Despedidas: 1895-1899
Capítulo X
Porque a déste ao nosso p'ra guardar?
Não é elle o mesmo que em Ourique
A acclamou nas mãos do teu Henrique?
X
Anda tudo tão triste em Portugal!
Que é dos sonhos de gloria e d'ambição?
Quantas flores do nosso laranjal
Eu irei vêr cahidas pelo chão!
Meus irmãos Portuguezes, fazeis mal
De ter ainda no peito um coração.
Talvez só eu! (Amôr ai tu m'entendes!)
Possa ainda ter a paz que já não tendes.
XI
Talvez só eu irmãos! mas é que a mim
Deve o Senhor as flores com que s'enfeita
A mocidade!... que é d'elle o meu jardim!
Dizei-me vós irmãos, na vida estreita
Toda a desgraça não terá um fim?
Se a ventura não póde ser perfeita
Tenho agora a Patria em sepultura!
Que mais quereis na taça d'amargura?