Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 54 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo X

Porque a déste ao nosso p'ra guardar?

Não é elle o mesmo que em Ourique

A acclamou nas mãos do teu Henrique?

 

X

 

Anda tudo tão triste em Portugal!

Que é dos sonhos de gloria e d'ambição?

Quantas flores do nosso laranjal

Eu irei vêr cahidas pelo chão!

Meus irmãos Portuguezes, fazeis mal

De ter ainda no peito um coração.

Talvez só eu! (Amôr ai tu m'entendes!)

Possa ainda ter a paz que já não tendes.

 

XI

 

Talvez só eu irmãos! mas é que a mim

Deve o Senhor as flores com que s'enfeita

A mocidade!... que é d'elle o meu jardim!

Dizei-me vós irmãos, na vida estreita

Toda a desgraça não terá um fim?

Se a ventura não póde ser perfeita

Tenho agora a Patria em sepultura!

Que mais quereis na taça d'amargura?

 

XII