A secretária do CEO

Amanda Sampaio · Capítulo 24 de 32

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A secretária do CEO

Capítulo 25

 

bem-vestida e de sorriso bonito. Estou em frente ao prédio do DP Architects . Um prédio lindo por sinal, entro e sou recebida por uma moça alta,

— Boa tarde, em que posso ajudá-la?

— Boa tarde, tenho uma entrevista agora à tarde com o Sr. Arthur Argolo.

— Qual o nome da senhorita?

— Diana Williams.

— Ah, ele já está te aguardando. 15º andar. Vou informar a secretária dele.

— Ok, obrigada.

Pego o elevador e subo. Chegando ao andar, saio e falo com a secretária dele, ela logo me anuncia e entro na sala. Vejo um homem por volta de seus 45 anos, bem conservado.

— Olá, Sr. Argolo, boa tarde. — Me aproximo e o cumprimento com um aperto de mão.

— Srta. Williams, sente-se, por favor. — Sento em uma cadeira de frente à mesa.

— E então, vejo aqui em seu currículo que é formada em arquitetura, mas nunca exerceu. Por quê?

— Nunca tive oportunidade, trabalhei na Marketing Corporation por anos, e gostava bastante de lá, não pensava em sair.

— Mais saiu, por quê?

— Motivos pessoais, mas amo aquela empresa, trabalharia lá novamente — falo a verdade.

— Entendo, olha, estou montando uma equipe de arquitetos, para desenhar os projetos. Preciso que trabalhe nisso.

— Sou ótima em desenhar projetos, era uma das melhores na faculdade. — Sorrio orgulhosa.

— Então vou te colocar junto a eles. A Srta. Bruna irá te auxiliar, ela é da equipe e pode te ajudar nas suas dúvidas. Quanto ganhava no seu outro emprego?

— Em torno de 2 mil.

— Aqui, o salário é de 5, inicialmente.

— Está ótimo.

— Ok, a partir de amanhã você começa, tem a opção de trabalhar aqui ou levar os projetos para casa, contanto que estejam prontos dentro do prazo. Uma equipe vai fazer a instalação de alguns equipamentos em sua casa, para que facilite o seu trabalho. Hoje você vai conhecer a empresa e o pessoal com quem vai trabalhar junto. Seja bem-vinda a empresa.

— Muito obrigada, Sr. Argolo. — Levanto, aperto sua mão e saio de sua sala, estou vivendo um sonho. Miriam, a secretária do Sr. Argolo, me mostra toda a empresa e minha equipe de trabalho, todos são bem simpáticos. Conversei um pouco com a Bruna e ela me explicou algumas coisas que tinha dúvida. Logo depois, fui embora. Chego em casa e ligo para um restaurante, peço comida para mim e Jullia, vamos comemorar enchendo a barriga de comida. Tomo um banho, pego meu creme de pele e passo. Acaricio minha barriga e sorrio, já dava para ver um pouco, estava inchadinha.

— Oi meu amor, sei que ultimamente não tenho falado com você, mas saiba que eu te amo muito e não vejo a hora de ver o seu rostinho, de te ter em meus braços... — Acaricio minha barriga mais um pouco e ponho minha roupa de dormir. A campainha toca e vou atender.

— Ei! O que você está fazendo aqui?

— Queria te ver.

— Eu falei para você não me procurar mais, Maycon — falo ficando irritada.

— Mas eu preciso saber como você e o nosso filho estão.

— Estamos bem, obrigada. Agora, me dê licença. — Vou para fechar a porta, mas ele impede.

— Para com isso, eu quero realmente saber como vocês estão.

— Estou falando a verdade.

— Me deixa ser presente, por favor, pelo menos isso. Deixe-me ir às consultas com você, quero ver meu filho, eu mereço também, você sabe que eu quis essa criança.

— Pensasse isso antes de fazer tudo o que está fazendo agora.

— Diana, eu só estou te pedindo o que é por direito meu, você sabe disso. Se eu fosse para justiça, você seria obrigada a me ver lá em todas as consultas. Mas não quero isso, eu quero que você me deixe estar presente. — Ele olha para minha barriga. — Pensa no nosso filho, ele não merece isso. Por infantilidade e orgulho de nós dois, o único que sofrerá de verdade é ele, que não tem nada a ver com nossos problemas. — Ele tem toda a razão, e o odeio por isso. Respiro fundo.

— Tudo bem, mas não faça eu me arrepender disso...

