Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 50 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Capítulo I

Ó terra! Que saudade a de quem te deixa

Ó terra! pela aventura do alto mar!

Entra o piloto e abraçam-se estes e aquelles.

Abraçam-se e riem tanto á vontade...

Abraços que levam almas dentro d'elles,

Sorrizos de boccas que fallam verdade!

Só as intende (capitães, não as sentís)

Quem, algum dia, passou as agoas salgadas

Quem, um dia, as passou n'uma hora infeliz

Quem, um dia, as passou, com as frontes curvadas.

E «Maria» vae indo pelo Tejo acima,

E scisma Anrique: «Que lindo Portugal!»

Vem as nymphas, vae uma dá-lhe uma rima,

Vae outra (gostam d'elle) e vae faz-lhe um signal.

E Anrique scisma: «Quem não te viu ainda!

Ó minha Lisboa de marmore! Lisboa

De ruinas e de glorias! Tu és linda

Entre as cidades mais lindas, ó Lisboa!»

Ó minha Lisboa! com oiros tão constantes

Pelas serras e céus e pelo rio! Com seus

Jeronymos dos Poetas e Mareantes!

Lisboa branca de João de Deus!

 

I

 

Ó Lisboa! n'um seculo bem perto

Quando a Africa e as Azias se mostrarem

Civilizadas, sem um só deserto,

E as esquadras do mundo inteiro entrarem