A secretária do CEO
Capítulo 27
3 semanas depois...
05:46
tentando controlar minha respiração e aliso minha barriga, agora, de dois Acordo num sobressalto na cama, tive um pesadelo terrível, minha roupa está encharcada de suor. Respiro fundo, meses. Dava para perceber um pouco minha bolinha. Olho ao redor tentando me situar, estou em meu apartamento, me mudei a alguns dias, Maycon queria que eu fosse morar com ele, mas preferi voltar para meu lar.
Me levanto e vou para o banheiro tomar um banho, estava com um aperto no peito, tento ao máximo me lembrar do sonho, mas nada me vem na mente. Entro no chuveiro e deixo a água me lavar, fico por um longo tempo debaixo dela, lavo meus cabelos, e passo meu óleo corporal. Saio do banheiro secando meus cabelos, ponho uma calça jeans e uma blusa azul, nos pés, uma sapatilha preta. Arrumo os cabelos fazendo um rabo de cavalo, depois de pronta, vou na cozinha preparar um café, faço algumas torradas para comer com geleia. Sento e começo a comer, vejo a porta da sala se abrindo aos poucos.
— Maycon? — chamo, mas ninguém responde. — Maycon? — Chamo novamente já me levantando. Vejo um homem todo de preto e máscara no rosto passar pela porta, meu coração acelera quando ele olha para mim. Saio correndo para o quarto e tento fechar a porta, mas ele me impede, ficamos em uma guerra: eu tentando fechar a porta e ele querendo abrir. Largo a porta e vou correndo em direção ao meu celular, que está em cima da cama, mas o homem me segura pelo rabo de cavalo, fazendo com que eu volte com tudo para trás.
— Não, me solta!! — grito já com lágrimas nos olhos.
— Cala boca, vadia. — Ele puxa mais meu cabelo para trás e dá um tapa forte no rosto. Minha face queima e o gosto metálico do sangue fica forte em minha boca, me debato contra ele. Meu Deus, isso não pode estar acontecendo!
Abraço minha barriga, pensando apenas no meu filho. Dou uma cotovelada em seu estômago e corro enquanto ele se curva sentindo dor. Vou em direção a porta enquanto digito uma mensagem de socorro para Maycon. Tropeço no tapete, caindo no chão e o celular voa longe. Rastejo no chão até o celular enquanto o cara de máscaras caminha até mim. Tento pegar o celular, mas ele foi mais rápido que eu e chuta com força na minha costela. Sinto uma dor forte e o ar me faltar.
— Por... favor.... Para.... — Tento falar sentindo seus chutes em meu corpo, um desses acerta a boca do meu estômago, me fazendo rolar para longe. Ele me pega pelos cabelos e me arrasta pelo chão para fora do apartamento.
— Agora, você vai se levantar e vai ficar quietinha, vamos pegar o elevador e se alguém aparecer aja naturalmente, não me faça te matar antes da hora. — Ele aperta mais meu cabelo em suas mãos.
— Está me ouvindo, vadia? — Confirmo com a cabeça. — Então estamos conversados.
Entramos no elevador, ele passa andar por andar e eu apenas oro para que uma pessoa entre para que eu pedisse ajuda, eu precisava sair dali. Pelo bem do meu filho, passo as mãos pelo cabelo tentando arrumá-los, respiro com dificuldade por causa das dores que estou sentindo em minha costela. Passo a mão de leve na barriga. Filho, aguenta aí, não me deixa sozinha. As lágrimas banham meu rosto, mas seco-as rapidamente, o elevador parou num andar. Quando as portas se abrem o homem mascarado saca uma arma e atira na cabeça de uma menina, que estava de cabeça baixa mexendo no celular.
— Nãaaaaaao!! — Choro descontroladamente. A menina cai no chão, morta. Me encolho no chão do elevador.
— Sem riscos de alguém me ver — ele fala.
O elevador nos leva até a garagem, ele sai me arrastando pelos cabelos e me joga em uma van verde.
— O QUE VOCÊ QUER COMIGO!? SE FOR DINHEIRO EU NÃO TENHO! VOCÊ PEGOU A PESSOA ERRADA! — Grito e me arrependo amargamente, pois ele fecha o punho e acerta meu rosto em cheio. Sinto meu corpo bater no chão frio e tudo escurecer.
Maycon Corppin
Tive que fazer uma viagem rápida, para resolver umas coisas em uma cidade vizinha, mas estou retornando para Chicago. Essas três semanas foram bem turbulentas, Juan está foragido da polícia, parece que ele conseguiu saber antes e fugiu. Natacha continua com as loucuras dela, veio me procurar dizendo que me amava e mais um monte de baboseiras, mas tudo o que eu quero é estar com Diana e nada mais importa.
Estamos chegando perto da área particular de pouso do aeroporto. A comissária anuncia o pouso, aperto o meu cinto e vejo o jatinho descer. Claiton me aguarda ao lado do carro, falo com ele, que nos leva para minha casa. Quero tomar um banho e depois ir para a empresa, afinal ainda é 07:43. Meu telefone toca, vejo no visor que é James.
— Oi, alguma novidade? — Torço para que ele tenha.
— Parece que Juan está na cidade, agora é saber porque, já que todos em Chicago estão procurando por ele.
— Procure por mais informações, tente descobrir se ele veio resolver algo aqui, quero saber de tudo.
