Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 10 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo 9

 

A JUSTINO DE MONTALVÃO

 

Em St. Maurice (aqui perto) ha um convento

De Franciscanos. Fui-me lá ha dias.

Quando eu entrei, tocava a Avè-Marias.

Iam ceiar. Fóra mugia o vento.

Um pallido Christo, ao fundo da sala,

Espalha em redor seu alvo clarão;

E, quando se reflecte a Cruz pelo chão,

Os frades ingenuos não ousam pisal-a.

«Meu irmão...» disseram, ao verem-me á porta.

Vontade, Senhor, tive eu de chorar!

Tão só me sentia, pela noite morta...

E quando na volta, á luz das estrellas,

Meu doido passado me vim a evocar,

Pensei no perdão d'uma alma d'aquellas.

Bex, junho, 1896.