A secretária do CEO
Capítulo 9
cordo com meu celular tocando e
Apercebo que já estava de manhã, pego e atendo.
— Alô.
— Preciso de você, agora. —
Aquela voz que eu tanto conhecia fala.
— Oi, Sr. Corppin, bom dia. Tudo bem? — falo com ironia. — Não sei se o senhor sabe, mas hoje é sábado.
— Sei sim, e preciso de você agora, teremos uma viagem de última hora para fazer a Miami.
— Mas o que? Não dá. — Fico desesperada.
— Se prepare, passarei em sua casa daqui a 30 minutos. — Ele desliga.
— Filho da mãe! — grito para o celular.
— Ei, o que houve? — Diego levanta, passando a mão nos olhos.
— Desculpa, te assustei, preciso ir para casa agora. Tenho uma viagem a trabalho.
— Sei como é, se ajeite, irei te levar.
— Ok, obrigada. — Dou um abraço nele e corro para o banheiro. Tomo uma ducha bem rápida e quando saio, me recordo de que não tenho roupa alguma para voltar a não ser o meu vestido de festa. Vou no closet e, por sorte, tem algumas peças de roupa do Diego. pego uma calça moletom dele e uma blusa de malha, que é bem provável que ele use para dormir ou para malhar, não sei ao certo. Aperto as cordas da calça, ajustando em meu corpo, estava parecendo um saco de batatas, mas daria para chegar em casa.
— Peguei essa roupa sua para vestir — falo para Diego, que está sentado na cama já de banho tomado. Ele olha para mim e cai na risada.
— Você está muito engraçada com minhas roupas. Vamos ou irá se atrasar. — Ele beija minha testa e descemos as escadas, indo direto para o carro.
Alguns minutos depois, chego na entrada do meu prédio.
— Obrigada, até te convidaria para entrar, mas agora eu só tenho exatos 15 minutos para arrumar minha mala e me ajeitar.
— Tudo bem, anjo, vai lá, estarei voltando hoje para Toronto, então não sei quando nos veremos.
— Ok, mas me ligue. — Dou um selinho rápido nele e saio do carro. — Ah, e depois devolvo suas roupas, valeu! — grito entrando no prédio.
O elevador parecia lento até demais ou eu que estava com bastante pressa. Estava com raiva daquele idiota, eu socaria sua cara com prazer. Corro para dentro do apartamento e ponho algumas roupas leves e outras de frio, não sei quantos dias passaríamos lá, pois ele me fez o favor de não dizer. Pego minhas coisas de higiene pessoal e ponho tudo na mala. Troco de roupa, correndo para um terninho cinza e penteio os cabelos para trás, fazendo um coque; meu celular começa a tocar, avisando que ele já estava lá em baixo. Pego meus sapatos e saio de casa, colocando-os dentro do elevador. Vejo Maycon parado do outro lado da rua, me aguardando, ele vem ao meu encontro e pega minha mala.
— Bom dia, Srta. Williams — fala com a voz autoritária e fria.
— Bom dia, senhor. — é tudo o que digo. Fomos o trajeto inteiro em silêncio, fico observando a paisagem pela janela, não demora muita para chegarmos ao aeroporto e o jatinho da empresa já estava à nossa espera. Eu nunca tinha entrado em um, apesar de estar trabalhando com o Sr. Fellipe a muito tempo. Porém, nessas viagens ele nunca me levava, ia sempre com sua esposa. Achava legal, pois assim eles aproveitavam o tempo juntos.
Entro no jatinho e percebo que é muito maior do que eu imaginava. Havia um sofá embutido na parede do lado esquerdo e uma pequena mesa de centro na frente. Na parede do lado direito tinha uma TV média e mais na frente, havia uma espécie de sala de reuniões. Percebo que as poltronas eram móveis, então, quando acabasse alguma reunião, poderiam ser trocadas de lugar. Uma comissária de bordo muito bonita nos aguardava, tinha cabelos loiros e olhos castanhos claros, além de peitos enormes que marcavam na blusa. Isso deveria ser proibido, não? Ela nos cumprimenta e mostra nossos assentos. Me acomodo em uma das poltronas e ponho o cinto, Maycon senta à minha frente, fazendo o mesmo.
