pelo caminho de pedra até a casa. A piscina estava cheia de mulheres com seus minúsculos biquínis. Uma delas me olha de cima a baixo e vira o rosto. Me poupe.

— Iae, Maycon. — Um cara cumprimenta ele.

— Fala, Paulo. — Ele pega em sua mão.

— Nunca mais te vi, anda sumido, e essas duas lindas moças? Não perde o costume, né? Guloso. Compartilha aí, irmão. — Ele olha para gente e sorri malicioso.

— Está é Diana, minha noiva, e está é Jullia, a amiga dela. Mas creio que não seja para seu bico, então, nos dê licença. — Jullia dá uma crise de riso.

— Você é ótimo, Maycon, já gosto mais de você. Curto e grosso.

— Mal sabe que de curto ele não tem é nada, é grande e grosso mesmo. — Merda, pensei alto. Olho para Jullia e Maycon, que estão vermelhos. Maycon com vergonha, essa é totalmente nova. Ele sorri de lado e continua andando.

Entramos na casa e olho atentamente a tudo, o espaço é lindo. A sala tem uma vista incrível para o lado de fora. Toda a parede era de vidro, dava para ver o mar bem pertinho da gente.

— Que coisa linda — Jullia fala.

— Bonito mesmo. — Olho a vista que tenho da sala. Poderia morar aqui.

— Tô falando daquele cara ali, louca, e não da paisagem. — Ela aponta para uma pessoa que está agora de costas, porém, eu conheço.

— É o irmão de Maycon, Bernardo. — Dou risada.

— Humm, já quero entrar para a família.

— Safada, mas quem sabe. Pelo que percebi, ele é uma ótima pessoa e creio que está solteiro. — Assim que termino de falar, ele nos avista e caminha até nós sorridente.

— Meu Deus, que homem gato! — sussurra e arruma o cabelo.

— Fala, mano. — Eles dão um abraço apertado.

— Iae, Irmão — Maycon diz.

— Di, que bom que veio. Fiquei com medo que não viesse, ele, tanto faz, mas você, eu faço questão. — Ele pisca para mim e beija minha mão, Maycon dá um tapa nele. Começo a dar risada da cara dos dois.

— Respeita aí, Bernardo. — Ele começa a rir.

— Essa é minha amiga, Jullia. — A apresento, que faz cara de paisagem.

— É uma satisfação, senhorita. Bernardo Corppin, solteiro e disposto a dar prazer. — Jullia fica vermelha, Maycon e eu não conseguimos aguentar o riso e caímos na gargalhada.

— Tá precisando aprender a ganhar uma mulher, viu. — Maycon bate nas costas do irmão.

— Prazer, Jullia. — É a única coisa que ela fala. Ele pega a mão dela e deposita um beijo demorado entre seus dedos, olhando em seus olhos.

— Suas coisas já estão no quarto. André está à disposição de vocês para qualquer coisa que precisarem. Tem uma cidadezinha aqui perto, o que quiserem, é só pedir a ele.

— Certo.

— Divirtam-se — ele fala antes de sair e dá uma piscadela para Jullia.

— Amor, vou falar com uns amigos e já volto. — Ele me beija e sai. Jullia sai andando para o lado de fora, um garçom passa com algumas caipirinhas na bandeja, vou pra pegar uma e Jullia bate em minha mão.

— Aí, o que foi isso? — digo enquanto aliso minha mão.

— Tá maluca, você pode estar grávida! — fala um pouco alto demais.

— Não quer um megafone, lindinha? — Fico com vontade de socar a cara dela.

— Ah desculpe, é que você me irrita. Vem, vamos procurar os testes de gravidez, se não tiver, vamos ter que pedir ao tal do André para comprar.

— A gente não sabe onde fica nada nessa casa. Como vamos encontrar?

— Perguntando, lesada. — Como se fosse óbvio.

— Nós vamos sair perguntando por aí onde tem teste de gravidez, Jullia?

— Pelo amor de Deus, assiste e aprende. — Ela saiu rebolando aquela bunda perfeita na minha frente, e reviro os olhos. Meu celular começa a tocar, pego já atendendo.

— Alô? — Assisto Jullia parar um garçom e pergunta algo, vejo ele gesticulando e ela volta toda saltitante.

— Meu anjo? — ouço a voz de Diego.

— Ah, oi.

— Desculpe ter sumido e não ter ligado mais, é que estava muito ocupado. Agora estou na Espanha, ficarei aqui por um tempinho até resolver as questões de uma nova empresa, desculpe.

— Sem problemas, entendo o seu trabalho.

— Que ótimo, terei que desligar agora, minha reunião vai começar, se cuida.

— Tudo bem, vai lá. Você também. — E desligo o telefone, não esperava uma ligação dele tão cedo.

