Amazônia: expansão do capitalismo
I. Apanhado histórico do povoamento e seus aspectos econômicos e políticos
I. Apanhado histórico do povoamento
e seus aspectos econômicos e
políticos
Os devassamentos
A partir dos anos 70 deste século, o mundo amazônico principiou a
passar pelo quarto e, pode-se asseverar, último devassamento,
impulsionado pela expansão capitalista. Último no sentido de
penetração territorial, de propriedade das terras, minas e florestas,
de organização econômica política da área. Mas trata-se de um
começo.
O primeiro devassamento foi o da floresta tropical situada ao longo
dos rios, furos, lagos e canais navegáveis. Buscavam-se as drogas
do sertão, utilizáveis na alimentação, condimentação, construção
naval e na farmacopéia da Europa ocidental.
Mas o histórico devassamento ocorreu entre as últimas décadas do
século passado e as duas primeiras do atual, quando a Europa e os
Estados Unidos industriais requeriam volumes maciços de borracha
para a confecção de inúmeros objetos, desde os de uso doméstico
até pneus para bicicletas, automóveis, material bélico e de
construção naval. Foi o ciclo da borracha.
A partir dos anos 20/30 deste século tem início a invasão das
frentes pioneiras agropecuárias e mineral, que penetram através
dos enormes vãos das organizações extrativas de látex e de
castanha. Ao lado dos empregados semiescravizados dessas
organizações, aparecem sitiantes, fazendeiros, novos empregados e
garimpeiros.