A secretária do CEO

Amanda Sampaio · Capítulo 22 de 32

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A secretária do CEO

Capítulo 23

 

Pegamos um táxi e passei na casa de Maycon para pegar minhas coisas, Eu já estava na casa de Jullia, passaria um tempo ali com ela. André nos deixou na Marina do Porto e voltou. Mariah ficou sem entender nada.

 

— Minha menina, por favor não vá embora, eu não sei o que

aconteceu para Maycon ter feito isso, mas deve haver algum motivo maior. Ele te ama demais, a muito tempo não o via feliz como ele estava com você — ela diz segurando minhas mãos.

— Mariah, ele me disse que tudo o que vivemos foi uma

mentira, disse que amava Natacha e que só estava comigo para esquecer ela. — Respiro fundo. — E é por isso que vai se casar com ela, eles vão construir uma família, vai ser bom. Agora, me ajuda aqui com essas coisas, vai.

Ela me ajuda com tudo e depois nos despedimos.

— Espero um dia te ver aqui de novo nessa casa, nos trazendo

alegria. De todas, você foi a melhor! A que eu mais gostei. — Ela me abraça forte.

 

A tarde passou correndo, Ju e eu não saímos, almoçamos em casa e depois fomos assistir TV. Ficaria ali até os últimos retoques do meu apartamento terminar, depois, voltaria para minha vida novamente, mas agora, tudo seria diferente. Antes, eu era uma mulher que me mostrava ser independente, desapegada, tudo era tão simples, mas agora, as coisas estão tão difíceis. E amanhã terei que vê-lo e fingir simplesmente que nada aconteceu. Eu ainda preciso do meu emprego, foi algo que eu batalhei muito para conseguir e não daria esse gostinho a ele. Aguentarei tudo, serei forte o suficiente. Já era noite quando pedimos comida japonesa. Tenho que lembrar de falar com Cheila para ela tentar marcar uma consulta amanhã, para mim. Ela sempre resolvia essas coisas, passo uma mensagem rápida a ela que me responde no mesmo instante:

 

Boa noite, marquei para amanhã 12:20. Beijos e até amanhã.

Cheila

Fico menos preocupada, amanhã saberia a razão dos meus problemas de saúde. A noite está um pouco gelada, tomo um banho quente e visto um pijama quentinho, a comida chega e logo vamos comer. Conversamos mais um pouco e decidi ir para o quarto ler um pouco, me jogo na cama e me perco enquanto leio. Meu celular toca, olho, número desconhecido, atendo a ligação meio receosa.

— Alô...? — A ligação fica em um silêncio. — Alô? Tem alguém aí? Vou desligar. — Ouço uma respiração pesada e a ligação cai. Que estranho? Volto a ler meu livro, queria distrair minha mente, amanhã seria um grande dia para mim. Ele me reservava grandes coisas, e ler me relaxava. Relaxei tanto que acabei dormindo.

Acordo antes do despertador tocar, ainda tento dormir, mas é apenas em vão, meus olhos não fecham em momento algum. Me levanto e tomo um bom banho, visto um terninho cinza e uma saia, que ficava justa em meu corpo e tinha uma fenda na perna esquerda; coloco uma blusa rendada na cor vermelha, o que dava um destaque na roupa e salto alto. Faço uma maquiagem leve, mas não esqueço do meu batom vermelho. Seco os cabelos e os deixo soltos, passo na cozinha e tomo um café rápido.

— Bom dia, Margarida, me dá uma carona até o trabalho? — Jullia fala. Claiton trouxe ontem meu amado Suv, estava com saudades de dirigir meu bebezinho.

— Bom dia, levo sim, é caminho. — Ela trabalhava num escritório de Advocacia.

— Ok, só vou tomar um café e vamos.

Saio da garagem, deixo Jullia no escritório e vou para a empresa. O nervosismo começa a me dominar, espero chegar primeiro que ele. Entro no estacionamento da empresa, vou para minha vaga e o carro de Maycon não está. O que não significa nada, porque ele poderia muito bem ter vindo com Claiton. Entro no elevador e ouço os passos de alguém próximo.