— Quem era? — Jullia indaga curiosa.

— Diego. — Sorrio.

— Ok, tenho todas as informações que preciso, bora. — Ela sai me arrastando. — Aquele senhor ali de preto, que pegou nossas malas é André. Caso aqui não tenha o teste, pedimos a ele para comprar.

— Não! E se ele falar algo?

— Ai, Diana, pelo amor de Deus, que chatice. A gente diz que... que... vai puxar o pé dele enquanto tiver dormindo, aposto que vai ficar com medo. — Ela revira os olhos. — Bora logo, vamos procurar nos banheiros.

Ficamos uns 30 minutos, indo de banheiro em banheiro, procurando.

— Pra que uma casa com tanto banheiro se só achamos um teste de gravidez? Vamos ter que pedir para o André comprar mais, um nunca é confiável. Melhor comprar logo uns dois e você faz. — Assinto.

— Vamos, Maycon deve estar nos procurando... — digo nervosa.

Passamos no quarto de Jullia e guardamos o teste. Descemos e encontro Maycon sentado, bebendo e conversando com algumas pessoas. Mas ele estava inquieto, seus olhos pousam sobre mim e percebi quem ele procurava. Ele pede licença ao pessoal com quem falava, se levanta e caminha até nós.

— Onde estavam? Procurei vocês por aqui e não achei.

— Estávamos no quarto. — Sorrio.

— Ah, sim. Venha, quero te apresentar uns amigos — fala pegando em minha mão.

Depois que Maycon me apresentou a todos, ficamos conversando de tudo um pouco e a pessoa que eu mais temia ver, estava ali. Mas que porra. Essa mulher está afim de atazanar a minha vida. Respiro fundo diversas vezes para manter a calma.

— Ju — chamo ela, que está entretida conversando com um rapaz.

— Oi, você não me deixa fisgar um cara, né? — Ela olha minha expressão e para. — O que foi?

Aponto para a alma penada da Natacha passando a nossa frente, ela estava procurando alguém.

— O que tem ela? Bem bonita. Gostei da roupa.

— É ela, Natacha.

— Tá. Ok. Ela nem é bonita assim, e a roupa dela tem um furinho ali, ó — ela aponta — Tá vendo?

— Dá para parar?

— Ai, foi mal, eu não sabia, o que ela está fazendo aqui?

— Não sei, mas o Bernardo disse que não gosta dela. Então, não estou entendendo.

— Vamos perguntar a ele, ué. — Ela se levanta. Maycon está entretido na conversa com o pessoal e nem percebe. Sigo Ju rápido, até encontrarmos ele perto da piscina conversando com umas meninas. Ele nos vê e faço sinal que quero falar com ele, que vem até nós.

— Bernardo, não é querendo me meter em sua festa não, mas, só uma pergunta. Você convidou Natacha para cá? — Pergunto meio sem jeito.

— An!? Claro que não, cunha. Como te disse, nem dela eu gosto, ela fez o Maycon sofrer muito, aquela...

— Ok, entendo. Então porque eu acabei de vê-la passando lá dentro neste exato momento?

— Como que é!? Como ela veio parar aqui? — pergunta irritado.

— Essa é uma boa pergunta, mas coisa boa não deve ser. — Começo a ficar nervosa.

— Não mesmo, nunca nos demos bem. Para ela ter vindo até aqui, ela só veio atrás de uma pessoa.

— Maycon — nós três falamos em uníssono.

Quando termino de falar com Bernardo, ele disse que iria tirar Natacha da casa, afinal, ela não foi convidada. Ju e eu vamos em busca de Maycon. Chegando na sala avisto ele de longe, está puxando Natacha com ele. Tento alcançá-lo, mas perco-os de vista. Rodamos a casa inteira e não encontramos, e ela também sumiu. Uma vontade enorme de chorar me atinge, respiro fundo para que as lágrimas não caiam. Para onde será que ele foi, e com ela?

— Calma, Di, relaxa. Vamos fazer uma coisa, pensa em você agora. — Concordo com a cabeça, ela continua...

— Vamos pedir ao André que nos leve a cidade, nós compramos os testes. Precisamos saber se você está grávida ou não, e depois, passamos o dia lá, fora dessa barulheira toda. Quando a gente voltar, você conversa com ele.

— Tudo bem.

Fomos atrás de André e o encontramos parado no mesmo local que estava antes. Falamos com ele, que no mesmo instante se disponibilizou, disse que Bernardo já tinha avisado para atender a qualquer pedido meu, o que é modéstia da parte dele.

Entramos na lancha rápida e colocamos o colete.

— Esse povo rico tem sempre que passar na cara que é rico mesmo, né? — Jullia admira ao redor da lancha.

— É... parece que sim.