— Obrigado. — Ele dá um sorriso lindo, de tirar o fôlego. Com um ato inesperado, ele se ajoelha, levanta minha blusa e beija minha barriga. Logo em seguida, a acaricia. Sinto um grande arrepio no corpo, ele percebe e olha para cima alcançando meus olhos. Depois, se volta para minha barriga e diz:

— O Papai te ama muito, não tenha dúvidas. — Dá mais um beijo e se levanta, ficando próximo a mim. Ele levanta sua mão, põe uma mexa do meu cabelo atrás da orelha e acaricia meu rosto. Chega mais perto de mim, deixando minha respiração irregular. Ele se aproxima dos meus lábios para me beijar, quando está bem próximo, ouvimos uma batidinha na porta.

— Entrega!

Me afasto rápido dele, sinto meu rosto queimar. Pego o dinheiro e pago ao rapaz, que vai embora. Maycon continua parado próximo a porta com as mãos nos bolsos, me olhando.

— Te aviso quando tiver a próxima consulta.

— Obrigado. — Ele sorri de lado, caminha até mim e deposita um beijo na minha testa, se abaixa, beija minha barriga e se despede do nosso filho com a promessa de que irá voltar. E sai, me deixando com um grande vazio no peito, mas com um enorme sorriso no rosto.

Entro, ponho a comida no balcão e vejo a porta sendo aberta.

— Oi Ju — falo enquanto ponho os pratos.

— Boa noite amiga, estou exausta. — Ela larga a bolsa no sofá.

— Imagino, vai tomar banho para gente comer, tenho uma novidade para te contar.

— Novidade? Conta logo! — Ela começa a bater palmas.

— Doida. — Dou risada. — Consegui um trabalho na Dp Architects.

— Meu Deus, Diana, sério?!

— Sim, começo amanhã. Ah, e eu vou me mudar daqui a dois dias para o meu apartamento. — Ela desanima.

— Ah, por favor não faz isso, fica aqui.

— Sabe que não posso.

— Claro que pode. — Ela retruca.

— Porque não fazemos assim, você se muda para lá comigo? Não vai precisar pagar aluguel, será menos uma despesa e ficaremos juntas. — Dou de ombro.

— Vou arrumar minhas coisas a-go-ra — Ela vem e me abraça. Começo a rir. — Obrigada, Di.

— Pelo que? Vai logo tomar banho, que estou com fome.

Ela vai para o quarto dela e a campainha toca. Aqui está bem badalado hoje. Caminho até a porta e encontro um rapaz com duas sacolas, uma grande e outra menor.

— Entrega para Srta. Williams.

— Sou eu.

— Assina aqui, por favor. — Ele me entrega um papel e eu assino, pego as sacolas de papelão e entro.

Abro a menor e tem um vestido vermelho lindo, decotado com uma fenda na perna, acompanhado de um cinto de pedras que marca a cintura. Abro a outra sacola e tem uma menor e uma caixa dentro. Tiro da caixa um par de salto alto preto. Dentro da sacolinha tem um par de brilhantes de pedras, do mesmo tipo que o cinto do vestido. Com toda certeza, eu chamaria bastante atenção com aquela roupa.

— Hummm... presentinho, é? — Jullia chega na sala, reviro os olhos.

— Tenho um baile beneficente para ir amanhã.

— Com Diego, né?

— Sim, com Diego.

— Isso ainda vai virar romance.

— Ju, você sabe que, esse tempo todo, ele e eu sempre ficamos e nunca virou romance, porque agora viraria? E você sabe que, querendo ou não, eu gosto do Maycon.

— Isso é verdade.

— ...Ele esteve aqui hoje.

— Esteve? — Ela senta no sofá.

— Me implorou para que deixasse participar das coisas do bebê. — Dou de ombros.

— E você deixou?

— Sim, fiz mal? — pergunto receosa.

— Claro que não, afinal, a criança não tem nada a ver com o problema de vocês dois.

— Foi o que ele me disse, mas eu queria que ele me pagasse pelas coisas que me fez passar, sabe?

— Usando uma criança que não tem nada a ver com essa palhaçada toda?

— Verdade, fui bem infantil.

— E não rolou nada entre vocês?

— O que!? Não. Vamos comer, a comida já deve estar um gelo.

Depois que comemos, ficamos batendo papo no sofá e assistindo a um reality show. Quando acaba a programação, Jullia já está no quinto sono. Acordo ela e vou para a cama, passo uma mensagem para Diego, agradecendo pela roupa e, logo depois, ponho o despertador para tocar e me deito. Quando estou prestes a pegar no sono, meu celular toca. Número desconhecido novamente... Atendo.

— Alô. — Ninguém fala nada, ouço apenas a respiração calma de alguém.

— Quem é? — Continua em total silêncio. Quando vou desligar, ouço alguém no fundo falar.

— Kinho, me ajuda aqui. — A ligação encerra.

Quem é Kinho? E a voz me pareceu conhecida, porém, estava muito distante. Me deito novamente e o sono me embala.