— Segura o elevador para mim por favor. — Não, não, não, não! Não podia ser ele! Porque? Aperto o botão do último andar, mas já é tarde demais. Quando as portas estão para se fechar, ele põe a mão do meio fazendo-as se abrirem novamente.

— Qual é o seu problema? Não me ouviu dizer para esperar? — Quando ele vê que sou eu, seu semblante muda. — Só podia ser você, não é mesmo? Porque não me obedece nunca? Posso lhe pôr no olho da rua. — Que grosseiro...

— Me desculpe Sr. Corppin, mas não te ouvi. — Olho e ainda estávamos passando pelo 5º andar, aperto o 6º. As portas do elevador se abrem.

— Se me der licença, prefiro ir pelas escadas.

— Não acha que é muito longe para ir pelas escadas? — fala frio, como sempre.

— E é da sua conta? — Saio do elevador rápido, precisava respirar direito, o cheiro do perfume dele estava me matando. As lembranças estavam rodando em minha mente e meus olhos se enchem de lágrimas, mas eu não vou chorar. Eu não vou.

Vou andando pelas escadas, quando não aguento mais, chamo o elevador de novo, ele já está lá em cima mesmo, subo o restante dos andares de elevador e meus pés agradecem quando chego no meu andar. Cheila já estava em seu lugar.

— Bom dia, segunda chefe. — Ela ri.

— Para de me chamar assim, bom dia. — Reviro os olhos e sorrio.

— Sr. Corppin chegou meio atacado hoje.

— Quando é que ele não chega? A agenda dele está pronta? Vou fazer o café dele para levar na sala, deixa separado aí que já pego. Quando voltar, vamos acertar as coisas da reunião de mais tarde. — Entro na copa e ponho o café para fazer na máquina, eu tinha um tempinho ainda, mas estava nervosa. O café fica pronto, pego e passo na minha mesa. Em cima, estão as agendas que pedi a Cheila, pego e vou em direção a sala dele. Respiro fundo antes de entrar, bato na porta e ouço um “entre”. Ponho a melhor postura, um sorriso largo no rosto e, com o tom irônico, falo:

— Bom dia, Sr. Corppin.

— Você está atrasada.

— Já estava aqui na empresa, como o senhor já sabe, porém, estava fazendo seu café. — Ponho na mesa.

— Sei sim, porque veio pelas escadas? — Ele me olha com uma sobrancelha levantada.

— Precisava me exercitar, nada melhor que uma escada.

— Hum, está precisando mesmo, está meia gordinha. — Mas como que é? Eu não estou gorda coisa nenhuma.

— Quem come não está reclamando. — Ele estava tomando seu café e cospe quase tudo na mesa.

— O que foi? O café está ruim?

— Está sem açúcar. — Ah, tinha me esquecido, uma pena.

— Ah, me desculpe, trago outro daqui a pouco. Vim passar sua agenda, posso me sentar? — Aponto para a cadeira.

— Por favor.

— Então, hoje, as 09:00 horas teremos uma reunião com um novo acionista. As 11:30, você terá um almoço com uma nova marca que quer ser lançada e quer fazer um plano de marketing com sua empresa, e pela tarde, mais uma reunião.

— Ok, no final do dia, iremos refazer minha agenda pessoal.

— Certo, algo a mais, Sr. Corppin?

— Não, saia.

Me levanto como um cachorro mandado e saio da sala, estava odiando esse Maycon rabugento. Respiro fundo e sento na minha mesa, vejo tudo com Cheila sobre a reunião, e vamos arrumar a sala. Depois de tudo pronto, a reunião começa, foi superchata. Às vezes, pegava Maycon me olhando estranho, mas apenas desviava o olhar. A reunião acaba e o acionista ficou de nos dar uma resposta até o final do dia. Levo alguns contratos no Rh e volto. Fico sentada conversando com Cheila enquanto as horas não passam. Ouço o bip do elevador, saltos ecoam pelo corredor e vejo Natacha aparecer. Era só o que me faltava.

