Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 9 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo 8

 

A MEU IRMÃO AUGUSTO

 

Léman azul, que, mudo e morto, jazes.

Quanto és feliz! assim podesse eu sel-o!

Nem a sombra dos montes, nem seu gêlo,

De turvar tuas agoas são capazes.

Minhas cartas inuteis de doutor

Eu rasgaria, é certo, com prazer,

Se eu podesse um dia vir a ser

Dessas ondas, um simples pescador.

Léman azul, nas agoas socegadas,

Quantas vidas tu levas confiadas!

Pareces ver meu mal, e escarnecel-o!

Só do meu coração, ao alto-mar,

Ninguem se quiz ainda sujeitar.

Quanto és feliz! assim podesse eu sel-o!

Villeneuve, junho, 1896.