 

Acordo com o despertador tocando, levanto, tomo um bom banho e lavo meus cabelos. Ponho um terninho preto com uma blusa branca e salto preto, faço uma maquiagem e um batom nude rosado. Estou pronta. Vou a cozinha e como um pouco de cereal, depois saio.

 

Maycon Corppin

 

Estou rumo a empresa, Claiton vai no volante e eu vou perdido em meus pensamentos no banco de trás do carro. Minha felicidade é enorme por Diana ter deixado eu me aproximar dela e do meu filho. Faria de tudo para não pisar na bola com ela. Claiton para o carro em frente ao prédio da minha empresa, passo pelo hall de entrada e todos me cumprimentam com um bom dia. Entro no elevador e Adrya também, ela era uma das secretárias do financeiro.

— Bom dia, chefinho. — Ela vem toda atirada em mim, passando sua mão em meu ombro.

— Bom dia — respondo seco, tiro a mão dela do meu ombro. — Sabe, apesar de tudo, eu não te dei toda essa liberdade, o pouco que lhe dei... Eu só podia estar louco. — Aperto o botão do elevador do próximo andar e quando chega, às portas se abrem. — Pode se retirar. — Aponto para fora — E trate de não me tocar mais, e é Sr. Corppin.

— Sim, Sr. Corppin me perdoe. — Ela sai rápido do elevador. Ótimo, prefiro o silêncio. Chego ao meu andar de trabalho e Cheila já me aguardava, como de costume, ela me passa a agenda do dia enquanto tomo meu café. Óbvio que preferia Diana, sem falar que ela sabia lidar com tudo aqui dentro. Agora eu resolvo todas as coisas, Cheila não sabe de necessariamente tudo, mas está me ajudando no que pode. Refaço alguns contratos que voltaram da contabilidade, por erros de cálculos, fecho o faturamento e mando para o financeiro. Pego a papelada da reunião e vou para a sala ao lado.

A reunião tostou todos os meus neurônios, muito longa e cansativa. Fiz alguns investimentos em novas ações, e agora, é torcer para não ter jogado meu dinheiro fora. Olho o relógio e já passava das 14:23. Mando Cheila pedir minha comida, estava faminto, e algum remédio para dor de cabeça. Não iria tirar meu horário de almoço, tenho que adiantar o máximo possível, pois sairia mais cedo hoje.

 

Diana Williams

 

Nunca me senti tão realizada em uma coisa como estou agora com o meu novo trabalho. Recebi um projeto grande para poder fazer com a equipe, ainda estou meio perdida, mas a Bruna está me ajudando com tudo. O pessoal é bem legal, a equipe tem 5 pessoas contando comigo, uma outra equipe foi fazer a metragem do terreno e nos trouxe. Começamos a fazer tudo conforme as medidas do local.

17:46

Saio da empresa cheia de papéis dos projetos que faltavam terminar ainda. Tudo foi conversado sobre isso, teríamos uma reunião no final da semana com os donos da casa, ou melhor, mansão, para saber qual projeto seria feito e as adaptações necessárias à fazer. Desço para a garagem e ponho tudo no banco de trás do carro, descido ir ao shopping, precisava de um up para hoje à noite. Sigo para o shopping, estaciono e vou para o mesmo salão de sempre. Faço o cabelo, as unhas, sobrancelha e depilação. Acho que dá para o gasto. Vou para casa correndo, Diego iria me buscar às 20:00 e já eram 19:13.

 

Chego em casa, tomo um banho, passo meu hidratante corporal, ponho um conjunto preto de lingerie. Parecia que, a cada vez que eu olhava para minha barriga, ela estava maior, mas era apenas coisa da minha cabeça.

Fico boba as vezes, só de lembrar que carrego alguém dentro de mim, apesar de que, no começo, eu achava que estava doente e era só o meu bebê aqui dentro. Acaricio minha barriga, começava a conversar com ele a todo momento, o que era legal e me mantém tão conectada a ele que parecia estarmos juntos a tanto tempo... Pego meu vestido e visto, ponho os saltos pretos e coloco os brincos. O vestido ficou deslumbrante, ele tinha um decote traspassado, o cinto o deixava ainda mais elegante, a fenda era alta, pegava do começo da minha coxa até o pé. Tem um caimento perfeito.

Faço uma maquiagem mais carregada e o batom vermelho não podia faltar, prendo o cabelo em um coque e deixo alguns fios soltos. Vejo uma mensagem de Diego no celular avisando que já me esperava lá embaixo, pego minha bolsa de mão e desço. Ele estava lindo num smoking preto e gravata borboleta, parado ao lado do R8. Caminho até ele, que me analisa de cima a baixo.