— Olá, querida. — Ela dá seu sorriso falso.

— Oi, Natacha — digo em descontentamento.

— Para você, a partir de hoje, é Srta. Green, e mais breve, Sra. Corppin. Gostaria de falar com meu homem. — Mas que merda. Maycon aparece na porta da sala assim que ela termina de falar.

— Meu amor! — Ela fala toda saltitante, indo até ele.

— Oi, Natacha. — Ele sorri amarelo, passa a mão em sua cintura e o que eu menos esperava aconteceu: ele beijou ela na minha frente. Fecho os olhos e me viro de costas, eu precisava sair dali. Vou para o banheiro e me tranco lá, a vontade de fazer vômito é inevitável, me abaixo e ponho tudo para fora, talvez isso aliviaria o que eu estou sentindo. Paro de vomitar, me sento no chão e me desfaço em lágrimas, jurei a mim mesma que não iria chorar, mas está difícil. Ouço batidas na porta.

— Diana? Está tudo bem aí? Sr. Corppin já saiu com a Srta. Green. Foram para o almoço.

— Oi, estou sim, já... já saio. — Tento manter a voz firme.

Me levanto, passo uma água no rosto, dou descarga e saio.

— Cheila vou sair para almoçar e de lá vou a minha consulta. Se não tiver mais nada para fazer, pode sair também e almoçar.

— Obrigada — diz batendo palminhas.

Vou a um restaurante próximo a empresa, como uma salada e filé de salmão defumado para acompanhar, não estava com muita fome. A hora da minha consulta se aproxima, pego o carro e vou até a clínica. Faço minha ficha na recepção e ela me diz onde haverá o atendimento, subo pelo elevador até o 2º andar e fico aguardando sentada. Alguns minutos depois, uma mulher me chama. Entro meio acanhada na sala e sento.

— Boa tarde, Srta. Williams. Sou a Dra. Margaret, diga-me o que te traz aqui… — Explico toda a situação a ela, enquanto digita.

— Talvez você esteja grávida, teve relação sexual a pouco tempo?

— Não estou. Fiz 3 testes e todos deram negativos. E… sim. Tive relação à pouco tempo.

— Olha, quando uma gravidez está no começo, até o próprio exame de sangue pode dar negativo mesmo a pessoa estando grávida. Isso ocorre porque o Beta HCG está baixo. Vou passar um exame de sangue para tirar nossas conclusões. E o sangramento do nariz também acontece em uma gravidez, não são com todas que acontece, mas é normal. Como o fluxo de sangue aumenta muito, as veias delicadas do nariz ficam sobrecarregadas, essas mudanças levam veias a romper com maior facilidade, provocando o sangramento. E em questão da tontura pode ser alteração da pressão arterial provocada pelos hormônios. — Começo a ficar apavorada. Será que eu estou grávida? Não podia estar. Não que eu preferisse uma doença a um filho, claro que preferia a um filho, mas não nessas circunstâncias. Eu não quero nada. Começo a tremer de nervoso.

— Se acalme Diana, uma criança não é problema, vou passar um exame para você fazer agora, os resultados saem em poucos minutos. Aí você já aguarda e retorna aqui.

Ela prescreve o exame e me entrega, agradeço a ela e saio da sala. Uma senhora me guia para a parte de laboratório e colhe meu sangue. Eu não consigo nem pensar, ou raciocinar, me sento no sofá anestesiada e aguardo pelo resultado do exame.

Maycon Corppin

 

 

Saio com Natacha da empresa, iria levá-la comigo para o almoço, espero não me arrepender, e depois resolveríamos coisas sobre o casamento. Seria mês que vem, não vai ser nada luxuoso ou com um vestido exuberante, se era isso o que ela queria. Seria algo simples, se possível em casa mesmo, nada de casa cheia de convidados e gente que só quer saber da vida dos outros. Seria apenas a família, nada de festa para comemorar e não iríamos viajar para uma possível lua de mel. Passaríamos aqui mesmo, tenho diversas coisas para resolver na empresa e esse não é o momento certo para me ausentar.