— Sim, Sr. Corppin. — Ele desliga.
Pego o celular e digito o número de Diana, porém, está caindo na caixa postal, ela já deve estar no trabalho. Ligo mais algumas vezes, mas ela não me atende, como sempre, cai na caixa.
Chego em casa, tomo um banho e ponho um novo terno, me perfumo e arrumo os cabelos. Vou na cozinha comer, pego um pouco de suco de laranja enquanto Mariah fritava ovos com bacon para mim.
Depois que como, vou para o carro, Claiton assume seu lugar e eu o meu no banco de trás.
— Claiton, antes de irmos para a empresa, passa na DP Architects, quero ver Diana. — Sorrio.
— Certo, senhor.
Chego na frente do enorme prédio da DP Architects e me direciono a recepção.
— Bom dia, Senhor, em que posso ajudá-lo? — diz a recepcionista, meio atirada. Mulheres... Reviro os olhos.
— Gostaria de falar com minha noiva, Diana Williams.
— Ah. — Ela fica desanimada. — Vou olhar no sistema em que andar ela trabalha.
— Ok.
Ela mexe em seu computador e, alguns minutos depois, me dá uma resposta.
— A Srta. Williams trabalha no 12º andar. Porém, aqui não está mostrando sua entrada na empresa. Todos que entram, passam seu cartão de acesso na roleta ao lado. — Ela aponta.
— Então, ela não está aqui?
— Não, Senhor.
— Tudo bem.
Saio de lá ligando para ela, mas, como antes, chama, chama e cai na caixa postal. Ligo para James, que atende na segunda chamada.
— James, quero que rastreieo celular de Diana para mim e me fale sua localização.
— Certo, fique na linha.
Aguardo mais um pouco...
— Ela está em casa.
— Ok, obrigado.
Chego onde Diana mora, há uma movimentação diferente ali. Será que aconteceu algo com ela? Corro para a entrada do prédio, vejo alguns policiais e um corpo é passado na maca. Que não seja ela, Deus, por favor! Chamo um policial e pergunto o que está acontecendo.
— Uma moça foi encontrada morta no corredor do 6º andar com uma bala na cabeça — ele diz, meu coração acelera na hora.
— Qual o nome dela?
— Scarlet Winne, você a conhece? — Suspiro aliviado.
— Não, não conheço.
Dou as costas e pego o elevador, chegando vejo que a porta de seu apartamento está aberta, entro devagar e vasculho tudo. Tem algumas coisas jogadas no chão, mas nada de Diana. Um certo desespero me bate, ligo para ela novamente, ouço o toque do seu celular. Começo a procurar pela casa, o som fica mais alto quando chego na sala e vejo o celular no chão. Desligo a chamada e, na tela, vejo uma mensagem que seria enviado a mim.
“ Maycon sos tem um hom”
Leio a mensagem incompleta e o desespero me bate, disco o número de James.
— Oi, Sr. Corppin.
— James, Diana sumiu — falo rápido —, vim na casa dela e encontrei tudo aberto, e uma mensagem que ela tentou enviar para mim, pedindo socorro.
— Vamos manter a calma, te encontro na sua casa daqui a 30 minutos, iremos esperar alguém entrar em contato com a gente.
— Esperar? Está louco? É minha mulher e meu filho que esta sabe-se lá onde, correndo perigo.
— Maycon, vamos checar as câmeras de segurança do prédio e das ruas, olharemos câmera por câmera, eu te prometo que tudo vai ficar bem. Só confie em mim.
— Tudo bem, te encontro na minha casa.
Diana Williams
Acordo meio desnorteada, com uma grande dor no rosto e no corpo por causa das agressões. Estou deitada em um colchão sujo no chão, o lugar é meio escuro, há apenas uma fresta de luz de uma pequena janela, o lugar cheira a mofo, tudo era muito úmido. Há duas toras de madeira fincadas no chão, distantes uma da outra. Me levanto com certa dificuldade por causa das dores e vou até a janelinha, mas não tem muito o que eu ver, pois uma parte dela está forrada pelo lado de fora.
Passo a mão em minha barriga e mentalmente digo que tudo vai ficar bem. Vou até a porta de ferro enferrujada e bato com toda minha força na tentativa de que alguém me tire dali. Ouço passos pesados do outro lado, me afasto da porta com receio do que poderia me acontecer nesse momento. A porta é aberta com brutalidade, e logo um rosto familiar aparece.
— Oi gracinha, lembrada de mim?
— Juan?! — Me afasto ainda mais dele. — O que quer?
— Vejo que se lembra... O que eu quero? Aaah, eu quero muitas coisas. Hoje, você e Maycon vão pagar por tudo. Você, por se desfazer de mim naquele restaurante, por ter me humilhado.
— Para de ser louco, eu nunca te humilhei, você que me agarrou. Queria que eu fizesse o que?
— Simplesmente aceitasse.
— Você é um doente!
Ele vem em minha direção e vou dando passos para trás, tentando manter distância dele, mas logo sinto a parede em minhas costas, fazendo com que eu tome um grande susto.
— Por favor, me deixe ir — imploro.
— Por que eu te deixaria ir? — Ele se aproxima e passa os dedos no meu rosto. Meu corpo estremece.
— Porque seu problema não é comigo.