— Uau, está linda!

— Você não fica atrás. — Sorrio. Ele pega minha mão e leva até os lábios, deixando um beijo casto entre os dedos. Coro no mesmo instante.

— Alguém já lhe disse que a cor vermelha combina perfeitamente com você?

— Hum... não. — Sim, como já me disse e em momento perdidamente prazerosos...

 

Acordo do meu devaneio quando Diego passa a mão na frente do meu rosto, tentando chamar minha atenção.

— Desculpa, estava pensando em algumas coisas do trabalho.

— Mais já? — Ele abre a porta do carro para mim e eu entro, ele dá a volta e entra também.

— Sim, estou amando. Já até peguei um projeto com a equipe.

— Bem legal, sabia que iam gostar de você.

Um tempinho depois, chegamos a uma grande mansão, a entrada era perfeita, tudo exalava luxo. Entro e pulseiras iguais são dadas a nós dois, a moça da recepção nos guia até a nossa mesa, onde já tem algumas pessoas sentadas. Conheço algumas delas da época em que Diego e eu saímos para eventos em que sua empresa tinha que participar, aqui, em Chicago. Comprimento a todos junto com ele e me sento, um garçom vem me atender e peço um coquetel de frutas sem álcool.

Vejo o movimento, várias pessoas conversam no salão, outras pessoas estão em seus grupinhos. Fico olhando tudo, quando menos espero, vejo Maycon e Natacha entrarem. Ele estava lindo como sempre, Natacha vestia um vestido longo estilo sereia, azul com branco. Ela estava bem bonita. Eles estavam de mãos dadas, e ela se exibia como sempre, mas ele não parecia estar muito alegre com tudo aquilo, parecia cansado, triste, aparentava não estar dormindo bem ou era apenas coisa da minha cabeça. Porém, uma coisa eu não podia deixar de admitir: ele continuava desejável, como sempre, e meus hormônios gritavam por um pouco de Maycon.

Ele para e fala com um pessoal que está próximo a entrada, sorri, mas não é o sorriso que eu gostava de ver. Ele continua andando e falando com todos, Natacha para, para falar com um grupo de mulheres, e ele segue sem olhar para trás. Pelo visto, eles dois não estão se dando tão bem assim. Dou mais um gole no meu coquetel, vejo Diego ao longe conversar com uma moça e parece bem entretido com ela. Que bom que está se divertindo. Volto o olhar para Maycon e o meu mundo parece andar devagar quando ele me vê. É algo incrível, seu sorriso é encantador. Ele caminha até mim.

— Não esperava te ver aqui. — Ele sorri.

— E nem eu esperava estar aqui. — Dou um sorriso fraco.

— Como está você?

— Estou bem, Obrigada.

— E o nosso bebê? — ele pergunta com um sorriso largo nos lábios.

— Bem também.

— Melhor ainda, essa bebida aí não tem álcool não, né?

— Sério isso? Claro que não. Não seria tão irresponsável assim, Maycon, ou melhor Sr. Corppin — falo com ironia.

— Calma, não se irrite, isso não faz bem para nosso filho. Qual o problema?

— É só que você existe, isso as vezes me irrita, sabe?! Mas está tudo bem. — Reviro os olhos e ele começa a rir.

— Você está linda com esse vestido vermelho e fica mais bonita quando está irritada. — Ele dá um sorriso malicioso, provavelmente se lembrou da mesma coisa que eu me lembrei mais cedo. Sinto minhas bochechas queimarem. — Ainda mais quando a cor é em seu corpo... — Ele pisca para mim e para o polegar em minha bochecha, depois se afasta.

— Deveria estar com sua noiva ao invés de estar tomando frente com as mulheres do baile.

— Não estou vendo isso. — Ele olha para os lados, fazendo graça. — Está com quem?

— Com o Diego. — Ele para e me olha, passa as mãos pelos cabelos.

— Não quero você com ele...

— É uma pena que querer não é poder. Olha, não é por nada não, mas acho que sua noiva está tomando champanhe escondida ali no canto. — Aponto para onde Natacha estava, Maycon olha furioso.

— Licença...

Ele sai pisando duro e vai até ela como um furacão, ela tenta se explicar, mas, pelo visto, o champanhe era com álcool, pois a cara de Maycon ficou pior ainda quando provou. Vejo Diego se aproximar.

— Oi, está tudo bem? — Ele pergunta.

— Porque não estaria?

— Vi você conversando com o cara lá, não quis interromper.

