Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 40 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo 14

Ha um lindo logar, em Traz-os-Montes,

Com uma caza só, a caza della.

O mais é o pôr-do-sol, bouças e fontes

Que compõem a sua parentella.

Encanto de possuir uns taes parentes!

Fidalga excepcional que é a Purinha!

Que ella nas veias tem sangue dos poentes,

E os cravos brancos chamam-lhe: Priminha!

Oh que ascendencia! que familia estranha!

Onde ha fidalgos com uns taes avós?

Sois os seus Paes, pinheiros da montanha,

E assim ella é altinha como vós!

 

14

 

Amo-te toda porque és linda, linda, linda!

Teus olhos, tua voz, teu sorrizo, eu sei lá!

Mas o que eu amo mais, o que amo mais ainda,

É a alminha de Deus que dentro de ti está.

 

15

 

Uma alma chega ao pé do seio da Purinha!

E bate devagar, docemente: «truz! truz!»

—Quem é? (responde lá de dentro uma vozinha)

—(Antonio...) e logo veio á porta, com a luz.