Srta. Peitos Grandes toda hora vinha perguntar algo para o Sr. Corppin, e ele estava amando toda essa atenção recebida. Eles conversam um pouco e então ela se retira. Ótimo, posso respirar melhor agora, o perfume dela estava me matando. Em nossos devidos lugares, o jatinho já podia decolar. Sempre fico apreensiva com a subida, mas até que foi tranquilo, depois que estávamos estabilizados no ar, ele tira seu cinto e vai em direção ao corredor. Em seguida, passa Srta. Peitos Grandes empurrando o carrinho. Não sei quanto tempo ela ficou lá com ele, mas logo saiu, consertando suas roupas e parecia envergonhada. Eu não acredito que… ele teve a coragem de pegar a comissária dentro do avião, que mundo perdido, homem escroto. Minha raiva por ele só aumenta, declino mais o banco e me aconchego nele, caindo no sono. Quando acordo, estou coberta por uma mantinha. Não me lembro de ter me coberto com isso. Olho para o lado e Maycon está sentado em seu lugar, trabalhando em seu notebook. Me mexo um pouco para me aconchegar mais no assento.
— Acordou, dorminhoca? — Ele sorri.
— Não, ainda estou dormindo — digo de mal humor.
— E como está falando agora, Srta. Williams? — Ele retruca com uma sobrancelha levantada.
— Secretária eletrônica. — Ele dá uma bela gargalhada.
— Você fala cada coisa. — Sorriu ainda mais. — Não está com fome?
— E você faz cada coisa… — Me recordo da comissária saindo toda sem jeito da sala. — Estou.
— Vou pedir a Flávia para que traga sua comida. — Apenas assenti. Então esse é o nome dela, Flávia, a vagabunda com quem ele estava pegando...
Alguns minutos depois, ela aparece com minha comida. Salmão grelhado, macarrão, purê e salada. Como tudo e ouço o anúncio no alto falante:
— Senhores peço que estejam em seus devidos lugares e com o cinto de segurança, iremos pousar em dois minutos.
Ponho meu cinto e sento-me direito na cadeira, algum tempo depois, estávamos no chão.
Um carro nos espera do lado de fora para nos levar ao nosso hotel, o motorista põe nossas malas no porta-malas e seguimos pela estrada. Alguns minutos depois, chegamos ao hotel, era lindo demais, na entrada têm alguns chafarizes, a água dançava dentro do lago. E a sua arquitetura é linda, tem um tom dourado bonito. Dentro do hotel o chão é de porcelanato, o hall de entrada é grande e logo fomos recebidos por um rapaz.
— Olá, senhor, o que deseja?
— Tenho duas reservas no nome de Maycon Corppin.
— Só um momento. — Ele mexe no computador e olha estranho. — Senhor, sinto lhe informar que só há uma reserva em seu nome.
— COMO É QUE É? VOU TER QUE FICAR NO MESMO QUARTO QUE ELE? VAMOS EMBORA!
— Calma Diana. — Maycon está irritado. — Como assim só tem uma reserva em meu nome? Eu mesmo liguei e reservei DOIS apartamentos.
— Senhor, deve ter tido algum engano. Eu posso chamar a pessoa responsável pelas reservas que são feitas pelo telefone e ver o que aconteceu.
— Acho isso uma ótima ideia, antes que eu chame o diretor dessa merda de hotel, você sabe quem eu sou? Sou Maycon Corppin, dono da Marketing Corporation e tenho dinheiro de sobra para comprar este hotel, então acho melhor mexer os pauzinhos e arranjar um outro apartamento.
— Senhor, infelizmente, isso não será possível, o hotel está lotado.
— Filho da puta! — Maycon esbraveja. Acabo me conformando com a situação, respiro fundo, já tomando minha decisão.
— Tudo bem, Sr. Corppin, ficamos aqui hoje. Amanhã, mudamos de hotel.
— Não, vamos ficar aqui e eu exijo outro apartamento.
— Maycon... Por favor, estou cansada da viagem, por mim, não tem problema. Amanhã, vamos para outro hotel.
— Tudo bem, tudo bem, mas isso não vai ficar assim! — Ele aponta o dedo na cara do rapaz, que fica assustado.