— Hum, não iria interromper nada. E você estava muito bem conversando com a moça lá, e creio que ela gostou bastante, olha. — A mulher estava conversando com outra e toda hora olhava para Diego. Não me importava com isso, ele era bonito, rico e solteiro. O baile logo começa, a programação segue normalmente com alguns leilões e compras de danças, mas não como da outra vez. Nesse, as pessoas deixavam um envelope na mesa das damas com o nome dos investidores, cada um tinha direito a uma dança. Aguardo com calma enquanto bebia meu terceiro coquetel, vou ao banheiro rapidinho e quando volto, já estava tudo pronto. As pessoas me olhavam por conta do vestido, eu era a única de vermelho naquele lugar. Pego meu envelope e quando a anunciante diz que todos podem abrir, eu abro, encontro cinco papéis. Olho o primeiro, e tinha o nome de Diego. O segundo, Maycon, isso para mim não é surpresa alguma, já até esperava. Olho o terceiro, Maycon, os outros dois e também estavam o nome de Maycon. Tá, por essa eu não esperava, eu teria quatro danças com ele?

— Vamos? — Diego aparece ao meu lado, estendendo a mão.

Andamos até a pista de dança e começa a tocar uma música que não conheço, mas a batida é bem envolvente. Começo a me mexer, a música começa a entrar na minha mente, mexo o corpo de forma sensual, porém, sem ser vulgar. Vi Maycon me olhar, ele estava sentado próximo ao bar com seu copo de Whisky na mão.

Passo as mãos pela lateral do meu corpo enquanto a batida da música ainda me envolvia, Diego dançava ao meu lado todo animado, ele segura minha mão e me faz rodar, depois me puxa para si novamente. Estava me divertindo bastante, quando penso que a brincadeira estava apenas começando, a música acaba. Agora era a vez de Maycon dançar comigo. Diego beija o topo da minha cabeça, sorri e se afasta. Vejo Maycon se levantar e caminhar lentamente até mim. Olho para os lados, tentando achar Natacha. Cadê ela nessas horas? Não veio atazanar minha vida ainda, bem estranho.

— Nossa vez. — Ele sorri com ternura.

— Por quê?

— Por que o quê?

— Por que está fazendo isso comigo?

— Eu não estou fazendo nada, apenas quereodançar contigo e, afinal, nossa música já começou a tocar.

Na primeira nota da música, eu já soube identificar qual era, Brian McKnight Back at one, a mesma música que dançamos quando ele me pediu em namoro.

— Essa música... — sussurro.

— Sim, vem cá. — Ele segura minhas mãos e põe em seu ombro, depois põe as suas em minha cintura, se aproxima mais de mim e começa a me embalar no seu ritmo. Ele olha em meus olhos e sorri de lado.

— Escolhi essa música porque queria que lembrasse dos nossos melhores momentos juntos, nada de mágoas, nada de ressentimentos. Vamos focar apenas no nosso filho. — Ele passa o polegar na minha barriga, apenas assinto.

Ele começa a cantar baixinho do mesmo jeito que fez a outra vez...

— É inegável que nós devemos ficar juntos, é inacreditável como eu dizia que jamais me apaixonaria... — Ele olha para mim e eu desvio o olhar, percebo que tem algumas pessoas olhando, vejo Natacha ao longe se engraçar com um velho. Nojenta. Ele pega minha mão e põe em seu peito, estremeço um pouco. Demos dois passos lentos para um lado e mais dois para o outro, nos afastamos um pouco e ele me roda, me trazendo de novo para perto de seu corpo, o que eu diria que estava colado ao meu, e ele continua no refrão.

— Um: você é como um sonho verdadeiro.

Dois: só quero estar com você.

Três: pois é evidente que você é a única para mim.

Quatro: repita os passos de um a três.

Cinco: e você se apaixonará por mim. — Ele acaricia o lado do meu rosto.

— Você chegou e trouxe uma vida nova para este coração solitário, você me salvou bem na hora exata — canto o final da música e ele abre um sorriso lindo para mim. Natacha aparece e acaba com o momento.

— Kinho, é sério que você me largou para ficar aqui, dando showzinho com essa piranha na frente de todo mundo!?

— Me poupe de suas idiotices — ele diz, irritado.

— Espera aí, repete...— Analiso o que ela falou.

— É isso mesmo, piranha.

— Não, você chamou ele de Kinho?

— Sim, por quê? — Ela revira os olhos. Ele a sai puxando pelo braço. Foi ele quem estava me ligando todo esse tempo.

Vejo ele se afastar com ela, e Diego vir até mim.

— Acho que ele não vai terminar suas danças com você, é uma pena, uma grande pena. Aceita dançar comigo, Srta. Williams? — Dou risada e começamos a dançar.