— Como não? Você já me causou muitos problemas, mais do que imagina. — Ele dá um murro na parede, bem próximo a minha cabeça. Fecho os olhos com força. — Ah, garotinha, não tenha medo de mim. — Ele sorri sarcástico, aproxima sua boca para me beijar, mas viro o rosto. As lágrimas já começam a molhar a minha face.
— NÃO VIRE O ROSTO PARA MIM, VADIA! — Ele grita e me dá um tapa forte, senti meu rosto inteiro doer e queimar. Ele me segura com força e me dá um beijo forçado. Travo o maxilar para ele não por sua língua dentro da minha boca, quando ele tenta, mordo sua língua com toda a força que tenho acompanhado de uma joelhada nas suas partes.
Ele se curva choramingando de dor, aproveito que a porta está aberta e saio correndo. Corro por um corredor, outra porta estava aberta, era a da saída, olho para o lado e vejo um homem mal-encarado lustrando sua arma. Há um grande matagal mais a frente, quando ele me vê, a única coisa que faço é correr bem rápido, o mais rápido que minhas pernas podiam aguentar. Quando estou chegando perto do matagal, ouço apenas o barulho do tiro sendo disparado e a dor me invade, sinto minha perna doer. Olho para ela e o sangue começa a descer, tento continuar correndo, mas não consigo. Ando arrastando a perna o mais rápido que posso, mas o homem me agarra pelos cabelos e me joga no chão.
Choro desesperada esperando o pior por vir, ele enrosca sua mão em meu cabelo e sai me arrastando.Meu corpo estremece de dor, minha cabeça já doía, e minha perna insistia em arder. Tento fazer com que ele me solte, mas não consigo, ele me arrasta de volta, entrando por onde eu tinha acabado de sair. Choro feito uma criança.
— SOCORRO, ALGUÉM ME AJUDA! — grito o mais alto que consigo, minha garganta arde.
— Cala a boca, sua vadia do caralho. Antes que eu meta uma bala em sua cabeça. Choro ainda mais. Por que, meu Deus? Logo comigo! Que esteja tudo bem com meu filho, que esteja tudo bem... Ele me joga no canto daquela sala imunda onde eu estava e vejo Juan andando de um lado para o outro.
— Lhe darei um bom corretivo por isso, para você nunca mais se esquecer de mim. — Ele vem até mim. — Castro, pegue uma cadeira e algumas cordas. — O cara assente e sai.
— O que vai fazer comigo?
— O que eu já deveria ter feito a muito tempo. — Ele dá um sorriso debochado.
— Por favor, eu te imploro, não faça nada comigo. — Creio que não sabiam da existência do meu filho, e temia por isso.
— Não adianta implorar, meu bem, já está decidido.
Logo o homem aparece com uma cadeira e as cordas. Juan pega a cadeira da mão dele e põe entre as toras de madeira.
— Traga ela — Juan diz.
— Não, não, não! — Tento lutar contra o homem, mas é impossível. Ele me agarra e me põe sentada na cadeira
— Amarre as mãos dela, e amarre a corda nesse ferro acima.
E assim ele faz. Tento me soltar a todo custo, mas parece que tudo o que faço é em vão, pois ele é bem mais forte que eu. Depois que ele amarra as minhas mãos e prende no ferro acima da cabeça, fico com os braços para cima. Tento puxar para me soltar, mas não consigo.
— Agora, a melhor parte... — ele fala com certa malícia nos olhos.
Ele vem para tirar minha calça. Não! Começo a dar chutes nele, acertando um em sua perna. Não me importo com a dor que estou sentindo agora.
— Sua desgraçada, acho bom você ficar quieta. Castro, aponte sua arma para a cabeça dela, se ela fizer algo que eu não goste, pedirei para atirar. — E assim ele faz.
Ele tira minha calça, ensanguentada pelo ferimento da minha perna, me deixando apenas de calcinha. Fico imóvel, aquela arma em minha cabeça me deixa em pânico.
— Não faz isso, por favor. Olha... — Respiro fundo, tomando uma decisão. — Eu... eu estou grávida, não faz isso — falo o mais calmamente possível. — Pode levantar minha blusa, você vai ver.
— Hum, grávida? Sabe, Natacha também estava, e aquele filho não era do Maycon, ele era meu. Mas, por obra do acaso, ela perdeu esse bebê. Eu até estava feliz por ser pai. Estava mesmo, mas aí tudo foi por água abaixo. Eu não vou ter a felicidade de ser pai, e Maycon também não. — Ele dá um largo sorriso.
Ele pega uma tira de pano velho e me amordaça. O choro lava o meu rosto, eu já previa o que iria acontecer. Maycon, me tira logo daqui!
Ele prende meu pé esquerdo na tora que tem ao meu lado esquerdo e o pé direito do lado direito, fazendo com que eu fique toda aberta para ele. Meu choro de desespero não o comove nem um pouco. As coisas parecem acontecer em câmera lenta, ele arranca minha calcinha, rasgando-a. Tento mover a minha perna, mas tudo o que consigo é apenas sentir dor. Por favor, Deus, não deixa ele fazer isso! Ele analisa minhas partes enquanto passa a língua nos lábios, vejo seu membro crescer dentro da calça.
— Agora, você vai me sentir, querida.
Ele começou a desafivelar o cinto, tento falar, mas não consigo pronunciar nada com aquele pano em minha boca. Fecho meus olhos, tentando expulsar aquela visão de minha mente.