Tenho aquele almoço extremamente chato, não era porque gostava de negócios que gostava de reuniões ou algo do tipo, eu só gostava de fechar negócios. Esse era o bom, reuniões eram apenas sacrifícios. Natacha hora ou outra dava um palpite, o que estava me incomodando demais, pois ela não entendia do assunto e queria dar uma de inteligente. Assim que acaba o almoço, vamos resolver os impasses do casamento, Natacha não gostou nada sobre minha decisão, mas, se eu iria casar forçado, seria do meu jeito e não do dela. Faria dos seus dias os piores, ela estragou a minha vida.

Perdi muito tempo com essas baboseiras, olho o relógio e faltavam 20 minutos para a reunião.

— Preciso ir.

— Mas agora, amor? — Respiro fundo.

— Tenho uma reunião agora e não posso me atrasar.

— Você nunca pode largar essa empresa 1 minuto sequer? — Viro as costas e saio andando. — Ei, como vou para casa?

— Pega um táxi, ou liga para Claiton.

Entro no carro e dou partida, indo para a empresa. Subo até meu andar, vejo Diana e Cheila sentadas, Diana não parece estar nada bem. O que será que aconteceu? Olho para ela que abaixa os olhos e digita algo no computador.

— Minha sala, já. — Olho para ela e entro.

Ponho minha pasta em cima da mesa e me sento na cadeira arrumando o terno, abro minha caixa de e-mail e ouço batidas na porta.

— Entra.

Diana entra toda acanhada, tem algo de errado acontecendo.

— Srta. Williams, levou os contratos que pedi a contabilidade?

— Sim, Senhor.

— Está acontecendo algo? Não que eu me importe muito, mas sua cara não está das melhores.

— Não, está tudo bem. O pessoal da reunião já chegou, estão apenas te aguardando. — Ela muda de assunto, fico a olhando por alguns segundos e decidi não perguntar novamente.

— Certo, já estou indo, pode sair, e vê se melhora essa cara.

Ela se vira e sai. Olho aquela bunda perfeita, queria dar umas palmadas nela. Expulso esse pensamento e me levanto, indo para sala de reuniões.

 

Diana Williams

Não sei o que dizer e nem pensar sobre minha consulta hoje com a médica. Agora dentro da sala de reunião, tento me ocupar o máximo, dou palpite sobre o que entendo e muitos gostam. Maycon apenas fica me observando. Mas não estou com muita cabeça para ficar em joguinhos com ele. Assim que a reunião acaba, cumprimento a todos que estão saindo e arrumo a sala, terminou mais tarde que o previsto. Já são 16:36 mais alguns minutinhos e eu já estaria livre daqui.

Retorno a minha mesa e o telefone toca.

— Diana, venha na minha sala, por favor.

— Estou indo.

Desligo e vou na sua sala.

— Deseja algo, Sr. Corppin?

— Vamos organizar minha agenda pessoal. — Ele me estende uma agenda preta. Me sento em frente à sua mesa, ele levanta e se encosta na mesa a minha frente, cruzando as pernas.

— Mês que vem, no dia 16, farei a prova do meu terno. — Anoto em sua agenda. — Dia 18, Almoço em família. Dia 19, avaliar buffet com Natacha. Quero que peça flores para mim no dia 20, flores brancas e vermelhas. Dia 29, despedida de solteiro, e 30, meu casamento. Por enquanto, é só. — Ele vai se casar mês que vem? Anoto tudo e fecho sua agenda. Ele estava fazendo isso para me ferir. Olho dentro de seus olhos, ele sustenta o olhar, mas não vejo nada nele além de frieza, não vejo o amor que via antes, e isso só me machuca ainda mais.

— Já que acabou, se me der licença, irei me retirar. — Me levanto e ponho sua agenda na mesa, passando meu corpo próximo ao dele. Ele segura meu braço e sinto sua respiração em meus cabelos.

— Diana... — sua voz soa fraca, olho para ele e por um momento vi o homem com quem estive pouco tempo atrás. Ele solta meu braço e arruma sua postura.