 

Estou exausta e com os pés doendo, Diego é incansável. Vejo Maycon subir as escadas e decido ir atrás, precisava perguntar a ele a razão das ligações. Subo as escadas e o vejo no final do corredor, entrando numa porta, caminho mais rápido e vou até lá. Mas não o encontro, olho no outro cômodo e também não está, volto para sala principal e vejo Maycon parado, de braços cruzados me fitando.

— Porque está me seguindo, Srta. Williams?

— Preciso te perguntar algo e achei que agora seria o melhor momento. — Ele vem até mim, me analisando dos pés à cabeça, seus olhos ficaram em um tom azul escuro. Ele chega perto de mim e me puxa, fazendo nossos corpos se colarem. Sua mão vai para minha nuca e acaricia devagar, ele me puxa para seus lábios e me beija. Um beijo envolvente. O seu gosto era tão bom! No começo, resisti, mas depois, o agarro e beijo também. Puxo de leve os seus cabelos, ouço gemer baixinho.

— Estava com tanta saudade de você — ele fala próximo a minha orelha, dá uma mordida de leve e depois chupa.

— Não podemos fazer isso, Maycon — falo entre beijos.

— Claro que podemos... — sussurra em meu ouvido.

Ele começa a beijar meu pescoço, me causando arrepios. Que se dane tudo, tiro seu blazer e começo a desabotoar sua camisa enquanto ele beijava acima dos meus seios. Eu já estava louca de desejo, ele vai me empurrando até nos encostarmos em uma mesa. Ele me vira, fico de costas para ele, sua mão vai até o zíper do vestido e desce, sua mão passeia em minha pele, que está a mostra e tira as alças do vestido, fazendo-as cair ao redor de meus pés.

— Perfeita, do mesmo jeito que eu guardei na memória. Eu te amo tanto, que você nem sabe.

— Como vou saber, se você mente para mim? — Ele me agarra novamente e me beija com um fervor incrível, suas mãos passeiam pelo meu corpo. Eu termino de tirar sua blusa e tiro sua calça. Ele massageia meus seios por cima do sutiã, desce suas mãos até minha bunda e aperta com força, me levantando.

Sento na mesa e ele logo retira minha calcinha. Ele levanta os olhos e sorri com maldade, abro mais minhas pernas e ele cai de boca em mim. Fecho meus olhos com força, sentindo o prazer que ele estava me proporcionando. Ele passa a língua por toda a minha feminilidade e para no meu clitóris, fazendo movimentos circulares. Solto gemidos que não consigo guardar só para mim.

— Geme mais... Deixa as coisas fluírem.

Começo a gemer mais alto quando ele me penetra com sua língua...

— Isso, geme para mim.

Ele sobe beijando minha barriga, tira meu sutiã com agilidade e põe meu seio na boca, sugando com vontade e dando leves mordiscadas. Arfo de desejo, jogando a cabeça para trás, sentindo todo o prazer que ele me proporcionava. Ele tira sua cueca, vejo seu membro extremamente duro, ele se aproxima da minha entrada e me penetra.

— Sempre pronta para mim, tão apertada.

Ele começa a se movimentar, enlaço minhas pernas em sua cintura e arranho suas costas com minhas unhas, enquanto ele beija o meu pescoço, dando alguns chupões. Eu estava ali, na sua frente, toda entregue para ele e não tem jeito, Maycon, eu sempre vou ser sua.

Ele investe com força em mim, seu dedo está em meu clitóris, fazendo movimentos circulares. Sinto os tremores familiares surgirem.

— Ainda não — ele fala em meu ouvido.

Ele sai de mim e me vira de costas, deitando-me na mesa e me penetra de novo, movimentando com rapidez. Rebolo em seu pau enquanto ele estoca com força em mim. Causando uma explosão, gozo, e ele junto.

 

Acordo do meu devaneio e percebo que tudo não passou apenas da minha imaginação. Maycon me olha com uma sobrancelha arqueada, me incentivando a continuar a falar.

— Por que você estava me ligando?

— Eu, te ligando?

— Sim, você. Está me ligando de um número desconhecido a um tempo, e ontem me ligou, só que, antes de desligar, alguém falou “Kinho, me ajuda aqui”. Como eu não percebi que esse tempo todo era você? Por que estava me ligando? E não adianta me dizer que não era você.

— Sim, fui eu, apenas ligava para confirmar se você estava bem.

— E por que eu não estaria?

— Eu não sei, só queria saber, você não me deixava estar perto e como não queria saber de mim, eu apenas ligava. Sabia que estava bem pela sua voz.

— Era só isso? — Esperava algo a mais.

— Sim, era só isso. Esperava mais alguma coisa?

Ouvimos um baque da porta se abrindo e Natacha passa pela porta feito um furacão.

— Aaah, está explicado, você some só podia estar com essa puta.

— Puta é você, me respeite, que não sou do seu tipo.

