Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 35 de 55

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Despedidas: 1895-1899

Ao Mar

 

(SONETO ANTIGO)

 

Ó meu amigo Mar, meu companheiro

De infancia! dos meus tempos de collegio,

Quando p'ra vir nadar como um poveiro

Eu gazeava á lição do mestre-regio!

Recordas-te de mim, do Anto trigueiro?

(O contrario seria um sacrilegio)

Lembras-te ainda d'esse marinheiro

De boina e de cachimbo? Ó mar protege-o!

Que tua mão oceanica me ajude,

Leva-me sempre pelo bom caminho,

Não me faltes nas horas de afflicção.

Dá-me talento e paz, dá-me saude,

Que um dia eu possa emfim, poeta velhinho!

Trazer meus netos a beijar-te a mão...