Amazônia: expansão do capitalismo

Fernando Henrique Cardoso · Capítulo 2 de 32

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Amazônia: expansão do capitalismo

I. Apanhado histórico do povoamento e seus aspectos econômicos e políticos

I. Apanhado histórico do povoamento

 

e seus aspectos econômicos e

 

políticos

 

Os devassamentos

 

A partir dos anos 70 deste século, o mundo amazônico principiou a

passar pelo quarto e, pode-se asseverar, último devassamento,

impulsionado pela expansão capitalista. Último no sentido de

penetração territorial, de propriedade das terras, minas e florestas,

de organização econômica política da área. Mas trata-se de um

começo.

 

O primeiro devassamento foi o da floresta tropical situada ao longo

dos rios, furos, lagos e canais navegáveis. Buscavam-se as drogas

do sertão, utilizáveis na alimentação, condimentação, construção

naval e na farmacopéia da Europa ocidental.

 

Mas o histórico devassamento ocorreu entre as últimas décadas do

século passado e as duas primeiras do atual, quando a Europa e os

Estados Unidos industriais requeriam volumes maciços de borracha

para a confecção de inúmeros objetos, desde os de uso doméstico

até pneus para bicicletas, automóveis, material bélico e de

construção naval. Foi o ciclo da borracha.

 

A partir dos anos 20/30 deste século tem início a invasão das

frentes pioneiras agropecuárias e mineral, que penetram através

dos enormes vãos das organizações extrativas de látex e de

castanha. Ao lado dos empregados semiescravizados dessas

organizações, aparecem sitiantes, fazendeiros, novos empregados e

garimpeiros.