— Resolveu se defender? — Ela fala com um sorriso no rosto.

— Acho que você está querendo que eu te relembre das vezes que me defendi, não é mesmo?

— Me poupe, garota.

— Me poupe você dos seus joguinhos. Se me derem licença, estou saindo. — Vou passando pela porta e ela me puxa pelo braço com força. — Da para me largar sua louca? — Sinto uma raiva enorme crescendo em mim.

— Natacha, larga ela! — Ele olha para ela furioso.

— Ah, está protegendo sua cadela? — Aperto com força sua mão, fazendo-a me soltar.

— Você não se cansa, né, Natacha? A única cadela que eu vejo aqui, é você. Você só consegue se sentir melhor pisando nas pessoas, sendo melhores que ela, isso tudo é o que? Insegurança, por saber que ele me ama? Por que eu sei que ele me ama, dá pra ver em seus olhos, não pense que me engana. — Aponto para ele, mas continuo olhando nos olhos de Natacha. — Mas saiba que eu fui a primeira a apoiá-lo para cuidar de você e dessa criança que você espera, sem medo, sem me importar com as incertezas do futuro. Você não deveria se preocupar comigo, deveria se preocupar com o que você mesma está fazendo no relacionamento de vocês dois, se é que pode ser chamado assim. — Maycon fica me olhando até que seu celular toca e ele atende. Natacha está me olhando com puro ódio. Saio da sala e ela vem atrás, me dizendo coisas, mas não paro. Já chega dessa palhaçada.

— Eu nunca deixaria você e Maycon serem felizes juntos!

— Pois eu espero que, ao menos você, o faça feliz, porque eu sei que você vai pagar por tudo isso.

— Está me ameaçando?

— Eu, ameaçando? — Paro já perto da escada. — Você está achando que eu te ameacei? Me desculpe, vou reformular minha frase. Vou fazer você pagar por tudo isso.

Ouvimos passos no corredor, Natacha se apressa e crava suas unhas no meu ombro.

— Não, Diana, por favor, não faz isso! — ela grita.

Seguro em seus braços e a sacudo.

— Está ficando louca!? Para com isso, está me machucando, aí... me solta! — Gemo de dor com suas unhas cravadas em meu ombro. Ela troca de lugar rapidamente, eu ficando atrás e ela na minha frente, perto da escada, e ela se joga a baixo. Vejo Natacha rolar degrau por degrau. Meu Deus, o que ela fez? Olho para o lado e lá está Maycon me olhando desacreditado com o que acabou de acontecer.

— Não, não, não fui eu... — digo desesperada.

Ele desce as escadas correndo e eu desço também, tomando cuidado para não tropeçar. Uma multidão já se aglomera em volta de Natacha, que está com a mão na barriga gemendo baixinho.

— Meu filho…. meu filho.

 

Maycon Corppin

 

Vejo Natacha no chão gemendo de dor, chamando pelo nosso filho. Por favor, Deus, que ela não perca o bebê. Me lembro das consultas em que fomos, do som do coração batendo e a angústia só aumenta, eu ainda queria ver meu filho mais vezes no ultrassom, por mais que eu tivesse que ter a companhia desagradável de Natacha.

— Chamem uma ambulância, agora!

— Já foi chamada, senhor.

Olho para cima e vejo Diana chorando ao lado de Diego. Uma senhora vem e tenta virar Natacha, mais Diana a intervém.

— Não mexe, deixa ela parada até a ambulância chegar. — A senhora concorda com ela e se afasta.

— Natacha? Tem alguma parte do seu corpo que está doendo mais que a outra?

— Meu... meu braço dói demais... — Natacha fala em um sussurro.

Diana analisa o braço dela com cuidado e todos a olham atenta.

— Seu braço está fraturado, alguém pode arranjar algumas tiras de papelão ou algo duro? Corda, durex ou atadura? — Um garçom sai correndo para tentar encontrar.

— O que você vai tentar fazer? Você não é nenhuma médica — pergunto.

— Vou imobilizar o braço dela, para a dor diminuir e eu sei que não sou médica, mas só estou tentando ajudar. Não a joguei da escada, ela mesma se jogou. — Eu não sei se acredito nela, sei que nunca faria mal a ninguém, mas o que os meus olhos viram é que me mata. O garçom volta com as tiras de papelão e um rolo de atadura.

— Aqui, senhorita. — Ela pega e, com agilidade, põe as tiras de papelão uma em cima da outra, fazendo uma tala improvisada. Põe debaixo do braço de Natacha, que choraminga um pouco, mas aos poucos se acalma. Ela passa a atadura por todo o braço, imobilizando. Logo depois, se afasta e fica encolhida nos braços daquele otário. Respiro fundo, não era a hora de arranjar briga. Ouço a sirene chegando, e logo depois vem os socorristas correndo. Demos espaço e eles, que a transferem para a maca, tudo muito rápido. Faz uma breve avaliação.