— Quero que fique com isto. — sua voz agora estava normal, fria. Ele mexe em seu bolso e tira o anel de noivado que ele havia me dado antes, olho para ele e uma vontade enorme de chorar me atinge, meus olhos enchem de água, mas respiro fundo. Eu não irei chorar em sua frente.

— Não posso aceitar, Sr. Corppin.

— Por favor, aceite, isto é seu. Não pense muito, apenas aceite. — Ele toca em minha mão, a levanta com delicadeza e põe o anel em meu dedo.

— Tudo bem. — Olhando o anel, me viro e saio da sala, não sei o que pensar em relação a isso. Hoje, tudo na minha vida se resume a uma vontade enorme de chorar, estou tentando ser forte, mas está difícil. Pelo visto, ele está conseguindo prosseguir sua vida e está se dando muito bem com Natacha. E sabe o que é pior? Eu fico feliz por ele. Olho o relógio e está no meu horário, ligo para sala dele.

— Sr. Corppin, ainda vai precisar de mim? Estou indo embora.

— Não, pode ir. Também já estou saindo, quer carona?

— Não, senhor. Obrigada, estou de carro.

— Ok. — Ele desliga.

Ele tentou ser gentil? Ou é impressão minha? Arrumo minhas coisas e libero Cheila. Dou uma carona a ela até em casa e sigo para minha casa temporária, na semana que vem, voltaria para o meu apartamento. Chego lá e encontro uma Jullia ansiosa.

— Vai, conta tudo, como foi a consulta?

— Oi, Jullia, tudo bem?

— Aí, sem papo furado, fala logo. — Meus olhos se enchem de lágrimas, me sento ao lado dela e apoio minha cabeça em seu ombro.

— Ah, Ju, eu não sei o que fazer... — Uma lágrima escapa dos meus olhos.

— Me fala o que está acontecendo. Independentemente do que for, eu vou te ajudar. — Começo a chorar.

— Eu estou grávida, Ju. Grávida! E eu não sei o que fazer agora, ele vai se casar mês que vem! Logo, logo, minha barriga vai aparecer e ele vai ver que eu estou grávida. Mas eu não quero que ele saiba disso, não sabendo que ele vai casar e que eles vão ter um filho juntos também.

— Aí, meu Deus, esse é o menor dos problemas. Tá que as coisas vão ficar um pouco mais complicadas, mas vou amar cuidar de uma criança. — Ela sorri. — E você não precisa dizer nada a ele, não agora. Se caso você quiser falar, você fala quando estiver pronta. Daremos um jeito.

— Obrigada. — A abraço por um longo tempo.

Termino de conversar com Jullia e vou tomar um banho, visto uma camisola branca com laços vermelhos e vou na cozinha pegar algo para comer. Como uma fruta e fico na sala batendo papo com Jullia e assistindo umas besteiras na TV. Lembro das vitaminas que a medica passou para que eu tomasse por enquanto, me levanto e tomo uma. Amanhã, iria ao médico novamente, marcar meu pré-natal e essas outras coisas de grávida que eu sinceramente não sei. Minha ficha ainda não caiu, eu não acredito que tem alguém aqui dentro de mim. Passo a mão em minha barriga. Olho para a sala e Jullia estava sentada, me avaliando e sorrindo.

— Qual a sensação?

— É estranho, mas é um estranho bom. — Ela sorri.

A noite chegou rápido, Jullia e eu ficamos deitadas no sofá, assistindo, o que fez com que a noite passasse extremamente rápida. Me despeço dela e vou para minha cama, deito e me enrolo, pensando no que faria da minha vida, até que durmo.

 

Acordo com meu celular tocando, olho as horas e eram 3:06. Quem será a essa hora?

— Alô?

— Oi, desculpa incomodar nesse horário. Falo com Diana Williams?

— Sim, aconteceu algo?

— Eu trabalho numa boate no centro da cidade e o Sr. Corppin está aqui, ele não está em condições nenhuma para dirigir, está até dormindo no chão. E o seu número está na discagem de emergência.

— Senhor… Me passa o endereço daí que vou buscá-lo.