— Abre os olhos, cachorra. Quero que veja tudo.
Sinto o cano da arma cutucar minha cabeça. Abro os olhos devagar, quase não vejo nada, pois as lágrimas embaçam minha vista. Ele abaixa o zíper de sua calça, que desce por suas pernas revelando sua cueca. Choro o mais alto que posso, puxo as amarras na tentativa que elas afrouxassem, mas de nada adianta. Ele tira a cueca e seu membro pula para fora.
Não, não, não, não, mil vezes não. Ele se aproxima de mim e sinto seu
membro me rasgando por dentro, não tinha lubrificação, o que fazia minha dor aumentar a cada estocada. Não sabia mais o que fazer, ele se deliciava em mim, o nojo me consome, a vontade de vomitar embrulhou meu estômago. Ele tira seu membro de dentro de mim, vejo sangue nele. Meu filho!! Meu coração acelera mais do que já estava se é que era possível.
— Agora, quero que você me chupe bem gostoso. Aí de você que me morda, está me ouvindo? Caso contrário, estouro sua cabeça.
Ele tira a mordaça da minha boca.
— Por... favor, não faz isso. Já... chega... — peço entre choro.
— Cala a boca, e faça o que te mandei.
— Não, por favor, eu te imploro!
— Você está brincando demais comigo, anda logo, garota.
Ele pega minha cabeça com grosseria e põe seu pau imundo em minha boca.
— Agora chupa. — O homem engatilha a arma, já estava pronto para atirar…
Maycon Corppin
Estou em casa, junto com James e sua equipe. Eles hackearam e analisaram as câmeras, vimos tudo o que aconteceu dentro do elevador. Vejo ela chorando e o cara ao lado dela todo de preto com uma terrível máscara da morte no rosto. Quando as portas do elevador se abrem, ele atira sem dó nem piedade na cabeça da jovem menina, que nem percebeu o que estava acontecendo, pois estava olhando pro celular. Diana se encolhe no chão, as câmeras captam a hora exata em que Diana está no estacionamento falando algo com ele, e ele dá um soco em seu rosto. Ela cai no chão desacordada.
— DESGRAÇADO! — Esmurro a mesa. — Eu vou te matar!
— Calma, Maycon.
Por fim, vemos imagens das câmeras da rua, a van verde se perde numa parte deserta. Por lá, não tem mais câmeras.
— Quero que a outra equipe vá para essa área e estude o local. Eles podem estar em qualquer lugar daqui. — Ele aponta para uma área no mapa. — Ou podem estar em outro lugar. Investiguem, perguntem as pessoas se viram a van por perto. Aqui está uma foto da van. — Ele entrega para o líder da equipe. — Tomem cuidado e me atualizem de tudo.
O cara assente e sai com outros cinco homens. Meu celular no mesmo instante toca, vejo e o número é desconhecido.
— Acho que são eles — aviso a James.
— Atenda, irei tentar localizar de onde está vindo a ligação. Tente obter o máximo de informações que conseguir. Não se exalte e mantenha a calma. É a vida dela que está em jogo do outro lado.
Atendo:
— Olá, Grande Sr. Corppin. — Aquela voz faz com que a raiva cresça em mim.
— O que quer, Juan? — Tento manter a calma. — É você, não é? Por trás de tudo isso?
— Hehehe... Eu? Apenas destruir a sua vida. — Ele dá uma grande gargalhada.
— Já não basta tudo o que me fez, seu cretino?
— Ah, não, ainda é pouco. Muito pouco.
— Você já tem a Natacha, tem o dinheiro que me roubou. Tem tudo o que quer. Me deixa em paz, a mim e a Diana.
— Tenho sim, e agora, a sua mulherzinha também. Cara, deixa eu te falar, ela é tão apertada. Chega a sufocar o meu pau.
— O QUE!? SEU FILHO DA PUTA, SE VOCÊ TOCOU NELA, VOCÊ É UM HOMEM MORTO! EU TE MATO, JUAN, EU TE MATO!!
— Larga de teatro rapaz, você não vai fazer nada. Sabemos disso. Se eu toquei? Já toquei. Ah, e por sinal, ela faz um oral muito bom.
— Maycon, me tira daqui, por favor. — Ouço a voz de Diana ao fundo me chamando.
— Amor, eu vou te tirar daí, eu prometo. — Sinto um aperto no peito.
— Ai, quanta ladainha, quero 2 milhões daqui a duas horas. Vou mandar uma localização para que você deixe as bolsas lá. Nada de polícia. Sem gracinhas ou sua amada morre. — Ele desliga.
Ando de um lado para o outro na tentativa de me acalmar. Ele falou aquilo só para me deixar irritado ou realmente o fez? Aquilo fica martelando em minha cabeça. Prefiro acreditar que não é verdade.
— A ligação estava bloqueada para rastreio. Vamos separar a quantia que ele quer, colocaremos um localizador dentro da bolsa — James fala.
— Não, colocaremos dois localizadores. Ele não é tão burro assim, sabe que colocaríamos. Vamos colocar um mais acima, para que ele ache, e outro mais escondido no fundo. Quando ele encontrar o primeiro, não vai pensar que tem um segundo.
— Ótimo, melhor ainda. Mas não quero que as notas sejam verdadeiras. Todas vão ser notas falsas. Tenho cópias fiéis das verdadeiras que podemos usar.