— Quem fez isso no braço dela? — o socorrista pergunta.

— Eu. — Diana levanta o dedo meio sem graça.

— Meus parabéns, isso foi de grande ajuda. — Ele olha para ela e sorri. Eles entram na ambulância e eu acompanho.

— Maycon, eu quero ir junto, preciso ir... — Ela me olha nervosa.

— Está em condições de dirigir?

— Sim.

— Toma. — Jogo a chave do meu carro para ela. — Vai no meu carro, te encontro lá no hospital.

— Ok.

As portas da ambulância se fecham e vamos a caminho do hospital.

— Vai ficar tudo bem, Natacha — digo para ela que está agora sedada.

 

Diana Williams

 

Converso com Diego e ele apenas diz para que eu vá. Ele era uma ótima pessoa, dou um abraço demorado nele e vou correndo para o carro de Maycon. Bato o alarme e saio procurando qual é, acho um Audi A8 preto. Meu Deus que potência. Ok, Foco. Entro no carro e sigo para o hospital, chego rapidamente. Entro correndo e peço informação a recepcionista, que me olha estranho pelo fato de estar vestida daquele jeito no hospital, mas me informa o lugar que devo ir, saio em disparada. Quando chego na sala de espera, encontro Maycon sentado com as mãos na cabeça, ele me olha e estava com os olhos vermelhos.

— O que aconteceu? — A vontade de chorar me atinge.

— Ela perdeu o bebê.

— Não, Maycon, não pode ser. Por favor, acredita em mim, eu não a empurrei, eu nunca faria isso... — Começo a chorar.

— Ei, Ei calma, vem cá. Eu confio em você... — Ele me abraça, mas me afasto.

— Eu sei que não confia, Maycon, o jeito que você me olhou já disse tudo — falo ainda chorando. Sentia uma angústia terrível, por mais jararaca que ela fosse, não merecia perder seu filho.

— Eu só não tinha certeza do que aconteceu, a culpa não foi sua. O médico disse que ela não perdeu o bebê por causa da queda, ela já tinha perdido antes, o bebê já está se desfazendo, e o corpo dela já está expelindo o feto. Vão fazer alguns procedimentos com ela lá dentro. Por favor, cuida do nosso filho. Não deixe que nada aconteça com ele, não sei se aguentaria perdê-lo também.

— Nem eu sei se aguentaria... — Vejo os olhos dele marejarem, não aguento e abraço ele, que me abraça de volta e acaricia minhas costas.

— Ai... — Gemo de dor quando sua mão passa em meu ombro.

— O que foi?

— Nada demais, só estou com dor.

— Deixa eu fazer uma massagem.

Antes que eu fale não, ele aperta. Foi um aperto suave que, em outrora, eu iria gostar mas não agora, me estremeço por inteira.

— Diana, isso não é nada!? Deixe-me ver isso! — Ele me vira de costas e eu apenas fico quieta. Por um momento, eu tive pena de Natacha e das consequências que viriam para ela, apesar dela ter tentado colocar a culpa em mim de ter perdido o seu filho. Porque não vejo outra razão lógica.... Quando ele afasta a alça do meu vestido, se assusta. Pelo visto, deve estar bem feio.

— O que foi isso!? — esbraveja, apenas olho para ele. — Diana, o que foi isso!? Não me faça perder a paciência com você!

— Natacha, cravou as unhas dela no meu ombro, eu não tinha entendido o que ela queria, mas eu segurei seus braços para que ela me soltasse. Quando ouvimos os passos no corredor, ela trocou de lugar comigo e se jogou da escada, fazendo parecer com que eu tivesse empurrado ela.

— Eu vou matar essa desgraçada, ela não tem escrúpulos.

— Maycon, acho que esse não é o momento. Querendo ou não, ela acabou de perder o filho, por pior mãe que ela fosse, eu sei que ela deve estar muito mal agora. — Pelo menos era isso o que eu achava.

— Tudo bem, deve estar cansada, vou te levar para casa. — Assinto e saímos do hospital. Entrego as chaves de seu carro, ele abre a porta para mim e eu entro. Ele dá a volta e senta em seu lugar, me olha por alguns instantes e sorri.

— O que foi?

— Me lembrei da última festa beneficente que fomos, você com aquele vestido preto tão linda, ao meu lado, estávamos tão felizes.

— Sim, estávamos, pena que era tudo uma mentira...

Encosto minha cabeça na janela e fecho os meus olhos. Sinto o carro movimentando.