Um outro homem nos ajuda com as malas e então entramos no elevador. Chego em nosso apartamento e quando entro, quase caio dura no chão. O lugar é lindo, a sala é grande, os sofás são brancos em formato de L, a TV é enorme, no meio dos assentos há um centrinho de madeira e um tapete de pelos branco e marrom. Mais na frente, uma varanda para entrada do hotel e ao longe, a praia, uma bela paisagem. Do lado esquerdo da sala uma cozinha americana com plano aberto, os eletrodomésticos são todos inox, tudo muito elegante e atualizado; no canto do lado direito, uma piscina, está tudo muito bem harmônico com o espaço, a água parece estar ótima. Entro num corredor e vejo 4 portas. A primeira é um banheiro; a segunda um escritório, é todo rústico e combina com o restante do apartamento; a terceira porta é uma biblioteca, que por sinal é aconchegante, já sei onde passaria boa parte do meu tempo; e a última porta é o quarto, a cama é enorme e redonda. As janelas são enormes, de vidro, e dá para ver as luzes da cidade, há móveis de cabeceira marrom-claro de cada lado da cama, uma TV e um closet, o banheiro… o banheiro é incrível. Tem uma banheira enorme e uma bancada de mármore, fico encantada com tudo. O rapaz deixa nossas coisas no quarto e vai embora.
— Aqui é muito lindo. — Sorrio.
— Tenho que concordar. Vou tomar um banho, estou exausto.
— Tudo bem.
Pego minha mala e desfaço, colocando algumas peças no closet. Odeio deixar roupas em mala, fica tudo amassado. Arrumo as minhas e faço o mesmo com as do Sr. Corppin. Não sei se ele iria gostar de saber que mexi em suas coisas, mas fiz. Dei mais uma volta na suíte e a piscina estava bem convidativa. Porque não dá um mergulho? Fui ao quarto e coloquei um biquíni preto, a parte de cima era mais fechadinho, com alguns detalhes na frente, e a calcinha tem algumas tirinhas que vão na cintura.
Chego na piscina e testo a temperatura com as pontas dos pés, como esperado, está ótima. Dou aquele mergulho de cena de novela, era tudo tão rico que fiquei me achando aquelas atrizes mexicanas — não mesmo — Levanto e me encosto na beira da piscina e dou de cara com Maycon. Ele está com uma toalha amarrada na cintura, seu corpo definido é de cair o queixo. Os pingos d'água caindo dos seus cabelos e passando por seu corpo eram uma grande tentação.
— Ah, oi, você me assustou. — Meio sem graça, tento manter meus olhos nos seus.
— Desculpe, estava te procurando para agradecer por ter arrumado minha roupa no closet.
— Não foi nada.
— Posso te acompanhar? — Olha para a piscina.
— Hum... pode.
Ele tira sua toalha, ficando completamente nu em minha frente. Dou um grito e tapo os olhos com as mãos.
— Meu Deus, Maycon!
— O que foi? — Ele ri.
Abro os olhos devagar e ele já está dentro da água, tento ao máximo não olhar para baixo e ver o que eu não queria ou melhor, desejava ver.
Ele se aproxima de mim lentamente e eu não tenho para onde correr.
— Seu corpo é lindo — ele diz dando mais um passo em minha direção.
— Não é para tanto, Sr. Corppin — respondo envergonhada.
— Como não? E o biquíni ficou muito bom em você. — Ele dá mais um passo, agora ficando cara a cara comigo. Minha vontade era beijá-lo e transar com ele ali mesmo, mas não me esqueci dele e da Flávia no avião. Ele aproxima os lábios dos meus para me beijar e eu o empurro, com raiva.
— Porra, Diana. O que foi agora?
— O que foi? Agora você se faz de santo? Vou comprar óleo de peroba para passar na sua cara de pau!
— Pode me dizer o que está acontecendo?
— Você me ignorou desde o dia em que ficamos lá em casa, não falou comigo direito, no avião teve a coragem de ficar com aquela vadia da Flávia na maior cara dura e ainda vem querer me beijar? — Me seguro para não o estapear.