— Ok. Tanto faz, só não quero que ponha a vida dela e do meu filho em risco. — Fico pensando nela e no meu filho. Espero que esteja tudo bem com eles. Meu celular apita, pego-o rápido e olho a mensagem, era da localização que deveria ser entregue o dinheiro.
Juan quando eu por minhas mãos em você, você será um homem morto.
Fizemos tudo conforme o pedido de Juan. Mais cedo, passei no banco e fingi estar tirando o dinheiro, para caso alguém estivesse me vigiando.
Agora, estou no carro indo até o local em que ele marcou para que eu deixasse o dinheiro, não era muito longe da cidade. Chegando lá, há uma van branca parada. Com muito custo ponho as bolsas de dinheiro na van e saio. Pego a estrada de volta e paro num posto onde a equipe de James se encontrava, disfarçados. Entro e peço um café. Estava nervoso e ansioso. Oro mentalmente para que tudo desse certo.
— Está se movendo, vamos dar um tempo até chegarem, quando pararem, entraremos em ação — James fala.
— Ok...
Passou-se alguns minutos e eles pararam.
— Eles pararam, Vamos.
Diana Williams
Depois de todo o sofrimento, estou jogada no chão sujo, apenas com minha blusa, que dá para tapar um pouco da minha bunda e minha feminilidade. Meu corpo inteiro dói, aquele imundo fez o que bem quis comigo e me deixou aqui, como se eu fosse um copo usado que é jogado no lixo e é assim que estou me sentindo, um lixo. Tenho nojo de mim, tenho nojo de tudo em mim.
Minhas pernas estão sujas de sangue, não sei dizer mais do que é e de onde sai. Meu filho... Eu tenho quase a certeza de que não está mais aqui em minha barriga. Já chorei tanto e por fim, as lágrimas secaram. Não tenho mais o que chorar, agora é apenas a dor em meu peito e corpo que me acompanha. Não tenho forças para levantar, tudo em mim foi sugado. Ouvi mais cedo uma conversa de Juan com Maycon. A voz dele, que ecoava pelo viva voz, me deu um certo alívio e calma. Por saber que ele iria me tirar daqui, fico quieta no chão, de olhos fechados. Estava com sede, mas ninguém neste lugar me daria água. Ouço a porta se abrir, mas não faço esforço para abrir os olhos.
— Olá, querida Diana. — Ouço a voz de Juan, mas continuo de olhos fechados. — Sabe... agora, eu estou mais rico do que já era. Olha quantas notas seu noivo me deu. Dois milhões de dólares... — Ele dá risada. Abro os olhos e ele está cheio de dinheiro nas mãos.
— Maycon? — sussurro.
— Sim, Maycon. Ele foi bem rápido para me dar o dinheiro, porém, burro. Mas não é novidade. — Ele revira os olhos. — Colocou um rastreador na bolsa para vir salvar a donzela, mas não sou idiota.
Começo a chorar as lágrimas que eu nem sabia que ainda tinha...
— Maaas... agora não tenho porque te deixar viva, não é mesmo? Você não tem mais tanta utilidade, porém, para não dizer que sou ruim, trouxe uma amiga sua para te ver. — Ele sorri. — Vem cá, amor.
Natacha entra com um sorriso enorme no rosto. O barulho de seu salto ecoa pelo lugar, ela está com uma tipoia no braço, mas sua elegância continuava a mesma, e sua arrogância também.
— Oi, vadiazinha. — Ela se aproxima de mim. — Estava louca para te ver assim, acabada, uma maltrapilha. Fiquei sabendo que está, ou melhor, estava grávida. — Ela se prepara e, com toda força, me dá um chute na barriga. Solto um grito de dor e desespero, ela se abaixa e agarra os meus cabelos.
— Implora, cachorra, pela sua vida. Porque quem vai te matar sou eu. — Ela aperta ainda mais meus cabelos. — Antes de te matar, eu quero que sofra mais um pouco. Quero que se sinta o lixo que você é. Amor? — Ela fala com Juan.
— Oi, meu pequeno demônio.
— Está a fim de comer uma puta? Vai me dar tanto tesão. — Ela se aproxima dele e o beija.
— Mas é claro. — Ele me olha, seus olhos estão brilhando.
— Fique à vontade, presentinho.
— SUA LOUCA, NOJENTA, VOCÊ É DOENTE!! — grito, tentando me levantar.
— CALA A BOCA, VADIA! — ela grita de volta. Juan vem ao meu encontro.
— Não, não, de novo não. Por favor...
— Ah, para, garota, você amou me ter. — Ele morde seus lábios.
Ele vem até mim e me agarra, me debato em seus braços.
— Me solta, pelo amor de Deus. Não faz isso, seu desgraçado!
De repente, ouço um grande estrondo na porta.
— Larga ela, seu desgraçado.
— MAYCOON! — Ele finalmente aparece, está com sua roupa amarrotada, de terno cinza, seus cabelos estão meio bagunçados. Aposto que passou a mão diversas vezes pelo nervosismo. Ele olha para mim como um pedido de desculpas, posso ver seus olhos se encherem de água. Em sua mão, está uma arma e ele a segura com toda a força. Vejo um homem logo atrás com outros rapazes, todos seguram uma arma. Natacha fica em choque.
— Amorzinho.... — ela fala com Maycon, indo em sua direção, mas ele vira a arma para ela, fazendo-a parar.
