Despedidas: 1895-1899

António Nobre · Capítulo 15 de 55

Páginas do PDF

Despedidas: 1895-1899

Capítulo 14

 

O mar que embala, ás noites, o teu somno

É o mesmo, flor! que á noite embala o meu.

Mas em vão canta a minha ama do Outomno,

Pois pouco dorme quem muito soffreu.

Mas tu feliz qual rainha sobre o throno,

Dormes e sonhas... no que, bem sei eu!

O teu cabello solto ao abandono,

As mãos erguidas de fallar ao céo...

Feliz! feliz de ti, doce Constança!

Reza por mim, na tua voz chymerica,

Uma Avè-Maria de Esperança!

Por minha saude e gloria (Deus m'a dê)

Por essa viagem que vou dar a America...

Quando, um dia, voltar, dir-te-ei porquê!

Ilha da Madeira, maio, 1898.