— MAS O QUE?! — Ele ficou abismado. — Eu não fiquei com ninguém, tá maluca? De onde você tirou isso? — Ele muda seu tom de voz.
— Ainda se faz de retardado, é mole uma coisa dessas? Vocês dois ficaram um bom tempo dentro de sei lá onde e quando ela volta, volta toda envergonhada arrumando a roupa.
— É por isso? — Ele começa a rir.
— Dá para parar? Olham não tenho nada a ver com sua vida só para de ser cara de pau.
— Eu não fiquei com ela, boba, ficamos conversando sobre o plano de voo e como seria a volta para ela passar ao piloto. Quando ela ia saindo, tomou um tombo e ficou totalmente sem graça, saiu na mesma da hora, talvez isso te explique algo… — Será que eu deveria acreditar nisso? Com toda certeza sou uma burra, por acreditar nessa história ou por ser verdade e eu estar dando chilique sem necessidade.
— Hum… mas, mesmo assim, não me interessa — tento argumentar.
— Está com ciúmes, Srta. Williams?
— Eu? Jamais. Ainda mais por você.
Ele põe sua mão em minha nuca e me puxa pra ele, nossos lábios se tocam e é como se eu estivesse com a boca em chamas. Seu gosto era tão bom que eu passaria horas ali, apenas lhe beijando. Nosso beijo foi ficando rápido e era como se precisássemos disso para viver, quando não temos mais fôlego, paramos.
— Não podemos. — Digo em um fio de voz.
— Quero entender por que sempre me diz isso, é por causa daquele merdinha? —fala relacionado ao Diego e recordo da minha mentira.
— Não fale assim dele, e por mais que não estivéssemos juntos, eu não poderia ficar com você, é errado. Nossa vida profissional não pode ser abalada por isso, temos compromissos.
— Esqueceu que o chefe sou eu?
— É justamente por isso, não é bom para sua imagem estar pegando a secretária e eu não quero ser rotulada como a puta do patrão. — Em partes, era verdade, mas eu queria também guardar o meu coração, ele podia ter todas as mulheres que quisesse, é rico e bonito, não se contentaria apenas comigo...
Apoio meus braços na borda da piscina e levanto, saindo da água. Vou para o quarto e tomo uma ducha vaporosa, lavo os cabelos, saio do banheiro e avisto Maycon sentado na cama.
— Sabe, eu quero tentar algo contigo, não sei, nunca fiquei doido por uma mulher como estou por você, não consigo ficar longe, e eu espero que você entenda. Não sei o que está acontecendo comigo e isso está me deixando apavorado, porque eu não tenho mais poderes sobre mim mesmo, você sabe o que é isso? Passei a minha vida toda tentando não me apegar a ninguém, Diana, e você apareceu. Não nos conhecemos a muito tempo e você já mexe tanto comigo. — Ele respira fundo.
— Sabe o que é isso? Seu ego masculino ferido, mas eu entendo, sim.
— Fala sério, estou aqui falando contigo, me abrindo e você fala que é meu ego? Ok. — Ele ficou irritado. — Se arrume, sairemos em 10 minutos. — E sai do quarto.
Eu não vou cair nessa, já me machuquei muito na vida para acreditar em tudo o que me dizem. Ponho uma calça boyfriend de lavagem clara, com alguns rasgos; uma blusa de manga num tom laranja, mais fechada; ponho um cinto na calça, dando um charme; scarpin branco e bolsa combinando. Arrumo os cabelos, pego meus óculos e passo meu perfume para finalizar.
Vou para sala e ele não está, quando sento no sofá, ele sai do escritório.
— Quero que imprima os documentos de contrato do Sr. Jonas.
— Ok.
Pego meu notebook e abro o e-mail da diretoria, imprimindo duas vias do contrato. Imprimo os outros documentos necessários, ponho tudo em minha pasta e fico aguardando ele sair do quarto. Um tempo depois, ele sai, estava vestido em uma calça jeans, uma blusa social de linho e sapatos sociais. O seu perfume exala por toda a sala, me deixando ainda mais hipnotizada com aquele homem a minha frente.
— Tudo certo? — ele pergunta e eu balanço a cabeça em confirmação. — Vamos.