— Vem cá — ele diz e ela vai até ele sorrindo. Ela é doente.
Quando ela chega perto dele, a pega pelo pescoço e a faz de refém, do mesmo jeito em que Juan estava fazendo comigo.
— Larga ela! — Juan fala.
— Não irei largar até você deixar a Diana.
Juan tira sua arma da cintura e aponta para minha cabeça. Fecho meus olhos com força, numa tentativa vã de que eu sumisse dali.
— Solta ela ou mato Diana. — Ele me aperta ainda mais nele.
— Então veremos quem vai matar quem. — Ele faz o mesmo, mirando sua arma na cabeça de Natacha.
— Kinho, por favor não faz isso — ela choraminga.
— CALA A PORRA DA BOCA!
— Não vai soltar ela? — Juan pergunta.
— Já disse, desgraçado! — Maycon rebate.
— Então tá. — Ele tira a arma de minha cabeça e, como se Natacha fosse nada, atira no peito dela. Ela leva as mãos no peito e o olha, horrorizada.
— Desgraçado. — Ela cai de joelhos, logo em seguida seu corpo vai ao chão.
Meu choro é desesperador. O que seria de mim agora?
— E então, Maycon, o que vai fazer?
Ele estava atordoado com tudo o que estava acontecendo.
— Abaixem as armas ou explodo os miolos dela — Juan fala numa autoridade incrível.
— Vamos abaixar as armas — um homem atrás fala, todos abaixam. Maycon demora, mas logo faz o mesmo.
— O que quer, Juan? Você já tem o dinheiro, só larga ela e vai embora.
— Eu já falei que quero destruir a sua vida e eu vou matá-la. — Olho para Maycon, eu já tinha decidido o que faria. Gravo toda as feições de seu rosto para caso não desse certo. Respiro fundo, na tentativa de me acalmar. Quando estou pronta, dou uma cotovelada na barriga de Juan e piso em seu pé o mais forte que consigo. Agarro sua mão com toda a força e começamos uma guerra para tentar ficar com arma. Ouço um disparo feito pela sua arma, mordo seu braço, fazendo-o soltá-la. Aponto a arma para ele com as mãos trêmulas e, devagar, vou me afastando. Todos os homens já estavam com suas armas apontadas para ele.
— Seu filho da puta, eu vou te matar! — Maycon vai para cima de Juan, me encolho no chão e abraço minhas pernas. Um homem, que aparenta ser o líder da equipe, impede que o restante do seu pessoal avance para tirar Maycon de cima de Juan.
— Deixem, ele precisa disso — ele fala num tom baixo.
Maycon dá um soco no rosto dele, que cambaleia para trás.
— Seu cretino, eu falei para não tocar no que é meu! — Juan apenas dá risada, achando graça de tudo aquilo.
Maycon pega ele pela gola da camisa e o empurra sobre a tora de madeira. Juan se levanta meio desengonçado e tenta acertá-lo, mas ele se desvia com facilidade. Maycon o pega e dá várias joelhadas em seu estômago.
— Eu vou te matar, eu quero que você dê risada no inferno agora, seu infeliz! — Maycon saca a arma de sua cintura.
— Não! — grito e ele me olha estranho. Mas eu não estava temendo pela vida daquele homem, ele não era nada para mim. Eu temia pelo que Maycon seria quando tudo isso acabasse. — Não, por favor, você não é como ele. — Me levando com muita dificuldade e caminho até lá. — Quero que ele pague por tudo o que fez, é injusto sua morte. A morte é o seu descanso e ele não merece isso. Ele merece sofrer por tudo que me fez e te fez passar. Vai ser melhor ele vivo e pagando por tudo. — Olho para ele em uma súplica. — Não suje suas mãos com este sangue imundo, você é melhor que isso.
Ele fica indeciso, suas mãos tremem. Ele olha para mim e para Juan, então, respira fundo e dá um soco em seu nariz, jogando-o longe.
— James, pode levá-lo — Maycon diz ao outro homem. — Me desculpa, amor. — Ele olha para mim. A única coisa que eu queria era o seu abraço, me jogo nele e deixo com que toda a minha angústia, medo e pavor fossem embora. Choro tudo o que ainda existia em mim para chorar em seus braços, sentindo o cheiro tão familiar do seu perfume perto de mim.
— Já passou, agora tudo vai ficar bem. Eu te prometo. — Ele beija o topo da minha cabeça e afaga os meus cabelos. Ele se afasta um pouco de mim e tira seu paletó, me fazendo vesti-lo. Me pega em seus braços com cuidado, me ajeito em seu colo e me aninhando nele. Sinto o seu perfume e tenho a certeza de que agora eu estou livre. Ele caminha comigo até o carro, faz menção de me pôr no banco de trás, mas me agarro ainda mais a ele.
— Pequena, eu sei que não quer sair de perto de mim, nem eu quero sair de perto de você. Mas eu preciso te levar ao hospital. — Ele respira fundo.
— Por favor, fica comigo.
— Eu estou com você, meu amor, eu já disse, nada mais vai te acontecer, eu prometo.
— Não quero ficar longe de você, por favor, Maycon. — Escondo meu rosto em seu peito e tento não chorar.
— Ok... não vou. — Ele demora um pouco e fala um pouco mais alto. — James, poderia disponibilizar uns dos seus rapazes para dirigir para mim?
