Despedidas: 1895-1899
Capítulo I
Ó terra! Que saudade a de quem te deixa
Ó terra! pela aventura do alto mar!
Entra o piloto e abraçam-se estes e aquelles.
Abraçam-se e riem tanto á vontade...
Abraços que levam almas dentro d'elles,
Sorrizos de boccas que fallam verdade!
Só as intende (capitães, não as sentís)
Quem, algum dia, passou as agoas salgadas
Quem, um dia, as passou n'uma hora infeliz
Quem, um dia, as passou, com as frontes curvadas.
E «Maria» vae indo pelo Tejo acima,
E scisma Anrique: «Que lindo Portugal!»
Vem as nymphas, vae uma dá-lhe uma rima,
Vae outra (gostam d'elle) e vae faz-lhe um signal.
E Anrique scisma: «Quem não te viu ainda!
Ó minha Lisboa de marmore! Lisboa
De ruinas e de glorias! Tu és linda
Entre as cidades mais lindas, ó Lisboa!»
Ó minha Lisboa! com oiros tão constantes
Pelas serras e céus e pelo rio! Com seus
Jeronymos dos Poetas e Mareantes!
Lisboa branca de João de Deus!
I
Ó Lisboa! n'um seculo bem perto
Quando a Africa e as Azias se mostrarem
Civilizadas, sem um só deserto,
E as esquadras do mundo inteiro entrarem