Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 16 de 55

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Despedidas: 1895-1899

15 Mamã

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Mamã

 

Toda a Paz, todo o Amor, toda a Bondade,

Toda a Ternura que de ti me vêm,

Amparam-me esta triste mocidade

Como nos tempos em que tinha Mãe.

Quanto eu te devo! Odios, impiedade,

Indignações e raivas contra alguem,

Loucuras de rapaz, tedios, vaidade,

Tudo isso perdi—e ainda bem!

Salvaste-me! Trouxeste-me a Esperança!

Nunca m'a tires não, linda criança,

(Linda e tão boa não o farás, talvez!)

Pois que perder-te, meu amor, agora,

Ai que desgraça horrivel! isso fôra

Perder a minha Mãe, segunda vez.

Ilha da Madeira, 1898.