— Bora lá, tio André, liga esse trem aí e pisa fundo que eu quero ver voar. — André começa a rir. Em questão de 20 minutos, chegamos a uma cidadezinha, era bem aconchegante. O dia estava bonito, ensolarado, e a muito tempo eu não saía assim com minha amiga. Deixei ela de lado e fui viver só Maycon. Hoje, quero me desligar de tudo. André nos dá seu número e pede que ligue para ele assim que terminarmos aqui. Vamos a um restaurante, eu estava morrendo de fome. Peço um peru ao molho de foie gras e um suco de limão, Jullia pede o mesmo, porém, com um vinho para acompanhar.

Ficamos jogando conversa fora enquanto a comida não chegava, tinha algumas coisas que eu queria fazer depois que saíssemos dali. A comida chega e começamos a comer.

— Você já parou para pensar no que vai fazer se estiver grávida?

— Não, mas foi algo que ele quis, então não me preocupo tanto com isso. — Dou de ombros.

— Ok, mas e se o filho que aquela vadia estiver esperando for dele?

— Ele vai cuidar da criança e arcar com as responsabilidades de pai. — Agora foi a vez dela dar de ombros.

Continuamos comendo e pedimos uma sobremesa, um mousse de maracujá. Estava uma delícia, comeria uns vinte se pudesse. Termino e peço mais um, como tudo como se não houvesse amanhã. Jullia apenas me observa.

— Vamos recapitular uma coisa... — ela começa.

— Pode falar.

— Você odeia maracujá, e está comendo isso com o maior gosto. Está bem claro que é gravidez. — Ela abre um sorriso largo nos lábios.

— Ou é só questão de o gosto ter mudado e eu nem me lembrava que não gostava de maracujá, já nem quero. — Largo o mousse de lado. — Vamos. — Me levanto, pago a conta e saio do estabelecimento.

— Vamos na farmácia, não quero correr o risco de esquecer de comprar o teste, fechar, cair uma bomba em cima, sei lá, e você não fazer. — Jullia sai me arrastando. Chegamos na farmácia e pedimos dois testes de gravidez e remédio para enjoo, pago tudo e vamos embora.

Passamos em algumas lojas e compramos algumas roupas. Vejo um vestido branco, ombro a ombro, com uma fenda na perna na vitrine.

— Bora entrar aqui, gostei desse. — Aponto para o manequim.

Entramos na loja e logo fomos atendidas, pego um vestido do meu tamanho e saltos vermelhos, entro no provador e começo a me vestir. Ponho os saltos e me namoro no espelho. Tenho que admitir que o vestido ficou perfeito. Ouço ao longe alguém discutir com quem presumo ser a vendedora, sempre tem esses clientes chatos.

— Ficou ridículo, olha só essa barriga — a pessoa fala.

— Senhora, o vestido ficou lindo em você.

— Esse papo de vendedor eu já conheço, meu amor — retruca.

— Olha, o vestido ficou muito bonito, e valorizou bastante seu corpo, quer que eu pegue um preto desse?

— O problema não é meu corpo, é essa barriga, olha só que coisa ridícula. Você só me traz problemas. — Saio no mesmo instante e vejo Natacha conversando com sua barriga. Só podia ser ela. E que perseguição é essa? Tudo que é lugar essa mulher está. Vejo o vestido que ela está é o mesmo que o meu, ela está linda nele, e sua barriga já estava começando a aparecer. Não tinha nada de feio nela, caminho até o espelho maior próximo a ela e me olho, faço de conta que não a vejo. Passo a mão no meu corpo, assentando o vestido em minhas curvas, vejo Jullia ao longe mexendo nas araras de roupas.

— Ju, coloquei o vestido, vem ver.

— Estou indo.

Continuo me olhando no espelho e Jullia caminha até mim. Ela olha para o lado e vê Natacha.

— Que merda essa mulher está fazendo aqui?

— Boa pergunta. — Ela nos vê e viramos o rosto para o espelho.

— Ficou bem bonito, leva esse, Maycon vai amar. — Jullia desconversa.

— Vou levar, ficou bom em mim.

— Olha só quem está por aqui... — Natacha fala com tom de deboche. Olho para ela, que está fazendo ceninha, passando a mão na barriga.

— Não sei porque insiste em falar comigo, me poupe de sua falsidade.

— Aí, querida, você é sempre amargurada assim?

— Amargurada? Logo eu? Amargurada é você, que diz que uma criança que nem veio ao mundo ainda lhe traz problemas, que por escolhas suas está no seu ventre, e vem para cá, dá uma de boa samaritana. Eu tenho pena de você e ainda mais dessa criança, que não tem culpa de nada e ainda tem uma mãe que nem você.

— Você se acha tão superior, né, queridinha, mas...