Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 22 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo 21

 

O coração dos homens com a idade,

A pouco e pouco, vae arrefecendo...

Quão diversos me vão apparecendo

Do que eram ao abrir da mocidade!

O sorrizo não tem já lealdade,

Lagrimas são difficeis... não as tendo.

Palavras não vos faltam, estou vendo

Mostrar o que sentis só por vaidade.

Já não me illude, a Gloria que sonhei.

Perdi a fé em tudo quanto amei.

Mas só agora, eu sei o que é viver!

Não fazes bem, assim, em rir de mim!

Tenho tido na vida horrores sem fim,

Mas só agora, eu sei o que é soffrer!

Ilha da Madeira, dezembro, 1898.