O rapaz cujo o nome é Marcus me passa o endereço.onho um sobretudo, arrumo os cabelos, pego a chave do carro e saio. E se for mentira? Alguém tramando algo? Expulso o pensamento e vou até o local, vejo o carro de Maycon na frente, ele realmente está ali. Entro meio desconfiada, mas logo o vejo jogado no chão.

— Oi, Sou Diana. Obrigada por terem me avisado — falo com um dos rapazes que estavam presente.

— Sou Marcus, o cara que falou com você. Ele estava bebendo sem parar, falando que estava triste, e que a mulher dele tinha largado ele e o quanto ela era linda. E, para falar a verdade ela é linda mesmo. — Ele me analisa.

— Entendi, mas eu não sou a mulher dele, a conta está paga?

— Ele falava de Diana Williams, quis deixar claro para todos aqui, e não, não está pago. Deixamos para você resolver.

Pego meu cartão e entrego ao rapaz, ele passa a máquina, que apita e o papel logo sai. Com tudo pago, peço ajuda para por ele dentro do meu carro, pediria a Claiton para buscar o dele amanhã. Entro no carro e dou partida, vejo ele se mexer e olho em sua direção, seus olhos azuis estão em mim.

— Olá, gracinha... — fala meio embolado.

— Estou te levando para casa, descansa.

— Você é linda, sabia? — ele fala e pisca meio desajeitado, em outro momento até daria risada, mas não agora. — Eu sinto tanto sua falta Di, do jeito que você me beijava, dos seus carinhos, de tudo... — fala com a voz embargada.

Olho para ele por alguns instantes e volto a olhar para a estrada. Ele não podia estar falando sério.

— Para de falar besteira, você vai se casar mês que vem, e eu espero que seja muito feliz. — Sorrio fraco.

— Eu... eu te amo, será que você não percebe isso?

— Cala a boca, Maycon, você está bêbado. Não ama a si mesmo, quem dirá outra pessoa, tudo o que você faz é me humilhar, me fazer sofrer. Você nunca se importou com meus sentimentos. — Deixo uma lágrima escapar. — Vê se fica quieto.

Vamos o trajeto todo em silêncio, olho para ele, que está dormindo. Nesse momento admirava o silêncio, não queria ouvir as mentiras dele. Chego no prédio e fico me perguntando como levaria ele lá para cima. Balanço ele, até que acorda...

— Vem, vamos. — Puxo ele pelo braço, ele se levanta e apoia em mim. Ele é bastante pesado, caminho com dificuldade até o elevador, aperto o último andar e logo as portas se fecham. Ok. Como eu entraria lá? Chego perto dele e olho em seus bolsos, acho a chave no bolso do terno.

Me levanto e ele me agarra pela nuca, me puxando para ele, nossos lábios se tocam, enviando uma energia diferente ao meu corpo. Ele me beija, no começo não deixo me levar, mas depois me permito. O gosto de Whisky em sua boca era presente, mas não me incomodava, nossas línguas brincavam dentro da boca um do outro, mas não sei se isso era o certo a fazer, não agora. Me afasto dele e tento recuperar meu fôlego.

As portas do elevador se abrem e eu o ajudo a sair, abro a porta da casa e entro, olhando ao redor. Que falta esse lugar me faz. Fecho a porta e caminho para a escada, agora que seria o problema, levo mais do que o necessário para subir. Já lá em cima, vou para o quarto dele, ele se senta na cama, começo a tirar sua gravata e abrir os botões de sua camisa. Ele me olhava atento, dá um sorriso sacana, reviro os olhos.

— Não é o que você está pensando, vamos, levanta e já para o banheiro.

— Você fala igual a minha mãe, será ótima mãe para meus filhos. — Me espanto com a última parte.

— Tá, já chega, vamos.

Ajudo ele a se levantar, ligo o chuveiro e tiro sua calça.

— Entra. — Aponto para o box.

Ele entra calado e começa a tomar o que eu não poderia chamar de banho, começo a rir com a situação. Pego o sabão e passo em seu corpo, olho com atenção cada parte. Como sentia falta dele. Desligo o chuveiro e passo uma toalha para ele, vou na sua gaveta e pego uma cueca.