— Claro, sem problemas, Sr. Corppin.
Logo já estávamos dentro do carro, Maycon está sentado atrás, comigo em seu colo ainda. Eu me sentia tão segura. Ele acariciava meus cabelos e me embalava num ritmo gostoso. Meus olhos pesam e a escuridão me consome.
Maycon Corppin
Vendo-a assim, tão frágil em meus braços, meu coração deu um nó. Mas o alívio me domina por ter a minha mulher aqui, comigo, e eu estava pronto para o que der e vier. Estarei ao lado dela nessa nova fase. Não sei bem o que aconteceu e se o que Juan falou é verdade, fecho meus olhos com força pensando na possibilidade. Olho para ela, seus cabelos estão bagunçados, o rosto marcado de sangue e sujeira, seu corpo encolhido em mim aumenta mais o aperto no meu coração.
Não queria ter feito ela passar por isso. Suas pernas estão cheias de sangue e noto que tem uma ferida na perna direita. Olho o seu rosto, que está meio escondido e ela dorme tranquilamente, levo minha mão para sua barriga e a acaricio de leve. Será que o meu filho ainda está aqui? Deus... que aquele desgraçado não tenha me tirado o que eu tenho de melhor. Meus olhos queimam pela vontade insistente de chorar. Respiro fundo, tentando assumir o controle. Acaricio os seus cabelos e sussurro diversas vezes que agora tudo vai ficar bem. Eu farei de tudo para que ela seja a mulher mais feliz, realizada e mais amada desse mundo.
Um tempo depois, estávamos em frente ao hospital, saio do carro com cuidado para não acordá-la. Logo, dois enfermeiros com uma maca aparecem. Poderia ser egoísmo meu, mas preferi levá-la até onde me era permitido ir, em meus braços mesmo. Antes de depositá-la na maca, beijo sua testa e então deixo que o pessoal a levem. O sentimento de vazio me atinge, fico sentado, inquieto, agora era questão de esperar. Havia várias pessoas ali naquela sala de espera. Me levanto da cadeira e vou a cafeteria do hospital, peço um café bem forte, me sento para beber e meu celular toca. James...
— O que houve? — pergunto já preocupado.
— Calma, apenas uma notícia pra te dar, muito boa, por sinal.
— Pensei que... — fico sem voz.
— Ele tinha escapado? Sr. Corppin, ele nunca conseguirá fazer isso.
— O que tem a dizer?
— Então... quando Juan deu entrada na delegacia para fazer todo encaminhamento para o presídio, toda a CIA foi bater lá.
— A CIA? O que a CIA quer com ele?
— Ele era procurado por eles a muito tempo, não sei o que ele fez, mas conseguiu se manter escondido. Mas agora está bem encrencado, foi levado na mesma hora.
— Sabe o que ele fez para eles o levarem?
— Não, senhor, a CIA mantém sigilo em relação a isso. Mas ele deve ter aprontado feio e só lamento por ele, pois eles pegam pesado.
— Nada que ele não mereça…. Tenho que desligar. — Me levanto e caminho para sala de espera.
— Ok, senhor. — Ele desliga.
Fico sentando, esperando por alguma informação de Diana. Toda hora entravam e saíam pessoas do local em que ela tinha entrado, mas nada de alguém para me dizer algo. Levanto decidido a pedir informações, já não aguentava mais. Um médico sai, vestido com um uniforme verde, e fala.
— Família da Srta. Williams.
— Eu aqui. — Vou até ele.
— O que o senhor é dela?
— Sou noivo.
— Ok, o que tenho para falar é bem delicado... ela perdeu o bebê. Foi apresentado violência sexual. Ela está com duas costelas quebradas, o tiro que levou na perna não causou dano algum. Já fizemos a remoção e costuramos, ela vai ter que ficar internada aqui para podermos fazer o acompanhamento de perto. Daqui a pouco, ela vai estar no quarto e o senhor poderá vê-la. — Ele me dá um tapinha de leve no ombro e sai. Fico parado tentando assimilar tudo o que ele me falou, e as lágrimas dos meus olhos caem sem que eu possa evitar.
Fito Diana deitada sobre a cama do hospital, ela ainda dormia. Caminho até ela com as mãos nos bolsos, não tinha superado tudo o que havia ouvido. Já estava aqui a mais de uma hora e não conseguia tirar os olhos dela, tenho medo de que simplesmente suma. Ela se mexe na cama, e logo depois faz uma carinha de dor. Chego mais próximo, seus olhos agora estão abertos e em mim. Sorrio para ela.
— Oi, boneca, está se sentindo bem?
— Oi... estou com dor de cabeça e meu corpo está todo moído.
— Vou chamar o médico. — Me afasto da cama.
— Não, fica aqui. — Ela alcança meus os dedos.
— Eu não vou a lugar algum, vou apenas apertar aquele botão do outro lado da cama. — Aponto para um botão preto na parede, ela sorri envergonhada. Olho para ela anestesiado, ela era linda, ainda mais sorrindo.
— Está envergonhada? — Dou risada, caminho até o botão e aperto, depois me sento na cama próximo a ela.
— Não.
— Mas foi o que pareceu. — Sorrio.
— Eu perdi, não foi?
— Perdeu? O que?
