Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 30 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Affirmações religiosas

 

Ó meus queridos! Ó meus S.tos limoeiros!

Ó bons e simples padroeiros!

Santos da minha muita devoção!

Padres choupos! ó castanheiros!

Basta de livros, basta de livreiros!

Sinto-me farto de civilisação!

Rezae por mim, ó minhas boas freiras

Rezae por mim escuras oliveiras

De Coimbra, em S.to Antonio de Olivaes:

Tornae-me simples como eu era d'antes,

Sol de Junho queima as minhas estantes

Poupa-me a Biblia, Anthero... e pouco mais!

No mar da Vida cheia de perigos

Mais monstros ha, diziam os antigos,

Que lá nas agoas d'esse outro mar.

O que pensaes vós a respeito d'isto,

Ó navegantes d'esse mar de Christo!

Heroes, que tanto tendes que contar?

Chorae por mim, ó prantos dos salgueiros,

Pois entre os tristes eu sou dos primeiros!

Lamentos ao luar, dos pinheiraes,

E vós ó sombra triste das figueiras!

Chorae por mim ó flôr das amendoeiras

Chorae tambem ó verdes cannaviaes!

E quando emfim, já farto de soffrer

Eu um dia me fôr adormecer

Para onde ha paz, maior que n'um convento:

Cobri-me de vestes, ó folhas d'outomno,

Ai não me deixeis no meu abandono!

Chorae-me cyprestes, batidos do vento...

1897.