— Toma, se troca. — Entrego a ele e saio.

Um tempinho depois, ele sai do banheiro. Deito ele na cama.

— Dorme comigo?

— Não posso, tenho que ir para casa.

— Mas aqui é sua casa.

— Não, não é.

— Então fica até eu pegar no sono?

— Até você dormir — digo por fim.

Me deito ao seu lado, ele se aconchega perto dos meus cabelos e fica ali, ele pega minha mão e põe em sua cabeça.

— Faz um carinho...

Mexo os dedos, passando em seu couro cabeludo, Fico alguns minutos desse jeito até que ele dorme. Me levanto devagar, vou ao banheiro e pego um comprimido para dor de cabeça. Amanhã a ressaca vai ser grande. Desço na cozinha, pego um copo e uma jarra de água, subo e deixo do lado de sua cama. Pego o bloquinho de notas, uma caneta e escrevo um bilhete:

 

Espero que isso faça sua dor de cabeça passar.

Deixando o remédio ao lado, caminho até a porta e olho mais uma vez para ele, fecho a porta do quarto e vou embora.

 

O despertador toca, sou forçada a me levantar da cama. Hoje eu estava extremamente cansada, dormi pouquíssimo. Vou ao banheiro e tomo um banho, ponho um vestido um pouco justo marrom, com um decote em V; saltos nude. Arrumo o cabelo e faço uma maquiagem leve, vou na cozinha e encontro Jullia comendo.

— Bom dia, Ju.

— Bom dia, como vocês estão? — Ela diz e olha para minha barriga. Tinha me esquecido desse detalhe.

— Creio que bem. — Dou um sorriso amarelo.

Pego um suco de laranja e tomo, como algumas torradas e me sinto cheia, quando termino tudo, sinto à vontade que tenho tido todas as manhãs, vomitar. Corro para o banheiro e jogo tudo no sanitário. Depois de me aliviar, me levanto, escovo os dentes e dou descarga.

— Você não está tomando seu remédio direito, né? — Jullia aparece na porta de cara amarrada.

— Me esqueci de tomar agora pela manhã. — Dou de ombros. Depois que tomo meu remédio para enjoo, olho o relógio e vejo que já está na minha hora.

Deixo Jullia no trabalho e vou para o meu. Estaciono e subo, Maycon ainda não havia chegado. E hoje teríamos uma visita em uma das filiais... Arrumo uma papelada enquanto converso com Cheila. O vejo entrar.

— Bom dia.

— Bom dia, Sr. Corppin — Cheila e eu o cumprimentamos.

— Em 2 minutos, na minha sala.

— Sim, senhor.

Pego seu café, que já estava pronto, suas agendas e entro na sala.

— Sente-se. — Ele fala assim que entro, ponho seu café na mesa e sento.

— Posso passar a agenda?

— Pode sim, mas antes, queria te agradecer por ontem. — Fico vermelha. Ele se lembra?

— Então você se lembra?

— Não, na verdade, mal soube como cheguei em casa. Vi o bilhete em cima da cama e achei a letra parecida com a sua, fui olhar as câmeras e só confirmei o que imaginava.

— Não foi nada. — Sorrio de lado. Será que ele viu o nosso beijo também? — E então... hoje temos aquela visita na filial.

— Eu te falei algo que não devia ontem?

— Não, acho que não. Poderíamos voltar a falar sobre o trabalho?

— Sim, desculpe. — Hoje ele estava muito estranho.

— Além da visita, teremos uma reunião no final do dia, apenas.

— Já está pronta para ir? Você vai comigo no carro.

— Irei no meu, tenho um compromisso na hora do almoço.

— Posso te levar.

— Não, não dá. — Começo a ficar nervosa. Terei médico no meu horário de almoço e ele não pode nem desconfiar dessa gravidez.

— Tudo bem, creio que já podemos ir, então. — Ele dá um gole em seu café e se levanta, pega sua pasta e vai em direção a porta, eu o acompanho.