— O bebê... eu perdi? — Ela olha para seus dedos. Respiro fundo e afirmo com a cabeça. Ela fecha os olhos por um tempo e então, vejo uma lágrima caindo. Acaricio os seus cabelos e seco sua lágrima.
— Amor... Eu sinto muito, muito mesmo... Teremos um monte de filhos, eu te farei a mulher mais realizada de todo o mundo, construiremos nossa família assim que você estiver pronta... Eu vou te esperar o tempo que for, Di, porque eu te amo, e quando eu te perguntei se você queria ser meu Sol, eu falei pra valer, meu mundo gira em torno de você, meu amor... Eu dependo de você, Diana. Sou doido por você, e iremos ter muitos filhos dos quais daremos muito amor e carinho. — Ela se inclina e me abraça. Acaricio suas bochechas levemente rosadas, e a abraço com cuidado para não machucar.
— Obrigada, eu não sei do que seria de mim sem você. Eu te amo muito — ela fala num sussurro.
— Eu sei, meu amor, eu sei.... Agora, tenta descansar.
Arrumo o travesseiro e ela se deita.
Diana Williams
Depois que o médico sai do quarto, posso ficar menos tensa. Terei que ficar aqui por uns três dias. A notícia de que perdi o meu bebê me abalou, mas não tanto como imaginava. Creio que uma parte de mim já esperava por isso quando recebia aquelas agressões. Só de lembrar, minhas costelas doem.
— Tenho uma surpresa para você — ele diz e seus olhos brilhavam por um motivo inexistente, mas, que de qualquer modo, me contagiava.
— O que é?
— Você vai ver. — Ele olha para a porta e um homem entra com um lindo buquê de rosas brancas, põe na mesinha que antes estava vazio.
— São lindas, obrigada. — O perfume das flores invade meu nariz, me trazendo calma, como se eu estivesse em algum jardim, num dia ensolarado, apenas curtindo a natureza.
— Calma, ainda não acabou.
— Não? — Digo confusa.
— Podem entrar — ele fala se divertindo.
Entram diversos buquês de rosas, cada um de uma cor: vermelhas, amarelas, azuis, rosas-champanhe, rosa-claro, rosa-escuro, laranja, coral, lilás e roxa. A cada buquê que entrava, meu sorriso aumentava mais, tinham cores ali que eu nem sabia que existiam em flores Eram tão lindas, tão perfeitas. Maycon fica me olhando sorrindo, ele move os lábios falando, sorrio ainda mais ao perceber o que era.... Te amo, minha pequena.
Quando os entregadores se retiram ele diz:
— Sabe... quando eu pedi essas flores e decidi a cor, não foi por qualquer coisa, ou porque são bonitas. Cada uma delas tem um significado que remete tudo o que sinto por você. — Ele segura minhas mãos e sorri.
— As vermelhas, o amor e respeito; amarelas, a nossa felicidade; brancas, a nossa paz, a pureza do nosso amor; azuis... amor verdadeiro e eterno, um amor forte; champanhe, simpatia e a fidelidade entre nós apesar de tudo. — Ele dá de ombros. — A Rosa-escuro, gratidão por tudo o que já fez por mim; rosa-claro, admiração pela mulher que você é; laranja, o quão deslumbrante e encantadora você é; coral... o desejo insano que tenho por você, desejo em todos os sentidos, desejo de estar perto, de ter seu carinho, como o desejo de amá-la também todas as noites. — Ele dá um sorriso de lado, meu coração estava a mil. — Lilás, amor à primeira vista. Desde o dia em que te olhei, sentada na sua mesa no escritório eu senti algo por você, algo inexplicável, do qual eu não sabia dizer o que era. Era como se nossas almas se encontrassem novamente. Hoje, eu vejo isso tudo melhor, não poderia ficar longe de você; e por último, mas não menos importante, a roxa... amor de mãe, você será uma ótima mãe para os nossos filhos, meu amor, e acho bom se preparar, pois teremos vários.
Não consigo conter minhas lágrimas e começo a chorar e sorrir ao mesmo tempo.
— Obrigada, amor, por tudo, tudo mesmo. Eu nem sei o que falar. — Fico nervosa. Ele me abraça e ficamos assim por alguns minutos, até que o barulho de minha barriga roncando nos interrompe.
— É, nem precisa dizer. — Ele ri e eu acompanho. — Vou pedir sua comida, o que quer comer?
— Quero apenas uma sopa, já está tarde, não quero nada muito pesado. Pode ser daqui do hospital mesmo.
— Claro que não, ninguém merece essas sopas de hospital. — Ele faz cara de nojo e eu dou risada, minhas costelas doem um pouco. — O que foi?
— Nada, apenas minhas costelas que doem.
— Não sei porque o médico ainda não veio, deve estar em alguma emergência. Mas vou pedir para algum enfermeiro vir, e irei ligar para o restaurante. Amor, vou precisar sair para chamar o enfermeiro, mas prometo que não demorarei. Você nem sentirá minha falta.
— Tudo bem — digo olhando para as flores que estão no quarto.
Ele sorri e sai, não queria ficar sozinha para não pensar no que não devia, mas uma coisa eu tinha que admitir, apesar de tudo... neste exato momento, eu estava, digamos que, feliz. Maycon sabia exatamente o que fazer para me deixar tão bem e logo, logo, eu estarei pronta para viver novamente. E com ele ao meu lado, porque é isso o que eu mais quero nessa vida, viver em paz com quem amo.